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LITERATURA E HISTÓRIA (1a. parte)

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Brida · Salvador, BA
7/8/2008 · 106 · 22
 


A relação entre a escritura da história e a da literatura tem sido um tema recorrente na reflexão de historiadores, filósofos, teóricos e críticos da literatura há muitos séculos. Pelo menos desde a presença da subjetividade do narrador no relato histórico a partir do Renascimento. O fato é que adquirimos um que se pode denominar "estado de alerta" quando se trata das similaridades e diferenças nas atividades do historiador e dos escritores de ficção. Isto não é novidade, aliás, na reflexão da Teoria da História. Entretanto vêm recorrendo, acrescentando-se ou modificando-se novas concepções sobre os conceitos de "realidade" e de "verdade" dos eventos por parte dos estudos históricos tanto quanto dos literários.
Desde a segunda metade do século XVIII, com Giambattista Vico, vimos aprendendo que a Imaginação como categoria cognitiva desempenha uma função básica na interpretação da História. Gradativamente, passando pela phantasia grega e a imaginatio latina, passa a ser objeto de atenção na acepção pré-romântica do termo - no Iluminismo, portanto.
A Imaginação é elevada, como nas suas origens, a uma categoria do conhecimento como indica o termo kantiano Einbildungskraf 1, que se diferencia de Phantasie pelo caráter cognitivo e produtivo da primeira; já o segundo termo conduz à noção de construções imaginativas descompromissadas com os eventos do mundo exterior. Importa lembrar a distinção entre subjetivismo e subjetividade, que György Lukács fez tão bem: o primeiro, característica da produção imaginosa de um sujeito sem vínculos com a realidade exterior; a última, fundada no social, categoria que não se circunscreve a um único indivíduo, antes, orienta seu ponto de vista sobre os fenômenos sociais. Einbildungskraft foi termo usado por Wilhelm Dilthey 2 para descrever o trabalho da Imaginação no processo de interpretação dos chamados fatos históricos. Conseqüência desse processo é que filósofos e historiadores da modernidade tornaram-se cada vez mais conscientes daquilo que pode ser visto como o caráter ficcional da história. A idéia positivista do "wie es eigentlich gewesen ist" (Ranke), daquilo que realmente aconteceu, foi fortemente desalojada pela idéia que R. G. Colingwood 3 mais recentemente percebe como um "might have been", ou seja, o que pode ter acontecido.
Ainda assim, a relação entre o conhecimento (ou seu esquecimento, preferiria Nietzsche) e a "realidade" ou a "verdade" parece mais problemática do que nunca. O sinal gráfico do que antes denominei "estado de alerta"- as aspas - fala por si mesmo: indica uma espécie de suspensão da referência e uma ênfase no processo da interpretação, mais do que a busca de um telos definido para o conhecimento histórico, queria Hegel, ao lado de outros pensadores da ideologia alemã.
As oposições acima, entretanto, não devem ser encaradas irredutíveis. Ortega y Gasset expressa esse processo: "[...] o homem não é, ele 'vai sendo' isto e aquilo. O conceito de 'vai sendo" é, entretanto, absurdo [...]. O termo que podemos aplicar sem absurdo a 'vai sendo' é 'vivendo'. Digamos então, não que o homem é, mas que ele vive" 4 Portanto, o homem é história, já que não vive num vácuo".5
Neste sentido, a reconstrução do passado é tarefa do presente, não só porque passado difere de outros passados. Nosso modo de pensar é necessariamente diverso de modos de pensar anteriores. Uma das conseqüências desse reconhecimento é o debate sobre o aspecto ético da interpretação dos fatos: nosso passado é de nossa responsabilidade na medida em que "[...] cada imagem do passado que não é reconhecida pelo presente como uma de suas preocupações corre o risco de desaparecer irremediavelmente". 6
ausência ronda os livros de história. Talvez por isso a escritora Virginia Wolf tenha externado a sua descrença na história em favor da literatura: "[...] a história não é uma história de nós mesmos, mas de nossos disfarces. O poeta e o romancista são os únicos dos quais não podemos nos esconder"7 Ela argumenta que se metade da raça humana desaparecesse não seria porque estava ausente, mas porque estaria ausente dos livros de história.
