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A Reconstrução de Palmares (Parte II)
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 20/3/2007 06:49 · 107 votos · 6 comentários ·  
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overponto
comerciantes Ovimbundos? copyright : James  Johnston - 1893
A eletrizante história dos Kimbundos de Angola
em sua saga no maior quilombo do Brasil

Angola Djanga
Reconstituindo os fatos

A expressão Ngola Janga, originária certamente de algum idioma daquela região que corresponde a Angola atual e, segundo os estudiosos, utilizada pelos rebeldes palmarinos para designar o complexo de quilombos no qual viveram por quase um século, nos remete diretamente ao reino de Matamba que, mais tarde anexando o reino vizinho o Ndongo, passou a ser conhecido como Reino de Angola por causa do título de seus sobas, conhecidos como ’Ngolas’, onde na Mbanza (capital) localizada em certa época em Matamba, reinava Ngola Nzinga Mbandi, a Rainha Jinga. A expressão, se tiver sido usada mesmo pelos negros de Palmares, como vários os documentos atestam, provavelmente o era com o sentido de ‘Novo Reino’, ou mesmo ‘Novo Sobado’, do mesmo modo que se diz ‘Nova York’, Nova Holanda’, etc. É bom se frisar que o termo ‘Angola’, como designação de um local ou região específica, no tempo de Palmares era usado apenas pelos portugueses.

A tradução ‘Angola pequena’ usada recorrentemente para traduzir o termo Ngola Janga talvez seja uma conclusão precipitada por uma razão etimológica muito simples: Em Kimbundo, língua provavelmente falada pela maioria dos palmarinos, o diminutivo é preferencialmente construído com o prefixo Ka, donde Angola pequena deveria ser grafada como ‘Ka-ngola’.

O complexo de quilombos denominado Palmares só foi realmente invadido muito tempo depois da expulsão dos holandeses. Os ataques foram quase de surpresa e supõe-se que os atacantes estivessem muito bem informados sobre onde estava Ganga Zumba, sua família e seus principais líderes.

Segundo os documentos da época, uma mulher, que aparece em alguns relatos como sendo a ‘Rainha do quilombo’, governa junto com um chefe militar e/ ou chefe espiritual e militar, conhecido talvez como Nganga a Nzumbi (os portugueses dizem ‘Ganga Zumba’). Esta mulher, pelo que se pode deduzir já está com idade avançada em 1678, grande matriarca do quilombo de Palmares, dificilmente não pertenceria ao clã dominante no Reino de Angola (dinastia originária dos reinos do Ndongo ou de Matamba), clã do qual fazem parte também todos os principais chefes de reinos do Império do Kongo nesta mesma ocasião, o clã de Nzinga Nkuwu, seu descendente Ngola Ndambi e Ngola Ndambi Kiluanji, cuja filha a rainha Jinga (Nzinga Mbandi) e o filho Kimpaku, mais seu próprio irmão, tio dos dois, é aquele que governa o Reino do Soyio. Toda a família real de todos os reinos que formavam o Império do Kongo (atualmente Angola), está empenhada em expulsar os Portugueses de suas terras, depois de quase um século de sujeição.

Talvez seja também em torno de uma mulher que se poderá, eventualmente, reconstituir a genealogia dos líderes do Quilombo de Palmares. Existe um documento português dando conta de que teria sido presa uma tal ‘Rainha do Quilombo’ no ataque dos portugueses ao quilombo de Amaro. Outros relatos afirmam que ela conseguiu escapar do cerco, desaparecendo para jamais ser vista. Esta mulher presa tanto poderia ser a mãe de Ganga Zumba (o que é mais provável) quanto sua esposa (merecedora também do mesmo título de rainha). O certo é que, se presa ou desaparecida esta tal ‘Rainha do Quilombo’ não foi jamais identificada.

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tags: Rio de Janeiro RJ textos-nao-ficcao
 
