Quando me mostraram o Zeitgeist, me disseram que o filme tinha grandes revelações bombásticas e irrefutáveis acerca de muitos aspectos da história humana.
A própria introdução aponta para essa direção e nos faz crer que apresentarão uma verdade irrefutável, que estivemos sendo "enganados" o tempo inteiro e que o objetivo dos "enganadores" (sempre Eles) é "dominar o mundo". E isso é dito literalmente, com todas as letras. Não poderia ser mais conspiratório.
É muito fácil chamar a atenção das pessoas com teorias da conspiração. Parece ser muito natural acreditar em OVNIs, organizações secretas dominadoras do mundo, lendas e superstições. Penso que é necessário olhar para essas coisas com um certo ceticismo pois, como dizia Carl Sagan, que é até citado no filme, eventos extraordinários requerem evidências extraordinárias (Sagan foi um dos principais cientistas defensores da busca de vida alienígena, apesar de não acreditar nos relatos de OVNIs descritos ao longo da história recente).
O filme Zeitgeist é dividido em três partes. A primeira parte, "The Greatest Story Ever Told" ou "A Maior História Já Contada" trata de uma análise do cristianismo. A segunda parte, "All The World's a Stage" ou "O Mundo Inteiro é Um Palco" apresenta uma suposta conspiração nos ataques às torres gêmeas nos estados unidos. A terceira parte, "Don't Mind The Men Behind The Curtain" ou "Não Ligue Para os Homens Detrás da Cortina" foca no sistema bancário mundial, que supostamente tem estado nas mãos de uma elite de famílias burguesas que detém o verdadeiro poder sobre todos os países a eles associados.
Pessoalmente, não consegui passar da segunda parte. Isso porque me incomodou bastante as informações imprecisas apresentadas na primeira parte, que para mim comprometem a credibilidade do filme como um todo. A seguir, farei uma análise da primeira parte, que trata do cristianismo.
De um modo geral, a primeira parte do filme apresenta informações para corroborar uma teoria previamente elaborada (a de que Cristo seria uma colagem de várias outras mitologias e teria origens astrológicas), ocultando, quando conveniente, informações valiosas que poderiam levar o espectador a tirar outras conclusões que não as apresentadas no filme. Para mim, há uma grande confusão quando não fizeram uma separação entre o que é de origem bíblica, o que vem da tradição católica e o que se originou da tradição popular cristã.
No início da primeira parte, é apresentado um resumo da história do deus egípcio Horus. O resumo é o seguinte:
Análise da primeira parte do filme Zeitgeist.
Confesso que quando assisti pela primeira vez Zeitgeist fiquei meio que deslumbrado com as possiveis revelações que traz.
Depois, já li e já escutei reportagens sobre as revelações. Confesso que as religiosas pouco me prenderam a atenção, pois me confesso discrente de todas, as oficiais e as reveladoras.
Acho a Biblia e seus acessorios Evangelhos e Escritos Sagrados uma literatura para menos exigentes e crédulos de primeira hora.
Mas as partes seguintes do filme-documentário me passaram mais possibilidades do que a primeira.
Que exista uma grande conspiração, una e dirigida por uma mente, ou mentes perfeitamente concertadas, é dificil supor, pra não dizer improvável, mas que a teoria mantenedora traz elementos plausiveis, e os fatos convergem para tal, isto sim faz sentido pra mim.
Não que seja seguida como se pretende no filme, mas, no todo faz sentido.
E na falta de coisa melhor, prefiro colocar minhas barbas de molho.
Ainda não dei este assunto como resolvido e talvez nunca dê...
Mas se ele fascina e provoca artigos tão bem trabalhados como o seu, vale a pena persegui-lo.
Só pra terminar: o titulo do seu artigo é a resposta pra tudo -
A vontade de acreditar
Parabens.
peninha, obrigado pelo comentário.
Acho que se os autores do filme tiveram o mesmo critério para a seleção dos "fatos" para a segunda e terceira partes, tudo não passa de uma montagem para corroborar a "conspiração".
Fatos comprovados que não se encaixam na conspiração são ignorados e especulações que a corroboram são tomados como verdade.