A partir da dificuldade da história em manter uma relação desmistificada e desmistificadora com os fatos é que se inicia minha preocupação com as diferenças entre a atividade do historiador e a do escritor de "ficção". É minha idéia que tais diferenças situam-se no âmbito da linguagem - da forma portanto. O que se introduz com a linguagem é uma forma de escolha, do arbitrário e do arbitrário do qual nem o cronista nem o historiador podem escapar. Aquilo que chama a atenção deste não é o que consulta não só para seus contemporâneos mas para eles mesmos - um conhecimento comum. Ao contrário, aquilo que se abate sobre o cotidiano e o fissura. O que justifica a parcialidade da história é precisamente aquilo que a torna a necessária. Que interesse ofereceria se se tratasse de repetir sem fim uma vulgata universal? Se a história se relaciona à realidade de século em século, inevitavelmente, é porque o historiador trabalha para compreendê-la, tanto quanto para conhecê-la. Ela não é um texto incontestável e contínuo cuja releitura fosse suficiente para estabelecer, em mais um discurso, a importância de um conjunto de fatos narrados em detrimento de outros, também narrados ou jamais narrados. Na verdade, não há fato histórico que não seja sede de uma reinterpretação a partir de uma análise e de uma perspectiva nova. A História (a imaginação da história e sua realização num tempo espacializado pelo discurso) é também aquela violência perpetrada pelo historiador ao passado para retirá-lo de interpretações e interesses anteriores - ou do silêncio - e integrá-lo à sua própria visão. Esta confere à história uma coerência renovada, remodelando um passado fragmentário, no qual se encontram privilegiados alguns aspectos, e não outros. É o historiador quem seleciona, pois, ainda aqui, dizer tudo sobre aquilo que aconteceu, conforme comentam alguns autores - supondo-se que as fontes sejam exaustivas - será condenar-se a nada dizer.
Lévy-Strauss em La Pensée Sauvage observa que tornar a história possível é admitir um sub-conjunto de acontecimentos que se encontra, por um dado período, com aproximadamente a mesma significação para um contingente de indivíduos que, necessariamente, não terão vivido tais acontecimentos e que podem mesmo os considerar a muitos séculos de distância: "[...] a história, então, não é nunca a história, mas história para [...]".7
Ora, essa subjetividade, inevitável para Claude Lévy-Strauss faz com que Paul Valéry afirmasse: "[...]. Aquela [a história] da qual falo indagaria os acontecimentos, ou, antes, aquilo que, posto à luz, tornar-se-ia acontecimento (événement) fora do tempo" 8 Diz ainda: "[...]. Os textos enganam e enganam por essência: estamos desde sempre em literatura". 9 Valéry não amava a História, embora não seja suficiente para os seus leitores pensarem que essa quase aversão só se manifesta por ataques e que ele não se teria empenhado para fazer funcionar o que criticava.
Privilegiando a poesia, Valéry dirá que o très beau vers é um acontecimento (événement) dentro do poema; 11 resulta de trabalho contínuo do poeta para chegar à claridade, ao não-falseamento do que está sendo dito. Opostamente, história é jogo, divertissement, imenso quebra-cabeças. O historiador ordena as peças desse jogo e busca preencher os vazios, quer dos anais, quer do não-dito das crônicas. A depuração do arbitrário, no entanto, o senso do valor das palavras pertence, primariamente, ao trabalho do criador (incluído o poeta mutatis mutandi).
Pensando no específico de literatura e no modo pelo qual o texto dito literário se diferencia de outros textos - inclusive do texto histórico, tem-se que a literatura de criação permite a emergência de passados reprimidos, esquecidos ou tidos como insignificantes. Além disso, ela desmistifica más interpretações e distorções e libera os sentidos latentes que se encontram escondidos sob a representação lingüística de fatos históricos. Por outro lado, acontecimentos considerados irrefutáveis são colocados em suspensão, seja mesmo pertencendo ao que se denomina "os fatos mais importantes de uma época".
A primeira pergunta seria: mais importante a partir de que ótica? Ora, todas as afirmativas anteriores podem ser olhadas com suspeição se são inseridas num discurso exclusivamente teórico do ponto de vista dos estudos literários. Caberia então à crítica da literatura o desvelamento daquilo que, parecendo um pressuposto para o fazer literário, é, na verdade, o seu resultado.
Sabe-se que a noção de "interesse" e de "interesse histórico"- encontra-se na base de Kommumikationssozilogie 13 Aqui também são objeto de preocupação os sentidos perdidos da história, contudo sob a égide do "interesse histórico". No caso de outros teóricos, haja vista os escritos de Theodor W. Adorno e Herbert Marcuse - ambos da Escola de Frankfurt (Institut Für Sozialforschung), conforme denominada nos Estados Unidos - é a dimensão estética da obra de arte literária, que a permite desmistificar a presunção de verdade ou de veracidade de relatos historiográficos.
Indo além, a hermenêutica contemporânea, conforme se lê em Hans-Georg Gadamer (Universidade de Tübigen) , na Teoria da Recepção de H. R. Jauss (Universidade de Konstanz) ou na Teoria do Efeito Estético de Wolfgang Iser (Universidade da Califórnia. ) - embora haja diferenças notáveis entre o primeiro e os outros e entre os dois últimos - a ênfase se situa no papel da leitura sobre gerações sucessivas. Conseqüentemente, a posição sujeito (intérprete) / objeto (obra literária) é substituída pela posição sujeito / sujeito, num processo de interpretação dialógica, que evita qualquer espaço privilegiado fora da esfera da criação e distribuição de sentido. 15
