Warning: Cannot modify header information - headers already sent by (output started at /home/overmund/public_html/lib/class.topico.php:823) in /home/overmund/public_html/_forum/topico.php on line 209
.: Fórum · :.
home · conversas sobre cultura de todo o brasil · cultura como lei

o que é

Chegou agora e quer conhecer mais? Entenda o que é o Overmundo em um minuto.

dúvidas frequentes

Está com alguma dificuldade ou tem alguma dúvida sobre o Overmundo e seu funcionamento? consulte a seção de dúvidas frequentes.

mais sobre o overmundo

Como nasceu, quem coordena e quais são os objetivos que norteiam o Overmundo. Leia aqui.

proposta editorial

Entenda a proposta editorial que norteia a publicação de conteúdo no Overmundo.

Fórum · Conversas sobre cultura de todo o Brasil
Cultura como lei  rss
canto_esquerdo Autor Mensagem canto_direito
 
Ilhandarilha
Vitória, ES
8/2/2007 00:33

Faz algum tempo, ainda na ditadura, os cinemas eram obrigados a exibir antes dos filmes um curta nacional. Era uma lei federal e não tinha como fugir. A maioria dos curtas eram bem legais, e essa prática formou muitos cineastas que estão ai brilhando hoje. Mas havia também aqueles que eram produzidos só pela grana que a falecida Embrafilme liberava. Isso gerou um bocado de críticas a essa lei, que acabou sendo extinta.
Sempre fui contra às lei de "proteção" à cultura nacional e à interferência estatal na cultura. Mas é só ligar o rádio, por exemplo, aqui no meu estado, pra sacar nem 1% das músicas que veiculadas são feitas pelos locais.
Cinema então, nem se fala. Só vemos as produções locais quando o diretor consegue uma estréia de um dia só em algum cinema ou (quase sempre) cineclube.
Como resolver isso sem ser por meio de uma lei que obrigue a exibição ou difusão nos cinemas e rádios da produção local? Alguma sugestão?

 
responder   responder citando
 
Fábio Fernandes
São Paulo, SP
8/2/2007 07:05

Taí uma questão difícil, ilha. A Lei Rouanet surgiu para incentivar essa produção e difusão sem obrigatoriedade - mas, até onde sei, não consegue cobrir a maioria esmagadora da produção nacional. Fazer leis para a inserção de produto nacional às vezes é encarado como uma atitude ditatorial, mas fico pensando (é só uma opinião): será que, no caso do Brasil, não seria um empurrão necessário para ajudar a incentivar a produção cultural? Se ficarmos no radicalismo (não é o seu caso, claro, mas, como você mesmo apontou acima, a lei da Embrafilme gerou muita crítica), acabamos por não fazer nada.

 
responder   responder citando
 
Ilhandarilha
Vitória, ES
8/2/2007 09:47

É exatamente o que penso, Fábio, quando procuro nas rádios locais a música feita por capixabas e não encontro nada. E olha que tem gente boa por aqui, como tem em qualquer outro lugar. Se deixarmos a difusão da cultura nas mãos da tal lei de mercado, será que os talentos locais conseguirão se desenvolver? Afinal, o que é o mercado? O que o mercado faz pela cultura? O mercado não é aquela instituição que só aposta em quem está ganhando (que, no caso da cultura, é quem já entra no páreo com toda a estrutura de mídia pronta)?
Se encaramos com naturalidade a reserva de mercado para produtos manufaturados, tecnológicos e etc, por que temos tantos pudores com a reserva de mercado para o produto cultural? É um caso a ser discutido, não?

 
responder   responder citando
  Luna Gitana
Luna Gitana
Angico, TO
9/2/2007 22:06

Posso palpitar?Fica meio difícil conscientizar o povo através de decretos. Posso citar como exemplo o estado do Pará e a Bahia. Do momento em que pisamos no aeroporto dessas capitais, a gente já começa a ouvir música nativa. Isso ocorre em toda parte.Em qualque ambiente lá, ouve-se músicas dos artistas da terra. Lá eles descobriram o caminho. Não seria o caso de perguntar como o fizeram?

 
responder   responder citando
  Luna Gitana
Luna Gitana
Angico, TO
9/2/2007 22:06

Posso palpitar?Fica meio difícil conscientizar o povo através de decretos. Posso citar como exemplo o estado do Pará e a Bahia. Do momento em que pisamos no aeroporto dessas capitais, a gente já começa a ouvir música nativa. Isso ocorre em toda parte.Em qualque ambiente lá, ouve-se músicas dos artistas da terra. Lá eles descobriram o caminho. Não seria o caso de perguntar como o fizeram?

 
responder   responder citando
 
Fábio Fernandes
São Paulo, SP
10/2/2007 10:28

Salve, Luna!
Olha, decreto de fato não conscientiza ninguém - mas não é para isso que ele serve. Uma lei ajuda a garantir uma fatia de espaço para a produção. Mesmo isso é complicado, porque sempre será preciso formar uma comissão para definir o que se encaixa nos critérios determinados. É um problema semelhante ao que estamos tendo aqui no Overmundo com relação a colaborações às vezes muito ricas mas que não se encaixam na proposta do site. Enfim, leis não são milagres, mas como vivemos numa sociedade onde elas existem, também não podemos negá-las e fazer de conta que elas não existem, mas sim aprender (e é um processo longo, lento e doloroso, não tenha dúvida) a usá-las a nosso favor. No mais, é nunca desistir, sempre produzir cultura e seguir em frente!

 
responder   responder citando
 
Ilhandarilha
Vitória, ES
10/2/2007 12:22

Luna, não sei como é que funciona na Bahia e no Pará (overmanos de lá podem ajudar?). Mas acho que pelo menos no caso da música na Bahia, houve um grande pacto entre artistas e emissoras de rádio e TV. Coisa que não ocorre no resto do país. Mas acho que isso nem é um bom exemplo. Pense no que ouvimos da Bahia: só axé. Será que os músicos baianos são todos do axé? Tenho certeza que não. Onde estão os outros? Desconfio que massacrados e escondidos pela tal lei de mercado.
Fico com o Fábio, na dúvida a respeito da validade de sermos contra a uma política de "proteção" à cultura. A única certeza que tenho com relação a isso é que não é certo sermos engolidos e massacrados por uma cultura de massa ditada pelo mercado e pela mídia.

 
responder   responder citando
  Luna Gitana
Luna Gitana
Angico, TO
10/2/2007 13:34

Olá Ilha. De fato,o axé tomou conta de tudo, mas eu ouvi muito Caetano, muito Gil, Gal, Betânia e João Gilberto, quando estive lá na Bahia. Aconteceu um fato marcante; eu estava vsitando Itapoã , e o radio do carro tocava: Tarde em Itapoã. Foi de arrepiar; senti-me dentro da música, vivendo aquilo que o poeta dizia.
Em Belém, fiz um comentário que fez meus amigos paraenses darem risadas. Eu disse: nossa, como tem cantores nessa terra!
Quando visito o nordeste fico impressionada como existem cantores por lá, que são famosos, bem de vida, agendas lotadas, e nao são conhecidos no eixo Rio/São Paulo.
o que ocorre é que o Brasil da elite tem vergonha de ser Brasil.Agora é que começaram a curtir o forró, e só o fizeram por que veio com o verniz: forró universitário.Essa assunto daria pano para manga, mas páro por aqui.

 
responder   responder citando
  Luna Gitana
Luna Gitana
Angico, TO
10/2/2007 13:47

Eu fui injusta quando não citei Caymmi(acho que errei na grafia do nome).Ele também é muito tocado na Bahia. Quero ainda perguntar algo ao Fábio Fernando. Você poderia me esclarecer a respeito de qual seria a proposta do site Overmundo? Falo sério, sem piadas. De repente, estou fazendo papel de otáriazinha, postando sem quase nenhum retorno. Talvez eu não esteja dentro do perfil do site.Talvez aqui não seja meu espaço. (pra variar).
Um super abraço a todos e aguardo resposta, Fernando.

 
responder   responder citando
 
Fábio Fernandes
São Paulo, SP
10/2/2007 14:25

Eu fui injusta quando não citei Caymmi(acho que errei na grafia do nome).Ele também é muito tocado na Bahia. Quero ainda perguntar algo ao Fábio Fernando. Você poderia me esclarecer a respeito de qual seria a proposta do site Overmundo? Falo sério, sem piadas. De repente, estou fazendo papel de otáriazinha, postando sem quase nenhum retorno. Talvez eu não esteja dentro do perfil do site.Talvez aqui não seja meu espaço. (pra variar).
Um super abraço a todos e aguardo resposta, Fernando.


Salve, Luna!
Olha, você acertou na grafia do nome do Caymmi, mas errou na do meu nome, hehehe.. Eu me chamo Fábio Fernandes, mas pode me chamar de Fábio, ok? ;-)
Quanto à proposta do Overmundo, você pode conferir melhor neste link. O Overmundo é basicamente um site colaborativo sobre cultura brasileira, em todas as definições possíveis; volta e meia surgem dúvidas a esse respeito, mas o que nos rege aqui é o bom senso: não temos preconceito, ou seja, podemos falar tanto do axé comercial quanto de uma música mais alternativa. A condição que procuramos respeitar sempre é que se trate de música feita no Brasil ou por brasileiros (pode ser também sobre músicas brasileira na França, por exemplo, ou sobre o livro de um americanista falando do Brasil mas editado em inglês). Enfim, você vê que o leque é bem aberto. E o assunto discutido aqui neste fórum tem tudo a ver com a proposta do Overmundo. Concluindo: o que você tem levantado aqui não tem nada de errado ou fora do perfil do site, ok? Pode ser que seus posts não tenham retorno porque nem sempre as pessoas têm tempo de responder. Isso acontece até mesmo (e com bastante com freqüência) com o Hermano Vianna, criador do site e autor de matérias e ensaios excelentes. Não se sinta desprestigiada aqui, não, ok? Este também é o seu lugar: sinta-se muito bem-vinda!

 
responder   responder citando
 
Hermano Vianna
Rio de Janeiro, RJ
10/2/2007 19:03

conversa interessante e complexa esta aqui: bem do jeito que eu gosto! preciso de um tempo para me dedicar a ela... volto quando puder!

oi Luna: muitas vezes nossas colaborações parecem esquecidas - olha só esta longa conversa sobre nossas invisibilidades - mas tenho percebido cada vez mais uma coisa: a resposta muitas vezes acontece a longo prazo - um texto que parecia invisível, muito tempo depois de publicado, é descoberto e gera uma conversa ótima - ninguém sabe muito bem como essas coisas acontecem...

 
responder   responder citando
 
Daniel Poeira
Belo Horizonte, MG
10/2/2007 19:09

Só vemos as produções locais quando o diretor consegue uma estréia de um dia só em algum cinema ou (quase sempre) cineclube. Como resolver isso sem ser por meio de uma lei que obrigue a exibição ou difusão nos cinemas e rádios da produção local? Alguma sugestão?

