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Observatório
Instituto Overmundo Durante os seus já 2 anos e meio no ar, o Overmundo viu a sua proposta de difusão cultural e colaboração online desdobrar-se não apenas na vasta comunidade formada em torno do site, como em novas iniciativas movidas pelo espírito de compartilhar, enriquecer e disseminar a experiência acumulada. Agora, um espaço institucional há muito tempo planejado vai ser o catalisador e o abrigo... > leia
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Fórum · Conversas sobre cultura de todo o Brasil Cultura como lei
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Ilhandarilha
Vitória, ES
8/2/2007 00:33 |
Faz algum tempo, ainda na ditadura, os cinemas eram obrigados a exibir antes dos filmes um curta nacional. Era uma lei federal e não tinha como fugir. A maioria dos curtas eram bem legais, e essa prática formou muitos cineastas que estão ai brilhando hoje. Mas havia também aqueles que eram produzidos só pela grana que a falecida Embrafilme liberava. Isso gerou um bocado de críticas a essa lei, que acabou sendo extinta.
Sempre fui contra às lei de "proteção" à cultura nacional e à interferência estatal na cultura. Mas é só ligar o rádio, por exemplo, aqui no meu estado, pra sacar nem 1% das músicas que veiculadas são feitas pelos locais.
Cinema então, nem se fala. Só vemos as produções locais quando o diretor consegue uma estréia de um dia só em algum cinema ou (quase sempre) cineclube.
Como resolver isso sem ser por meio de uma lei que obrigue a exibição ou difusão nos cinemas e rádios da produção local? Alguma sugestão?
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Fábio Fernandes
São Paulo, SP
8/2/2007 07:05 |
Taí uma questão difícil, ilha. A Lei Rouanet surgiu para incentivar essa produção e difusão sem obrigatoriedade - mas, até onde sei, não consegue cobrir a maioria esmagadora da produção nacional. Fazer leis para a inserção de produto nacional às vezes é encarado como uma atitude ditatorial, mas fico pensando (é só uma opinião): será que, no caso do Brasil, não seria um empurrão necessário para ajudar a incentivar a produção cultural? Se ficarmos no radicalismo (não é o seu caso, claro, mas, como você mesmo apontou acima, a lei da Embrafilme gerou muita crítica), acabamos por não fazer nada. |
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Ilhandarilha
Vitória, ES
8/2/2007 09:47 |
É exatamente o que penso, Fábio, quando procuro nas rádios locais a música feita por capixabas e não encontro nada. E olha que tem gente boa por aqui, como tem em qualquer outro lugar. Se deixarmos a difusão da cultura nas mãos da tal lei de mercado, será que os talentos locais conseguirão se desenvolver? Afinal, o que é o mercado? O que o mercado faz pela cultura? O mercado não é aquela instituição que só aposta em quem está ganhando (que, no caso da cultura, é quem já entra no páreo com toda a estrutura de mídia pronta)?
Se encaramos com naturalidade a reserva de mercado para produtos manufaturados, tecnológicos e etc, por que temos tantos pudores com a reserva de mercado para o produto cultural? É um caso a ser discutido, não? |
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Luna Gitana
Angico, TO
9/2/2007 22:06 |
Posso palpitar?Fica meio difícil conscientizar o povo através de decretos. Posso citar como exemplo o estado do Pará e a Bahia. Do momento em que pisamos no aeroporto dessas capitais, a gente já começa a ouvir música nativa. Isso ocorre em toda parte.Em qualque ambiente lá, ouve-se músicas dos artistas da terra. Lá eles descobriram o caminho. Não seria o caso de perguntar como o fizeram? |
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Luna Gitana
Angico, TO
9/2/2007 22:06 |
Posso palpitar?Fica meio difícil conscientizar o povo através de decretos. Posso citar como exemplo o estado do Pará e a Bahia. Do momento em que pisamos no aeroporto dessas capitais, a gente já começa a ouvir música nativa. Isso ocorre em toda parte.Em qualque ambiente lá, ouve-se músicas dos artistas da terra. Lá eles descobriram o caminho. Não seria o caso de perguntar como o fizeram? |
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Fábio Fernandes
São Paulo, SP
10/2/2007 10:28 |
Salve, Luna!
Olha, decreto de fato não conscientiza ninguém - mas não é para isso que ele serve. Uma lei ajuda a garantir uma fatia de espaço para a produção. Mesmo isso é complicado, porque sempre será preciso formar uma comissão para definir o que se encaixa nos critérios determinados. É um problema semelhante ao que estamos tendo aqui no Overmundo com relação a colaborações às vezes muito ricas mas que não se encaixam na proposta do site. Enfim, leis não são milagres, mas como vivemos numa sociedade onde elas existem, também não podemos negá-las e fazer de conta que elas não existem, mas sim aprender (e é um processo longo, lento e doloroso, não tenha dúvida) a usá-las a nosso favor. No mais, é nunca desistir, sempre produzir cultura e seguir em frente! |
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Ilhandarilha
Vitória, ES
10/2/2007 12:22 |
Luna, não sei como é que funciona na Bahia e no Pará (overmanos de lá podem ajudar?). Mas acho que pelo menos no caso da música na Bahia, houve um grande pacto entre artistas e emissoras de rádio e TV. Coisa que não ocorre no resto do país. Mas acho que isso nem é um bom exemplo. Pense no que ouvimos da Bahia: só axé. Será que os músicos baianos são todos do axé? Tenho certeza que não. Onde estão os outros? Desconfio que massacrados e escondidos pela tal lei de mercado.