É relevante, também, a hermenêutica de Jürgen Habermas incluído, ao relacionar o sentido do texto com a exterioridade. Seu procedimento se baseia na linguagem para fins de comunicação. A partir da terminologia de Kant, Habermas denomina Mündigkeit a "capacidade de comunicar-se" ou de "pertencer a uma época", (ser-da-idade); exatamente por se estar investido daquela capacidade, lida no seu sentido literal, prefiro, volte-se à etimologia da palavra: Habermas enfatiza os conteúdos de sentido bloqueados da comunicação e indica o falso consenso a que a linguagem conduz. Creio que sua posição atinge um ponto de excelência na crítica da linguagem e da linguagem da história. À medida que rastreia a decisão de que é necessário ir-se além, e mesmo, contra a linguagem, considerada tanto como fala (parole, Rede), como quanto língua (langue, Sprache).
Do ponto de vista de Habermas, os sentidos distorcidos podem ser recuperados à sua integridade, quando o crítico assume a posição do analista em relação ao analisando. Criticando a posição de Gadamer quanto ao consenso ou "profundo acordo comum" 16 , que confia na prioridade da tradição lingüística. Habermas 17 indica que esta é resultado de socialização, e há uma inevitável ligação entre linguagem e práxis (enquanto prática social, política, cultural). Portanto. Aquele que não possui Mündigkeit - habilidade do usuário ou falante da língua competente e dotado de auto-determinação, não participa da interação social. A inferência, para os presentes fins, é a de que a história de uma época não inclui uma série de fatos que ficam à margem da elocução e, portanto, à margem do discurso lingüístico do consenso.18 A posição de Habermas acaba sendo uma teoria de competência lingüística, que relaciona criticamente o uso correto da língua aos conteúdos distorcidos ou reprimidos.
Todavia essas posições hermenêuticas correm sempre o risco de dissolverem a capacidade da obra em se manter um objeto de sentido estável, apesar de que se modifiquem as suas significações em cada momento histórico e, mesmo, em momentos diferentes de leitura de um mesmo intérprete.
O fato e que certas metáforas teóricas - como o "diálogo com o texto", de Gadamer - não estão distantes da posição mais objetiva da Sociologia da Comunicação quando indica que um texto literário depende em grande parte daquilo que alguém quer saber.
Em posição muito mais radical encontram-se os pós-estruturalistas do grupo de Yale, liderados por Geoffrey Hartman, que nos remetem à disseminação sem retorno do sentido da obra. Haveria uma impossibilidade permanente de estabelecer-se um sentido, desde que a obra, arredia, foge a qualquer tentativa de que se lhe confira tal ou qual sentido a partir de um ponto de vista externo: a obra não “quer dizer”: ela diz. E o que diz é refratário a qualquer tipo de "tradução".
Parece mais plausível ver na obra literária um objeto constituído pelo eu criador que, presente no texto de modo o mais das vezes velado, deixa sua significação suspensa. Ficam em aberto significação geradas pela própria energia de sentido da obra, suscetíveis de se realizarem a cada leitura de um mesmo leitor ou de cada diferente leitor ou, ainda – mas não só -, a cada nova interpretação em diferentes momentos históricos. Por isso é que a assim dita obra de arte literária é permanentemente constituída na subjetividade, sem, entretanto, dissolver-se em impossibilidade ou manter-se em clausura, permanecendo aberta às interpretações.
Dito isto, creio que pode ser vista, com maior nitidez, a diferença do texto literário em relação ao texto histórico que, sem a pretensão da forma estética da obra literária, pela inerente intenção comunicacional do texto da História, em princípio não daria conta - e esta é a sua intenção - de permanecer com um sentido autônomo e estável, mesmo na presença de interpretações diversificadas. 25
A visão de Dilthey sobre o excesso de percepção do artista parece bastante clara para auxiliar a aludida diferença da literatura e em relação à história. Para Dilthey, o excesso de percepção não está representado no material verba. Mesmo que a linguagem provoque uma redução de sentido ao veicular a percepção do artista, a experiência vivida pelo artista transcende a si própria e carrega uma intencionalidade. A experiência vivida (Erlebnis, em Dilthey) é a base mesma do processo criador. Ela nunca se encontra totalmente expressada na linguagem, mas sua profundidade e força contagiam a obra e a fazem permanentemente viva e disponível a renovadas interpretações. Assim vista, a obra de arte carrega uma historicidade intrínseca a sua forma de existência. Expressar, indicou Husserl, antes de Dilthey, é ato constituidor de sentido, que, ao se fazer de linguagem, excede-a, por não se circunscrever ao suscetível de ser dito ou escrito, ao discurso lingüístico Sua materialidade não recobre a totalidade da obra, que se encontra sempre em estado de constituição, dependendo, portanto, de uma história da leitura.