Antes de responder a essa pergunta, existem outras que precisam ser respondidas, tais como:

- Por que devemos ver/ouvir as produções locais?
- Qual é o problema de se criar uma lei que obrigue essa exibição/radiodifusão?

Por favor entendam que eu NÃO ESTOU afirmando que NÃO devemos ver/ouvir a produção local, e nem dizendo que DEVEMOS criar uma lei obrigando a exibição/difusão - mas se não tivermos respostas CLARAS e PRECISAS a essas perguntas, a outra fica sem resposta.

 
responder   responder citando
 
Ilhandarilha
Vitória, ES
10/2/2007 19:27

De minha parte, acho que só tenho resposta para a primeira pergunta. Não sou de maneira nenhuma um Policarpo Quaresma. Adoro ver e ouvir muita coisa de quanto mais lugares melhor (fuço no emule músicas africanas, árabes, da europa oriental, etc.). Mas a produção local da cultura tem que ser visível e acontecer. E se o acesso a ela não é visível, é um sinal muito claro de que ela está enfraquecida, seja pela própria invisibilidade, seja porque ela não está acontecendo com a força necessária para romper a barreira das tais leis de mercado.
Quanto à segunda pergunta, que não tenho resposta, acredito que o maior problema de uma lei do tipo é que pode criar alguma coisa parecida com o que falei lá no início sobre a industria (no mau sentido) de curtas que se instalou no Brasil na época da obrigatoriedade da exibição de curtas nacionais antes dos longas. Aliás, com relação ao cinema, me parece que já existe uma cláusula legal de que os cinemas tem que exibir uma porcentagem de filmes nacionais (não sei muito bem qual é essa porcentagem).


 
responder   responder citando
 
Daniel Poeira
Belo Horizonte, MG
11/2/2007 12:37

Eu mesmo não tenho respostar simples para as perguntas que coloquei - o que é um sinal de que elas são boas perguntas :) Mas tenho alguns palpites.

Existem vários motivos porque as pessoas "devem" conhecer a arte e a cultura locais. Acontece que o mercado cultural não precisa seguir regra nenhuma. Se a MTV resolver só passar clipes de raï o dia inteiro, ela passa, e pronto. Se a população quer ouvir as produções locais, ela tem que correr atrás e exigir isso da mídia.
Eu, particularmente, acredito que fortalecer a arte e cultura locais e nacionais é uma questão estratégica que não é levada a sério. Enquanto várias empresas multinacionais investem (e ganham) bilhões de dólares em arte e cultura, o governo brasileiro e o povo em geral ainda não têm essa mentalidade de associar arte e cultura com dinheiro e valores políticos e econômicos.
O governo obrigar os órgãos da mídia a tocar/exibir produtos culturais brasileiros e regionais não é a solução, mas o próprio governo poderia criar seus próprios meios de comunicação. Todo mundo odeia A Voz do Brasil, mas por que é que o governo federal não cria uma rádio própria, transmitindo 24 horas por dia, tocando música do Brasil inteiro? Por que não cria um canal de TV que exiba todos os filmes financiados pelas leis de incentivo?

Toda vez que existe um problema, temos que nos perguntar: quem é que está lucrando com esse problema? Essa resposta é o início da solução.

 
responder   responder citando
 
Ilhandarilha
Vitória, ES
11/2/2007 19:53

Grande pergunta: quem é que está lucrando com isso? Certamente não é a cultura nacional.
Ontem por acaso, vi um pedaço da cerimônia de entrega do Globo de Ouro, e um homenageado, Warren Beatty, no seu discurso, apontou alguns dos ícones do cinema americano presentes na platéia, (Jack Nicholson, Clint Westwood, etc) e falou: nós construimos a imagem da América para o mundo. Essa consciência de que a cultura é construção da nossa imagem, me parece que nós não temos. Acho que o Gil, no Minc, está tentando implantar um grande plano nacional de cultura, valorizando o regional. Acredito que é a primeira vez que isso acontece aqui ( não sei se a gente pode incluir o plano do governo Vargas, com Villa Lobos). Mas ainda não é suficiente para furar um bloqueio que a mídia impõe às coisas novas e regionais.
Quando leio os cadernos de cultura dos jornais, tenho a impressão de que as matérias de cultura são exclusivamente pautadas em releases bem feitos, tão iguais são. Sinceramente, tenho dúvidas de que o jornalista foi lá ver a peça ou exposição da qual ele fala com tantos adjetivos e citações de conceitos.
Por outro lado, não acredito que a criação de Tvs e emissoras de rádio estatais resolveriam o problema. Temos várias: TV E, Cultura de SP, rádio MEC, etc. Todas com programação ótima, embora meio ultrapassada na linguagem. A Tv Cultura é um exemplo de excelência em TV. Mas quem é que vê? As repetidoras regionais são muito ruins, as antenas têm pouco alcance, a recepção é péssima, os problemas técnicos são inúmeros. No caso do meu estado, a TV E tem que se manter fazendo estúdio, pois não tem carro nem equipe suficiente para cobertura na rua. Soube que em janeiro um pedaço do teto caiu e danificou parte do estúdio. Como o governo não pode pagar hora extra, os eventos noturnos não são cobertos, pois o expediente acaba às seis. É difícil cobrir cultura regional assim, né mesmo? Ainda assim, é o único lugar onde podemos ver grupos de teatro, músicas, filmes e vídeos locais.

 
responder   responder citando
 
Mecenas
São Mateus, ES
11/2/2007 22:09

Aproveito a oportunidade para levar estes temas ao debate no Centro Cultural Araçá junto aos jovens do Núcleo de Produção Audiovisual RTV ARAÇÁ, e o resultado volto a públicar.
Vou seguir o exemplo do amigo Hermano Vianna.
De qualquer maneira, precisamos colocar mais em prática nossos dicursos. Mais profissionalismo, solidariedade e cooperação. Nesta tentativa me incluo. E estamos abertos a colaborar para fortalecimento da cultura nacional.
Colocamos nosso Núcleo ( www.projetoaraca.org.br ) a disposição de propostas de profissionais de todo o Brasil.
Claudia, meu muito obrigado pelo espaço.
Mecenas

 
responder   responder citando
 
Ilhandarilha
Vitória, ES
12/2/2007 22:37

É isso ai, Mecenas. Quando a gente tem a oportunidade de colocar a meninada pra pensar em algo além das novelas de TV, deve aproveitar. Acho que esse é um debate que tem que ser feito. A invisibilidade dos artistas e produtores de cultura locais é nossa responsabilidade, também, na medida em que não cobramos da mídia um cobertura razoável do nosso teatro, cinema, shows, etc.

 
responder   responder citando
 
Ana Paula Sant
Cuiabá, MT
15/2/2007 17:05

sou nova por aqui e todos os dias tenho entrado no site, assim vou tomando intimidade. ainda não publiquei textos, mas essa questão do debate me chama muita atenção, especialmente este tema que a muito venho discutindo entre amigos, artistas... a cultura deve ser subsidiada pelo estado? se formos nos ater ao conteúdo histórico a arte tem uma estreita ligação com o estímulos financeiros, inicialmente através de merchands e após com o governo e ainda empresas. acredito que outro problema é a seleção. como são escolhidos os projetos aprovados? por mais que a classe artística se envolva em comissões eleitorais, parece que o privilégios de grupos sempre permanece. e ainda, a discussão foi sobre o cinema, mas eu pergunto: e o vídeo, que dentro da área audiovisual, tem menor capacidade ainda de se produzir e se pagar com recursos do público que o consome. o que fazer?

 
responder   responder citando
 
Ilhandarilha
Vitória, ES
15/2/2007 22:33

Oi Ana, acho que essa ai é outra questão, também importante. A questão principal desse fórum é se é viável, ou necessário, uma lei ou decreto garantindo a exibição e veiculação de produtos culturais locais (sejam eles cinema, vídeo, música, teatro, artes plásticas, etc.).
Quanto à questão que vc levanta, acredito, sim, que que o estado tem que subsidiar a cultura, assim como a saúde, a educação, a tecnologia, etc. (mas isso é só a minha opinião). Para isso existem os ministérios apropriados. O problema da avaliação dos projetos (ou como sair da cultura da panelinha) é um problema da sociedade toda: nós é que devemos estar atentos à formação das panelinhas que abocanham cada fatia de patrocínio desse país e botar a boca no trombone quando isso acontece. É difícil, mas a gente tem que fazer isso se quiser modificar alguma coisa nesse nosso complicado e rico país.

 
responder   responder citando
 
Ilhandarilha
Vitória, ES
30/5/2007 08:46

Para retomar a conversa, achei esse link sobre a ABD que dá um histórico da lei de exibição de curtas antes dos filmes estrangeiros e da produção de curtas no Brasil. Vale a pena conferir.

