por causa de, vou ser
por não ter que, estou
faminto desdizer
apenas se, do contrário, quem sou?
a voz de um qualquer
o olhar que jaz por um triz
a cicatriz da mudez
a tez secreta do que sei, sem saber contar
o mar do que já esqueci
o signo inquieto de ir
fluir na correnteza vã
sem ter o amanhã
nas mãos, os riscos de seguir.
Renato, versos doídos, dolor e cor.
Parece musicado...Bom demais Renato.
oi cíntia,
exato. esta é uma letra feita para uma melodia. a canção resultante é uma bossa nova, e a melodia reflete precisamente o que disseste: dolor e cor. bom teres vindo, mesmo sem chamado!
beijos,
r
saramar,
e gostarás mais ainda quando ouvires a canção. assim que o cd do felipe sair, vou pedir permissão para postá-la aqui no overmundo. obrigado por ter vindo!
beijos,
r
gostei Renato, exposição de contradições como se
numa melodiosa batalha emocional, premente!!!
muito bom!!Parabéns!!
abraços,
Hum, vou votar, mas quero um CD, viu?rs
Bela letra..conhecendo-se, gritando-se...
E olha, nem precisa chamar rs
Um abraço
Antes de comentar. Comentar o que?
- O preço e a via de me mandar o cd. se não tive distribuidor em sp.
um abraço, e sucesso. Osucesso merecido, andre.
Renato, Salve!
Eu já estava com saudade de teus poemas.
Esta cicatriz é de um primor que abala
o pensar de iniciantes, como eu.
Abçs. Benny.
Renato, este é daqueles poemas (letra, perdão) que, a cada releitura, revela algo, mais um sentir, mais um temor como esse de ir cheio de riscos.
É muito bom.
beijos
Cicatrizes que a vida fez, sinal que viveu. Muito lindo. Quando sair o cd avise, para nosso deleite.
Abraços.
Belo poema, Renato, daqueles que mais insinuam do que dizem. Daria uma bela balada, se fosse musicado.
E foi pro Banco.
Um abraço.
A letra urgia mesmo um acompanhamento melódico. Caiu como uma luva na letra. Falta ouvir a música. Não devemos ter surpresa: tal qual a letra, será prazeroso ouvi-la. Abraços.
Pepê Mattos · Macapá, AP 20/9/2007 06:11Renato preciso ouvir a música, já que nos deliciou com o poema. Abraços..
Higor Assis · São Paulo, SP 20/9/2007 08:49
Em tempo: não tinha lido a ficha técnica, agora que me dei conta que já foi musicado.
Aproveitei para conhecer teu blog. Volto para reler com mais calma e comentar.
Um abraço.
Sem ter o amanhâ nas mãos... e quem o tem? O mar do que já escreví... Tudo na sua canção é perfeito! Nem precisamos ouvir a música! Abçs...
Nydia Bonetti · Campinas, SP 20/9/2007 09:07
Que coisa linda amigo Renato,adorei a forma do texto, genial. Meus sinceros aplausos e abraços.
Carlos Magno.
Agruardamos ansiosos o cd!
BJS, linda letra!
CRIS
Belíssima letra!!!
Eu quero, ou melhor, acho que todos querem ouvir a canção... ;-)
Flores para a tua Cicatriz tão bem escrita! @>--
Bjs pra ti!
renato.
Perdoa o atraso. Lindo, com a tua marca, parceiro.
Noélio
Oi Renato, sendo o Felipe filho do meu compadre Manoel Cordeiro, um dos maiores maestros do Pará, a voz da Mel, o nome já diz e vc um dos melhores violonista da terra, com certeza essa música, de belíssima letra, vai arrebentar.
Sucesso!!!
Bjs
Seguiremos à risca o risco de vir a ser
Seremos ariscos com as riscas de ser
Arriscaremos riscar coriscos de viração
Não faremos mais que uma bela canção
Assim, senti teu verso e mesmo já ouvi a melodia, amigo Renato.
RENATO,
adorei teus versos, o todo do texto, o tom de mistério diante da dúvida, da dor. Lindo!
