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BELÉM, CIDADE MORENA...

1
"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA
15/1/2008 · 163 · 18
 

Aspecto da Praça da República, no coração de BELÉM, que nasceu com o nome de FELIZ LUSITÂNIA, fundada em 12 de janeiro de 1616, há exatos 392 anos! ABAIXO, minha homenagem à Cidade, em "prosa" e versos.
I
Belém é uma cidade caprichada,
verdejante e de clima bem ameno
onde o povo aprende desde pequeno
catar manga nas ruas, nas calçadas
e logo que termina a chuvarada
a gente está pingando de suor.
Não tem gripe e a roupa é uma só
seja novembro, março ou agôsto.
Só uma coisa é que nos causa desgôsto:
são os ônibus o que tem de pior !

I I
A gente entra é uma zoeira danada,
o toca-fita está a todo volume.
Não adianta protesto nem queixume
que o "motora" não baixa a zoada.
Coletivo sem banco, vidro, nada
e sem trôco prá dar pro passageiro.
O drama se repete o ano inteiro,
não ter ônibus de noite é certeza.
O Pará é o único (que tristeza !)
em todo o território brasileiro.

I I I
Fora isso a Cidade é uma beleza,
parece um pedacinho lá da França
co'os adultos brincando feito criança
e a cidade integrada à Natureza.
Mangueiras colossais, verde riqueza;
nas casas jambeiros, amendoeiras
e a Vida lá se vai na brincadeira.
Paraíso inspirando escritores,
magna Musa de plebeus, de doutores,
lar feliz de todos a vida inteira.

I V
No ano dezenove oitenta e oito
no jornal "A PROVÍNCIA DO PARÁ"
sucedeu o que agora vou contar,
briga feia mas não de trinta-e-oito
e onde "bolacha" não era biscoito.
(CONTINUA, etc)
OBS: arremedo de cordel com o esdrúxulo título de A PELEJA DE "FULGÊNCIO BATISTA" COM "TOTÓ" E "NATO", de minha lavra, narrando a batalha literária com 2 poetas de renome em Belém, que o trovador ANTÔNIO JURACI SIQUEIRA transformou em um famoso livreto de cordel, lançado na Capital em meados de 1997/98.
*******************************************************************************

ILHA DE PAZ EM MILHAS DE SOL
I
Soam em Belém
sinos, hinos, trinos, mimos,
as vozes de mil meninos
e suspiros também.
Voam em Belém
em curvas suaves, aves, naves,
nos ares e mares
da Cidade e além.
Vive em Belém
gente tão contente e quente,
sorridente, persistente,
para sempre... Amém !

I I
Cá...
vi Marias bem morenas, pequeninas,
já de idade, 'inda meninas,
cheias de amor e fé.
Lá...
vem Marias de tod'os lugares
direto aos altares
da Virgem de Nazaré.

I I I
É bem Belém
nos cantos das ruas
unhas e pupunhas,
"muambas" e "mumunhas"...
camelôs num vai-e-vem.
É tão Belém
frondosas mangueiras
sombreando feiras,
praças, largos, beiras...
tudo o que convém.

I V
Côres, falas, tons
de herança tupinambá.
Frutas, peixes. sons...
como iguais não há !
De beleza terna, calor sempiterno,
és "Noiva do Sol".
Yara guajarina, Cidade-menina:
BELÉM DO PARÁ !

"NATO" AZEVEDO
(OBS.: musicado recentemente por MÁRCIO
FARIAS,sem a presença da segunda estrofe)
**********************************************************************

VIVER FELIZ
I
Belém, Belém...
a noite já vem !
Eu estou com você
e me sentindo tão bem !

I I
Lá no Bar do Parque
e no verde do Bosque
eu vou com alguém.
Vou ao Ver-o-Pêso,
ao Mangueirão, no domingo
e à Igreja também.

I I I
Eu cato mangas na chuva
e pesco em montaria,
curtindo um igarapé.
De roupa nova em outubro,
prazeres mil eu descubro
no Círio de Nazaré.

I V (refrão)
Viver, sonhar
e se alegrar
nesta terra boa.
Em Belém do Pará
a Vida é só amar...
enquanto o tempo já voa !

