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Carta de um Amante...

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AlexSimas · Salvador, BA
29/1/2011 · 0 · 0
 

Salvador, 17 de Maio de 1984


Meu Querido Amor!

Sonhei contigo. Alias só tenho feito isso.

Escrevi esta carta praticamente de trás pra frente, espero sinceramente que não te ofendas, pois ela é a síntese do que penso, do que sinto, do que sou.

"Sou a favor de sacrifícios em nome do Amor, mas nunca em favor das convenções"

Somos comprometidos, mas e daí?
Temos nossos pares, e eles completam uma parte de nós e daí?

Não temos culpa de sentirmos o que estamos sentindo um pelo outro.
Você me atrai, eu te atraio.
Eu gosto de você, e sinto que você gosta de mim.
Não é justo não podermos viver isto.
Não é justo nos sentirmos frustrados por estarmos presos a outros compromissos.
Não é justo não podermos realizar nossas fantasias, dar vazão a nossos instintos, só porque regras e leis de moral e proibidades que não foram escritas por nós nem submetidas a nossa aprovação, regem o certo e o errado.

Só porque séculos atrás, um punhado de pessoas impuseram seus conceitos de fidelidade, de pecado, e criaram o que na concepção deles é o ideal para a felicidade das pessoas.
E a fidelidade aos nossos sentimentos, nossos instintos?
E a felicidade que realmente queremos para nós?
Vamos castrá-las, abortá-las, cerceá-las, em nome de que?
De conceitos impostos por pessoas hipócritas, falsos moralistas que séculos após séculos nos impõe sua lavagem cerebral, a fim de nos tornar o que na verdade eles não são?

Não somos cascas vazias de vontade própria, nem parias.
Eles e suas leis é que nos transformam em marginais recriminados e condenados apenas por querer ser verdadeiramente humanos.

Covardes é o que somos. Por aceitarmos calados, por nos submetermos, e assim como eles, nos transformarmos em hipócritas, quando não em infelizes exemplos de moral, que se sacrificam em nome de uma utopia chamada paraíso. O paraíso deles, uma eternidade de monotonia e renuncia aos prazeres. Se for para vivermos a margem da lei e da moral da igreja, de Deus e da sociedade. Que assim seja.

Contanto que possamos costurar a nossa felicidade como uma colcha de retalhos, composta de pedacinhos de alegria, que os poucos momentos que conseguimos ficar juntos nos proporciona. Uma colcha que aquecerá nossos corações nos momentos frios da saudade, e tranqüilizará nossas consciências quando nos sentirmos culpados de apenas querer ser feliz.

Somos humanos, seres imperfeitos, criaturas contraditórias, capazes de dar nossas vidas nas mãos de outras pessoas, mas incapazes de abrir nossos corações.

Impomos uma fachada de indiferença, erguemos muralhas ao nosso redor, escondemos nossas emoções por traz de um verniz de aço. Que nos isola dos sentimentos que nos assusta.
O que não queremos aceitar é que a vida é uma perda atrás da outra, e o jeito é perder o mínimo possível, e viver o mais que pudermos, amando ao Máximo possível.

Imponho a mim esta filosofia de vida, aceitando tudo de bom que a vida me dá, e suportando da melhor forma possível, as perdas. Busco aprender com a dor. Minha dor e a dor dos outros.

Em meus sonhos, eu já estive nos lugares mais remotos de minha mente e alma. Já enfrentei medos e decepções tantas vezes que perdi as contas. Às vezes, sinto meus braços cansados, o cinzel cego e o martelo pesado. Tive sempre que demolir barreiras para alcançar meus objetivos, me sinto cansado de dar mais do que recebo, mas quando as pessoas me deixam ver através de suas barreiras (muitas vezes inconscientes disso), eu percebo que por mais que doa, tenho que continuar dando o melhor de mim, mesmo que nada receba em troca.

Porque a vida sempre acrescenta camadas de complexidade no que deveria ser uma equação simples?
Porque tem que ser Eu + Você = a eles?
Porque não Eu + Você = alegria, prazer... Felicidade?

Perdoe-me se sou soturno, perdoe-me se deixo cair mascaras que escondem minha verdadeira face, pois quase sempre, o que realmente somos, e mais feio do que aparentamos ser.

Mas, eu simplesmente não posso ignorar meus sentimentos.

Eu só queria passar as mãos em teus cabelos, sentir tuas costas tensas nas pontas de meus dedos, recostar tua cabeça em meu colo... Te ver sorrir

Viver sem o medo de ser apedrejado, não que eu tenha medo das pedras, o que tenho é nojo da sujeira das mãos que as seguram.

Do homem que te ama, sem medo nem culpa


Alexandre Costa

Sobre a obra

Carta escrita em 1984 por jovem casado, louco e apaixonado por uma jovem casada, louca e também apaixonada.

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