Sobre a obra

Trata-se de um ensaio sobre a escrita da história e a escrita da literatura. Tenta-se indicar como, desde sempre, pisamos no terreno da ficção nas modalidades narrativas. Mais ainda: usar língua e linguagem já abre as comportas da imaginação.
Percorre-se a posição e respectivas teorias de vários estudiosas que, de um modo ou de outro mobilizam-se em torno dass teorias narrativas para observar a escrita da história e sua intrínseca ficcionalidade.
Dada a extensão do texto, estará dividido em partes.

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Brida
 

Mündigkeit

Brida · Salvador, BA 5/8/2008 20:30
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Doroni Hilgenberg
 

Brida,
Texto longo menina, confesso que fiquei meio perdida entre tantos teóricos e suas reflexões.Acho que texto hístórico diferencia e muito do texto literário, porque enquanto um narra acontecimentos veridicos que passaram em determinados períodos de uma época de uma maneira curta e seca, o texto literário permite que coloquemos ficção e fantasia no mesmo escrito, e isto permite um olhar mais amplo para os acontecimentos de uma época. Pois em toda a ficção e fantasia existe um pouco de realidade. E fico com Virginia Wolf que descrê da história a favor da literatura. Ela diz: " A história não é uma história de nós mesmo, mas de nossos disfarces" Argumeta que se a metade da raça humana desaparecesse, não seria porque estava ausente, mas sim ausente dos livros e história. E continua: Os poetas e os romancistas são os unicos dos quais não podems nos esconder"
E VIVA NÓS!
Bjsssss e meu carinho