Fico com o Fábio, na dúvida a respeito da validade de sermos contra a uma política de "proteção" à cultura. A única certeza que tenho com relação a isso é que não é certo sermos engolidos e massacrados por uma cultura de massa ditada pelo mercado e pela mídia. |
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Luna Gitana
Angico, TO
10/2/2007 13:34 |
Olá Ilha. De fato,o axé tomou conta de tudo, mas eu ouvi muito Caetano, muito Gil, Gal, Betânia e João Gilberto, quando estive lá na Bahia. Aconteceu um fato marcante; eu estava vsitando Itapoã , e o radio do carro tocava: Tarde em Itapoã. Foi de arrepiar; senti-me dentro da música, vivendo aquilo que o poeta dizia.
Em Belém, fiz um comentário que fez meus amigos paraenses darem risadas. Eu disse: nossa, como tem cantores nessa terra!
Quando visito o nordeste fico impressionada como existem cantores por lá, que são famosos, bem de vida, agendas lotadas, e nao são conhecidos no eixo Rio/São Paulo.
o que ocorre é que o Brasil da elite tem vergonha de ser Brasil.Agora é que começaram a curtir o forró, e só o fizeram por que veio com o verniz: forró universitário.Essa assunto daria pano para manga, mas páro por aqui. |
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Luna Gitana
Angico, TO
10/2/2007 13:47 |
Eu fui injusta quando não citei Caymmi(acho que errei na grafia do nome).Ele também é muito tocado na Bahia. Quero ainda perguntar algo ao Fábio Fernando. Você poderia me esclarecer a respeito de qual seria a proposta do site Overmundo? Falo sério, sem piadas. De repente, estou fazendo papel de otáriazinha, postando sem quase nenhum retorno. Talvez eu não esteja dentro do perfil do site.Talvez aqui não seja meu espaço. (pra variar).
Um super abraço a todos e aguardo resposta, Fernando. |
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Fábio Fernandes
São Paulo, SP
10/2/2007 14:25 |
Eu fui injusta quando não citei Caymmi(acho que errei na grafia do nome).Ele também é muito tocado na Bahia. Quero ainda perguntar algo ao Fábio Fernando. Você poderia me esclarecer a respeito de qual seria a proposta do site Overmundo? Falo sério, sem piadas. De repente, estou fazendo papel de otáriazinha, postando sem quase nenhum retorno. Talvez eu não esteja dentro do perfil do site.Talvez aqui não seja meu espaço. (pra variar).
Um super abraço a todos e aguardo resposta, Fernando.
Salve, Luna!
Olha, você acertou na grafia do nome do Caymmi, mas errou na do meu nome, hehehe.. Eu me chamo Fábio Fernandes, mas pode me chamar de Fábio, ok? ;-)
Quanto à proposta do Overmundo, você pode conferir melhor neste link. O Overmundo é basicamente um site colaborativo sobre cultura brasileira, em todas as definições possíveis; volta e meia surgem dúvidas a esse respeito, mas o que nos rege aqui é o bom senso: não temos preconceito, ou seja, podemos falar tanto do axé comercial quanto de uma música mais alternativa. A condição que procuramos respeitar sempre é que se trate de música feita no Brasil ou por brasileiros (pode ser também sobre músicas brasileira na França, por exemplo, ou sobre o livro de um americanista falando do Brasil mas editado em inglês). Enfim, você vê que o leque é bem aberto. E o assunto discutido aqui neste fórum tem tudo a ver com a proposta do Overmundo. Concluindo: o que você tem levantado aqui não tem nada de errado ou fora do perfil do site, ok? Pode ser que seus posts não tenham retorno porque nem sempre as pessoas têm tempo de responder. Isso acontece até mesmo (e com bastante com freqüência) com o Hermano Vianna, criador do site e autor de matérias e ensaios excelentes. Não se sinta desprestigiada aqui, não, ok? Este também é o seu lugar: sinta-se muito bem-vinda! |
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Hermano Vianna
Rio de Janeiro, RJ
10/2/2007 19:03 |
conversa interessante e complexa esta aqui: bem do jeito que eu gosto! preciso de um tempo para me dedicar a ela... volto quando puder!
oi Luna: muitas vezes nossas colaborações parecem esquecidas - olha só esta longa conversa sobre nossas invisibilidades - mas tenho percebido cada vez mais uma coisa: a resposta muitas vezes acontece a longo prazo - um texto que parecia invisível, muito tempo depois de publicado, é descoberto e gera uma conversa ótima - ninguém sabe muito bem como essas coisas acontecem... |
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Daniel Poeira
Belo Horizonte, MG
10/2/2007 19:09 |
Só vemos as produções locais quando o diretor consegue uma estréia de um dia só em algum cinema ou (quase sempre) cineclube. Como resolver isso sem ser por meio de uma lei que obrigue a exibição ou difusão nos cinemas e rádios da produção local? Alguma sugestão?
Antes de responder a essa pergunta, existem outras que precisam ser respondidas, tais como:
- Por que devemos ver/ouvir as produções locais?
- Qual é o problema de se criar uma lei que obrigue essa exibição/radiodifusão?
Por favor entendam que eu NÃO ESTOU afirmando que NÃO devemos ver/ouvir a produção local, e nem dizendo que DEVEMOS criar uma lei obrigando a exibição/difusão - mas se não tivermos respostas CLARAS e PRECISAS a essas perguntas, a outra fica sem resposta. |
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Ilhandarilha
Vitória, ES
10/2/2007 19:27 |
De minha parte, acho que só tenho resposta para a primeira pergunta. Não sou de maneira nenhuma um Policarpo Quaresma. Adoro ver e ouvir muita coisa de quanto mais lugares melhor (fuço no emule músicas africanas, árabes, da europa oriental, etc.). Mas a produção local da cultura tem que ser visível e acontecer. E se o acesso a ela não é visível, é um sinal muito claro de que ela está enfraquecida, seja pela própria invisibilidade, seja porque ela não está acontecendo com a força necessária para romper a barreira das tais leis de mercado.