 
responder   responder citando
 
cacá neves
Recife, PE
2/6/2007 17:23

bem, também sou nova por aqui,
na minha opnião leis não vão resolver nada.O que não falta é lei nesse país, existe uma infinidade; o que realmente falta é um estado que se importe realmente com sua população. enfim, mas isso já outro assunto, para resolver o problema da inclusão da cultura nacional, é necessário formar cidadões que apreciem a mesma, para isso teria que se fazer modificações no sistema educacional (talvez uma utopia?), fazer com que os estudantes não só valorize a cultura nacional, mas também desenvolvam um senso critico (pois nem tudo que seja brasileiro é sinônimo de excelência)

 
responder   responder citando
 
cacá neves
Recife, PE
2/6/2007 17:24

a e não tive paciência de ler a conversa inteira! ^^

 
responder   responder citando
 
cacá neves
Recife, PE
2/6/2007 17:45

ahh! enquanto ao que luna disse, sobre o estado de do Pará e Bahia, acho que qualquer estado tem essa politica de "nossa cultura regional é muito rica", pra poder favorecer o mercado de turismo, aqui em recife não sei se toca música pernambucana no aeroporto (provavelmente deve), mas a manifestações culturais desenlvidas pelo estado é no periodo carnavalesco (justamente ponto culminante de turistas no estado), com o famoso eslongan (não sei se é assim que se escreve) "carnaval multicultural do recife", onde é a unica época que os artistas regionais são "valorizados" pelos pernambucanos (infelismente) .

 
responder   responder citando
 
Ilhandarilha
Vitória, ES
5/6/2007 20:55

Oi Cacá, bem vinda ao papo.
E como isso é realmente um papo, é legal você ler, sim, os comentários já feitos. Assim vc sabe o que já foi falado e o que pode acrescentar à conversa.
Realmente você tem razão quando fala que temos leis demais e um estado que se importa de menos. Falta muita coisa aqui que seria obrigação básica do estado, como saúde, política salarial digna, investimentos em infraestrutura básica e, principalmente, numa educação de qualidade. Mas também penso que a cultura não está fora dessa lista. Afinal, é por meio dela que nos identificamos como povo brasileiro, que expressamos nossas idéias, nosso modo de ser e também construimos valores importantes para toda a sociedade.

 
responder   responder citando
 
Spírito Santo
Rio de Janeiro, RJ
25/6/2007 20:42

Claudia,
Sua pergunta é um enigma doloroso. Falar em lei no Brasil já é complicado. Falar de leis de estímulo à cultura então...
A solução seria as pessoas se unirem em prol desta óbvia necessidade: o direito de produzir, difundir e exercer a sua própria cultura, seja ela qual for, cuidar de sua própria alma (sua força) com ampla liberdade de se emocionar com o que lhe diz respeito, mas, veja só, estamos cercados de de gente, muito culta até, que confunde estrangeirismo com modernidade, aculturação com diversidade (tudo que é exclusivamente brasileiro é 'brega' para esta gente) imagina então se a gente começar a falar de cultura local. Internam a gente. Apagam nossa mensagem com um clique só. Sem perdão.
O Dostoyevski teria escrito aquela bela frase que dizia que a melhor forma de ser universal era a gente falar de nossa própria aldeia. Depois veio aquele papo cabeça do McLuhan sobre Aldeia Global, transviado para a globalização total de hoje em dia, o pensamento cultural hegemônico do capitalismo diabólico da indústria cultural de massa predominando e pronto, chegamos no chão pegajoso onde estamos.
A união faz a força. Foi este o grande exemplo do pessoal dos anos 70 que revolucionou nossa cultura popular, urbanizando-a sem corropê-la. Dando-lhe 'sustança' mas, e daí? Dirão os donos da verdade.
Quem quer se unir hoje? As redes que se montam são como 'AlQaedas paraguaias' ou seja: são fortes, inflamadas, eficientes e bem nutridas, mas, o máximo que fazem é deixar as suas melhores pessoas se explodirem, sozinhas, por aí. Puro xabu.
O enigma então é este: Temos todos os elementos para resolver esta parada. Menos as pessoas.
Chato, mas, pra mim, pelo menos hoje, é isto.

 
responder   responder citando
 
Ilhandarilha
Vitória, ES
25/6/2007 20:52

E ponha pegajoso nesse chão. é um atoleiro quase intransponível. Concordo com vc quando pergunta quem quer se unir hoje em dia. As coisas estão complicadas e estamos na base do cada um por si, sem deus pra todos. Mas acho que o massacre da cultura de massa está chegando num limite e existem reações fortes contra ela.
Discutir reserva de mercado para a produção nacional é tão polêmico quanto discutir a questão das cotas, da origem da violência, etc. Mas ainda assim é necessário.

 
responder   responder citando
 
Vladimir
João Pessoa, PB
25/7/2007 13:24

João Pessoa é uma cidade interessante...Desde 1985 que participo do cenário do Rock Paraibano. Tocando em várias bandas , tais como, Necrópolis, Restos Mortais, The Abyss e Solução de Bateria.
Ao lado de outras bandas também da PB, como o Nephastus, Cuidado com o Cão, Projeto 50, Rota 66, OVNS, Das Bandas da Paraíba, entre tantas outras existentes...E também, ao lado de banda de Recife como Câmbio Negro, e Kruor! De Nino e Pesado e Zequinha e Jairo, respectivamente. A gente vê os artistas da música em Recife conseguir sobreviver de suas Artes! Os caras são muito empenhados e têm apoio local dos órgãos financiadores de cultura.
Aqui em João Pessoa, a coisa anda em marcha lenta. O que se vê são as bandas se matando para gravar um material de qualidade, tirando a grana do bolso, no maior sofrimento. A população local precisa aprender a ouvir as nossas coisas. A criação do Vereador Fuba de João Pessoa/PB de tocar 20% das músicas da nossa terra nas rádios daqui, foi maravilhosa!! Tem que se tirar da cabeça que o bom é o que se vende. Tem neguinho que acha que Jota Quest é bom porque tá sempre nas paradas de sucesso. Aqui prá nós, que bandinha chata...
Nós temos grandes criadores de música em João Pessoa, vou arriscar citar alguns: Alex Madureira, Kiko, Escurinho, Totonho, Pedro Osmar, Cabruêra, Unidade Móvel, Flávio Boy, Projeto 50, Star 61, Dead Nomads, Colorau, Júnior Espínola, Edmundo(baixista,guitarrista,etc..), Pablo Ramirez, Igor Ayres e etc, etc, etc... A lista é enorme...Agora, pergunte a algum deles se estão plenamente satisfeitos com o retorno de seus excelentes trabalhos? A pergunta fica no ar...Vamos ouvir pessoal!
NÃO CUSTA NADA! Espero que um dia a cena mude de figura e possamos pelo menos custear nossas cordas com o cachê que ganharmos tocando!!!
Aberto a comentários!
Atenciosamente,
Vladimir Negromonte.
Baixista.

 
responder   responder citando
 
Ilhandarilha
Vitória, ES
25/7/2007 13:29

Vladimir, como é que funciona ai essa lei que vc falou de 20% de músicas locais nas rádios? As rádios respeitam? O público local aceita? Fala mais sobre ela. Quem sabe outros vereadores e deputados de outros estados não se inspiram?

 
responder   responder citando
 
Ilhandarilha
Vitória, ES
1/5/2008 20:26

Tenho visto no overmundo uma grande discussão sobre financiamento da cultura. Mas penso cá: garantir leis de financiamento e fomento vai adiantar o que, se não temos garantia de espaço para divulgação dos produtos culturais? Pensando nisso, gostaria muito de retomar esse tópico e ter mais opiniões aqui sobre essa questão.
Quem sabe pensando juntos não elaboramos uma proposta interessante sobre isso?

 
responder   responder citando
  Kais Ismail
Kais Ismail
Porto Alegre, RS
1/5/2008 20:41

Eu propus aqui o 10 PARA A CULTURA e ninguém se interessou.
Coloco a prova para que alguém me aponte uma possível falha na proposta.

 
responder   responder citando
  Kais Ismail
Kais Ismail
Porto Alegre, RS
1/5/2008 20:51

O mercado publicitário brasileiro movimenta acima de 16 bilhões de reais por ano. A cultura brasileira conta com aproximadamente 400 milhões de reais.
A revista EXAME publicou uma matéria em que os publicitários reconhecem que 50% do valor investido em publicidade não dá retorno, só não é possível detectar a onde há o desperdício.
Todo estes bilhões circulam na maioria em espaços que dependem de concessões pública e a finalidade desta publicidade toda sabemos para que serve.
Portanto, se uma empresa como as Casas Bahia que gastam 900 milhões de reais por ano (o dobro do que o país gasta anualmente em cultura), deveria deste momento investir na cultura do país.
E a empresa não teria prejuízo em sua publicidade, pois tal como a Lei de Incentivo atual, a sua marca estaria associado as produções realizadas.
A minha proposta é que empresas de grande e médio porte, que aplicam acima de 1 milhão de reais em publicidade, repasse deste valor 10% para a cultura.

 
responder   responder citando
  Kais Ismail
Kais Ismail
Porto Alegre, RS
1/5/2008 21:06

10 PARA A CULTURA
1 - Projeto de arrecadação de fundos para a cultura a nível federal, provenientes do mercado publicitário, com o objetivo de patrocinar produção
cultural e artística nos municípios, geração de ocupação e renda e inclusão social.
2 - Destinar-se-á ao projeto, através de Lei Federal, 10% do montante investido em propaganda pelos anunciantes de médio e grande porte.
3 - O projeto financiara produções independentes, através de concursos realizados pela secretaria municipal.
4 - o ministério da cultura repassa as secretarias estaduais e municipais o fundo arrecadado.
O projeto está afirmando que é a melhor maneira de solucionar, de forma simples e imediata, a falta de verba para realização cultural no pais.
O projeto é vantajoso a todas as partes envolvidas. Os anunciantes ganham novos e valorosos espaços publicitários, porque estarão financiando produção cultural. Os artistas e produtores locais terão mais uma ferramenta de trabalho junto a comunidade. E o publico ganha mais produtos culturais. Além disso, é tão pouca a verba destinada à cultura que mal tem os agentes cultural condições de trabalhar. A produção cultural pode vir a abrir oportunidades de trabalho e inclusão social. Para a cultura nacional esta será uma fonte de financiamentos que fará respirar todas os segmentos culturais do pais, e para o mercado de publicidade, apenas um arranhãozinho nos lucros imediatos.
O mercado publicitário movimenta bilhões por ano, para a produção de comerciais, anúncios, etc. Nada mais justo que ofereçam ao publico 10 por cento para a produção cultural do país, uma forma de investimento a longo prazo, uma vez que os agentes culturais trabalham no limiar das novidades lingüísticas e expressivas.
De posse do dinheiro arrecadado, as secretarias de cultura municipais promoverão concursos para aprovação de projetos em todas as linguagens expressivas artísticas e também pesquisas e projetos culturais-pedagógicos, tais como oficinas e cursos. A metodologia será de maneira não-clientelista e desenvolvida através de novas tecnologias de votações, como internet, por exemplo.
As questões técnicas do funcionamento do projeto serão esclarecidas junto aos especialistas em arrecadação federal e fiscalização do tesouro nacional, assistida pela classe artística e empresarial envolvida no processo, e pelos técnicos municipais.