Abçs de Betha.
As mãos plantam destinos,
são tantos...
Renato, esse signo inquieto é que nos faz prosseguir
coisas errantes ficam no mar do esquecimento, passam.
só as mãos num novo rompante conseguem seguir;
mesmo correndo os riscos.
Daqui, vai um abraço com mãos e braços!
Renato,
unir a força das tuas letras com a melodia da bossa nova, só pode dar uma canção daquelas que ficam na alma, embalando dias, noites, histórias, dores.
Já na expectativa de escutar a canção...
O único risco de seguir a sua escrita é ser capturado irremediavelmente por ela, mesmo quando brinca assim com as palavras, despindo-se da costumeira e tortuosa densidade. Sublime essa leveza de tocar nas coisas fundas, a matéria vertente.
Beijo grande.
olá marcos,
fizeste, com o teu comentário, surgir em mim uma recordação: a de que eu, adolescente, queria chamar um primeiro livro de poemas publicado de "a clara contradição" (influência do claro enigma, de drummond). desisti do título, mas a idéia permanece. o que somos, senão uma trama de contradições? obrigado pela tua leitura, mano.
abraços,
r
cíntia,
não posso garantir um cd, mas vou tentar garantir a publicação do fonograma de "cicatriz" aqui no overmundo, certo? quando o cd sair, caso alguém se interessar em adquiri-lo, vou ver com o felipe como faremos pra suprir os pedidos. quanto à letra, é isso mesmo que dizes: auto-conhecimento (sem muita propriedade... apenas tateando...).
beijos,
r
andré,
minha expectativa é sempre a resposta - não apenas o elogio, que também é benvindo, claro. mas se nada encontras a comentar, também a tua presença me é honrosa. quanto ao cd, já sabes como será, né?
abraços,
r
ô benny!
agrada-me saber da tua saudade... eu também sinto falta de todos quando fico (como estive nos últimos tempos) afastado do overmundo. mas olha lá: e quanto ao que eu e tu dissemos à letícia möller sobre não haver isso de iniciantes e iniciados na poesia? ainda que compreenda a deferência e generosidade da tua fala, declino da posição de mestre, mano. estamos juntos nessa estrada.
abraços,
r
saramar,
não carece pedir perdão, minha querida! há justeza em afirmar que, na música brasileira especialmente, há diversas letras que também são poemas. neste caso, sem querer ser cabotino, devo deixar o julgamento a vocês, que me lêem. é até interessante, sob esse ponto de vista, que eu apresente primeiro a escritura sem o apoio da melodia, para que vocês possam avaliar mais tarde, ao ouvir a canção, se realmente a letra tem sustentação como poesia independente da melodia. veremos, certo? ;)
beijos,
r
brigitte,
cicatriz é uma canção existencial, sem dúvida... essa imagem de que uma boca fechada é como uma cicatriz me atingiu como um estampido. aviso quando o cd sair.
beijos,
r
oi levi,
eu diria que insinua falsamente, porque ele mais não diz do que diz. faminto desdizer. é um poema sobre não saber, levi... não saber porque existir, porque ir. mas, afinal, tomar o risco, e seguir.
abraços,
r
ps: que bom que foste visitar o blog! és exatamente a primeira pessoa que se manifesta aqui no overmundo neste sentido - ainda que os companheiros de letras possam já ter visitado a página branca sem me comunicar nada... fico feliz! depois me diga o que achou.
pepê e higor,
sem dúvida vocês gostarão de ouvir a canção. o felipe cordeiro é um dos jovens compositores mais talentosos de que se tem notícia cá em terras paraenses. pra quem quiser conferir um pouco mais do talento dele, há esse vídeo da canção "banquete" no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=6to9w2L3_Is
abraços,
r
olá nydia,
esse jogo que há no fim da letra é bastante aberto: sem ter o amanhã / nas mãos os riscos de seguir. é possível dizer que não se tem o amanhã, e que nas mãos há esses riscos - as linhas do destino, da vida - que dizem, fatalmente, de um amanhã. na canção há essa separação sutilmente marcada das duas frases, reiterando esta idéia. mas a intenção que tive foi de deixar aberto a diversas interpretações. obrigado pela leitura e comentário!
beijo,
r
olá carlos,
a forma do texto deve tudo à fôrma melódica. é um exercício interessantíssimo, e difícil, escrever para melodias já prontas. feliz com tua presença, mano.
abraços,
r
Querido Renato,
não sei o que te pareceu meu comentário anterior, mas presciso dizer-te, porque me aflige, e por necessário, que uma bela canção para mim é a própria vida... ou mais: e dá sentido à vida.