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Tá certo, eu sei que os Ovimbundu não são, exatamente, o memso que Kimbundu. São parentes bem próximos. Sei também que 1893 já nem havia mais escravidão, quanto mais Palmares. É que não pude resistir ao olhar dsconfiado destes caras para James, o fotógrafo. São ricos comerciantes os caras. Viram só as roupas? São importadas.
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 16/3/2007 22:45 
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- Palmares não é somente uma História em construção. Palmares é uma guerra ainda em curso: O número de negros, em idade de ser soldados, mortos a cada dia, mortos na bala (a morte da guerra) em "confronto" com o corpo militar atesta esta continuidade; (e os chavões usados - bandidos, facínoras, etc, ladrões, sao os mesmos).
- Ninguém foi na Holanda buscar seus arquivos. E há um pergunta a ser respondida: - Ninguém, no Brasil, teve poderes iguais aos de Nassau (nem mesmo o Lula) Os poderes de Nassau foram militares e policamente efetivos - Por que Nassau não fez um único ataque a Palmares? Sabendo-se que entre 1639 e 1641 Nassau tomaria Palmares em menos de um dia. Ao Estado Brasileiro nao interessa esta resposta. Porque o Brasil ainda vive uma guerra contra o negro.
- Mas vale a pena continuar nos questionando sobre Palmares, só que este questionamento terá de se dar como forma de questionarmos a guerra etnicista em curso no Brasil;
Tudo no Brasil se dará partindo de Palmares. A única guerra solitária da face da Terra foi Palmares. Todas as guerras tem estados alidos e contrários; ora um, ora outro. O Haiti venceu Napoleão ( primeira derrota politico militar de Napoleão. De Napoeão conhecemos, estudamos, as vitórias ninguém fala que o Haiti se tornou independente quando Napoleão se tornou Imperador, 1804), ora apoiado pela Inglaterra, ora pelos Estados Unidos, etc. Israel, ídem; Palmares foi derrotada pela falta de intercâmbio. E aí entra a questão de Nassau, da Holanda: Por que Gamga Zumba nao se aliou a Nassau? ou por que nao se aliou a Portugal/Espanha contra a Holanda?
- Aliás " o pior da escravidão africana foi a falta de intercâmbio"; ela só durou tanto e se estendeu por toda a terra pela falta do intercâmbio.
- Palmares ficará para o Mundo, por algum tempo, como o que ficou conhecido como Império Grego, "deduções que perpetuarão como verdades - umas lógicas outras com motivações políticas de dominação."
- Mas temos a obrigação de questionarmos sempre se quisermos um dia começar a Nação Brasileira.
um abraço, andre pessego
Andre Pessego · São Paulo (SP) · 21/4/2007 16:51 
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Grande, A. Pessego!
Estimulante ter alguém com quem conversar. Obrigado. As colocações que você faz são quase exatamente as mesmas que me fizeram escrever estas ainda inconclusa matéria (aliás, você chegou a ler a parte 1 desta matéria aqui?).
Não sei se ficou claro mas o que estou propondo com estes textos é que houve um acordo com a Holanda sim mas não com Ganga Zumba mas com a Rainha Jinga, seu irmão e seu tio que se batiam com Portugal em Angola. Para eles , provavelmente, Palmares era parte do Reino D'Amgola. O fato de Nassau não atacar Palmares, para mim, poderia estar no âmbito deste acordo, como cláusula sine qua non.
O que proponho nestes dois textos enfim, é que se começe a compreender a história (e a cultura) do negro brasileiro inserindo-a no contexto geral da geopolítica colonialista do período. Sei que a razão para que se omita este contexto é proposital, estratégia para justificar a estratificação social predominante no Brasil. este enorme 'apagão' sobre a verdadeira antropologia do negro do Brasil (que para a maioria dos acadêmicos brasileiros, não tem passado hitórico, pois deve ter nascido de um repolho) faz parte do mesmo crime que se agrava com as atuais táticas políticas e sociais de extermínio racial.
Você tem toda razão, A. Pessego. Palmares não morreu. Cabe a nós reconstruí-lo pois.

Grande abraço,
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 21/4/2007 18:08 
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( O link anterior saiu quebrado. Aqui vai o certo:))))
http://www.overmundo.com.br/banco/a-reconstrucao-de-palmares
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 21/4/2007 18:11 
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Galera,

Há poucos dias deste fim de julho de 2008, retomei a pesquisa e em verdade em verdade vos digo: Tudo está se confirmando nesta pesquisa-tese.
A maioria das fontes, não era surpresa, são angolanas e portuguesas (algumas fontes holandesas andei fuçando também). A grande e boa novidade é que existe já uma quantidade razoável de fontes 'brasileiras', nos bancos de teses de mestrado e doutorado abastecidos por alunos africanos (a maioria angolanos) e portugueses.
Com exceção de uma eletrizante decoberta que lhes mostrarei brevemente e que é surpresa absoluta (BOMBA! BOMBA!), praticamente todas as minhas suposições podem já ser confirmadas documentalmente:
O Quilombo de Palmares foi, realmente, um REINO ANGOLANO
, transplantado para o Brasil.
Aleluia Nzambi!
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 27/7/2008 00:41 
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No texto presente, portanto, algumas coisas já podem ser, com toda certeza, revistas.
A primeira delas é que o contexto geográfico da história (na África) já definido, genericamente como sendo Angola, pode ser ser decrito, bem mais precisamente como sendo os Reinos do Kongo (já destiuído do poder algo imperial que desfrutava até o fim do século 16), Ndongo-Matamba (já, de certo modo unificados pela Rainha Jinga) e outros reinos vizinhos, circunscrevendo, mais ou menos, a Angola atual, excetuando-se (como bem define Nei Lopes) o Reino do Benguela.
Outro dado importante é que a cultura dos habitantes desta região africana é, por várias razões e documentalmente, sem nenhuma dúvida, a cultura hegemônica em Palmares, podendo se cruzar todos os elementos dela com os hábitos sociais, políticos, religiosos e etc. dos BaKongos povo muito antigo, que dá origem a todas as etnias daquela região africana.
Entre outras minúcias, pode-se também, afiançar que o nome do último Manikongo a lutar contra a dominação colonial portuguesa era Nkanga a Nvita, D.Antonio II (sobrinho da rainha Jinga) e não Padro IV como sugerimos no presente post. A história deste manikongo é um ponto chave para se compreender Palmares (desmentindo de uma vez certos mitos da historiografia brasileira atual), isto já podemos garantir. Segue a pesquisa que tem pontos surpreendentes, já constatados, em fase de comprovação documental.

Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 10/8/2008 10:51 
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