 
responder   responder citando
  Kais Ismail
Kais Ismail
Porto Alegre, RS
1/5/2008 21:16

O que rolou no Orkut onde lancei a idéia e tirei uma idéia da receptividade da proposta:
28/8/2005 22:04
Olá!
Kais, já há algum tempo fui por vc convidada a ingressar nesta comunidade/projeto e somente agora venho tecer alguns comentários pelo fato de que quis ler todo o tópico, para melhor entendimento, e estava, até então, sem tempo para tanto. Mas vamos lá:
É verdade que os veículos de comunicação, mormente a TV, e, consequentemente, as propagandas publicitárias de produtos fabricados por grandes empresas dos mais diversos setores, são grandes formadores de opinião, influenciando a sociedade em geral. Ao influenciarem de forma negativa, o que é a regra (já que, no mínimo, estimula-se o consumo), tornam-se essas empresas responsáveis pelos danos e prejuízos que os seus produtos venham a causar a toda sociedade, individualmente ou coletivamente considerada. Não é à toa a crescente quantidade de ações indenizatórias (principalmente nos Estados Unidos) contra empresas donas de grandes marcas que vendem seus produtos através de propaganda em larga escala.
Assim, enxergo uma relação entre esta responsabilidade e a idéia implícita no projeto: este visa o aprimoramento da cultura em sentido amplo e, a partir da premissa de que a cultura é o maior bem de todo e qualquer povo, conclui-se que a responsabilidade social da grande empresa (que pode gastar tanto com uma publicidade que, não raro, "envenena") deve alcançar o desenvolvimento da cultura.
Pelo que entendi, a lei vertente disciplinaria a arrecadação pelo Ministério da Cultura, através dos órgãos fiscais, de uma porcentagem
- do que as empresas de grande porte gastam com publicidade - a ser destinada aos cofres públicos municipais e, assim, à produção de cultura no local por pessoas que demonstrassem o seu compromisso nesse sentido.
Sim, todos se beneficiariam. Vejo, inclusive, como uma indenização coletiva (e não somente em cada caso concreto, quando dificilmente se consegue provar o prejuízo que o consumo instigado psicologicamente pela propaganda provoca. E isso não tem acontecido no Brasil ainda!). Seria mesmo uma compensação via legislativa aos malefícios
28/8/2005 22:35
causados pela propaganda de certos produtos (não só de cigarros e bebidas alcoolicas, mas também até de comida, como se pode constatar no documentário "Super Size Me"; enfim, a incitação ao consumo em si já é maléfica e difícil de ser provada, principalmente quando se pode ferir interesses de poderosos).
Destarte, afirmo que a idéia é muito boa! Infelizmente, principalmente no Brasil (nosso país que tanto amamos), é tarefa difícil de ser concretizada. Disponibilizo-me para fazer minha parte e posso estudar, pesquisar, para compreender melhor como funciona todo o processo. Mas eis agora algumas indagações: Ingressemos com um projeto de lei de iniciativa popular perante o Congresso Nacional. Não precisa que esteja perfeito em termos formais, tendo em vista que lá eles formalizaram para a devida transformação em lei e isso nem é mesmo exigido de um projeto de iniciativa popular. Porém, é preferível que sejam estudados todos os aspectos do Projeto a ser apresentado com o maior número possível de signatários representando toda a sociedade porque, otimismos (e não utopia) à parte, é difícil que seja ele aprovado e convertido. São necessários um estudo e a concretização de todos os detalhes, do momento da arrecadação até a distribuição do dinheiro a cada município e a fiscalização do efetivo uso - pelo Executivo Municipal e pelas produtoras do dinheiro - à sua finalidade. A definição da porcentagem em 10% também merece, a meu ver, um estudo. Por que exatamente os 10%? Talvez pudesse haver concomitância entre as leis de incentivo e a "10 para a Cultura". May, mais atrás, falou de cota de patrocínio, mas acredito que arrecadaria pouco se comparado ao que uma lei imperativa conseguiria. Tudo isto, dentre outras questões, mostra que a criação de uma ONG para esse fim pode mesmo ajudar o desencadeamento de todos esse estudos e formalizações. O fundamental, realmente, é que nos unemos a fim de deixar muito claro aos nossos governantes e legisladores quais são as prioridades do povo brasileiro e que o aprimoramento da cultura
28/8/2005 22:39
converge à obtenção dessas prioridades!...
Pois bem, estou aqui e estou disposta a estudar e a ajudar de alguma forma, além de divulgar a comunidade.
Como muita gente, creio que eu seja um tanto quanto alienada, mas sinto necessidade de me engajar em prol da sociedade. Engajemo-nos!!!

 
responder   responder citando
  Kais Ismail
Kais Ismail
Porto Alegre, RS
1/5/2008 21:21

Política cultural 31/8/2005 06:24
Como ex-publicitária, acredito que essa lei incentivará as empresas que investem pesado em marketing e propaganda, para que se estruturem melhor para desenvolver sua política cultural, como muitas já o fazem, que é definir em qual perfil cultural eles vão investir: música, teatro, dança, literatura, etc. Acho que é válido a empresa patrocinadora ser uma "apaixonada" por determinada arte. Me parece mais espontâneo... Se a maioria das empresas fizer isto, será gol pra nós! E, aliada a esta definição de política cultural, é que elas vão parar pra pensar no melhor destino de suas verbas de publicidade com foco em nossa arte, como um item fundamental pro seu marketing institucional. Me parece que o rumo já é esse, só que poucas empresas estão fazendo isso. Com a criação dessa lei, então, os departamentos de marketing das empresas e/ou agências vão queimar pestana pra se estruturar financeiramente de modo que a política cultural seja necessária para demonstrar vida inteligente nas empresas privadas... grande iniciativa, Kais!

 
responder   responder citando
  Kais Ismail
Kais Ismail
Porto Alegre, RS
1/5/2008 21:23

Como o Projeto está sendo desenvolvido:



Este projeto foi criado a partir das dificuldades que todos os profissionais da área cultural vivenciam no seu cotidiano.

Utilizando o computador como a única ferramenta para a divulgação associado a boa vontade das pessoas que se engajaram na idéia. Foi criada uma comunidade virtual no site Orkut (www.orkut.com), por ser gratuito e de grande facilidade de disseminação direcionada das propostas. As pessoas associadas a comunidade, são membros de diversas classes da sociedade, como Advogados, Artistas, Jornalistas, Professores, Psicólogos, Produtores...Que têm aprovado com louvores as propostas, inclusive assinando embaixo delas através do site Petition Online (http://www.petitiononline.com/cultproj/petition.html).

Em função do retorno, sobre o projeto, dessas pessoas é que chegamos a conclusão de que este é o momento pra tornarmos este projeto, até então virtual, recebendo subsídios para que ele se torne real muito além da cabeça das pessoas e concretizando ações para que ele seja posto em prática, o quanto antes. E de onde partiriam estes subsídios? Já foi enviada às autoridades governamentais, uma cópia do projeto, que até o presente momento não se pronunciaram. Se você concorda com o 10 para a cultura, mostre ao Ministério da Cultura o apoio ao projeto. Colabore agora mandando sua mensagem (http://www.cultura.gov.br/comentarios/codigoFonte/comentarios.php?hidContateCultura=S). Este projeto funciona para que o país dê um salto cultural, gerando empregos e riqueza para a nação. E quem mais além do governo tem obrigação com esse projeto que é benefício completo para a nação. Ajude também, repassando este e-mail para o maior numero de pessoas que puder.

 
responder   responder citando
  Kais Ismail
Kais Ismail
Porto Alegre, RS
1/5/2008 21:54

Esclarecimeto:
Eu estava com a comunidade 10 PARA A CULTURA e a PRAÇA PARA AS CRIANÇAS PALESTINAS, devido a perseguições e amolações que eu sofri de sionistas fanáticos, me retirei do Orkut junto com a comunidade 10 PARA A CULTURA.
Como o objetivo da praça já foi alcançado, retornei os meus esforços para o 10 que no momento está sem espaço.
Quando entrei no Overmundo, entrei com a esperança de que aqui iria se desenvolver pela quantidade de interessados. Mas me enganei! Vou procurar outro terreno para esta muda, pois semente já deixou de ser.

 
responder   responder citando
 
Ilhandarilha
Vitória, ES
2/5/2008 08:54

Kais,
Muito importante o que você coloca, mas volto a chamar a atenção para o fato de que o fórum aqui presente não se propõe a discutir o financiamento da cultura, mas sim a garantia de espaço para veiculação de produtos culturais. É importante mantermos o foco da conversa para que ela possa chegar a algum lugar.
Quanto ao seu projeto 10 para a cultura, acho bem interessante. Já abriu um fórum sobre isso?
Abraços

 
responder   responder citando
  Kais Ismail
Kais Ismail
Porto Alegre, RS
2/5/2008 10:23

Ilhandarilha,

Não fugi do foco. O assunto casa bem, tanto no relisioso como no civíl, do que estão tratando aqui.
O 10 PARA A CULTURA, não é matéria para estar apenas num Fórum do Overmundo.
Ele só vai ser trabalhado se para de fato existir.
Aqui está claro que não interesse, só comentei pq o título me convocava. CULTURA COMO LEI
Bem dizia um amigo meu, que eu deveria viver em NY, pq aqui, as pessoas só vão entender o q digo, 15 anos depois.
Palavras de um saudoso amigo, pessoa brilhante e bem sucedida.

 
responder   responder citando
 
Ilhandarilha
Vitória, ES
2/5/2008 11:34

Procurei no fórum o seu tópico 10 para a cultura e não achei. Você poderia deixar o link aqui? Assim eu e quem mais tiver interesse pelo assunto podemos comentar lá. Dessa forma, cada conversa em seu lugar, fica mais fácil, como já disse antes, chegarmos a alguma conclusão (se é que isso é possível quando se trata de Lei de garantias de espaço para a produção cultural local!).
Um abraço!

 
responder   responder citando
  Kais Ismail
Kais Ismail
Porto Alegre, RS
2/5/2008 11:52

Ilhandarilha,

Fui ríspido contigo sem vc merecer, desculpe!

