O farfalhar das palhas dos coqueiros
- dependuradas, tremulando ao sabor da ventania
sob o negro da noite maquiado de luar –
o cântico dos grilos cricrilando
o coaxar distante dos sapos
o marulhar das ondas inconstantes
convites para meu silêncio… contemplação
Eis que a saudade me invade
impondo-se despótica, tirana
ladina… impiedosa
adentrando no pórtico do meu coração
tal como um brado de dor
no desenlace de uma paixão
Saudade indefinida
dos meus longínquos tempos de menina
quando girando num carrossel
sentia-me como que cavalgando
atravessando florestas indevassadas
num imponente corcel branco
sob chuvas e trovoadas
Nessa viagem onírica
percorro dançando cada uma dessas estrelas
que salpicam o céu da minha imaginação
regressando ao tempo sublime
em que o cantarolar de músicas suaves
era o acalento certo para um adormecer tranqüilo
protegida do medo do “bicho-papão”
(Poesia do livro “Eu mesma…nua”)
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