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A força criativa do Nordeste – Literatura de Cordel

Ilustração de J. Borges
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Marcelo Candido Madeira · Rio de Janeiro, RJ
14/1/2007 · 52 · 5
 

No Brasil a Literatura de Cordel teve seu destaque na região Nordeste entre os anos 30 e 50. Nos meados dos anos 40 aumentou em muito a procura por estes livretos, escritos em versos, sextilhas, septilhas ou décimas impressos em xilogravura. O conteúdo normalmente abrange o relato do dia-a-dia do sertanejo e a vida política do país. Os autores deste gênero de literatura são chamados cordelistas.

Três aspectos da literatura de cordel ressaltam a capacidade do Homem em buscar alternativas para expressar e divulgar a sua criatividade. Além de serem escritos em poesia narrativa, os livretos são impressos artesanalmente em xilogravura no qual a reprodução de imagens e textos se faz por meio de pranchas de madeira gravadas em relevo, tornando possível a impressão de forma simples e barata. E outro aspecto importante é o fato dos livretos serem divulgados e vendidos pendurados em varal de cordas o que deu origem ao nome Literatura de Cordel.

A origem desta forma de expressão tão peculiar é antiga e remete à Europa nos idos do século XV, mas precisamente Holanda e Alemanha. Apesar de serem escritos em prosa, alguns dos folhetos já apareciam em versos impressos em xilogravuras exatamente como ainda hoje, no nordeste brasileiro. Na Espanha, o mesmo tipo de literatura popular era chamado de “Pliegos Suletos” tendo mais tarde chegado a América Latina com o nome de “Hojas” e “Corridos”. Na França eram conhecidos como “Literature de Colportage” e eram mais difundidas no meio rural. Na Inglaterra folhetos relatavam acontecimentos históricos e tinham o nome de “Cocks” ou “Catchpennies”. Em Portugal, a partir do século VXII, circulavam em feiras as denominadas “Folhas soltas” ou “Volantes”.

Acredita-se que a Literatura de Cordel chegou ao Brasil no fim do século XIX trazida pelo colonizador luso. Os próprios autores confeccionavam os textos em formato 11x15 em papel jornal de baixa qualidade. Os livretos eram pendurados em barbantes e cantados em feiras e praças públicas, geralmente acompanhados por um músico.

Ainda hoje a literatura de Cordel mantém-se viva e bastante difundida no Brasil, apesar da tradição ter permanecido em sua maioria na região Nordeste. Vários escritores conceituados foram influenciados pela Literatura de Cordel entre eles, Ariano Suassuna, João Cabral de Melo Neto, José Lins do Rego e Guimarães Rosa.

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Carlos ETC
 

Sempre bom rever a Literatura de Cordel!
Bom texto!

Carlos ETC · Salvador, BA 10/1/2007 15:48
3 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
asinha
 

Ótimo texto.
É importante abordar o tema pouco explorado.
O texto é rico, claro e objetivo.

asinha · Salvador, BA 10/1/2007 20:52
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Rafael Biazin
 

adoro essa forma jornalística de abranger culutra. parabéns!

Rafael Biazin · Campo Mourão, PR 11/1/2007 21:14
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
asinha
 

Parabéns!
Vamos divulgar a cultura nordestina.

asinha · Salvador, BA 14/1/2007 16:13
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Jolanda
 

É muito lindo ver, como a tradição da literatura de cordel é muito viva no Brasil ainda hoje. É uma forma cultural a mais do Brasil que tem que ser preservada!

Jolanda · Salvador, BA 14/1/2007 17:52
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