Não chegou a ser aberto um Fórum aqui no overmundo. Mas por algumas vezes em outros tópicos, comentei e ninguém considerou.

Não acho justo eu ter que abrir e me dedicar ao tópico, é algo que interessa a nação. Todos deveriam trabalhar.

E justifico o que acho injusto: Quando abri a comunidade no Orkut, havia dias que eu ficava 14 horas em cima do computador, debatendo, pesquisando, convidando, respondendo. Com isso tive um problema sério na coluna e além do sofrimento tive que gastar muito tempo com fisioterapia.
Eu não tenho dúvidas quanto a eficácia da proposta.
O básico da idéia eu já apresentei, se houver um real interesse, que façam a parte de vcs.
Abraços

 
responder   responder citando
  Kais Ismail
Kais Ismail
Porto Alegre, RS
2/5/2008 11:55

Mas o título sugere que o assunto está no foco.

 
responder   responder citando
 
Paulo Esdras
Brumado, BA
3/5/2008 09:56

"O enigma então é este: Temos todos os elementos para resolver esta parada. Menos as pessoas."

O enigma é a prórpia solução, Spirito Santo!

 
responder   responder citando
 
Paulo Esdras
Brumado, BA
3/5/2008 10:34

"Vejo, inclusive, como uma indenização coletiva (e não somente em cada caso concreto, quando dificilmente se consegue provar o prejuízo que o consumo instigado psicologicamente pela propaganda provoca."

O Prejuizo não é provocado pela propaganda... mas sim da falta de edicação e, por consequência, de senso crítico. As agências podem até serem acusadas de aproveitarem desta situação, mas daí dizer que é a culpa da propaganda...

 
responder   responder citando
 
Paulo Esdras
Brumado, BA
3/5/2008 10:49

CULTURA COMO LEI? Não! A cultura é algo natural e não imposta. Mas então, como preservar a cultura do nosso povo e estimular novas manifestações sem utilizar a força (negativa neste caso) da lei?

Tenho muitos amigos, a maioria deles não gosta de ler. Nada, nem revista em quadrinhos. Será que estou andando em um círculo de ignorantes? Não. Considero os mesmos pessoas inteligentes, mas sem o prazer pela leitura (para mim a grande porta para as outras áreas, por tratar-se de ferramenta primordial para a construção de um senso crítico). Muito disso nasce na própria escola, onde os alunos, que nem começaram a andar em suas vidas de leitores já são forçados a correrem nos clássicos para nota. O que acontece? Aversão pela leitura. Olhos que não estão acostumados com a grande luminosidade, fecha-se para se protegerem.

Não acredito que a mudança virá de uma lei (que se for aprovada - como exemplo do "10 PARA A CULTURA"), será manipulada a favor de uma minoria.

Aprovo a intenção de Kais, porém retirar por força de uma lei o dinheiro de empresas (que vivem num país livre e pode fazer do seu rico dinheiro o que bem entender) não é a melhor via a seguir.

Kais disse: "Bem dizia um amigo meu, que eu deveria viver em NY, pq aqui, as pessoas só vão entender o q digo, 15 anos depois.
Palavras de um saudoso amigo, pessoa brilhante e bem sucedida."

Palavras preconceituosas com os Brasileiros, Kais! Esse seu amigo, se realmente vive em NY e é bem sucedido, provavelmente não é Palestino - pois sabemos o preconceito que esse povo que está "15 anos a nossa frente" possui.

 
responder   responder citando
 
Paulo Esdras
Brumado, BA
3/5/2008 11:12

Deixando a xenofobia de lado e voltando ao assunto, penso como o Spirito Santo. A mudança deve vir de onde vem a cultura: do povo. E já existe uma proposta nascente interessante aqui no Brasil: ABRACADABRA - Agentes Brasileiros de Cultura e Arte Democrática Brasileira.

O ABRACADABRA, com Agentes em todos os estados brasileiros e mais no Distrito Federal, propõe inicialmente um Movimento Cultural (como uma rede solidária entre artistas e fomentadores culturais) apartidário e sem fins lucrativos (A idéia é que fomalize-se mais adiante como uma OSCIP) com o objetico único de democratizar a cultura nacional. Democratizar tanto no sentido de fazer com que um maior número de pessoas tornem-se "consumidores" de arte/cultura, como no sentido de estimularmos os artistas colocados à margem (como os músicos baianos de outras vertentes musicais que "fogem" do pacto turístico-musico-governamental do AXÉ MUSIC ou como os POETAS, tão esquecidos nas estantes das livrarias).

Já estamos com reuniões presenciais em alguns estados e com uma data prevista para a assinatura do Manifesto em uma grande reunião em Brasília a ser realizada em maio de 2009 (Quando de fato o Movimento ABRACADABRA nascerá).

Estamos nos preparativos da organização (que é horizontalizada, sem hierarquias) em todos os estados e para fazer parte desta grande rede solidária multicultural baste ser artista (independente da veia artística), fomentador cultural (Produtores, jornalistas da área, participantes de festas populares, estudiosos do nosso folclore, etc) e querer mudar a nossa realidade cultural partindo de nossas próprias forças. Não esperemos apenas dos Governo (Lei), das empresas ($$$)! Nós podemos participar ativamente por esta mudança.

Quem tiver interesse, mande-me um e-mail para paulo.esdras@redebahia.com.br com cópia para esdraspedras@yahoo.com.br
que eu enviarei o esboço do Projeto, o Manifesto e o Cadastro de Agente.

Abraços fraternos,

Paulo Esdras

 
responder   responder citando
 
Ilhandarilha
Vitória, ES
3/5/2008 11:47

Paulo,
muitíssimo abrigada pela pela participação. Tanto o projeto 10 para a cultura quanto o Abracadabra merecem uma discussão maior e maior divulgação. No entanto, gostaria de lembrar a você que o assunto desse fórum aqui é outro: garantia de espaço para divulgação da cultura local (seja cinema, música, vídeo, teatro, artes plásticas, etc). Gostaria muito de contar com sua opinião sobre essa questão. É justo que esse espaço seja garantido pela via legal? Ou devemos acreditar que o mercado regulará a questão (como aconteceu nos casos apontados acima, no Pará e na Bahia)? Em locais onde existe uma lei (municipal ou estadual) que regulamenta a divulgação dos produtos culturais locais, ela está sendo aplicada? Como funcionam essas leis? É possível a construção de uma lei nacional que garanta o espaço para as produções locais? Como deveria ser essa lei?
Um abraço!

 
responder   responder citando
  Kais Ismail
Kais Ismail
Porto Alegre, RS
3/5/2008 12:41

Foi como eu disse: Com estes pensamentos de vcs, daqui a 15 anos vão estar na mesma.

 
responder   responder citando
  Kais Ismail
Kais Ismail
Porto Alegre, RS
3/5/2008 12:45

Nada acontece por acaso, ainda hoje recebi um email da Palestina com fotos da Praça. Se eu fosse ouvir na época os que me criticaram iguais a vcs, hoje não receberia este email.
Se alguém quiser que o encaminhe para conhecerem a primeira praça pública da Palestina, farei com o maior przaer.
Mais um sinal de Deus que não devo me afetar com vcs, que estou no caminho certo.
Até mais!

 
responder   responder citando
  Kais Ismail
Kais Ismail
Porto Alegre, RS
3/5/2008 12:47

E a censura corre forte aqui, deletaram o meu texto de não-ficção da fila de edição do banco.

 
responder   responder citando
  Kais Ismail
Kais Ismail
Porto Alegre, RS
3/5/2008 12:56

Administração,
Desculpe!
O texto está lá. Me enganei.

 
responder   responder citando
 
Spírito Santo
Rio de Janeiro, RJ
3/5/2008 13:23

Me ocorreu agora, por exemplo, lendo este papo do Esdras sobre o Abracadabra, lembrar de uma história, ocorrida ali pelo fim dos anos 70, muito emblemática. Talvez a gente até encontre nela alguma luz para a conversa puxada pela Ilhandarilha.

1975, por aí. Ditadura militar. A cultura brasileira fervia muito, desde 1969 (nunca ferveu tanto, acho). As ‘velhas bossas desde o Teatro tipo grupo Oficina e do Cinema Novo ao Tropicalismo (ou à ‘Moderna’ MPB, como um todo) ainda ferviam> Contudo, de certo modo já estabelecidas no mercado que estavam (‘acomodadas’, dizia-se), passaram a ser pressionadas, de baixo para cima, por uma forte corrente de ‘novíssimos’ artistas que não encontravam mercado para se expressar. Este ‘novíssimos’ habitavam todos os setores de nossa cultura (não tanto no cinema, é verdade) e se manifestavam com muita ousadia artística, vanguardismo, mas também (e, principalmente), com qualidade (como um valor político em si mesmo, ou seja: o que fosse artisticamente ruim, não poderia ser, politicamente, pertinente e deveria ser ignorado e descartado). Conheci alguns deles, no campo da música popular.

Os nomes de alguns? Gonzaguinha, Ivan Lins, Geraldo Azevedo e tantos outros

Todos interessados em ‘se dar bem’, é claro, mas havia uma Política comum baseada em princípios éticos bem estabelecidos, baseados na solidariedade, na busca do interesse comum.