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 5/8/2008 21:47
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Brida
 

Viva nós, meu anjo!
Essas coisitas teóricas que ecrevo são os "ossos do ofício"... Me dão um certo prazer: do exercício intelectual e do ingresso no mundo gelado das filosofias, onde tudo é silêncio e reflexão.
Mas nós somos uns conversadores de primeia enquanto criadores. Raça de gente faladeira. Que ri. Que chora. Que ama. Que brinca.
A nossa confreira Virginia tá certíssima. O Benjamin, que cito muito e sempre, também. Só a arte redime. A Redenção pela Palavra. E isso nos aproxima de Deus-Filho, não é mesmo?
Beijo, lindinha.

Brida · Salvador, BA 5/8/2008 23:07
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Compulsão Diária
 

Brida,

Para comentar seu postado seria necessário uma linguagem comum, mais próxima. Diante dele me vejo frente a um recorte de tese, portanto, o fragmento de um corpo teórico que - apenas fragmento veja- vc precisou utilizar todos os campos possíveis de postagem. Porque percebeu a mutilação e tentou amaparar seu leitor, ao máximo, para que este pudesse interagir com vc.

Nesse sentido, minha proposta é de que vc simplifique o texto, pois do contrário a interação será mínima. Vc dirá, ok, o que me interessa é a qualidade da interlocução. Va bene! Mas, isso pode causar em vc um grande mal-estar, uma solidão.

Veja, meu caso: do que depreendi deste texto extenso e denso pra um postado, eu me arrisco, ao comentar, ser por demais reducionista. Não conheço o corpus todo da tese.

Mas vamos lá, eu jamais deixaria de aceitar um convite.

Então, o que consegui pensar com vc e ir um passinho, onde mal piso, além foi que se a literatura pode ser considerada uma leitora privilegiada dos acontecimentos históricos então, reduzindo bem, eu diria, no limite da sua paciência intelectual, podemos dizer que se aqui alguns pretendem fazer literatura, então as histórias narradas, contos, crônicas, poemas poderiam ser lidos enquanto depoimentos históricos pessoais?

Melhor dizendo: um leitor instrumentalizado seria capaz de decifrar o escritor, através de seus postados e comentários?

um abraço

Compulsão Diária · São Paulo, SP 6/8/2008 00:00
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Elio Cândido de Oliveira
 

Bom dia. Gostei do trabalho. Reflexivo.
Obrigado pelas sugestões. Acatadas em parte.. Bom dia mesmo.
Sempre as ordens..
Abraços fraternos.

Elio Cândido de Oliveira · Ibiá, MG 6/8/2008 06:40
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clara arruda
 

Brida minha menina.
Menina sim pq a vejo como postou em seu perfil. Sou uma apaixonada por perfis.
Eu sinceramente não poderei fazer um comentário por várias razões.Mas a principal é que não entendo nada de literatura, logo nada sei.Seu texto me fez lembrar uma dedicatória qu recebi um dia de um admirador:
Convidada por ela que diz que me ama do fundo do coração, bebo sozinho agradecendo as juras, que estranha é essa forma de amar?
Hoje vc passa aqui uma aula, e essa aluna já está velha demais para aprender.Então por que escrevo?
Teimosia insana, gratificante quando apenas me permito escrever.Um exercício para não emudecer o coração.
Queria poder fazer um comentário e dizer:
Essa sugestão acatarei ou entendi.na verdade vc sabe muito e eu nada sei. O que sei é que tb te ofereço meu carinho e amizade sincera pq isso não se aprende em tese.São ensinamentos que já vem com diploma desde o ventre.
Um enorme beijo em seu coração.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 6/8/2008 07:56
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Brida
 