Abraço.
cris,
juro que quando sair o cd aviso a todos... obrigado por ter vindo!
beijo,
r
roberta,
feliz com teu gostar... obrigado!
beijo,
r
adriana,
que bom que apreciaste a letra - e que tens dedicado um tempo a ler outras coisas que já postei aqui no overmundo. te convido a ouvir meu trabalho musical, também. quanto a esta canção, assim que sair o cd.
beijos,
r
mano noélio,
não há atrasos neste não-tempo... bom que reconheças no que escrevo uma marca. fico muito feliz1
abraços,
r
lígia,
e tem mais uma bênção aí que é preciso mencionar: a do produtor do disco, o floriano. ele mesmo já me disse em duas oportunidades que a faixa é uma das melhores do cd! (eu também ainda não ouvi o resultado final...!). espero que seja um sucesso sim, mana!
beijo,
r
mano adroaldo,
teu poema-réplica é o desdobramento generoso do que em cicatriz agoniza em silêncios. é função mesma do poema, creio eu, provocar poemas. e sim: a vida é arte, não há entre elas acordos imitatórios...
abraços!
r
betha,
e o maior segredo e não haver mistério algum, dizem os sábios. mas como ainda não sou um deles, como neste texto, fico angustiado, sim, diante do mistério. mas o aceito, como aceito a dor como mestre. e sigo. obrigado por ter vindo!
beijo,
r
olá humberto,
tua leitura, cheia de um otimismo vibrante, de uma força de vida, me é difícil de alcançar... sim, o texto é melancólico e desesperançado. quisera talvez poder enxergar as coisas assim sempre... mas pelo menos neste texto a vida é bem escura. muito obrigado pela tua leitura e comentário!...
abraços,
r
letícia,
a pungência da melodia que o felipe me apresentou fez surgir este texto, sim. mas sem dúvida, há nele umas nuvem negra de preocupações minhas, absolutamente existenciais. conscientemente, quis passar ao largo do enfoque romântico-amoroso (a primeira frase que surgiu em minha cabeça foi por causa de você, que rapidamente transtornei para por causa de, vou ser, dando o caráter taciturno que queria sem perder o efeito fonético). deu no que deu! quando a música estiver em mãos, posto aqui.
beijo,
r
cida,
é sempre impressionante para mim ler seus comentários. meu primeiro impulso foi te dizer: mas é denso! ao respirar mais calmamente, e compreender o que disseste, devo concordar surpreso em perceber que, provavelmente muito por conta do texto ter sido insuflado pela melodia do felipe, há sim muita leveza. mas o tema é denso, sim, fundo, deveras. e difícil - pelo menos para mim.
obrigado por sempre vir.
beijo,
r
linney,
obrigado por ler e comentar!
abraços,
r
adroaldo, mano,
não entendi muito bem tua aflição, mas creio que minha primeira resposta deve ter dirimido tais impulsos. adorei o que escreveste. e também creio que a arte pode salvar vidas...
abraços,
r
Sim, Renato, tua primeira fala já me havia deixado tranqüilo.
Aflito estava eu por ter lido novamente o que escrevi e percebido que também era possível compreender menoscabo na expressão não faremos mais que, o que seria trágico e exatamente o contrário do quis dizer, como expliquei em seguida.
Estamos combinados, mano.
adroaldo,
agora compreendi bem o que te afligiu: uma canção é mais que suficiente, se se der a ela o valor congruente... por sorte ou sina, não tiveste em mim alguém que vê menos do que isso!
abraços,
r
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