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SENDERO LUMINOSO
Benny Franklin · Belém (PA) · 24/8/2007 09:31 · 97 votos · 5 comentários ·  
1
overponto
Foto: Barry el Blanco/Flickr/Creative Commons

Como
Somatória diurna de matemáticas palavras;
Como energia orgânica que tudo trespassa
E que está asilada sob as armaduras multíplices e efêmeras,
Que toleram e desviam as dentições do flúor humano;
Como o tutano que se esconde da própria carne!
..................

Como
Insólita ambição do pedregulho
A revelia da órbita muscular que sádica se quebra em quatro,
Como apalpar o culhão da fomedez
E a mitra da antemanhã causando torcicolo do amor;
Como protofosforescência de eloqüências paridas
Nas armadilhas da vastidão ovular!
..................

Como
Cais apinhado de cargas sem identificação
Em meio às turbulências da âncora
De um navio coalhado de girassóis gozosos,
Como homem e mulher que hasteiam flores etílicas
Sobre o estomago
Exibindo seus músculos cônscios verbais;
Como ávido sangramento que se ata
Aos gravames da Alma!
..................

Como
Mulher atrevida
Com seus admiráveis seios seminus
Arrojando sombras retesadas
Quando se estica
Para pendurar de alma lavada
Seu último pecado,
Mas umidamente sensual
Se enrola
Agarrada à minha pele
Capturada assim de braços erguidos
A atirar a cabeça para trás
Numa gargalhada muda
E num gesto espontâneo
Espalhando então cabelos
Da cor dos meus pecados!
..................

Como
Homens de genitálias salientes
Entre misérias eloqüentes e incabíveis
Embarcando vertigens bolorentas a vácuo
para a outra dimensão.
Como
Sendero Luminoso,
Vejo-me, assim, onisciente, diante de Ti,
Oh! Palavra, Tu que jamais a pronunciei.
Vêm... Goza-me o Verbo... Alça-me a tez
Até chegar ao pouso do poema...
Ao fim,
Não confunda meu estigma
Com o enigma do Deus das coisas não percebidas,
Ou com o sal que preciso desviar-me,
Pois o silêncio que te resvala ao ventre
Há que se esquivar
De Mim.


tags: Belém PA poesia sendero-luminoso poesia-paraense cultura-amazonica benny-franklin belem para textos-literatura
 
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Autoria   Benny Franklin
Contato  

franklin.benny@gmail.com

Data   24/8/2007
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Licença  
 
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Puro deleite... só me resta reler... reler e reler ;-)
Flores, muitas flores pra você, meu caro @>--
Bjs
Adriana Costa · Brasília (DF) · 22/8/2007 09:41 
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com o sal que preciso desviar-me,
Pois o silêncio que te resvala ao ventre


Ave Maria ! Perfeito Benny...não canso...
Bom demais "Poetinha del Mundo" rs
verdade!
Cintia Thome · São Paulo (SP) · 22/8/2007 17:29 
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Puro jogo de significados, de ritmo, de palavras, de imagens...além da língua...
Grande Benny, saudações com admiração...
Mansur · Rio de Janeiro (RJ) · 23/8/2007 18:29 
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Benny, só elogios já não me bastam para contigo.
Quero te dar um abraço.
Até.
Lígia Saavedra · Ananindeua (PA) · 23/8/2007 19:29 
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"Até chegar ao pouso do poema"
Maravilha, Benny, que vôo e que pouso em tuas palavras.
Abçs de Betha.
BETHA · Carnaíba (PE) · 24/8/2007 18:29 
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