O que importa é que foi no contexto desta pressão (um movimento mais ou menos espontâneo, não organizado ainda) que surgiram um grande número de artistas chamados de ‘novíssimos’ na época Houve também uma outra novidade muito positiva (como ação efetiva, bem entendido) que era um diálogo que se passou a estabelecer entre a MPB ‘chapa branca’ (de perfil bem ‘classe média’, como toda cultura de vanguarda em todas as épocas) e a chamada ‘cultura popular periférica’, aquela do ‘morro que não tinha vez’. Reflexo meio tardio das idéias do CPC da UNE.

O importante é que nesta onda (típica do espírito libertário dos anos 70), nesta espécie de ‘resgate’ de nossa cultura urbana tradicional historicamente excluída, re-surgiram, Paulinho da Viola, Cartola, Nelson do Cavaquinho, Martinho da Vila, firmemente alçados à partir daí, á condição de artistas de primeiro escalão (leia-se: com acesso ao mercado fonográfico).

As bases ideológicas, o conteúdo explícito, o sentido e o conceito enfim de muitas leis de fomento à cultura nacional, foram lançadas – ou sedimentadas - nesta época, entre elas a Embrafilme (fruto tardio da união dos cineastas do Cinema Novo) e do Ecad (fruto da união de músicos e compositores, organizados num movimento chamado ‘Sombrás’).

O que eu queria dizer quando lamentei a carência que se tem de pessoas hoje em dia é que, o que caracterizava todas estas ações, era a mobilização das pessoas num esforço político bem articulado, promovendo espetáculos, encontros, seminários, pressionando a mídia, exigindo mesmo a adesão daqueles artistas mais famosos e estabelecidos, numa energia irresistível baseada, simplesmente, no velho conceito ‘a união faz a força’.

E hoje em dia? Querem só um exemplo? Outro dia eu vi (de novo) em O Globo, uma página inteira divulgando um manifesto de 133 intelectuais e professores CONTRA as cotas raciais. Sem entrar no mérito da questão (eu sou favorável às cotas), duas coisas me chamaram a atenção: A falta da assinatura de um dos principais mentores deste movimento anti-cotas: o jornalista Ali Kamel, que é, coincidentemente, é o editor chefe de O Globo, o grande jornal que, sabe-se lá porque, tem sido o porta voz deste grupo. A outra coisa que me chamou a atenção foi a quase total ausência de cobertura jornalística para um outro manifesto de 235 também intelectuais e professores A FAVOR das cotas.
Você, por exemplo, sabia deste manifesto á favor?

O que me desanima nesta história? Um tema de tal relevância só mobilizou 368 pessoas! Mesmo assim, um jornal do tamanho de O Globo ainda manipula, impunemente, de forma acintosa, o acesso dos leitores à compreensão e á discussão do tema. Como falar de Cultura numa casa da mãe joana destas?

O que esqueci de dizer é que, antes das pessoas, talvez o que nos faça falta seja uma mesmo alguma noção de Ética mais próxima do humanismo que perdemos lá atrás, ou do desprendimento que a maioria de nós, brasileiros, fomos perdendo por aí, desleixando-nos, aviltando a nossa moral coletiva, perdendo a vergonha na cara, rasgando princípios, fazendo vista grossa à tantas falcatruas, tantos desmandos só porque, martelaram na nossa cabeça que, de algum modo, vamos poder tirar partido da situação.

Se a época em que vivemos é esta da ode a falta de ombridade, da falta de caráter, do individualismo mais babaca, da ‘lei de Gerson’ para tudo, do não vi, não sei, ou do ‘primeiro eu o resto é do judeu’, corruptos que todos temos sido neste país do jeitinho para tudo, como falar de Cultura?

Não nos faltam pessoas. O que nos falta é GENTE.

 
responder   responder citando
 
Ilhandarilha
Vitória, ES
3/5/2008 14:20

Spírito,
Pode me chamar de Polyanna, mas me recuso a ver as coisas por esse prisma! Não é uma questão de tapar o sol com a peneira, mas sim de postura diante das coisas: se um dia perder definitivamente a fé nas pessoas (digo, em todas as pessoas), a melhor coisa a fazer é me atirar do vão central da 3ª ponte! E como não pretendo fazer a passagem tão cedo, prefiro acreditar que, sim, ainda existem pessoas sensatas, ainda existem pessoas éticas e, sim, é possível construir projetos coletivos.

A construção de projetos coletivos é um processo lendo, lentíssimo, na verdade, para meu espírito mercuriano. Mas é possível. Particularmente, participei de alguns de não foram adiante e de outros que deram em alguma coisa. Os que não foram adiante, creio que não foram pq não tinham força suficiente para isso. Dos que deram em alguma coisa, uns foram super bem sucedidos, outros foram meio desvirtuados nos princípios originais para atender a todos. Em ambos os casos o processo de construção dos projetos é demorado, desgastante, cheio de interferências de forças que, não se sabe muito bem pq, tentavam desviar o foco das questões e minar a discussão. Mas seguimos em frente.

Ao colocar em pauta esse tópico, aqui no fórum, pensei em retomar a discussão sobre as leis de garantia de espaço para a produção cultural local. Não sei por que motivo, não vejo mais debates sobre essa questão - para mim fundamental - nem aqui no meu estado nem nacionalmente. Dá a impressão de que está todo mundo satisfeito com o que a mídia divulga. Mas é só procurar na internet ou bater um papinho com um artista local que a gente vê que não é bem assim. Então, o que está faltando? Por que a questão não é retomada na pauta dos artistas? Você diz que falta é GENTE! mas não somos nós essa gente, com todos as idiossincrasias que isso implica?
Abraços!

 
responder   responder citando
  Kais Ismail
Kais Ismail
Porto Alegre, RS
3/5/2008 14:34

Ilhandarilha,

Se vc conhecesse os batidores dos que que chegam lá em cima, não seria tão ingênuo.

Esdras,

Vc foi injusto em querer criticar um trabalho de mais de 2 anos em menos de 5 minutos.
5 minutos pra avliar isto, não lhe deu tempo de ver que estou falando de 10% do de apenas um item de uma grande empresa, a publicidade. vc deve saber, que há diversos outros itens dentro dessas empresas com cifras muito maior do que as cifras do item publicidade. Ou seja, não é tirar dinheiro da e´mpresa e sim remanejar um dinheiro que iria para o lixo.
Vc é o meu amigo, dedique umtempo para investigar o que estou falando.
Abraços

 
responder   responder citando
 
Paulo Esdras
Brumado, BA
3/5/2008 16:11

Kais, você me interpretou mal. Sou a favor de qualquer projeto que venha beneficiar a cultura, inclusive o "10 para a Cultura". O que disse é que será muito difícil desintegrar a barreira do lobby empresarial. Este dinheiro "do lixo" que mencionou é o dinheiro do "desvio padrão", indispensável numa propaganda, por exemplo. Para ilustrar, imagine que numa panfletagem apenas 1% (um por cento) dos panfletos são lidos pelo target. Não é plausível para o Mercado investir apenas 1%, pois apenas 0,01% dos panfletos seriam lidos pelo público que o interessa. Essa é a lógica mercadológica e se aplica em todos os meios.
Gostaria de receber notícias sobre a primeira praça pública da Palestina. Você ainda tem meu e-mail?

Spirito, você disse que "um movimento mais ou menos espontâneo, não organizado" conseguiu balançar toda a estrutura na época da Ditadura. Imagine num Movimento organizado! Esta é a proposta do ABRACADABRA: (em suas palavras) "a mobilização das pessoas num esforço político bem articulado, promovendo espetáculos, encontros, seminários, pressionando a mídia, exigindo mesmo a adesão daqueles artistas mais famosos e estabelecidos, numa energia irresistível baseada, simplesmente, no velho conceito ‘a união faz a força’."

E sobre pessoas com Ética (GENTE), gostaria de corroborar com ilhandarilha: GENTE tem, o que falta é GENTE com atitude!

TEMA: "garantia de espaço para divulgação da cultura local"

Ok. Pensei que estivesse falando justamente sobre isso(!)
Os espaços dados atualmente para divulgação da nossa cultura são muito pequenos. Muita GENTE BOA fica de fora.
Então o que fazer? Por isso toquei no ASSUNTO "Movimento ABRACADABRA".

 
responder   responder citando
  Kais Ismail
Kais Ismail
Porto Alegre, RS
3/5/2008 16:26

Esdras,
O mercado publicitário tem necessidade disso. Eu sei! Será a nova tendência.
Se eu lhe contratasse como meu advogado pra defender esta causa, mesmo vc não sendo advogado, vc certamente (supondo q aceitasse) iria estudar a fundo pra fazer ressaltar os pontos que tornam este projeto viável e fazer deles uma prova da necessidade de concretizá-lo. Tudo é possível! Há que ser audacioso sem deixar de ter a razão.
Vc ainda não se aprofundou no assunto. Em consideração a nossa amizade, analise tudoo que for possível analisar, de forma imparcial.

 
responder   responder citando
 
djalma amaral
Itapema, SC
3/5/2008 17:22

Pois é!!! A Ditadura só nos fez distanciar...Perdemos a fé, vejam o exemplo das grandes movimentações em torno da fé, se constroem templos em segundos. Nós artistas somos como pastores e temos que saber como transmitir nossas idéias, lembremos que antes da cultura vem a educação, e a conciência que devemos com agentes culturais educar tambem, mas teremos que estar unidos cooperando com ações de magnitude maior para tirar um pouco do foco que as grandes midias ditatoriais de moda, estilo, comportamento, e grande relevancia ao mau vem veiculando. Nosso povo não dá mais valor as suas origens, as festas de folclore brasileiro estão fora de moda, num Brasil do Créu, eguinha pocotó, tigrão, menudo, rdb, um Cd lançamento à R$ 40,00, o aprelho pra tocar por até R$ 120,00, acho que temos que voltar ao picadeiro e resgatar o CIRCO, quem sabe foi ali que tudo começou?
Seguindo o exemplo da fé só vejo como saida a UNIÃO, que possamos transformar estas enquetes em ações, que façamos nestes portais oportunidades no mundo real, pois são poucos que tem a satisfação de poder participar.
Quanto a leis, ja temos bastante, temos sim que fazer um movimento para cobrar pelo nosso espaço nos meios de comunicação, visto que são todos fruto de concessões governamentais, e devem usar parte para utilidade publica, para nós, parte do povo.