Quanto à segunda pergunta, que não tenho resposta, acredito que o maior problema de uma lei do tipo é que pode criar alguma coisa parecida com o que falei lá no início sobre a industria (no mau sentido) de curtas que se instalou no Brasil na época da obrigatoriedade da exibição de curtas nacionais antes dos longas. Aliás, com relação ao cinema, me parece que já existe uma cláusula legal de que os cinemas tem que exibir uma porcentagem de filmes nacionais (não sei muito bem qual é essa porcentagem).
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Daniel Poeira
Belo Horizonte, MG
11/2/2007 12:37 |
Eu mesmo não tenho respostar simples para as perguntas que coloquei - o que é um sinal de que elas são boas perguntas :) Mas tenho alguns palpites.
Existem vários motivos porque as pessoas "devem" conhecer a arte e a cultura locais. Acontece que o mercado cultural não precisa seguir regra nenhuma. Se a MTV resolver só passar clipes de raï o dia inteiro, ela passa, e pronto. Se a população quer ouvir as produções locais, ela tem que correr atrás e exigir isso da mídia.
Eu, particularmente, acredito que fortalecer a arte e cultura locais e nacionais é uma questão estratégica que não é levada a sério. Enquanto várias empresas multinacionais investem (e ganham) bilhões de dólares em arte e cultura, o governo brasileiro e o povo em geral ainda não têm essa mentalidade de associar arte e cultura com dinheiro e valores políticos e econômicos.
O governo obrigar os órgãos da mídia a tocar/exibir produtos culturais brasileiros e regionais não é a solução, mas o próprio governo poderia criar seus próprios meios de comunicação. Todo mundo odeia A Voz do Brasil, mas por que é que o governo federal não cria uma rádio própria, transmitindo 24 horas por dia, tocando música do Brasil inteiro? Por que não cria um canal de TV que exiba todos os filmes financiados pelas leis de incentivo?
Toda vez que existe um problema, temos que nos perguntar: quem é que está lucrando com esse problema? Essa resposta é o início da solução. |
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Ilhandarilha
Vitória, ES
11/2/2007 19:53 |
Grande pergunta: quem é que está lucrando com isso? Certamente não é a cultura nacional.
Ontem por acaso, vi um pedaço da cerimônia de entrega do Globo de Ouro, e um homenageado, Warren Beatty, no seu discurso, apontou alguns dos ícones do cinema americano presentes na platéia, (Jack Nicholson, Clint Westwood, etc) e falou: nós construimos a imagem da América para o mundo. Essa consciência de que a cultura é construção da nossa imagem, me parece que nós não temos. Acho que o Gil, no Minc, está tentando implantar um grande plano nacional de cultura, valorizando o regional. Acredito que é a primeira vez que isso acontece aqui ( não sei se a gente pode incluir o plano do governo Vargas, com Villa Lobos). Mas ainda não é suficiente para furar um bloqueio que a mídia impõe às coisas novas e regionais.
Quando leio os cadernos de cultura dos jornais, tenho a impressão de que as matérias de cultura são exclusivamente pautadas em releases bem feitos, tão iguais são. Sinceramente, tenho dúvidas de que o jornalista foi lá ver a peça ou exposição da qual ele fala com tantos adjetivos e citações de conceitos.
Por outro lado, não acredito que a criação de Tvs e emissoras de rádio estatais resolveriam o problema. Temos várias: TV E, Cultura de SP, rádio MEC, etc. Todas com programação ótima, embora meio ultrapassada na linguagem. A Tv Cultura é um exemplo de excelência em TV. Mas quem é que vê? As repetidoras regionais são muito ruins, as antenas têm pouco alcance, a recepção é péssima, os problemas técnicos são inúmeros. No caso do meu estado, a TV E tem que se manter fazendo estúdio, pois não tem carro nem equipe suficiente para cobertura na rua. Soube que em janeiro um pedaço do teto caiu e danificou parte do estúdio. Como o governo não pode pagar hora extra, os eventos noturnos não são cobertos, pois o expediente acaba às seis. É difícil cobrir cultura regional assim, né mesmo? Ainda assim, é o único lugar onde podemos ver grupos de teatro, músicas, filmes e vídeos locais.
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Mecenas
São Mateus, ES
11/2/2007 22:09 |
Aproveito a oportunidade para levar estes temas ao debate no Centro Cultural Araçá junto aos jovens do Núcleo de Produção Audiovisual RTV ARAÇÁ, e o resultado volto a públicar.
Vou seguir o exemplo do amigo Hermano Vianna.
De qualquer maneira, precisamos colocar mais em prática nossos dicursos. Mais profissionalismo, solidariedade e cooperação. Nesta tentativa me incluo. E estamos abertos a colaborar para fortalecimento da cultura nacional.
Colocamos nosso Núcleo ( www.projetoaraca.org.br ) a disposição de propostas de profissionais de todo o Brasil.
Claudia, meu muito obrigado pelo espaço.
Mecenas
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Ilhandarilha
Vitória, ES
12/2/2007 22:37 |
É isso ai, Mecenas. Quando a gente tem a oportunidade de colocar a meninada pra pensar em algo além das novelas de TV, deve aproveitar. Acho que esse é um debate que tem que ser feito. A invisibilidade dos artistas e produtores de cultura locais é nossa responsabilidade, também, na medida em que não cobramos da mídia um cobertura razoável do nosso teatro, cinema, shows, etc. |
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Ana Paula Sant
Cuiabá, MT
15/2/2007 17:05 |
sou nova por aqui e todos os dias tenho entrado no site, assim vou tomando intimidade. ainda não publiquei textos, mas essa questão do debate me chama muita atenção, especialmente este tema que a muito venho discutindo entre amigos, artistas... a cultura deve ser subsidiada pelo estado? se formos nos ater ao conteúdo histórico a arte tem uma estreita ligação com o estímulos financeiros, inicialmente através de merchands e após com o governo e ainda empresas. acredito que outro problema é a seleção. como são escolhidos os projetos aprovados? por mais que a classe artística se envolva em comissões eleitorais, parece que o privilégios de grupos sempre permanece. e ainda, a discussão foi sobre o cinema, mas eu pergunto: e o vídeo, que dentro da área audiovisual, tem menor capacidade ainda de se produzir e se pagar com recursos do público que o consome. o que fazer? |
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Ilhandarilha
Vitória, ES
15/2/2007 22:33 |
Oi Ana, acho que essa ai é outra questão, também importante. A questão principal desse fórum é se é viável, ou necessário, uma lei ou decreto garantindo a exibição e veiculação de produtos culturais locais (sejam eles cinema, vídeo, música, teatro, artes plásticas, etc.).