"NATO" AZEVEDO

(OBS.: trata-se de um rockzinho anos 60)

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"NATO" AZEVEDO
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O poema a seguir foi Menção Honrosa no I Concurso Literário da FUNTELPA/Rádio Cultura FM (em set./1986) tendo sido publicado na coletânea (pag. 514) lançada em homenagem aos 371 anos de fundação da cidade de Belém, em 12 de janeiro de 1987:

FELIZ REGRESSO

Renasceu mais um dia
e é maior a minha alegria
por estar na terra querida.
Viver em Belém
dá um novo sabor à Vida,
um doce prazer a alma.
Dias claros, noites calmas
e a chuva lavando tudo.
Nas ruas o comércio confuso
de doces, roupas, comidas,
de frutas, brinquedos, bebidas,
à sombra dos mangueirais.

Sair de Belém?! Jamais !
Só aqui há bandeiras escarlates
onde está o líquido "chocolate"
e o dourado do gostoso tacacá.
Não gorgeiam como cá
as aves que por aí gorgeiam.
Belos rios nos rodeiam
com mil peixes, mil surpresas.
São tamanhas as belezas
dessa terra de maravilhas
que me fogem as palavras.
-- "Égua, estou de novo em casa...
eu agora estou em paz" !
-- "Sair de Belém ? Jamaaaais" !
"NATO" AZEVEDO

"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA 12/1/2008 17:32
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Benny Franklin
 

Magnifica! Explêndida! Sensível! Paraoara! Belemita! Belenense!
Marajoara! Divina poesia!

Bela homenagem, Nato!

Alegra-me que um "carioca da gema" publique no dia de hoje "poesia das boas" como honegame aos 392 anos de fundação da nossa "Santa Maria de Belém do Grão Pará!"

Forte abraço, amigo.

Benny Franklin

Benny Franklin · Belém, PA 12/1/2008 21:18
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Benny Franklin
 

Quero dizer homenagem...
Benny Franklin

Benny Franklin · Belém, PA 12/1/2008 21:19
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BENNY, meu jovem, tenho pouco de carioca... quanto mais "da gema". Fui criado no Sul dos 6 ou 7 anos de idade até quase os 17. Toda a minha educação/formação está mais ligada ao Paraná do que ao Rio. Pior: estudei em colégio de freiras, extremamente CASTRADORAS da individualidade e de um perfeccionismo atroz.

Recebo com prazer teus elogios, ADORO Belém... a Cidade é linda, é bem cuidada --- ouço o contrário desde os primeiros dias aqui, em 1986 --- e se alguns poucos "cidadãos" mudassem o estranho costume de pôr nas ruas tudo o que não presta de dentro das casas a Capital teria um aspecto ainda melhor.

Tenho músicas saudando minha "ida" a Belém --- saindo desse INFERNO que continua sendo minha vivência na Cidade Nova -- e caindo "nos braços" desse paraíso chamado Praça da República. Ao contrário da Pça Batista Campos, nitidamente elitista, esse ex-cemitério de escravos é um oásis (muito barulhento, às vezes) de rockeiros/poetas/gente simples/artesãos, etc e etc.
E VIVA BELÉM !

"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA 13/1/2008 14:18
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V I V A S L E M B R A N Ç A S
Mágico Ver- o Pêso
que me faz empunhar
a bandeira de poeta
e proclamar meus versos
aos quatro cantos
de tua brisa úmida
noite a dentro (ou afora).

Tricentenário porto
de velas & motores,
peixes, louças, frutas, gente,
ponto de um pouco de tudo.

Cais de lágrimas e sorrisos
lavado pela madrugada;
secado pelo meio-dia
e acariciado pelos suspiros
que vêm com a tarde.

Remoçado Ver-o-Pêso:
magnífico portal de Belém,
passado vivo entre nós,
tradição sempre presente.
Paz entre côres e cheiros,
brisa divina, vozes & sons...
e o renascer de esperanças
até que a Morte nos separe
(e tudo se acabe !)

Então, só restará você:
imortal VER-O-PÊSO,
alma do nosso Pará !
"NATO" AZEVEDO

(OBS.: o texto fica prejudicado na apresentação
devido ao fato de o programa "encostar" todos os
versos na margem esquerda, à nossa revelia.)

