No morro dos cachorros que uivam
morro de amores, solitária loba
um rio passa a limpo as nossas vidas,
jogo na mesa todas umas poucas fichas
Corro desimpedida pela mata
matam-se as crenças em mim
que me fino também, assim
No mato sem cachorro ou lobo
será que me morro enfim?
Não quero mais essa brincadeira
Vou trocar de atiradeira, pegar
um pião na unha, fazer a piorra rodar
Porra! Não era assim que o amor
devia vir: devagar e certo, belo?
Tinha que ser tão avassalador?
Deixar-me prostrada em joelhos
a mendigar teus favores. Então
já não me queres como te amo.
Se me infliges uma dor sem lança
eu na mão, em contradança,
as crenças tantas contrariando .
Fazia eu melhor só comigo,
mas há a saudade de ti.
Eu mesma sei mais não de mim,
como chegaste a assim.
É fortuito o teu agrado,
foi ciranda o nosso passado:
vidro quebrado, rua sem ladrilhos,
apenas e tão só pedras opacas.
Eu, ainda enlevada, encantada.
A vida tornou-me tensa, que só
o lacerante uivar destoa
tudo à volta está um nada
em mim há mortes tantas
das pessoas que fui e sou, oh!
Tanto sofrer só pode adivinhar
alvíssaras, ou a final ceifa fatal .
Dou um giro e já sou uma nova
quem não te quer a meu lado,
estás acuado por mim, comprova
não mais te amo, vestida carmim
estou na rua, nua a fera solitária
uivando veraz em banho de lua...
Li, reli, treli... Tentei penetrar fundo no que tu dizes e quase me encaixei... De tanto querer me ver no teu poema, quase mergulho fundo no rio das mentes inquietas... Me deixastes inquieto, no mesmo ritmo em que esta tarde vai, daqui a pouco, desembocar na noite... Convido-te para http://www.overmundo.com.br/banco/causa-e-efeito... Abraços...
Pepê Mattos · Macapá, AP 2/3/2008 17:11
A inqueitação é a arma do mundo moderno...
Este belo escrito me anima.
Abçs.
Bem serve o poema para celebrar a mulher que, enfim, despe-se da "dor sem lança" e se revela lupina e solta em lua qualquer.
Uma maravilha de ler, por tudo. O tema, a sua linguagem sem igual, as rimas internas (que adoro), o ritmo e essa vida toda, que salta dos versos.
Maravilha!
beijos
E eu já tinha falado desse retrato.
Por que entre a ânsia e angústia? Será que está em tudo e em todos tão presente? Logo o amor que deveria, foi feito, para ser sereno, sério, sublime!.
beijão, andre.
A ânsia e a angústia nos provoca cotidianamente. É no amor, é no dia-a-dia nestas nossas relações da vida.
São perguntas muitas vezes sem respostas, das tais respostas quando veem já não nos atingem mais... E esta ai a nossa eterna condição...
Parabéns Juliaura
Ansiedade é o meu presente!!
Loucura e Angústia às vezes me visitam!!
Eu, ainda enlevada, encantada.
Dou um giro e já sou uma nova
Juuuuu... maravilha de poema!! Delícia de movimento em suas palavras!!!
beijos e meu voto com muito carinho!! Parabéns!!
Se são poucas as fichas, são de grande valor as palavras.
Bei_ju.
Salve, Juliaura!
Sinto-me vivo quando
vejo um ser humano
capaz de expressar
tamanho sentimento
com tanta clareza
e sensibilidade.
Uma beleza ímpar!
Parabéns, sinceramente!
PS - Faceiro
da vida
à procura de uma moça desimpedida
de vestido vermelho...
Juli, tem a manha até quando rasga o verbo.
Massa!
Eu amo todas vocês, pessoas de almas generosas.
Grata.
Gosto demais de tudo que nos mostras Juliaura, e essa maneira linda com que descrevestes a dor me faz pensar que o amor passeia por ti e te inspir
Lígia Saavedra · Ananindeua, PA 6/3/2008 18:58
é aquele mesmo que tanto queima como sopra.
E o comentário partiu-se ao meio.
Mas te amo, visse?
Bj.
A vida tornou-me tensa, que só
o lacerante uivar destoa
tudo à volta está um nada
em mim há mortes tantas
das pessoas que fui e sou, oh!
Que triste e tristinha
Fique alegre...alegrinha...Alegria!
Ai dor, ceifa...ceifa fatal?
Bom , maravilhoooosoooooooooooo
Falo sem a banalidade do afago "tosco", rs
beijinho
Cuide do pedaço , pois vou passear pelas caldas...poços de caldas e vou lá Fundação Moreira Salles, iupii
vai ser genial, voltarei caldalosa...bjinh
Querida Juli:
Quanta sensibilidade...
Realidade Bela_Dura_Crua_Nua
"Dou um giro e já sou uma nova
quem não te quer a meu lado,
estás acuado por mim, comprova
não mais te amo, vestida carmim
estou na rua, nua a fera solitária
uivando veraz em banho de lua... "
A loba engoliu a lua que engoliu a loba,
e na pedra opaca da rua a poeta uiva nostalgia
e se mata na mata nua (oba)
pra renascer grávida de amor e poesia.
bjs
ôba eu qui tá tá 'qui fazendo lindices.
nossa!
cheguei ficar rupiada.
Com friozinho abaixo do colar de contas.
revendo palavras e sentimentos mis em seu poema!
piorra, bá quanto tempo não lia essa palavra!
em mim há mortes tantas, isso é de uma profundidade!
Nossa ! Poebeijus
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