Quanto à questão que vc levanta, acredito, sim, que que o estado tem que subsidiar a cultura, assim como a saúde, a educação, a tecnologia, etc. (mas isso é só a minha opinião). Para isso existem os ministérios apropriados. O problema da avaliação dos projetos (ou como sair da cultura da panelinha) é um problema da sociedade toda: nós é que devemos estar atentos à formação das panelinhas que abocanham cada fatia de patrocínio desse país e botar a boca no trombone quando isso acontece. É difícil, mas a gente tem que fazer isso se quiser modificar alguma coisa nesse nosso complicado e rico país. |
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Ilhandarilha
Vitória, ES
30/5/2007 08:46 |
Para retomar a conversa, achei esse link sobre a ABD que dá um histórico da lei de exibição de curtas antes dos filmes estrangeiros e da produção de curtas no Brasil. Vale a pena conferir. |
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cacá neves
Recife, PE
2/6/2007 17:23 |
bem, também sou nova por aqui,
na minha opnião leis não vão resolver nada.O que não falta é lei nesse país, existe uma infinidade; o que realmente falta é um estado que se importe realmente com sua população. enfim, mas isso já outro assunto, para resolver o problema da inclusão da cultura nacional, é necessário formar cidadões que apreciem a mesma, para isso teria que se fazer modificações no sistema educacional (talvez uma utopia?), fazer com que os estudantes não só valorize a cultura nacional, mas também desenvolvam um senso critico (pois nem tudo que seja brasileiro é sinônimo de excelência) |
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cacá neves
Recife, PE
2/6/2007 17:24 |
a e não tive paciência de ler a conversa inteira! ^^ |
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cacá neves
Recife, PE
2/6/2007 17:45 |
ahh! enquanto ao que luna disse, sobre o estado de do Pará e Bahia, acho que qualquer estado tem essa politica de "nossa cultura regional é muito rica", pra poder favorecer o mercado de turismo, aqui em recife não sei se toca música pernambucana no aeroporto (provavelmente deve), mas a manifestações culturais desenlvidas pelo estado é no periodo carnavalesco (justamente ponto culminante de turistas no estado), com o famoso eslongan (não sei se é assim que se escreve) "carnaval multicultural do recife", onde é a unica época que os artistas regionais são "valorizados" pelos pernambucanos (infelismente) . |
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Ilhandarilha
Vitória, ES
5/6/2007 20:55 |
Oi Cacá, bem vinda ao papo.
E como isso é realmente um papo, é legal você ler, sim, os comentários já feitos. Assim vc sabe o que já foi falado e o que pode acrescentar à conversa.
Realmente você tem razão quando fala que temos leis demais e um estado que se importa de menos. Falta muita coisa aqui que seria obrigação básica do estado, como saúde, política salarial digna, investimentos em infraestrutura básica e, principalmente, numa educação de qualidade. Mas também penso que a cultura não está fora dessa lista. Afinal, é por meio dela que nos identificamos como povo brasileiro, que expressamos nossas idéias, nosso modo de ser e também construimos valores importantes para toda a sociedade. |
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Spírito Santo
Rio de Janeiro, RJ
25/6/2007 20:42 |
Claudia,
Sua pergunta é um enigma doloroso. Falar em lei no Brasil já é complicado. Falar de leis de estímulo à cultura então...
A solução seria as pessoas se unirem em prol desta óbvia necessidade: o direito de produzir, difundir e exercer a sua própria cultura, seja ela qual for, cuidar de sua própria alma (sua força) com ampla liberdade de se emocionar com o que lhe diz respeito, mas, veja só, estamos cercados de de gente, muito culta até, que confunde estrangeirismo com modernidade, aculturação com diversidade (tudo que é exclusivamente brasileiro é 'brega' para esta gente) imagina então se a gente começar a falar de cultura local. Internam a gente. Apagam nossa mensagem com um clique só. Sem perdão.
O Dostoyevski teria escrito aquela bela frase que dizia que a melhor forma de ser universal era a gente falar de nossa própria aldeia. Depois veio aquele papo cabeça do McLuhan sobre Aldeia Global, transviado para a globalização total de hoje em dia, o pensamento cultural hegemônico do capitalismo diabólico da indústria cultural de massa predominando e pronto, chegamos no chão pegajoso onde estamos.
A união faz a força. Foi este o grande exemplo do pessoal dos anos 70 que revolucionou nossa cultura popular, urbanizando-a sem corropê-la. Dando-lhe 'sustança' mas, e daí? Dirão os donos da verdade.
Quem quer se unir hoje? As redes que se montam são como 'AlQaedas paraguaias' ou seja: são fortes, inflamadas, eficientes e bem nutridas, mas, o máximo que fazem é deixar as suas melhores pessoas se explodirem, sozinhas, por aí. Puro xabu.
O enigma então é este: Temos todos os elementos para resolver esta parada. Menos as pessoas.