"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA 13/1/2008 14:35
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Chega à Cidade o menino
e a emoção não contém,
o coração -- como um sino --
batando: Be-lém... Be-lém !

"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA 13/1/2008 14:41
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Cintia Thome
 

Menino Poeta. Que homenagem no aniversario de Belém..12 de janeiro...Você é sensível a tudo que passa aos seus olhos. Incríveis teus versos, mesmo pra quem esteve uma vez por aí,como eu e encantada fiquei com o tapete de mangas pela cidade, as casas coloridas, os prédios antigos, varandas com ferragem francesa...fez-me chorar

Eu cato mangas na chuva
e pesco em montaria,
curtindo um igarapé.
De roupa nova em outubro,
prazeres mil eu descubro
no Círio de Nazaré.


Que os sinos Be-lém ...Be-lém (como vc diz acima, toquem por você!

Você é Show Belemita! Voto
A tiete (fã) de Sampa

Cintia

Cintia Thome · São Paulo, SP 14/1/2008 18:25
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Cruuuzes, dona CÍNTIA... antigamente, sinos"tocando pela gente" era a derradeira despedida desse "vale de lágrimas". Mas, entendi bem o elogio. GRATO !

Gostaria de esclarecer -- antes que alguém reclame -- alguns pontos citados nos poemas acima:
1) os ônibus, nos anos 80, eram um horror, um verdadeiro suplício. Havia trocador que nos cedia um trapo sujo para limpar o banco, tão imundo êle nos parecia. As janelas não fechavam direito e a chuva da tarde encharcava diversas cadeiras. Você viajava em pé, com as cadeiras vazias na tua frente e sem poder sentar. Crianças arrastavam-se (mesmo com roupa de domingo) por debaixo das roletas, as catracas cada vez mais longas, para impedir essa "manobra". Gerações inteiras vivendo essa humilhação.

2) as greves eram frequentes, ACERTADAS entre patrões e os motoristas, 2 ou até 3 por ano, uma para aumentar o preço das passagens, a greve seguinte para aumentar os salários em razão do aumento da passagem e outra mais para "reajustar" a passagem "defasada" pela inflação. UMA VERGONHA !

3) O Mercado do VER-O-PÊSO era um espanto, uma sujeira danada, restos de verduras da feira diária por todos oscantos, lixo, fedor... garotos cheirando "cola" e achacando turistas, escondidos "debaixo" das calçadas do lugar, numascavernasque, dizem, o Ver-o-Pêso ainda possui.
Foi o Pref. Edmilson Rodrigues/PT o primeiro administrador a mudar realmente o aspecto do lugar, diminuindo o trânsito de ônibus e fazendo melhorias básicas e estruturais no local. Meu poema VIVAS LEMBRANÇAS celebra esses avanços.

"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA 14/1/2008 22:24
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Regina - poesia em volta
 

simplicidade e emoçao, coisas que acho que os escritores do norte/nordeste possuem em cheio. gostei muito!

Regina - poesia em volta · Volta Redonda, RJ 15/1/2008 08:00
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REGINA, querida... você acertou em cheio! Estou há 20 e tantos anos "gritando aos 4 cantos" que a riqueza maior deste pedaço da Amazônia chamado PARÁ é... a ARTE, seja literatura, artesanato, pintura, escultura, música, tudo nessa área, teatro inclusive.

Quando se INVESTIR realmente EM CULTURA por aqui --- sem apadrinhamentos nem mesquinharias --- o MUNDO ouvirá falar de uma outra Amazônia, sem devastações nem crimes ambientais. Por enquanto, o "apoio" à Cultura só vai sempre "PARA OS MESMOS" !

"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA 15/1/2008 14:16
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Andre Pessego
 

Caramba Nato. Vi as fotos, no tal do download. E são dessas coisas que não nos vimos, não tivemos passagens, andanças em comum e dão saudades. Que coisa. ...
Do enredar nem preciso dizer. Cordelista de nascimento.... é um prazer. Estou arquivando, um abraço
andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 15/1/2008 18:56
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Lígia Saavedra
 

Sabe Nato, vc é de primeirissima grandeza mesmo.
Homenageou Belém por todos nós que aqui vivemos. Ative-me em fazê-lo pois esperava que o Noélio, o Benny ou o Renato o fizessem já que "´paraenses da gema" teriam muito mais propriedademas aí vem vc e faz essa belezura.