Que pessoa linda é você, querida!
Em verdade, eu até lamento essa divisão com o texto teórico-crítico em minha vida. Ossos do ofício. Sou professora da minha amada Universidade Federal da Bahia. Nessa qualidade, tentei fazer O MELHOR para me capacitar e poder orientar meus estudantes amados. Mestrado, Doutorado, pós-Doutorado,pós-pós, pós-pós-pós... Meu País bancou tudo. Brasil, Estados Unidos e Europa. Por enquanto. Retribuo, apenas retribuo, com uma parcelá mínima, haja vista a quantidade de analfabetos em nosso ienso território. Talvez afortunados. Mas não para a sociedade branca européia ocidental, que é a nossa. Aqui na Bhia, eho a sorte de ter a cultura africana. Uma riqueza inaudita. É na África que quero fazer meu pós-pós-pós-pós..... E trocar com a África minha bagagem, dessa cultura triste, que é a branca.
O importante para o criador, contudo, Clarinha, é ser criador. E você o é, lindamente.
Menina? Sim, eu o sou. Você é mais equilibrada. Preciso aprender com você, porque sou meio desparafusada.
[...]não entendo nada de literatura, logo nada sei, diz você. Que engano! Continue muito, mas muito teimosinha, viu?

Brida · Salvador, BA 6/8/2008 10:40
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clara arruda
 

Deixando meu imenso carinho e voto.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 6/8/2008 21:18
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clara arruda
 

e por favor se for á África olhe as crianças...É tudo o que peço.
Não há poema mais triste em todo o continente africano e em outros tb.
Ah! miséria inaudita, sois maldita por fazer escravos nosso irmão.
África que grita, o grito abafado e sem eco nos endurecidos corações.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 6/8/2008 21:23
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Renato de Mattos Motta
 

QUerida Brida. Infelizmente estpou com um problema seríssimo de tempo esta semana e não pude comentar ainda o teu trabalho, até porque tem muita coisa a ser dita sobre ele!
Está maravilhoso!
E eu sou daqueles chatos que adoram ler teses e dar palpites, mesmo que a única qualificação que tenha para isto seja a do meu raciocínio e das coisas que fui lendo por aí.
Um excelente contraponto a este teu trabalho é uma crônica deliciosa de Humberto Eco chamada "Existiu a Itália", acredito que esteja no livro "Diário Mínimo" (se não estiver neste está em "Viagem à irrealidade quotidiana", confundo um pouco os dois porque li ambos na mesma semana, por empréstimo de um amigo, na década de 80). Num futuro distópico pós-catástrofe nuclear, só restou vida humana no pólo norte. Uma expedição de arqueólogos esquimós dirige-se àquele lugar em que antigos mapas descreviam como aquele onde dever-se-ia situar a Península Itálica para tentar responder à pergunta-título. O relatório das conclusões a partir do achado é hilário cito só um (de memória):
- Ao que parece os italianos eram não apenas um povo racista, mas também capazes de verdadeiros milagres dentro da eugenia farmacológica, como fica bastante claro em um fragmento de embalagem de um desses remédios encontrado pela nossa equipe, onde se lê "OMO - o branco mais branco".

Grande beijo
(Ah, inaugurei tua votação!)

Renato de Mattos Motta · Porto Alegre, RS 6/8/2008 21:36
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Brida
 