Chato, mas, pra mim, pelo menos hoje, é isto. |
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Ilhandarilha
Vitória, ES
25/6/2007 20:52 |
E ponha pegajoso nesse chão. é um atoleiro quase intransponível. Concordo com vc quando pergunta quem quer se unir hoje em dia. As coisas estão complicadas e estamos na base do cada um por si, sem deus pra todos. Mas acho que o massacre da cultura de massa está chegando num limite e existem reações fortes contra ela.
Discutir reserva de mercado para a produção nacional é tão polêmico quanto discutir a questão das cotas, da origem da violência, etc. Mas ainda assim é necessário. |
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Vladimir
João Pessoa, PB
25/7/2007 13:24 |
João Pessoa é uma cidade interessante...Desde 1985 que participo do cenário do Rock Paraibano. Tocando em várias bandas , tais como, Necrópolis, Restos Mortais, The Abyss e Solução de Bateria.
Ao lado de outras bandas também da PB, como o Nephastus, Cuidado com o Cão, Projeto 50, Rota 66, OVNS, Das Bandas da Paraíba, entre tantas outras existentes...E também, ao lado de banda de Recife como Câmbio Negro, e Kruor! De Nino e Pesado e Zequinha e Jairo, respectivamente. A gente vê os artistas da música em Recife conseguir sobreviver de suas Artes! Os caras são muito empenhados e têm apoio local dos órgãos financiadores de cultura.
Aqui em João Pessoa, a coisa anda em marcha lenta. O que se vê são as bandas se matando para gravar um material de qualidade, tirando a grana do bolso, no maior sofrimento. A população local precisa aprender a ouvir as nossas coisas. A criação do Vereador Fuba de João Pessoa/PB de tocar 20% das músicas da nossa terra nas rádios daqui, foi maravilhosa!! Tem que se tirar da cabeça que o bom é o que se vende. Tem neguinho que acha que Jota Quest é bom porque tá sempre nas paradas de sucesso. Aqui prá nós, que bandinha chata...
Nós temos grandes criadores de música em João Pessoa, vou arriscar citar alguns: Alex Madureira, Kiko, Escurinho, Totonho, Pedro Osmar, Cabruêra, Unidade Móvel, Flávio Boy, Projeto 50, Star 61, Dead Nomads, Colorau, Júnior Espínola, Edmundo(baixista,guitarrista,etc..), Pablo Ramirez, Igor Ayres e etc, etc, etc... A lista é enorme...Agora, pergunte a algum deles se estão plenamente satisfeitos com o retorno de seus excelentes trabalhos? A pergunta fica no ar...Vamos ouvir pessoal!
NÃO CUSTA NADA! Espero que um dia a cena mude de figura e possamos pelo menos custear nossas cordas com o cachê que ganharmos tocando!!!
Aberto a comentários!
Atenciosamente,
Vladimir Negromonte.
Baixista. |
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Ilhandarilha
Vitória, ES
25/7/2007 13:29 |
Vladimir, como é que funciona ai essa lei que vc falou de 20% de músicas locais nas rádios? As rádios respeitam? O público local aceita? Fala mais sobre ela. Quem sabe outros vereadores e deputados de outros estados não se inspiram? |
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Ilhandarilha
Vitória, ES
1/5/2008 20:26 |
Tenho visto no overmundo uma grande discussão sobre financiamento da cultura. Mas penso cá: garantir leis de financiamento e fomento vai adiantar o que, se não temos garantia de espaço para divulgação dos produtos culturais? Pensando nisso, gostaria muito de retomar esse tópico e ter mais opiniões aqui sobre essa questão.
Quem sabe pensando juntos não elaboramos uma proposta interessante sobre isso? |
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
1/5/2008 20:41 |
Eu propus aqui o 10 PARA A CULTURA e ninguém se interessou.
Coloco a prova para que alguém me aponte uma possível falha na proposta. |
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
1/5/2008 20:51 |
O mercado publicitário brasileiro movimenta acima de 16 bilhões de reais por ano. A cultura brasileira conta com aproximadamente 400 milhões de reais.
A revista EXAME publicou uma matéria em que os publicitários reconhecem que 50% do valor investido em publicidade não dá retorno, só não é possível detectar a onde há o desperdício.
Todo estes bilhões circulam na maioria em espaços que dependem de concessões pública e a finalidade desta publicidade toda sabemos para que serve.
Portanto, se uma empresa como as Casas Bahia que gastam 900 milhões de reais por ano (o dobro do que o país gasta anualmente em cultura), deveria deste momento investir na cultura do país.
E a empresa não teria prejuízo em sua publicidade, pois tal como a Lei de Incentivo atual, a sua marca estaria associado as produções realizadas.
A minha proposta é que empresas de grande e médio porte, que aplicam acima de 1 milhão de reais em publicidade, repasse deste valor 10% para a cultura. |
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
1/5/2008 21:06 |
10 PARA A CULTURA
1 - Projeto de arrecadação de fundos para a cultura a nível federal, provenientes do mercado publicitário, com o objetivo de patrocinar produção
cultural e artística nos municípios, geração de ocupação e renda e inclusão social.
2 - Destinar-se-á ao projeto, através de Lei Federal, 10% do montante investido em propaganda pelos anunciantes de médio e grande porte.
3 - O projeto financiara produções independentes, através de concursos realizados pela secretaria municipal.
4 - o ministério da cultura repassa as secretarias estaduais e municipais o fundo arrecadado.
O projeto está afirmando que é a melhor maneira de solucionar, de forma simples e imediata, a falta de verba para realização cultural no pais.
