Pensei em fazer um poema sobre as vitimas das enchentes que estão
acontecendo no Brasil. Seria uma homenagem ou algum tipo de “palavra de
esperança”. Mas desisti desta feitoria, pois se tivesse feito eu seria igual as
mídias convencionais que me incomoda tanto ao explorarem a dor alheia.
Remixam a dor em looping filmagens sensacionalistas, e imagens mórbidas
randomicamente de dor e desespero alheio e enquanto isso assistimos
tranqüilos em nossas casas, bares e lan houses, estamos engessados e dando
graças a deus por estarmos bem. Mas se eu estou bem graças a um deus,
será que significa que esse mesmo deus esqueceu estas pessoas? Mas tudo
bem, pois essa não é a temática deste não poema, eu só queria dizer pra não
assistirem tranqüilo tais imagens não comam carne enquanto estão vendo e
não bebam a cervejeinha no boteco comentando esses fatos como se fossem
algo frívolo (que vai passar), pois se vocês agem assim eu só posso lamentar
pois vocês já estão muito doentes e talvez nem tenham cura.
Não terminem de ler esse não poema com aplausos e elogios, pois não a nada
por aqui a ser enaltecido. Termino esse texto e preço apenas uma oração...
É sangue mesmo, não é mertiolate"
E todos querem ver
E comentar a novidade.
"É tão emocionante um acidente de verdade"
Estão todos satisfeitos
Com o sucesso do desastre:
Vai passar na televisão
"Por gentileza, aguarde um momento.
Sem carteirinha não tem atendimento -
Carteira de trabalho assinada, sim senhor.
Olha o tumulto: façam fila por favor.
Todos com a documentação.
Quem não tem senha não tem lugar marcado. Eu sinto muito mas já passa do horário.
Entendo seu problema mas não posso resolver:
É contra o regulamento, está bem aqui, pode ver.
Ordens são ordens.
Em todo caso já temos sua ficha.
Só falta o recibo comprovando residência.
Pra limpar todo esse sangue, chamei a faxineira -
E agora eu vou indo senão perco a novela
E eu não quero ficar na mão
(METROPOLE musica da Legião Urbana)
Bem por aew...
a gente não tem permissão para comentar sobre tais fatos uma vez que não aprendeu direito ainda a... sofrer !
Um beijo !
Alcanu tem razão. Sem comentários.
Por um instante me passou uma dúvida besta pela cabeça... "devo orar para o deus que protegeu os sobreviventes ou para o deus que vitimou tanta gente?" Teu não poema me sugere que eu devo orar pelas vítimas e não para deus nenhum.
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