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Flâneur
Renato Torres · Belém (PA) · 1/3/2007 20:32 · 181 votos · 17 comentários ·  
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overponto
flâneur

o que posso fazer é à distância
entregar-me sem peso ao ileso
seguir adiando o quando chegar
para estar apenas de passagem
noutros portos, outras imaginações.

o que posso dizer é de correr
com os olhos pelas pradarias
nas montarias, pelos declives
onde estiveram antes outros errantes
e souberam a brasa da conquista
pondo a vista sobre horizontes
deitando fora suas recordações.

o que posso escrever é por acaso
um arrazoado risível, com voz escassa
enquanto as praças da cidade revelam
novas esquinas a cada passo meu.

o que penso escrever jamais se diz
névoa branca parindo silhuetas
passando longínquas e sem nome
noturna fome a refutar sentido

sigo sempre à revelia do olvido.


tags: Belém PA poesia poesia-paraense a-pagina-branca belem-pa renato-torres textos-literatura
 
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Autoria   Renato Torres
Ficha Técnica  

Poesia Paraense
Poesia Brasileira

Link  

http://apaginabranca.blogspot.com/

Contato  

renatoptorres@gmail.com

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Renato,

Agrada-me a imagem do ser errante que vai "adiando o quando chegar para estar apenas de passagem", como um vagabundo, andando pela cidade sem propósito aparente, "pondo a vista sobre horizontes/
deitando fora suas recordações". Secretamente em busca de aventura, "enquanto as praças da cidade revelam
novas esquinas a cada passo", numa jornada estética, ou erótica, segunido "sempre à revelia do olvido."

Abs, Pedro.
Pedro Vianna · Belém (PA) · 1/3/2007 06:19 
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Muito bom, mestre Renato!
Você tem a ponta do lápis muito bem afiada!
Belíssimo poema!
Carlos ETC · Salvador (BA) · 1/3/2007 08:01 
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olá pedro!

sim, este tema, tão recorrente em poesia, e na literatura em geral, também me é absolutamente fascinante. mais ainda: fundamental. flâneur é um poema recente, escrito, de fato, em viagem, e cataliza diversas inquietações próprias do ofício da escritura, como a do olhar sempre a perscrutar esse mundo estranho, sempre a surpreender-nos a sensibilidade. apanhas bem a idéia ao falares da jornada estética ou erótica; a busca, afinal, é a mesma, apaixonada e imperiosa.

abraços,

r
Renato Torres · Belém (PA) · 1/3/2007 14:48 
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olá carlos,

grato, e feliz de ter tua presença cada vez mais constante nas colaborações que vou postando. mantenhamos este canal aberto, num diálogo fecundo acerca da poesia.

abraços!

r
Renato Torres · Belém (PA) · 1/3/2007 14:52 
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Renato, meus sinceros elogios.
Parabéns...
Rangel Castilho · Anastácio (MS) · 1/3/2007 19:26 
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oi Renato, tudo bem? gostei muito da forma que escreves.
a idéia é que não agrada a maioria das mulheres..rsrs!(brincadeira)
leve e sem pressão..homens!ah...
mas, o poema tá lindo mesmo.
beijão
Fran
Francinne Amarante · Brasília (DF) · 1/3/2007 20:37 
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Muito bom, Renato! Gosto da tua escrita. E me identifico com a "noturna fome a refutar sentido". Às vezes é legal mesmo deixar que o sentido se forme aos poucos, ou mesmo indesejar que tome corpo.


Felipe Obrer · Florianópolis (SC) · 2/3/2007 06:15 
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Vim, li e gostei!

Abç
Roberta Tum · Palmas (TO) · 2/3/2007 06:40 
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Bravíssimo!!
Zéduardo Calegari Paulino · Campo Grande (MS) · 2/3/2007 12:13 
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Maravilhoso!!
Zito · Porto Alegre (RS) · 2/3/2007 19:42 
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Me identifico mais com a sensação do que com o poema.
Se me permite uma crítica, acho o texto muito beletrista.
Mas tudo bem...
ella · Cametá (PA) · 4/3/2007 11:48 
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olá rangel,

muito grato pela tua presença, e generosidade elogiosa.

abraços,

r
Renato Torres · Belém (PA) · 4/3/2007 21:55 
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francinne,

curioso!... nunca tinha pensado que a idéia de flâneur fosse uma prerrogativa masculina!... mas (glup!...) faz sentido sim. hora de repensar minhas saídas (fugas?) erráticas pelo mundo!... :)
grato pelo teu gostar.

beijo,

r
Renato Torres · Belém (PA) · 4/3/2007 21:58 
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felipe,

essa coisa do sentido... devo te dizer que desde que me vejo às voltas com a necessidade de escrever (repare: nunca me refiro a "talento pra escrita"), diversas vezes surgem coisas das quais desconheço o sentido. o fato é que, com o passar dos anos, fui comprovando que não há, claro, um sentido unívoco num poema. como já disse o quintana, um poema é uma interpretação. e cambiante - acrescentaria eu. depois veio a clarice e me aliviou, ao dizer-me "não te preocupa em entender"!...

abraços!

r
Renato Torres · Belém (PA) · 4/3/2007 22:05 
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roberta,

e eu vim, te vi aqui, e gostei mais ainda. obrigado pela visita.

abração,

r
Renato Torres · Belém (PA) · 4/3/2007 22:06 
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zéduardo e zito,

muito obrigado pela presença e leitura. espero que ambos leiam as outras colaborações que publiquei aqui no overmundo.

abraços a ambos!

r
Renato Torres · Belém (PA) · 4/3/2007 22:08 
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olá ella,

alguns amigos que tenho, afeitos à leitura de meus poemas, já me chamaram a atenção a um certo caráter medievo da minha escrita. será que é isso que chamas de beletrista? gostar ou não gostar de um texto ou de um estilo (o que pode ser traduzido como identificação) me parece menos uma crítica do que um humor transitório... mas isso não diminui a importância do teu sentimento. todas as críticas são permitidas. convido-te a ler (se tiveres tempo e paciência) aos outros textos que já publiquei aqui no overmundo.

obrigado pela tua leitura.

abraços,

r
Renato Torres · Belém (PA) · 4/3/2007 22:15 
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