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Homônimos- Um conto Machadiano- Giselle Sato

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giselle sato · Rio de Janeiro, RJ
17/11/2008 · 134 · 29
 

Desci a rua do Ouvidor pensando em minhas maiores paixões, os favores femininos e a literatura. Não necessariamente nesta ordem:
- O cavalheiro deixou cair este envelope, por muito pouco não se perde, precisei correr para acompanhar seus passos.
- Meu manuscrito! Não sei como agradecer, nem dei conta, o senhor não imagina a importância do que acabou de salvar.
- Ainda bem que percebi a tempo, há uma procissão e as ruas estão tomadas de devotos.
- Um verdadeiro absurdo, em pleno século XIX! Retornei há bem pouco da Europa, as diferenças são alarmantes.
- Devia ter visto antes. Atualmente temos pavimentação, iluminação a gás, transporte coletivo, tudo seguindo os parâmetros das capitais européias. Tempo de ‘’galas novas’’...
- Não quero parecer arrogante, no entanto, a sociedade carioca carece de bom gosto. Os Cafés e teatros nunca chegarão aos pés dos Parisienses. O povo mantém hábitos provincianos, não sabem viver na capital.
- Infelizmente, somos uma nação predominantemente rural e analfabeta.
- Certamente. Porque haveria de ser diferente? Sem querer ofender, sou extremamente bem nascido. Afortunado com a melhor educação que um jovem poderia sonhar. Sou versado em cinco idiomas. Inclusive o latim, falo fluentemente, melhor que muito padre.
- Percebi no instante em começamos o agradável colóquio. Inclusive, só de ouvi-lo falar, sinto a influência européia.
- Meu caro, onde aprendeu a expressar tão bem suas idéias? Salvo pequenos deslizes naturais, fala o português quase perfeito.
- Sou autodidata, aprendi com muito sacrifício. Tinha tudo para não dar certo. Graças aos livros, sou capaz de manter um diálogo com um homem como o senhor.
- Compreendo, o senhor trabalha em uma oficina. Maneja o maquinário ou algo equivalente?
- Sim, algo equivalente. Trabalho com livros, livros o tempo inteiro. Sabe que o senhor é uma inspiração? Sempre encontro tipos interessantes, dignos de atenção redobrada.
- Como assim? Que tipo de influência, além de ser um exemplo, um ideal a ser copiado...
- O senhor é muito modesto. ''Haja à vista'', a inspiração preciosa, sou eternamente grato.
- Por sinal, o que posso fazer para demonstrar minha gratidão?
- O senhor já agradeceu, é o suficiente.
- Se algum dia precisar, freqüento a livraria Garnier quase diariamente. Na realidade, lembro ligeiramente Notre Dame, quando percorro a Rua do Ouvidor.
- Quase uma pequena Paris. Senhor?
- Que esquecimento! Oliveira Neves, mas pode me chamar por Joaquim Maria. Meu nome de batismo.
- Machado, muito prazer. Que coincidência, homônimos! Quase esqueci, tenho uma reunião daqui a pouco no Jornal do Commercio . Com licença, preciso ir andando. Passar bem, senhor Oliveira.

Que homem estranho, ofereci uma pequena ajuda e partiu furioso . Homônimos, era só o que me faltava! Um quase negro, um pouco mais letrado, pensando que me engana.

O que esperava? Que o convidasse para um café? Decerto imaginou que havia algum dinheiro no envelope. Devolveu esperando uma boa recompensa, depois fez ares de ofendido.
Ah! As jovens senhoras, fina flor da sociedade. Que visão! La jeunesse dorée , apreciando as modas , fazendo compras, tomando o ar fresco.

Algumas são cortesãs disfarçadas em busca de romance. Se a sorte for benfazeja, ofereço meus préstimos, carrego alguns pacotes e falo um pouco de francês. Voilá! Convido para um chá na confeitaria, acompanho até a residência...