Acho que essas conspirações acabam por funcionar como uma boa propaganda americana, porque os americanos "podem tudo", inclusive armar uma mega conspiração para derrubar um de seus maiores símbolos e entrar em uma guerra, enquanto que os muçulmanos "entocados nas cavernas" seriam incapazes de realizar um plano de ataque como aquele.
Lembrando que os EUA foram incapazes de plantar simples armas no Iraque para justificar a invasão. Onde estavam os talentosos conspiradores nessa hora? Quero dizer, como já disse o Marcos do Bitaites no seu texto sobre o filme, que os americanos não conseguiriam orquestrar tal conspiração, não porque não queiram, mas porque são incompetentes.
Não seria mais plausível acreditar na incompetência da segurança do sistema aéreo americano e na displicência dos governantes, que ignoram relatórios apenas pela preguiça de lê-los?
Não! os americanos são os todos-poderosos-dominadores-do-mundo e tudo podem.
Amigo Murilo,
Se vc olhar 500 anos atras, vai ver que o mundo que "existia", ou seja, o dito civilizado, o europeu - visto que Asia e Africa eram simples colonias ou menos e as Americas não existiam - era dividido entre umas poucas familias que erigiam monarcas consanguineos em seus reinos e controlavam praticamente tudo. Até as guerras era conluios perpetrados por uma ou outra facção destas familias.
Com o rompimento deste "acordo", que durou uns 500 anos, nas duas grandes guerras, outro acordo o substituiu. No fundo, mais em retorica do que propriamente em rompimento, pois as potencias, à exceção da Norte-americana eram as mesmas.
De forma que o fato novo foi o nascimento desta hegemonia estadunidense (me recuso falar americana) .
E seus acordos de alem-mar, refeitos.
E seus poucos escrupulos, e sua enorme ganancia sem fronteiras, de cor, credo e decencia.
E eles as fizeram suas, sua biblia, seu regulamento.
E agora, com o surgimento de forças emergentes, começam a se sentir incomodados e a espernear.
Os episódios em solo estadunidense, espanhol, iraquiano e afegão não estão isolados do contexto. São afirmações desta hegemonia.
São fatos ungidos e provocados para se mostrar que ainda são o que são.
O papelucho que a ONU tenta e não consegue fazer é sinal deste ainda claro dominio.
Espera-se que seja rompido mais uma vez, nos proximos 50 anos, mas a que custo?
Eu já estou com mais de 50 e não tenho expectativa de ver isto acontecer. Voce, quem sabe..
Continue.
Obrigado pelo comentário, W. Marques.
Peninha, não entendi seu ponto de vista nesse comentário.
É inegável que os EUA exercem grande poder no mundo atualmente. Nem por isso devemos assumir que automaticamente todas as teorias da conspiração se tornem verdadeiras. Principalmente sob a incompetente administração do governo Bush, que eu realmente não acredito ser capaz de orquestrar um ataque como o de 11 de setembro.
Como dizia Carl Sagan, fatos extraordinários requerem evidências extraordinárias. Não é o que se encontra geralmente nas descrições de teorias da conspiração.
Depende do que voce define como extraordinario. E a propria definição do que é extraordinário é algo que você aprende pela sociedade. Muitos comportamentos e crenças de outras nações poriam ser ditos "extrardináreos" para o nosso ponto de vista. Cuidado ao se agarre a frase de outro pensador e usar como argumento, pois nem sempre pode ser aplicada a todas as areas.
Agora, oque temos que fazer é ver os fatos, muitas vezes não temos acesso a eles, como é o caso com muito do que é dito no Zeitgeist, porem não precisamos ir muito longe, basta ver como a população é tratada pelo sistema social regente e sua principal fonte de informação sobre o mundo, a mídia. Algo é evidente, alguma coisa está errada, seja essa manipulação deliberada por uma elite, ou algo que se desenvolveu naturalmente pelas leis capitalistas regentes, no final realmente não importa pois oque importa é que temos que mudar, tem de haver mudança nos valores que sutentamos, temos que nos expandir desse casulo egoista e individualista que o capitalismo sustenta, o mundo é uma extenção de nossos corpos.
Estude os livros de Jiddu Krishinamurti e me de seu reply W. Marques .
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