 
responder   responder citando
 
Ilhandarilha
Vitória, ES
3/5/2008 17:23

Por favor, volto a insistir na necessidade de mantermos o foco no assunto do fórum: leis de garantia de espaço para a cultura nacional. Sugiro a criação de outro fórum sobre o projeto citado acima. Obrigada

 
responder   responder citando
  Kais Ismail
Kais Ismail
Porto Alegre, RS
3/5/2008 17:29

Ilhandarilha,
Já criou raíz. Não tem mais como parar ou arrancar daqui. Até pq está sendo divulgado em outro lugar.
Por favor, não seja egoista.

 
responder   responder citando
 
Ilhandarilha
Vitória, ES
3/5/2008 17:45

Djalma,
"Quanto a leis, já temos bastante, temos sim que fazer um movimento para cobrar pelo nosso espaço nos meios de comunicação, visto que são todos fruto de concessões governamentais, e devem usar parte para utilidade publica, para nós, parte do povo."
Concordo que temos bastante leis (isso já foi discutido nos comentários anteriores). Um movimento para cobrar pelo nosso espaço é perfeito. Mas nenhum movimento se sustenta se não tiver respaldo legal. Sem isso, como já aconteceu tantas vezes, o que impera é o jabá! Por isso acredito que é importante a discussão sobre uma legislação específica. Ou pelo menos a discussão sobre as causas de nossos produtos culturais não terem espaço garantido num mercado que é nosso!
Um abraço!

 
responder   responder citando
 
Paulo Esdras
Brumado, BA
3/5/2008 19:03

É isso aí, Kais. Lutemos pelos nossos sonhos! Gostei muito das fotos da Praça da Palestina!

Djalma (Agente-fundador do ABRACADABRA de Santa Catarina ao lado de Soraya) sabe bem a dificuldade em conseguir uma maior UNIÃO - dificuldade encontrada por todos no inicio.

Ilhandarilha, as leis são feitas e na prática pouca coisa funciona. A empresa investe num projeto artistico e deixa de pagar parte dos impostos. Uma parte deste investimento volta para ela por debaixo do pano transparente, mas todos fazem vistas grossas. E a cultura continua pedindo esmola e caridade...
Sinceramente, não acredito que uma lei (ou um conjunto delas) mude muita coisa. O que precisamos, repito, é de atitude!

 
responder   responder citando
 
Paulo Esdras
Brumado, BA
3/5/2008 19:07

O principio é simples: Um artista plástico consome literatura. Um escritor consome música. Um compositor consome filmes. Um cineasta consome artes plásticas... Numa rede solidária, obras que nunca teriamos vitrine estará lá para ser degustada por todos os Agentes. É o começo.

 
responder   responder citando
 
Frederico Ponzio
São Paulo, SP
4/5/2008 00:10

Olá pessoal.
Na minha opinião o Estado deveria intervir na cultura 2 modos:

1)Gerando benefícios financeiros ou isenção de impostos com base na MÉRITOCRACIA para os veículos de comunicação comerciais (RADIO, TV, JORNAIS E REVISTAS) que mais abrirem espaço e desenvolverem programas na divulgação democrática da cultura e arte "marginal" brasileiras. Quem mais abrir espaços, mais benefícios ganha.

2)O Estado deve criar mecanismos interativos para democratizar a arte.

COMO?
O conteúdo (exposições, trabalhos, artistas, filmes, etc) nos dois casos acima tem que ser escolhido PELO POVO ATRAVÉS DE VOTAÇÃO PELA INTERNET!!
Poxa, temos que começar a usar a internet de forma prática e construtiva para a nossa sociedade, revertendo as idéias e opiniões criadas aqui livremente em algo benéfico para o país, pois a internet é uma das formas mais democráticas de expressão (e cômodas também). Esse comodismo (prefiro "facilidade") é o fator fundamental que atrairá o grande público à se envolver e interagir no que deve ser apresentado, fazendo com que cresça o sentimento de responsabilidade pela produção cultural da sua cidade, estado, país.

Essas votações serão para decidir DEMOCRATICAMENTE quais filmes, exposições, trabalhos,etc, devem ser expostos.

Inclusive nos SESC'S, CENTROS CULTURAIS, etc, mundo afora.

LOGÍSTICA:
Os artistas postam seus trabalhos em um processo como no OVERMUNDO. Os mais votados serão os expostos. Muita coisa boa pode não ser votada. Mas aí minha gente, faz parte da democracia. Pelo menos quem escolheu os trabalhos não foi nenhuma companhia interessada exclusivamente em lucros, ou "panelinhas" de intelectuais e seus amigos; mas sim a sociedade.

Outra coisa:
Pode-se criar também PEQUENOS CENTROS DE CULTURA POPULAR espalhados pela cidade.
PRINCIPALMENTE EM PARQUES!!!! O Parque é o local mais apropriado para se buscar o resgate do humanismo que tanto falta hj.

Sugestões para os parques:
No caso de cinemas: cines populares gratuitos, ou com preços baixos, - até mesmo à céu aberto, ou em lonas (com um design de bom gosto, claro). Só passando produção nacional e alguma coisa de outros lugares do mundo. São dadas opções (postadas na internet) que serão votadas. Você vai la'no site do parque que quer ir e vota em uma das opções, como eram feitos naqueles filmes da madrugada da Globo.

No CASO DE TRABALHOS VISUAIS, deveriam ser estabelecidos locais que vão de encontro ao povo, não o contrário, espalhados pela cidade. Seriam OUTDOORS de ARTE colocados em ruas, parques, etc. Serão trocados periodicamente por meio de votação em site também.

MÚSICA
Palcos pela cidade na mesma linha de votação dos artistas e bandas.

Outra coisa...
Neste caso fico pensando: POR QUÊ NÃO SE LIBERA A RUA PARA FAZER MÚSICA COMO É FEITO EM MUITOS OUTROS LUGARES NO MUNDO?
Tem países que em uma quadra você vê uma banda de jazz, noutra uma de sapateado, outra um batuque africano - e eles vendem cd's, formam comunidades, criam público. Até bandas elétricas eu já vi. Tudo isso feito com cadastramento pela web.

E por aí vai....mas é uma outra discussão.
Pra tudo isso, tem que haver a participação e ajuda do ESTADO.

Posso ter falado um monte de besteiras aqui. ...Mas
acho que é para se pensar com seriedade sobre como a interatividade livre e democrática da internet pode ser usada em benefício da difusão da autêntica cultura contemporânea brasileira.

Grande Abraço à Todos,

Frederico

 
responder   responder citando
  Kais Ismail
Kais Ismail
Porto Alegre, RS
4/5/2008 20:58

Pq as pessoas como o Felipe Obrer, se sente tão incomodado por esta conversa ir pra rumo contrário de uns se o assunto é q trato é pertinente ao título?

 
responder   responder citando
 
Ilhandarilha
Vitória, ES
6/5/2008 21:30

Oi Frederico,

Você não falou nenhuma besteira, não! Mas não concordo com vários pontos.
Quanto ao ponto número 1 que você coloca, não sou a favor de mais incentivos para os veículos de comunicação. Eles já têm o bastante por meio de suas fundações e programas, além da arrecadação monstro que eles têm. Mas é uma opinião a ser considerada, sim. Pode ser uma alternativa ao uso da lei, simplesmente.

Quanto ao ponto número 2, a criação de mecanismos alternativos para democratizar a arte, acho que de uma certa forma isso vem sendo tentado por meio dos Pontos de Cultura e da obrigatoriedade dos estados e municípios constituirem seus conselhos de cultura, além de outros programas interessantes implantados pelo Minc ( no site do Minc a gente pode ver a quantidade de programas, projetos e leis de incentivo disponíveis).

A interatividade direta, via internet ou outro mecanismo de pesquisa de opinião, pode ser algo bem perigoso, na minha opinião. Digo isso pois acredito que as pessoas tenderiam a votar no que já conhecem, excluindo assim a possibilidade de surgimento de novos artistas. E diminuindo ainda mais o espaço deles, que já é quase inexistente.

Não creio que o estado deva intervir diretamente na criação de espaços e movimentação artística. Deve, sim, ter uma política de apoio que possibilite o desenvolvimento tanto de novos talentos, quanto de produtores culturais, espaços culturais e, principalmente, ter uma boa política de valorização dos artistas locais.

Essa sua idéia de outdoors com arte, lembrei agora, já foi utilizada aqui em Vitória. Foi iniciativa de uma empresa de publicidade especializada em outdoor, que resolveu aproveitar os espaços vazios para expor a arte dos artistas locais. Não lembro exatamente quando foi isso, mas foi bem legal. Imagina você se deparar com uma bela obra de arte na rua? Esse é, sim, um espaço que as prefeituras poderiam dispor para os artistas plásticos locais, sem custos astronômicos de manutenção e produção. Um espaço que atenderia a todos: artistas e público.

Valeu por expor aqui suas opiniões! Volte para o papo.
abraços

 
responder   responder citando
 
Frederico Ponzio
São Paulo, SP
12/5/2008 16:08

Oi Claudia!

Sem dúvidas seus argumentos são baseados em fatos consolidados
de quem conhece o assunto à fundo, ao contrário de mim.

Do que vc falou, faço só uma ressalva quanto ao fato de você dizer que "é perigoso" o fato das pessoas escolherem os artistas que querem ver.

A sugestão que dei para fazer a população interagir pela internet e escolhendo a arte que querem ver, foi pensando em uma forma de transformar o povo em protagonista ativo no segmento artístico da sociedade, quebrando a passividade absoluta de hj.

Essa conclusão foi em cima de 2 focos importantes de reflexão baseadas na percepção de que falta uma ponte entre a arte e o povo:

1.Quem escolhe as "maravilhas" que estão por aí nas Tv's, rádios, cinemas, etc, não é a população;
são os grandes meios. A poupulação tem sua parcela de "culpa", pois recebe passivamente e absorve
isso por ser fácil. Se acostumou à isso, MAS deve-se ao fato de ter sido sempre induzida à engolir, consumir
e não questionar.