Finalmente a livraria, um lugar com certa exclusividade, longe dos pobretões que embaçam as vitrines. Sinto que estou no meu mundo, escritores, intelectuais, políticos. Homens de gabarito, no seleto recinto, estou quase em casa:
- Joaquim, Joaquim Maria. Quanto tempo! Que bons ventos trouxeram meu melhor amigo de volta?
- Pacheco Leitão! Que prazer, cheguei semana passada. Mas já estou querendo voltar.
- Joaquim, não seja tão severo! Faz parte da nata da sociedade, freqüenta festas maravilhosas, cassinos, usufrui do bom e do melhor. E nem mencionei os bordéis! Não é suficiente?!
- Sim, o suficiente para quem se contenta com pouco. Quero muito mais, hoje entrego meu primeiro romance para impressão.
- Um amigo escritor é uma honra e tanto. Está com sorte, hoje chegou o último de Machado: Memórias Póstumas de Brás Cubas. É uma obra-prima, todos estão comentando. Se bem que Machado sempre surpreende. Quando pensamos que já lemos o melhor, eis que surge algo desconcertante.

Senti um pequeno desconforto ao ouvir aquele nome, o segundo Machado em uma tarde. Para não ser grosseiro, folheei um pouco desatento...

No primeiro parágrafo senti que não conseguiria deixar o livro até completar toda leitura. Extraordinário estilo, perfeito em todos os aspectos, tão bom que senti vergonha do meu manuscrito.

Fui para casa terminar a leitura do romance. Não consegui controlar a inveja, o rancor, o ódio pelo tal escritor brasileiro. Seis anos jogados no lixo, meus sonhos desfeitos em uma tarde, minha existência reduzida ao limbo. Por um Machado, um machado destruidor de sonhos.

No dia seguinte, mais calmo, soube que o escritor, recém eleito meu favorito, estaria na livraria. O espaço estava apinhado de gente vinda de todos os pontos da cidade.
Muitos aplausos anunciaram a chegada. A turba ruidosa movimentava-se impedindo a visão de seu semblante.

Quando consegui espaço suficiente, reconheci o homem que havia salvo meu envelope. Quis morrer naquele instante:
- Pacheco, está abafado demais, preciso sair um pouco e respirar.
- Mas logo agora? Vai perder a leitura, Machado vai nos dar a honra do primeiro capítulo.
- Então fique e aproveite, não precisa me acompanhar. Insisto que fique, é seu autor preferido.
- Imagine, nunca abandonaria o amigo, faço companhia até que melhore e retornamos.
- Pacheco, deixe-me em paz! Preciso respirar, estou angustiado.
- Não precisa ser grosseiro,não quer ser visto com um simples comerciante. Hoje está no meio dos seus, não precisa da companhia do velho amigo Pacheco. Não tenho seus estudos, meus pais não me mandaram para Europa. Minha mãe achou um desperdício, meu pai mal sabe assinar o nome, e agora esta desfeita...

Deixei meu amigo falando sozinho, nunca tive paciência para ouvir sermão , muito menos do Pacheco.
Perdi a noção do tempo enquanto caminhava, o peito transpassado de vergonha. Não havia percebido a fina ironia no breve diálogo com o mulato ardiloso.

Enxerguei o romance por um novo ângulo. Agora eu via a desfaçatez mascarada nos diálogos dos personagens,a personalidade complicada dos protagonistas, a estratégia da redação confusa e angustiante.

Senti que naquele instante nascia minha verdadeira vocação. A vida ganhava um novo sentido, tecia planos de publicar uma crítica devastando cada obra. Planejava vasculhar cada linha, sonhava de olhos abertos com o reconhecimento público.

A aversão machadiana crescia como um tumor pestilento. Esquecido da vida, os sentidos embotados pela vingança, não percebi o veículo descontrolado. Por ironia do destino, um importado inglês, mal conduzido por um jovem inexperiente.
Morri.

Joaquim Maria morreu, morreu atropelado em plena Praça da Constituição. Há poucos metros da famosa Tipografia Dois de Dezembro. Na hora do acidente, lotada de escritores e intelectuais.

Meu último pensamento... a existência inútil.
Não deixei qualquer legado. Nem filhos, nem obras, nem saudades, nem amigos... Fui um farsante, pedante, esbanjador e mentiroso. Expulso da própria casa após a descoberta das vilanias praticadas na Europa. Agora, uma alma incompetente.

Contudo, carrego o consolo, um sonho questionável e anônimo: Ter sido a inspiração, ainda que fugidia, de Joaquim Maria Machado de Assis.

Sobre a obra

Uma homenagem singela ao mestre Machado de Assis. Inspirada na atmosfera deliciosa da antiga rua do Ouvidor...áureos tempos em que os escritores e intelectuais frequentavam as livrarias...