O mesmo comigo. Trabalho, família e o meu amor - como ele está longe, tenho de ter tempo para pensar nele e me ocupar dele o quanto posso, à distância) me povoam o tempo (graças a Deus).
"Literatura e História" é um condensado de minha Ph.D. thesis, UCAL, Berkeley. Viga mestra é a hermenêutica alemã. Mas não sou ortodoxa. Adotei déias de Emilio Betti, Itália; Edmund Hirsch, Inglaterra; Susan Sontag, judia americana (uau!!!, eles mandam em NY !!! e na intelligentzia americana), Hannah Arendt, judia húngara, USA, e o maravilhoso Ortega Y Gasset. cidadão do mundo.
Conheci Umberto Eco em uma das minhas viagens ao norte da Itália, na Universidade de Pádua, onde apresentei comuniação, participei de mesa-redonda e ministrei um mini-curso num congresso no qual Eco proferiu a conferência de abertura. Conversamos muito. Ele é uma verdadeira estrela. E adora isso. Fica lá no alto da cátedra diante da multidão de fãs, eu, incluída.
A crônica deliciosa à qual você se refere está na Viagem à Irrealidade Cotidiana. Uma delícia, o seu comentário, hehehehe.
Grande abraço e beijo.
Legal você ter inaugurado a votação.
Hoje incluirei um poema bem light, de contrapeso. Vá lá, querido.

Brida · Salvador, BA 7/8/2008 06:55
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Renato de Mattos Motta
 

vou sim!

Renato de Mattos Motta · Porto Alegre, RS 7/8/2008 08:40
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O NOVO POETA.(W.Marques).
 

lindo trabalho.votado.

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 7/8/2008 09:00
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Doroni Hilgenberg
 

Brida,
voltando
e deixando meus votos
com carinho
bjssssss

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 7/8/2008 13:16
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Brida
 

Compulsão Diária. OK,deixe que eu lhe diga uma coisa, meu bem. Embora respeite o leitor, claro, não movo uma palha em nada meu para facilitar leitura de ninguém. Quem quiser, que vá trrabalhar-se, instrumentraliza-se.
Você questiona:
Então, o que consegui pensar com vc e ir um passinho, onde mal piso, além foi que se a literatura pode ser considerada uma leitora privilegiada dos acontecimentos históricos então, reduzindo bem, eu diria, no limite da sua paciência intelectual, podemos dizer que se aqui alguns pretendem fazer literatura, então as histórias narradas, contos, crônicas, poemas poderiam ser lidos enquanto depoimentos históricos pessoais?
rgunta:

Brida · Salvador, BA 7/8/2008 18:06
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Brida
 

Corrigindo a mensagem que escapuliu:
Sua questãoé perfeita. A resposta é SIM. Há toda uma história do indivíduo, em pensamentos, idéias, emoções, que só a escrita criativa dá conta. Há uma margemque emerge. Os contúdos esquecidos ou negligenciados na história presentificam-se. Ocorre uma redenção da linguagem.
Um acréscimo, Compulsão querida, o texto em pauta não é um fragmento de tese. A tese é uma loucura ded 450 páginas. É ximplesmente um ensaio sobre otema, levantando os fontes teóoricas principais.
Beijo

Brida · Salvador, BA 7/8/2008 19:08
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Compulsão Diária
 

ok, honney.

Compulsão Diária · São Paulo, SP 9/8/2008 19:20
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Ecila Yleus
 