Viva Belém!

E um viva à vc também.

Bj

Lígia Saavedra · Ananindeua, PA 15/1/2008 19:38
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Capoeira Cambará
 

Mandou bem, Nato. É gente como você que faz Belém assim, legal demais.

Capoeira Cambará · Ananindeua, PA 15/1/2008 21:02
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Renato Torres
 

nato,

bacanérrima tua homenagem, com tanto verso pela nossa cidadezinha tão bela e tão vilipandiada... é preciso estar bem atento pra que não percamos ainda mais belezas, naturais ou não, patrimônios históricos, humanos, emocionais, dessa nossa belém, tão distante dos grandes centros, tão desconhecida para a maioria dos brasileiros, e tão encantadora. obrigado pelo convite. viva belém dos 392 anos!

abraços,

r

Renato Torres · Belém, PA 16/1/2008 21:46
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Renato Torres
 

*vilipendiada

e aproveitando o ensejo, para dizer à querida lígia que, nas atuais circunstâncias, não me ocorre (que amargura a minha!) nenhum sentimento que possa mover a escritura na direção de uma homenagem. e isso, como disseste, o fez muito bem aqui o nato. a mim resta algo muito semelhante ao que disse tom zé na canção "botaram tanta fumaça" que, salvo as citações de metrôs e minhocão, que se referem claramente à são paulo, me parece traduzir a situação inevitável de caos e crescimento desordenado que assola essa nossa cidade equatorial. lá vai a letra:

Botaram tanto lixo,
botaram tanta fumaça,
Botaram tanto lixo
por baixo da consciência da cidade,
que a cidade tá tá tá tá tá
com a consciência podre

Botaram tanto lixo,
botaram tanta fumaça,
Botaram tanta fumaça
por cima dos olhos dessa cidade,
que essa cidade tá tá tá tá tá
está com os olhos ardendo

Botaram tanto lixo,
botaram tanta fumaça,
botaram tantos metrôs e minhocão
pelos ombros da cidade,
que a cidade tá tá tá tá ta
Está cansada, sufocada,
está doente, tá gemendo
de dor de cabeça, de tuberculose,
tá com o pé doendo, está de bronquite,
de laringite, de hepatite,
de faringite, de sinusite,
está de meningite
Está se... ta tá tá tá tá
com a consciência podre

Botaram tanto lixo,
botaram tanta fumaça,
botaram tanta preocupação
nos miolos da cidade
que a cidade tá tá tá tá tá
está de cuca quente.

Renato Torres · Belém, PA 16/1/2008 21:59
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Meu caro Poeta RENATO TORRES... ainda bem que Belém é tão distante dos grandes centros, caso contrário já não teria sobrado NADA dela, a Doca de Souza Franco que o diga.
Mas não consigo ver essa Belém cheia de fumaça e lixo na opinião da maioria... não ignoro que a periferia tem ruas de barro e mato, porém a própria população, por "tradição", concorre para manter esses locais da pior forma possivel.

TOM ZÉ é ótimo, lembra mesmo o ITAMAR ASSUMPÇÃO-- que citas no meu Recado -- mas SP bem merece a pecha de cidade ANTI-TUDO que seus moradores a tacham. E haja poluição ! Sem polemizar, agradeço sua honrosa visita. Abraços,

"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA 17/1/2008 22:26
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Renato Torres
 

mas rapaz... sabes, eu adoro as ruas da periferia de barro e mato! mas aqui no guamá eu moro numa rua tão, mas tão caótica, de trânsito intenso de mão dupla, de poluição, e fumaça sim, tem feira, é muito lixo, mano! meu problema com o asfalto é uma incompatibilidade de gênios...;)

abraços!

Renato Torres · Belém, PA 18/1/2008 02:26
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Pedro Monteiro
 

Olá Nato!
Um belo trabalho.
Confesso que quase perdi o fôlego!
É emocionante.
Abraços

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 20/1/2008 21:56
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