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Giselle Sato
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Thiers
 

Seu conto Machadiano é fantástico Gisele, palavra; eu achei uma obra prima. tem tdo contexto necessário a um conto. É questionador, prende o leitor, conta uma história, provoca reações etem o desfecho dramático e inesperado.
Conhecia apenas a Gisele dos poemas eróticos( mto bons). Esta faceta sua eu ainda n conhecia....
Parabéns msm!

baci

Thiers · Rio de Janeiro, RJ 15/11/2008 19:35
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Compulsão Diária
 

Inspirado e inspirador.

Compulsão Diária · São Paulo, SP 16/11/2008 14:37
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Fantomas
 

Excelente Giselle. O conto mostra sua versatilidade e nos prende, até um final inusitado. Parabéns

Fantomas · Rio de Janeiro, RJ 16/11/2008 15:06
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raphaelreys
 

Abri o placar minha cara overmina! Quando leremos um romance seu!

raphaelreys · Montes Claros, MG 16/11/2008 19:16
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Sonia Claro
 

Muito bom! Vc já tem algo publicado? Gostaria de ter um livro seu.
Parabéns!

Sonia Claro · Rio de Janeiro, RJ 16/11/2008 19:33
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giselle sato
 

Tenho A Bailarina, Contos selecionados e Meninas Malvadas. Fico feliz com a leitura.

giselle sato · Rio de Janeiro, RJ 16/11/2008 23:17
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Thiers
 

votei fofa, 8 pontinhos pra vc.. kkk

mille

Thiers · Rio de Janeiro, RJ 16/11/2008 23:49
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giselle sato
 

Vc é terrível...gostei muito da sua crítica.

giselle sato · Rio de Janeiro, RJ 17/11/2008 00:12
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Eloy Santos
 

Parabéns, Giselle.
Bom enredo, bem tramado, elegante.
Você foi belamente inspirada ao escrevê-lo.
Um abraço à admiradora do nosso maior escritor.
Você tem muito bom gosto.

Eloy Santos · Rio de Janeiro, RJ 17/11/2008 00:22
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Eloy Santos
 

Votei. É claro.

Eloy Santos · Rio de Janeiro, RJ 17/11/2008 00:23
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Ivy Gomide
 

muito bom seu trabalho. real/ prende o leitor. Parabéns Giselle.
Ferrou-se o Joaquim, seu conto tem algo de terror, né memso? O cara de olho gde querendo....e desvalorizando..juro deu pena dele...rs


Joaquim Maria morreu, morreu atropelado em plena Praça da Constituição. Há poucos metros da famosa Tipografia Dois de Dezembro. Na hora do acidente, lotada de escritores e intelectuais.

Ivy Gomide · Rio de Janeiro, RJ 17/11/2008 00:45
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Ana Kaya
 

Voce merece, eu não tenho oito pontinhos, só 3 mesmo, mas não sou fina como tantos e tb nem sou assídua aqui pra tanto.
Aqui é muito chato de escrever, tem que ficar logando, pedindo pras pessoas se cadastrarem, é um deus nos acuda pra pedir votos.
E como não tenho tantos amigos assim como vc e nem sou tão conhecida e nem querida como tu, mas mesmo assim meus textos são publicados, tem alguém lá no high comand que gosta de mim ahahahahahhaha.
Voltando ao que interessa, sem palavras, estou boquiaberta com teu talento nato, vc nasceu pra escrever, tudo que faz é bonito, tem bom gosto, tem conteúdo e é real, foi vc mesma que fez, não tem clones, não tem fakes, é voce mesma esta menina linda e talentosa ao extremo. Só tenho uma palavra pra ti amiga tão querida.
PARABÉNSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS
Beijos mil, tenho muito orgulho de ti, já falei isso antes, mas é sério e verdadeiro.

Ana Kaya · São Paulo, SP 17/11/2008 11:34
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Circus do Suannes
 

Ulalá! Temos uma escritora aqui!
Guardem esse nome. O futuro dirá que tenho razão.
Sugiro uma obra "machadiana" bem diferente.
Bom proveito

Circus do Suannes · São Paulo, SP 17/11/2008 13:06
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giselle sato
 

Agradeço as avaliações dos colegas Ana kaya, Circus Suannes, Ivy Gomide e Eloy Santos.
Usa este espaço é um termômetro, sentimos como os colegas reagem e procuramos melhorar cada vez mais. Conto Machadiano é conto de época, para quem aprecia o estilo do mestre Machado e nem todo mundo gosta.
Foi um dos contos mais trabalhosos que escrevi e vim partilhar com vcs e homenagear minha referência.
Fico sinceramente feliz por ter proporcionado uma boa leitura. Cada conto é um aprendizado. Muito obrigada pela atençao e carinho.

giselle sato · Rio de Janeiro, RJ 17/11/2008 13:18
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Lena Girard
 

Nossa, menina!! Que texto maravilhoso!! Inspiradíssimo!
Parabéns minha querida!
Beijos!