Estou me preparando para fazer mestrado da teoria da literatura e gostei demais do que li aqui em suas argumentações como , também gostei do nomes citados. Bem temos que nos acostumarmos a lidar com conceitos, teses e a verbalidades dessas teorias. É mais fácil para as pessoas que estão na área, não é?. Temos que concordar que é uma linguagem específica, ontológica. Portanto, compreendo a atitude de CD. Eu não desejo fazer nenhum curso que não possa pretender alargar o conhecimento aos meus leitores, lógico que não posso mudar as coisas e tirar os direitos dedutivos que precisa-se ter., porém depende de onde estou expondo o conteúdo posso relaxar, não. Fiquei fascinada desde a primeira vez que você apareceu diante dos meus olhos.Vi que ali tinha algo que me ,uma vez que sou estudiosa da área. Sempre digo que sou formada em Letras e dentro da sala de aula sou uma excelente professora de história. A correlação de algumas matérias estão e sempre serão correlatas. Tanto é que se aconselha a interdisciplinalidade. A alma poética por exemplo consegue vivenviar o mundo diacrônico e sincrônico sem digressões.É sui generis.Acredito que lemos o mundo sem precisarmos viajar pelo mundo ou estarmos envoltos aos grandes gênios, se podemos isso é ótimo. Eu determino o que quero ser independente de onde me encontro na escala. Desafios que a própria sociedade consumista, mercadológica me cobra. Comecei estudar, depois de uma pausa de 20 anos, aos 48 anos comecei e terminei aos 53 anos e ralei pelos esgotos fétidos do mundo esquecido e ignorado. O mundo dos pobres e oprimidos. Diante de uma área de lazer onde se via a aglomeração de pessoas se impanturrando de sabores alimentares enquanto eu ali, dentro de uma universidade particular que não era meu mundo e venci. Cruzei a fronteira dos perdidos e cheguei e vou chegar bem mais longe sem papai nem mais porque tenho fé, tenho garra, tem força, uma força enorme que arrebenta aqui dentro de mim e me leva ao alto de mim mesma.Parabéns pra você por tudo que conseguiu nessa vida, pelas as oportunidades que a vida te deeu e pelo teu esforço próprio. Tantos têm condições e nada querem. A palaudo as pessoas que vencem culturalmente. Amei o seu trabalho aqui, acredite que com ele aprendi muito. Um belo leque.

Ecila Yleus · Recife, PE 18/8/2008 21:32
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Ecila Yleus
 

Aplaudo

Ecila Yleus · Recife, PE 18/8/2008 21:39
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Brida
 

Ecila:
Sempre digo que sou formada em Letras e dentro da sala de aula sou uma excelente professora de história.
- História da Likteratura? História geral? Teoria da Históiria?
Muito interessada em saber.
a alma poética por exemplo consegue vivenviar o mundo diacrônico e sincrônico sem digressões.É sui generis.
-Sábio e verdadeiro!

Querida, para mim sempre foi dificílimo! Costumo dizer o oposto quase sempre, pois as palavras possuem uma energia absurdamente concreta, ao serem proferidas e, mesmo, escritas.
Tenho mais um livro de teoria e crítica pronto, em verdade é o primeiro volujme da série OS TRABALHOS DE HÉRCULES NA OFICINA DE ORFEU.
Sou o Hércuyles, no caso...
Você VAI CONSEGUIR O QUE PRETENDE.
Estou às ordens. Sou consultora para pós-graduação e faço con sultoria pela intgernet.
escreva para mcparanhos@yahoo.com.br - se assim o desejar.

Beijinho

Brida · Salvador, BA 19/8/2008 21:07
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Brida
 

Ecila:
Sempre digo que sou formada em Letras e dentro da sala de aula sou uma excelente professora de história.
- História da Likteratura? História geral? Teoria da Históiria?
Muito interessada em saber.
a alma poética por exemplo consegue vivenviar o mundo diacrônico e sincrônico sem digressões.É sui generis.
-Sábio e verdadeiro!

Querida, para mim sempre foi dificílimo! Costumo dizer o oposto quase sempre, pois as palavras possuem uma energia absurdamente concreta, ao serem proferidas e, mesmo, escritas.
Tenho mais um livro de teoria e crítica pronto, em verdade é o primeiro volujme da série OS TRABALHOS DE HÉRCULES NA OFICINA DE ORFEU.
Sou o Hércuyles, no caso...
Você VAI CONSEGUIR O QUE PRETENDE.
Estou às ordens. Sou consultora para pós-graduação e faço consultoria pela Internet. Etc. etc.
Escreva para mcparanhos@yahoo.com.br - se assim o desejar.

Beijinho

Brida · Salvador, BA 19/8/2008 21:08
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Brida
 

Ecila, desculpe os erros acima. Não estou em meu micro, que é Mac, e me enrolo bastante com o Windows.

Brida · Salvador, BA 19/8/2008 21:15
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O poema de Murilo Mendes que inspirou o batismo do Overmundo ecoa o "grito eletrônico" de um “cavaleiro do mundo”, que “anda, voa, está em... +leia

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