O projeto é vantajoso a todas as partes envolvidas. Os anunciantes ganham novos e valorosos espaços publicitários, porque estarão financiando produção cultural. Os artistas e produtores locais terão mais uma ferramenta de trabalho junto a comunidade. E o publico ganha mais produtos culturais. Além disso, é tão pouca a verba destinada à cultura que mal tem os agentes cultural condições de trabalhar. A produção cultural pode vir a abrir oportunidades de trabalho e inclusão social. Para a cultura nacional esta será uma fonte de financiamentos que fará respirar todas os segmentos culturais do pais, e para o mercado de publicidade, apenas um arranhãozinho nos lucros imediatos.
O mercado publicitário movimenta bilhões por ano, para a produção de comerciais, anúncios, etc. Nada mais justo que ofereçam ao publico 10 por cento para a produção cultural do país, uma forma de investimento a longo prazo, uma vez que os agentes culturais trabalham no limiar das novidades lingüísticas e expressivas.
De posse do dinheiro arrecadado, as secretarias de cultura municipais promoverão concursos para aprovação de projetos em todas as linguagens expressivas artísticas e também pesquisas e projetos culturais-pedagógicos, tais como oficinas e cursos. A metodologia será de maneira não-clientelista e desenvolvida através de novas tecnologias de votações, como internet, por exemplo.
As questões técnicas do funcionamento do projeto serão esclarecidas junto aos especialistas em arrecadação federal e fiscalização do tesouro nacional, assistida pela classe artística e empresarial envolvida no processo, e pelos técnicos municipais. |
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
1/5/2008 21:16 |
O que rolou no Orkut onde lancei a idéia e tirei uma idéia da receptividade da proposta:
28/8/2005 22:04
Olá!
Kais, já há algum tempo fui por vc convidada a ingressar nesta comunidade/projeto e somente agora venho tecer alguns comentários pelo fato de que quis ler todo o tópico, para melhor entendimento, e estava, até então, sem tempo para tanto. Mas vamos lá:
É verdade que os veículos de comunicação, mormente a TV, e, consequentemente, as propagandas publicitárias de produtos fabricados por grandes empresas dos mais diversos setores, são grandes formadores de opinião, influenciando a sociedade em geral. Ao influenciarem de forma negativa, o que é a regra (já que, no mínimo, estimula-se o consumo), tornam-se essas empresas responsáveis pelos danos e prejuízos que os seus produtos venham a causar a toda sociedade, individualmente ou coletivamente considerada. Não é à toa a crescente quantidade de ações indenizatórias (principalmente nos Estados Unidos) contra empresas donas de grandes marcas que vendem seus produtos através de propaganda em larga escala.
Assim, enxergo uma relação entre esta responsabilidade e a idéia implícita no projeto: este visa o aprimoramento da cultura em sentido amplo e, a partir da premissa de que a cultura é o maior bem de todo e qualquer povo, conclui-se que a responsabilidade social da grande empresa (que pode gastar tanto com uma publicidade que, não raro, "envenena") deve alcançar o desenvolvimento da cultura.
Pelo que entendi, a lei vertente disciplinaria a arrecadação pelo Ministério da Cultura, através dos órgãos fiscais, de uma porcentagem
- do que as empresas de grande porte gastam com publicidade - a ser destinada aos cofres públicos municipais e, assim, à produção de cultura no local por pessoas que demonstrassem o seu compromisso nesse sentido.
Sim, todos se beneficiariam. Vejo, inclusive, como uma indenização coletiva (e não somente em cada caso concreto, quando dificilmente se consegue provar o prejuízo que o consumo instigado psicologicamente pela propaganda provoca. E isso não tem acontecido no Brasil ainda!). Seria mesmo uma compensação via legislativa aos malefícios
28/8/2005 22:35
causados pela propaganda de certos produtos (não só de cigarros e bebidas alcoolicas, mas também até de comida, como se pode constatar no documentário "Super Size Me"; enfim, a incitação ao consumo em si já é maléfica e difícil de ser provada, principalmente quando se pode ferir interesses de poderosos).
Destarte, afirmo que a idéia é muito boa! Infelizmente, principalmente no Brasil (nosso país que tanto amamos), é tarefa difícil de ser concretizada. Disponibilizo-me para fazer minha parte e posso estudar, pesquisar, para compreender melhor como funciona todo o processo. Mas eis agora algumas indagações: Ingressemos com um projeto de lei de iniciativa popular perante o Congresso Nacional. Não precisa que esteja perfeito em termos formais, tendo em vista que lá eles formalizaram para a devida transformação em lei e isso nem é mesmo exigido de um projeto de iniciativa popular. Porém, é preferível que sejam estudados todos os aspectos do Projeto a ser apresentado com o maior número possível de signatários representando toda a sociedade porque, otimismos (e não utopia) à parte, é difícil que seja ele aprovado e convertido. São necessários um estudo e a concretização de todos os detalhes, do momento da arrecadação até a distribuição do dinheiro a cada município e a fiscalização do efetivo uso - pelo Executivo Municipal e pelas produtoras do dinheiro - à sua finalidade. A definição da porcentagem em 10% também merece, a meu ver, um estudo. Por que exatamente os 10%? Talvez pudesse haver concomitância entre as leis de incentivo e a "10 para a Cultura". May, mais atrás, falou de cota de patrocínio, mas acredito que arrecadaria pouco se comparado ao que uma lei imperativa conseguiria. Tudo isto, dentre outras questões, mostra que a criação de uma ONG para esse fim pode mesmo ajudar o desencadeamento de todos esse estudos e formalizações. O fundamental, realmente, é que nos unemos a fim de deixar muito claro aos nossos governantes e legisladores quais são as prioridades do povo brasileiro e que o aprimoramento da cultura
28/8/2005 22:39
converge à obtenção dessas prioridades!...
Pois bem, estou aqui e estou disposta a estudar e a ajudar de alguma forma, além de divulgar a comunidade.
Como muita gente, creio que eu seja um tanto quanto alienada, mas sinto necessidade de me engajar em prol da sociedade. Engajemo-nos!!!