Lena Girard · Belém, PA 17/11/2008 13:20
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Cleanto Farina Weidlich
 



Muito meigo, pra não dizer muito bacana, ... sensibilidade aliada a capacidade intelectual, dá nisso, um retrato histórico das charlas que por certo ocorreram na Rua do Ouvidor, ... e por se tratarem de fatos ali ocorridos, ... estão até os nossos dias ecoando no ouvido e na inteligência de contistas natos, como você. Cordiais saudações! (uma honra ter depositado o meu voto, ... que significa acima de tudo, ... gratidão pelo feliz momento. Cleanto Farina Weidlich - Carazinho / RS.

Cleanto Farina Weidlich · Carazinho, RS 17/11/2008 14:01
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giselle sato
 

Só posso agradecer e continuar procurando melhorar a cada dia. Obrigada Lena e Cleanto.

giselle sato · Rio de Janeiro, RJ 17/11/2008 14:38
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MARLY VIVONE
 

Parabéns. Vc merece, muito esforço e dedicação. Parabéns.

MARLY VIVONE · Rio de Janeiro, RJ 17/11/2008 14:46
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azuirfilho
 

giselle sato · Rio de Janeiro (RJ)
Homônimos- Um conto Machadiano- Giselle Sato

Extraordináriamente admirável.
Parace o próprio Machado de Assis.
Escreve com perfeicáo.
Consegue criar tudo da vida e expressar com facil;idade e de forma atraente encantadora.
Um Trabalho gostoso de ler pra gente indicar para todo mundo.
Temos de lhe elogiar para voce caprichar cada vez mais.
maior alegria que nosso overmundo tem gente igual a vocé.
Espero estarmos construindo uma Amizade fraterna.
Parabéns.
Abracáo Amigo.
desculpas meu micro náo tem til, cedilha e acentos, vou levando assim, mas amo nossa Língua querida.

azuirfilho · Campinas, SP 17/11/2008 15:08
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Cafa Sorridente
 

Assim que se faz.
parabéns.
dá uma lida no meu texto please.
brçs

Cafa Sorridente · Belo Horizonte, MG 17/11/2008 15:16
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Eldo Meira
 

Belo conto. Estilo do Machado. Me prendeu do início ao fim. Parabéns. Gostei. Votado.

Eldo Meira · Carazinho, RS 17/11/2008 17:25
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giselle sato
 

Obrigado Azuir, Cafa , Eldo e tantos outros que ajudaram a deixar esta homenagem ao meu querido Machado. Muito, muito, muito, obrigada.

giselle sato · Rio de Janeiro, RJ 17/11/2008 18:36
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Iva Tai
 

Cara Giselle...O teu conto é fantástico...uma homenagem digna ao mestre Machado. És muito talentosa. Adorei! Bjos

Iva Tai · Manaus, AM 18/11/2008 02:09
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Mia Rosa
 

Uau! Este conto é perfeito!
Beijos

Mia Rosa · Brasília, DF 18/11/2008 02:22
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Coluna do Domingos
 

Muito bom trabalho

Coluna do Domingos · Aurora, CE 18/11/2008 12:17
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Sérgio Franck
 

Giselle, conto nota 20. Muito massa.

Sérgio Franck · Belo Horizonte, MG 18/11/2008 14:10
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Coluna do Domingos
 

Não quero parecer arrogante, no entanto, a sociedade carioca carece de bom gosto. Os Cafés e teatros nunca chegarão aos pés dos Parisienses.
muito oportuno e muito real

Coluna do Domingos · Aurora, CE 19/11/2008 14:40
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José Cycero
 

Grande texto-conto. Gostei imensamente grande overmana. O nosso escrito universal Machado precisa de fato de homenagens com esta. parabéns. Votei

José Cycero · Aurora, CE 22/11/2008 10:02
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Pedro Monteiro
 

Amiga gisele.
Eu ainda não tinha lido teu conto.
Menina, parabéns pela construção.

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 25/2/2009 01:35
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