Espetáculo de grande repercussão e longa trajetória, já apresentado em mais de setenta cidades de todo o país, Árvores Abatidas ou Para Luís Melo chega ao Rio para curtíssima temporada, de 30 de agosto até 2 de setembro, na Caixa Cultural Rio de Janeiro – Teatro Nelson Rodrigues.
“O espetáculo, que merecia estar na mostra oficial (Fringe 2009), parte de texto do escritor austríaco Thomas Bernhard para uma provocação ao meio teatral curitibano. O resultado é extraordinário, principalmente, pela interpretação antológica de Stavis”, analisa o crítico da Folha de São Paulo, Luiz Fernando Ramos.
A peça é narrada por uma mulher (Rosana Stavis), que convidada a um “jantar artístico”, em homenagem ao famoso ator do Teatro Nacional, percebe que está, na verdade, em uma reunião de talentos medíocres. Arrependida de ter aceitado o convite e enquanto espera o famoso ator, que nunca chega, ela reflete sobre sua vida e o meio que a cerca, sob a lembrança de uma grande amiga de todos enterrada naquele mesmo dia.
A narradora atua em um estado próximo ao devaneio, onde seus pensamentos, lembranças e imaginação fluem líricos em certos momentos, macabros e pesarosos em outros, tornam-se pouco imaginativos e medianos em certos trechos, para logo em seguida flertarem com a filosofia e o sublime, tornando-se expansivos, contraditórios e com confusões e associações próprias da consciência humana.
Algumas das características marcantes da peça são a caricatura e o exagero como linguagem, o tom poético com repetições e variações, uma pitada de grotesco e o cuidado minucioso com a musicalidade e ritmo das frases, além das ideias implacáveis contra as misérias da sociedade e do ser humano. Trata-se de uma narrativa densa e sôfrega, por vezes angustiante, frequentemente hilariante.
O texto, assinado por Marcos Damaceno, também diretor do espetáculo, foi escrito especialmente para Rosana Stavis, uma das principais atrizes do teatro brasileiro (segundo crítica especializada), em comemoração aos seus 20 anos de teatro. “Ele foi escrito a partir da obra do Thomas Bernhard (1931-89), um dos mais sarcásticos, provocativos e zombeteiros escritores do século XX”, diz o diretor. “O enredo é uma declaração de amor e ódio ao teatro, em que retrata dores e delicias da carreira artística”, conclui.
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