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
1/5/2008 21:21 |
Política cultural 31/8/2005 06:24
Como ex-publicitária, acredito que essa lei incentivará as empresas que investem pesado em marketing e propaganda, para que se estruturem melhor para desenvolver sua política cultural, como muitas já o fazem, que é definir em qual perfil cultural eles vão investir: música, teatro, dança, literatura, etc. Acho que é válido a empresa patrocinadora ser uma "apaixonada" por determinada arte. Me parece mais espontâneo... Se a maioria das empresas fizer isto, será gol pra nós! E, aliada a esta definição de política cultural, é que elas vão parar pra pensar no melhor destino de suas verbas de publicidade com foco em nossa arte, como um item fundamental pro seu marketing institucional. Me parece que o rumo já é esse, só que poucas empresas estão fazendo isso. Com a criação dessa lei, então, os departamentos de marketing das empresas e/ou agências vão queimar pestana pra se estruturar financeiramente de modo que a política cultural seja necessária para demonstrar vida inteligente nas empresas privadas... grande iniciativa, Kais!
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
1/5/2008 21:23 |
Como o Projeto está sendo desenvolvido:
Este projeto foi criado a partir das dificuldades que todos os profissionais da área cultural vivenciam no seu cotidiano.
Utilizando o computador como a única ferramenta para a divulgação associado a boa vontade das pessoas que se engajaram na idéia. Foi criada uma comunidade virtual no site Orkut (www.orkut.com), por ser gratuito e de grande facilidade de disseminação direcionada das propostas. As pessoas associadas a comunidade, são membros de diversas classes da sociedade, como Advogados, Artistas, Jornalistas, Professores, Psicólogos, Produtores...Que têm aprovado com louvores as propostas, inclusive assinando embaixo delas através do site Petition Online (http://www.petitiononline.com/cultproj/petition.html).
Em função do retorno, sobre o projeto, dessas pessoas é que chegamos a conclusão de que este é o momento pra tornarmos este projeto, até então virtual, recebendo subsídios para que ele se torne real muito além da cabeça das pessoas e concretizando ações para que ele seja posto em prática, o quanto antes. E de onde partiriam estes subsídios? Já foi enviada às autoridades governamentais, uma cópia do projeto, que até o presente momento não se pronunciaram. Se você concorda com o 10 para a cultura, mostre ao Ministério da Cultura o apoio ao projeto. Colabore agora mandando sua mensagem (http://www.cultura.gov.br/comentarios/codigoFonte/comentarios.php?hidContateCultura=S). Este projeto funciona para que o país dê um salto cultural, gerando empregos e riqueza para a nação. E quem mais além do governo tem obrigação com esse projeto que é benefício completo para a nação. Ajude também, repassando este e-mail para o maior numero de pessoas que puder.
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
1/5/2008 21:54 |
Esclarecimeto:
Eu estava com a comunidade 10 PARA A CULTURA e a PRAÇA PARA AS CRIANÇAS PALESTINAS, devido a perseguições e amolações que eu sofri de sionistas fanáticos, me retirei do Orkut junto com a comunidade 10 PARA A CULTURA.
Como o objetivo da praça já foi alcançado, retornei os meus esforços para o 10 que no momento está sem espaço.
Quando entrei no Overmundo, entrei com a esperança de que aqui iria se desenvolver pela quantidade de interessados. Mas me enganei! Vou procurar outro terreno para esta muda, pois semente já deixou de ser. |
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Ilhandarilha
Vitória, ES
2/5/2008 08:54 |
Kais,
Muito importante o que você coloca, mas volto a chamar a atenção para o fato de que o fórum aqui presente não se propõe a discutir o financiamento da cultura, mas sim a garantia de espaço para veiculação de produtos culturais. É importante mantermos o foco da conversa para que ela possa chegar a algum lugar.
Quanto ao seu projeto 10 para a cultura, acho bem interessante. Já abriu um fórum sobre isso?
Abraços |
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
2/5/2008 10:23 |
Ilhandarilha,
Não fugi do foco. O assunto casa bem, tanto no relisioso como no civíl, do que estão tratando aqui.
O 10 PARA A CULTURA, não é matéria para estar apenas num Fórum do Overmundo.
Ele só vai ser trabalhado se para de fato existir.
Aqui está claro que não interesse, só comentei pq o título me convocava. CULTURA COMO LEI
Bem dizia um amigo meu, que eu deveria viver em NY, pq aqui, as pessoas só vão entender o q digo, 15 anos depois.
Palavras de um saudoso amigo, pessoa brilhante e bem sucedida.
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Ilhandarilha
Vitória, ES
2/5/2008 11:34 |
Procurei no fórum o seu tópico 10 para a cultura e não achei. Você poderia deixar o link aqui? Assim eu e quem mais tiver interesse pelo assunto podemos comentar lá. Dessa forma, cada conversa em seu lugar, fica mais fácil, como já disse antes, chegarmos a alguma conclusão (se é que isso é possível quando se trata de Lei de garantias de espaço para a produção cultural local!).
Um abraço! |
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
2/5/2008 11:52 |
Ilhandarilha,
Fui ríspido contigo sem vc merecer, desculpe!
Não chegou a ser aberto um Fórum aqui no overmundo. Mas por algumas vezes em outros tópicos, comentei e ninguém considerou.
Não acho justo eu ter que abrir e me dedicar ao tópico, é algo que interessa a nação. Todos deveriam trabalhar.
E justifico o que acho injusto: Quando abri a comunidade no Orkut, havia dias que eu ficava 14 horas em cima do computador, debatendo, pesquisando, convidando, respondendo. Com isso tive um problema sério na coluna e além do sofrimento tive que gastar muito tempo com fisioterapia.
Eu não tenho dúvidas quanto a eficácia da proposta.
O básico da idéia eu já apresentei, se houver um real interesse, que façam a parte de vcs.
