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Relendo mensagens antigas descobri uma carta sobre crises composicionais que troquei com dois amigos compositores em 2005. Em determinado momento da carta surge a seguinte receita de felicidade:
Cheguei à conclusão que cada cabeça é um circuito. O "circuitão" é um molde grosseiro. Não estamos em lugar nenhum, não temos que estar em nenhum lugar específico dentro de nossas loucuras composicionais. Não existe molde onde estas se encaixem. Tratam-se de singularidades.
Para começar do zero, algumas medidas:
1 - aposentadoria: fim da carreira de compositor profissional. Início de uma longa jornada de auto-entretenimento sonoro (compondo, tocando, estreando);
Obs: atuar como compositor profissional em três casos:
1.1 - quebrar um galho para um grande amigo
1.2 - ganhar uma bela grana
1.3 - participar de uma experiência marcante
1.4 - combinações dos casos anteriores
Obs2: para despistar músicos chatos que acham que você tem de atender a demandas musicais, diga que não é músico: você é "artista sonoro amador"
2 - virar acadêmico profissional: pegar um título e viver de dar aula de música e fazer pesquisa em uma universidade que tenha um campus no interior;
3 - ir morar no mato: viver em uma casa mais no interior ainda, plantando, trocando bens e serviços por bens e serviços, respirar melhor, comer melhor, viver melhor, desaprender o valor do dinheiro, enviar e receber material pela internet e, de vez em quando,ir à capital para levar adiante algum empreendimento artístico-sonoro (amador);
4 - não atuar como opositor do status quo nem deixa-lo em paz: virar ameaça velada, virus não especificado, guerrilha não declarada, defender despretenciosamente que tudo é possível dentro da arte sonora, não pregar a obsolescência da música, apenas a sua prescindibilidade. E o principal: com tudo isso, continuar compondo, montando trabalhos, dando conferências e participando da vida acadêmica nacional e internacional.
5 - não assumir cargos de poder: são fatores de multiplicação de demandas alienígenas, muitas delas insuportáveis para quem fez as escolhas anteriores.
6 - manter a sociabilidade: frequentar indivíduos de bom astral, de todas as áreas, que se identifiquem com essas idéias, manter-se amando sua companheira, filhos e demais colegas e parentes em sua volta. Este é um empreendimento humano, afinal de contas.
7 - experimentar outras artes: você está livre para melecar uma folha de papel com tinta. Se não quiser mexer com sons durante um mês inteiro, tudo bem: goze de sua aposentadoria!
tags: São Paulo SP textos-nao-ficcao valerio-fiel-da-costa composicao aposentadoria felicidade arte-sonora amadorismo
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informações |
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| Autoria |
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Valério Fiel da Costa |
| Contato |
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fieldacosta@yahoo.com.br
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| Data |
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20/5/2007 |
| Arquivo |
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2 Kb ·70 downloads |
| Licença |
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comentários  |
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Legal Valérrio, isso tudo que você falou aí é realmente uma boa dica. Parabéns pelo texto, eu gostei. Meus sinceros aplausos.
Carlos Magno.
carlos magno · Rio de Janeiro (RJ) · 21/5/2007 01:05
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Obrigado Carlos. Fico feliz com seu comentário.
Valério Fiel da Costa · São Paulo (SP) · 21/5/2007 11:32
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Provocativo o texto, mas acho que as condições ideais de produção é um ideal, não quero fazer bandeira da urbanidade, ou apologia ao caos, só acho estranho pensar no conceito de condições ideais, para se atingir uma arte mais verdadeira, ou que venha a ser feito. A inspiração nos pega de repente, quando nem imaginamos, e o seu caminho cada um faz, tem gente que produz melhor na calma, outros na pressão. Mas valeu por compartilhar as memórias.
Filipe Barros · Recife (PE) · 31/5/2007 09:20
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Poxa Filipe, você levou mesmo a sério o texto não?
Valério Fiel da Costa · São Paulo (SP) · 31/5/2007 12:34
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