2.Por outro lado, a "alta arte" é algo completamente desvinculado da massa.
Foi manipulada ao longo destes últimos 3 séculos pela aristocracia que, na busca por mostrar sua "superioridade"
mediante a perda de poder econômico para a burguesia, encontrou na cultura sua vítima; assim determinando
o que deveria ser considerado "cultura elevada" criando símbolos de difícil compreensão aos leigos (ou seja a burguesia e o povo).
A burguesia deu o troco no ítem No 1 acima.

E o povo?? Esse sobrou na história.

Veja a merda elitista que é a Bienal de Arte de São Paulo. Cadê a arte da
população alí?? São meia-dúzia de gente que acham que podem dizer aos outros o que
devem considerar arte, criando assim uma redoma de proteção
que não permite (e intimida) aos "comuns" questioná-los.

Ninguém sabe mais que ninguém.
Nem mesmo essa perdida "elite cultural" .

Não adianta querer que o grande-público mude de uma hora para outra do "Domingão do Faustão"
para o "Café Filosófico"(programa da Tv Cultura de SP que trata
de reflexões muito importantes para o entendimento da personalidade humana nos tempos atuais).

As pessoas tem uma preguiça intelectual enraizada. E precisam ser reeducadas. E esse processo não
é imediato. É gradual.
Para essa reeducação funcionar, precisa haver uma motivação, e essa motivação tem que ter algo prático:
A possibilidade de se sentir parte atuante do processo. Poder escolher é uma delas.

No começo pode (e vai) acontecer isso que você bem falou: Pessoas votando nos amigos.
Mas acredito que, ao longo do tempo, vai-se desenvolvendo uma maturidade, um senso de responsabilidade
que levará cada vez mais seriedade e critérios de escolha, gerando um círculo virtuoso.
Trata-se de um amadurecimento conjunto e interativo da sociedade, como é feito nas eleições políticas.
Hoje já há mais pessoas preocupadas em dar um bom voto do que na eleição anterior. E assim por diante.

Nada é 8 ou 80. Deve haver flexibilidade nisso, lógico.

Usando o exemplo da Bienal:
Eles poderiam muito bem utilizar um dos andares para experimentar isso.
Ué...eles não se dizem de "vanguarda"?

No caso de um SESC, a mesma coisa. Um espaço determinado para exposição mensal com vários
artistas escolhidos democraticamente pelo povo.

O que realmente tem valor não deve ser imposto, como um professor prega ditatorialmente
ao aluno; mas sim, deve ser descoberto por cada indivíduo livremente. Cabe às pessoas que tenham
um pouco mais de conhecimento e visão, contribuir para criar meios pra isso, estimulando essa liberdade.

O princípio da interatividade pode ser uma semente DEMOCRATIZANTE e DESBUROCRATIZANTE
para a construção (da tão necessária) ponte entre a arte e o povo.

Grande Abraço e parabéns pelo importante (e difícil) tema deste debate,

Frederico

 
responder   responder citando
 
Frederico Ponzio
São Paulo, SP
16/5/2008 17:31

ME OCORRERAM 2 SUGESTÕES...

1) E se houvesse uma lei de incentivo cultural para abatimento do imposto de pessoa física que contribuir para um projeto cultural qualquer? Pode ser dando dinheiro para a edição do livro do fotógrafo vizinho, ou pagando panfletagem de divulgação de uma exposição alternativa, ou até mesmo doando para um filme de baixo custo.
Será que rola?

2) Uma idéia que já comentei com o pessoal do Abracadabra, é de fazer um jornal gratuito, distribuido em faróis, etc, (nos moldes do METRO NEWS) totalmente focado na divulgação da arte alternativa do nosso país.

Um Abraço,

Frederico

 
responder   responder citando
 
Ilhandarilha
Vitória, ES
20/5/2008 22:18

Linko aqui uma matéria interessante que tem a ver com o papo: Pec a música.

 
responder   responder citando
 
Carla Pereira da Fonte
Rio de Janeiro, RJ
26/5/2008 20:06

Realmente esse tema é espinhoso, principalmente em tempos de Claro Hall, Caixa Cultural e Oi Futuro... todos com benefício fiscal federal, estadual e municipal...!!!
Mas vamos a ele.

Frederico, concordo muito com seu ponto de vista filosófico a respeito da cultura, alta ou baixa.

Sem dúvida alguma sofremos os reflexos da estratégia política da Rainha Vitória que criou um distintivo entre a monarquia falida e os outros, valorizando determinados padrões morais e estéticos personalizados por ela e sua corte, isso 100 anos atrás e do outro lado do Atlântico. Por mais incrível que possa parecer, nossa elite ainda reza nessa cartilha e enquanto precisarmos da aprovação de especialistas submetidos a esses padrões globais para viabilizar financeiramente nossos projetos culturais locais, continuaremos irremediavelmente na mesma.

Não concordo que soframos de algum tipo de preguiça cultural e educativa, o que verifico em nossa sociedade é uma população carente do mínimo indispensável para exercer o livre arbítrio no que quer que seja. Uma população alienada da rua pela violência, da opinião pública pelo monopólio dos meios de comunicação, do exercício político pela corrupção generalizada e da organização liderada pelo extermínio impune, (vide Chico Mendes só para exemplificar), onde a sociedade civil organizada depende do dinheiro das Fundações Ford da vida pra existir, não pode ser cobrado em nada, venhamos e convenhamos. Isso sem falar de desemprego, saúde, educação, assédio moral e sexual e etc, e etc, e etc...

Mas, apesar de tudo isso, estou com Ilhandarilha, otimista.

Desenvolvo aqui no RJ um projeto de memória local que acontece nas praças, aprovado na lei Federal e Estadual desde 10/06 sem conseguir captar recursos. E olha que entrando em todos os editais e contactando várias empresas com potencial investidor. Mesmo tendo na equipe técnica profissionais qualificados e premiados...

Entendo que a solução para a expressão da produção local está nas ruas, onde todos tem direito de manifestar sua arte, seja alta ou baixa.

Penso que esse tipo de projeto precise ser auto-sustentável, só com autonomia nos veremos livres do crivo dos especialistas.

Penso que da mesma maneira que o estado é cobrado por investimentos em estradas e portos para garantir a livre circulação de mercadorias, indispensável ao crescimento econômico, deve também garantir que praças, largos, prédios abandonados, praias, bosques e demais áreas públicas ofereçam segurança e estrutura mínima indispensável para que nós, artistas e educadores locais, possamos nos encontrar e aperfeiçoar nossas virtudes livremente, diante de nosso público.

Tenho convicção de que a questão não é o quanto se investe em cultura, mas sim o uso que é feito desse tanto e o uso é direcionado de forma concentrada para o auto da pirâmide, beneficiado seja na esfera da produção, seja enquanto platéia. E que acumula ainda o retorno institucional do investimento que faz nela mesma, que é a repetição constante em nosso imaginário da afirmação desse mesmo padrão comercial , estético e moral global.

Com um povo tão criativo quanto sabemos ser, basta liberdade e tempo para a garantia do sucesso. Nossa elite sabe disso, sempre soube, e não é segredo para ninguém a receita que segue, está tudo em Maquiavel... dividir para dominar.

Esses editais propagandiados como sendo democratizadores do acesso aos investimentos colocam de forma subliminar toda a classe artística e cultural rivalizando entre si... não é feito para dar certo... da mesma forma que as cotas também nos colocam uns contra os outros, além de roubar o mérito daqueles que, finalmente, tem acesso por meio desse benefício.

Prá que abrir portas em um muro que precisa ser derrubado?

Tudo isso só acontece graças a falacia da conquista pelo mérito, que esconde uma política de aculturação e discriminação muito mal velada e nessa caímos todos...
Então é isso que tenho a dizer.
Espero ter colaborado.
Bjs e sorte para todos nós,
Carla.

 
responder   responder citando
 
Ilhandarilha
Vitória, ES
30/7/2008 19:38

Carla, concordo com vc em muito pontos - quase todos, na verdade. Não tenho certeza de que criar uma legislação específica para garantir a veiculação da cultura local (além dos eventuais editais de financiamento) seja uma solução definitiva. Cada vez mais, porém, vejo que é necessário estabelecer essa espécie de cota para a cultura local, pois mesmo que os editais pudessem contemplar todos os artistas que necessitam de apoio para realizar seu trabalho, dificilmente haveria como divulgar e escoar esse trabalho, uma vez que tanto os veículos de exibição - as tvs e as redes de cinema, no caso do audiovisual, as rádios, no caso da música, a imprensa e as livrarias, no caso dos livros, etc - não têm a vontade política de abrir espaço para as produções locais.

Só para citar um dentre os inúmeros exemplos disso, há semanas o maior jornal daqui vem publicando matérias em várias seções do jornal sobre o Batman - desde matéria de comportamento, com os fãs do herói dos quadrinhos, matérias de consumo, com os diveros produtos de do herói no mercado, até matérias que se pretendem sérias, como a análise das personalidades dos vilões do Batman, com opiniões de psicólogos e juristas. Uma estratégia e tanto para um lançamento de filme, não?

Quando se trata, porém, de filmes nacionais, vejo uma crítica quase seca e nenhuma geração de matérias em outros cadernos. Quando muito, algumas revistas especializadas fazem alguma boa crítica ou dão um espaço mais interessante ao filme nacional - isso se ele for realmente fantástico. Logo depois de uma avalanche de matérias como as feitas sobre o novo Batman, experimente ir ao cinema num shopping - esses com várias salas: vai ver que das 8 salas do shopping, nada menos que 4 estão exibindo o blockbuster. As outras quatro, muito raramente, têm um filme brasileiro em cartaz.

beijos

 
responder   responder citando
  Marta Rodrigues
Marta Rodrigues
São Paulo, SP
1/10/2008 02:04

massa, gostei... Sexo

 
responder   responder citando




  Adicione seu comentário: para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

 
canto_esquerdo   canto_direito
   posts 1 a 72 de 72 início | < anteriores  |  próximos > | fim