Abraços
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
2/5/2008 11:55 |
Mas o título sugere que o assunto está no foco. |
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Paulo Esdras
Salvador, BA
3/5/2008 09:56 |
"O enigma então é este: Temos todos os elementos para resolver esta parada. Menos as pessoas."
O enigma é a prórpia solução, Spirito Santo! |
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Paulo Esdras
Salvador, BA
3/5/2008 10:34 |
"Vejo, inclusive, como uma indenização coletiva (e não somente em cada caso concreto, quando dificilmente se consegue provar o prejuízo que o consumo instigado psicologicamente pela propaganda provoca."
O Prejuizo não é provocado pela propaganda... mas sim da falta de edicação e, por consequência, de senso crítico. As agências podem até serem acusadas de aproveitarem desta situação, mas daí dizer que é a culpa da propaganda...
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Paulo Esdras
Salvador, BA
3/5/2008 10:49 |
CULTURA COMO LEI? Não! A cultura é algo natural e não imposta. Mas então, como preservar a cultura do nosso povo e estimular novas manifestações sem utilizar a força (negativa neste caso) da lei?
Tenho muitos amigos, a maioria deles não gosta de ler. Nada, nem revista em quadrinhos. Será que estou andando em um círculo de ignorantes? Não. Considero os mesmos pessoas inteligentes, mas sem o prazer pela leitura (para mim a grande porta para as outras áreas, por tratar-se de ferramenta primordial para a construção de um senso crítico). Muito disso nasce na própria escola, onde os alunos, que nem começaram a andar em suas vidas de leitores já são forçados a correrem nos clássicos para nota. O que acontece? Aversão pela leitura. Olhos que não estão acostumados com a grande luminosidade, fecha-se para se protegerem.
Não acredito que a mudança virá de uma lei (que se for aprovada - como exemplo do "10 PARA A CULTURA"), será manipulada a favor de uma minoria.
Aprovo a intenção de Kais, porém retirar por força de uma lei o dinheiro de empresas (que vivem num país livre e pode fazer do seu rico dinheiro o que bem entender) não é a melhor via a seguir.
Kais disse: "Bem dizia um amigo meu, que eu deveria viver em NY, pq aqui, as pessoas só vão entender o q digo, 15 anos depois.
Palavras de um saudoso amigo, pessoa brilhante e bem sucedida."
Palavras preconceituosas com os Brasileiros, Kais! Esse seu amigo, se realmente vive em NY e é bem sucedido, provavelmente não é Palestino - pois sabemos o preconceito que esse povo que está "15 anos a nossa frente" possui.
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Paulo Esdras
Salvador, BA
3/5/2008 11:12 |
Deixando a xenofobia de lado e voltando ao assunto, penso como o Spirito Santo. A mudança deve vir de onde vem a cultura: do povo. E já existe uma proposta nascente interessante aqui no Brasil: ABRACADABRA - Agentes Brasileiros de Cultura e Arte Democrática Brasileira.
O ABRACADABRA, com Agentes em todos os estados brasileiros e mais no Distrito Federal, propõe inicialmente um Movimento Cultural (como uma rede solidária entre artistas e fomentadores culturais) apartidário e sem fins lucrativos (A idéia é que fomalize-se mais adiante como uma OSCIP) com o objetico único de democratizar a cultura nacional. Democratizar tanto no sentido de fazer com que um maior número de pessoas tornem-se "consumidores" de arte/cultura, como no sentido de estimularmos os artistas colocados à margem (como os músicos baianos de outras vertentes musicais que "fogem" do pacto turístico-musico-governamental do AXÉ MUSIC ou como os POETAS, tão esquecidos nas estantes das livrarias).
Já estamos com reuniões presenciais em alguns estados e com uma data prevista para a assinatura do Manifesto em uma grande reunião em Brasília a ser realizada em maio de 2009 (Quando de fato o Movimento ABRACADABRA nascerá).
Estamos nos preparativos da organização (que é horizontalizada, sem hierarquias) em todos os estados e para fazer parte desta grande rede solidária multicultural baste ser artista (independente da veia artística), fomentador cultural (Produtores, jornalistas da área, participantes de festas populares, estudiosos do nosso folclore, etc) e querer mudar a nossa realidade cultural partindo de nossas próprias forças. Não esperemos apenas dos Governo (Lei), das empresas ($$$)! Nós podemos participar ativamente por esta mudança.
Quem tiver interesse, mande-me um e-mail para paulo.esdras@redebahia.com.br com cópia para esdraspedras@yahoo.com.br
que eu enviarei o esboço do Projeto, o Manifesto e o Cadastro de Agente.
Abraços fraternos,
Paulo Esdras
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Ilhandarilha
Vitória, ES
3/5/2008 11:47 |
Paulo,
muitíssimo abrigada pela pela participação. Tanto o projeto 10 para a cultura quanto o Abracadabra merecem uma discussão maior e maior divulgação. No entanto, gostaria de lembrar a você que o assunto desse fórum aqui é outro: garantia de espaço para divulgação da cultura local (seja cinema, música, vídeo, teatro, artes plásticas, etc). Gostaria muito de contar com sua opinião sobre essa questão. É justo que esse espaço seja garantido pela via legal? Ou devemos acreditar que o mercado regulará a questão (como aconteceu nos casos apontados acima, no Pará e na Bahia)? Em locais onde existe uma lei (municipal ou estadual) que regulamenta a divulgação dos produtos culturais locais, ela está sendo aplicada? Como funcionam essas leis? É possível a construção de uma lei nacional que garanta o espaço para as produções locais? Como deveria ser essa lei?
Um abraço! |
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
3/5/2008 12:41 |
Foi como eu disse: Com estes pensamentos de vcs, daqui a 15 anos vão estar na mesma. |
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