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Há diferença entre ser poeta e escrever poemas? rss
canto_esquerdo Autor Mensagem canto_direito
 
Benny Franklin
Belém, PA
4/8/2007 19:28

Uma dúvida medieval sempre me tirou do sério poético em se tratando de entender - de fato - as tolices primárias de ser pateta enquanto Poeta...

Aproveitando a "rolagem" de um comentário de "Aldo Votto" em meu "Poema Beat", instigo os overmanos a dirimir esta dúvida atroz que, por certo, é a dúvida da maioria daqui.

Pergunto:

Há diferença entre ser poeta e escrever poemas?

Com a palavra, vocês.

Abraços, Benny Franklin.

 
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Aldo Votto
Florianópolis, SC
4/8/2007 20:23

Caro Benny,
Obrigado por me convidar à esta instigante discussão.
Me vejo assim: um sujeito que escreve poemas. Quando alguém me chama de poeta, olho por cima do ombro para identificar de quem se trata. Fico lisonjeado, por outro lado, é claro. É a partir deste sentimento que reflito.
Penso que, como em tantos outras formas de criação artística, há uma grande área de transição entre o artesanato e a arte. É relativamente claro para mim, também, que há um trânsito por estes mundos. A produção cerâmica de algum dos nossos brasileiros 'mestres' é exemplo claro do que tento dizer. Por outro lado, não há como impedir que uma obra de arte seja massificada, vire mercadoria, e, com isso, se aproxime da repetibilidade do artesanato. O êxito comercial de alguns pintores contemporâneos [e até escritores!], dessa vez, é o meu exemplo.
Mas, seguindo: no meu imaginário, divido o poeta - quem sabe um estereótipo? - que vive a poesia como centro de sua existência, sua principal 'atividade', ainda que não seja a que o sustente, e o escritor de poemas. Este último, mais próximo de um diletante do que de um praticante, pode, é claro, criar obras memoráveis e habitar por temporadas o outro mundo ou até mudar-se em definitivo para ele; o contrário, no entanto, não é verdadeiro.
Uma formulação provisória poderia ser a seguinte: o poeta vive a poesia, o escritor de poemas vive com a poesia.
Para começar, me saltam, de impulso, estas reflexões.
Mas é preciso remarcar, caro Benny, que, tenho aprendido que embora procure viver de acordo com minhas convicções, a cada dia de amadurecimento perco pelo menos uma das minhas certezas.
Um grande abraço,
Aldo

 
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Marcos André Carvalho Lins
Recife, PE
4/8/2007 21:12

caro Benny,

na minha modesta opinião, Ser poeta é uma questão mais de atitude, de visão de mundo, expressada através de poesias ( aqui se inserem as prosas poéticas ). Qualquer um pode, e deve, expressar livremente sua maneira, sua percepção das coisas, através de poesias. não obstante, sua pergunta pode ganhar um outro rumo se separarmos: o poeta do seu poema. Caso consideremos o poeta, aquele " ser de outro mundo ", mitológico, de alma nômade, e espírito transgressor, podemos concluir facilmente que o poeta pode ou não escrever, pode ou não externar verbalmente seus sentimentos, mas conduz-se cotidianamente com o olhar preenchido pela poesia mundana. cada ser que se insere no mundo, engaja-se na vida,carrega consigo o vislumbre utópico, é um poeta, pois terá sempre algo a dizer, algo a acrescentar.
por outro lado, se você focar a questão por um ângulo , pondo em oposição o amadorismo versus profissionalismo. ou seja, o poeta como mero inventor de metáforas e o poeta que diagnostica em cada fonema um pouco da sua cultura, do pensamento arguto e , ás vezes, prolixo, do ente social no qual está inserido. claramente percebem-se dois "status" : o fazedor de poemas e o poeta. o primeiro não teria rédeas e compromissos, seria um simples contador de causos através da prosa ou da poesia, utilizando-se da rima e da linguagem conotativa, ele utiliza-se da poesia para desabafar, transmitir idéias e fatos, vivências. O poeta, estrito senso, seria um desbravador da língua-mãe, que traduz por intermédio das palavras não só o que vive mas também aquilo que pertence ao inconsciente coletivo. este muitas vezes se utiliza do palavreado rebuscado e preciosismo linguístico para interpretar ou reinventar, a sua maneira, a realidade, sendo por isso menos lido, menos acessível.Tanto um como o outro, ao meu ver, são poetas" lato sensu" pois deixam , de uma forma ou de outra, suas digitais no veio pensante de um povo.
em poucas palavras: se você disser algo que alguém escute e de alguma forma torne público seu conteúdo, você pode já ser um poeta e não saber. Lembremos que a própria vida é um poema inacabado...
abraços,

 
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Adroaldo Bauer
Porto Alegre, RS
4/8/2007 23:10

Rima-se o verso, até em poesia, o que não quer significar que rima seja poema.
Poeta, quando me dizem que sou, também tenho a sensação do Aldo, descrita acima, olhar por sobre o ombro vou.
E muitas vezes me foi dito por tentativa de ofender, de que estaria, utópico, sobrevoando a esfera. que poeta era.
Então, sem escrever me encontraram assim, como a outros comigo juntos; escrevendo, disseram piegas, melodramático, circunspecto, tétrico.
Bem, Benny, o exercício da palavra para mim foi profissão, prazer, amor, lazer, em prosa e alguma vez em verso.
E tem sido, graças às fadas e fados, e musas, que também vez por outra comparecem.
Sem dúvida, se o poema vai escrito e assim é chamado, considerado, foi um poeta que o escreveu ou psicografou.
Se não é poema, ainda que rime, não foi poeta que escreveu.
Quem diz que é poema?
Quem diz quem é o poeta?
Não basta que eu diga, que meus amigos e filhos digam.
É, parece=me isso, necessário que viva eu o poema que escrevo, ainda que não rime.

 
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Ize
Rio de Janeiro, RJ
5/8/2007 02:34

Olá Benny, Aldo, Marcos e Adroaldo, como estou com dificuldade para entrar nessa conversa que me interessa muito, vou pedir licença pra começar citando Manoel de Barros: "em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer nascimentos - o verbo tem que pegar delírio".
O que eu queria dizer (acho que os comentários de vcs sugerem a mesma coisa) é que antes de dicutir sobre poetas e poemas, a gente precisaria falar de poesia. Acho que estou puxando a brasa pra minha sardinha porque poeta não sou, mas às vezes, até quando escrevo textos acadêmicos, consigo ser poética, consigo trazer humanidade ou sensibilidade pra escrita.
Manoel de Barros, de novo ele, diz que Rodin fazia poesia porque sabia "botar aflição na pedra".
Então Benny, pra mim, poeta é quem escreve poemas, que podem, ou não, conter poesia.
E a pergunta que martela minha cabeça, daí meu interesse nesse fórum, é essa: o que se faz pra que o poema, ou a prosa, consistam como poesia?
Espero não ter mudado muito o rumo da conversa...

 
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
Oeiras, PI
5/8/2007 17:12

Queridos:
Não sou poeta, nem nunca tive esta pretensão, mas me confesso estarrecido com o número de "poetas" ( auto ou exo intitulados) que habita este overmundo.
Mas uma coisa não me preocupa, pois dela eu sei perfeitamente: passados os breques e salamaleques, vivenciadas as crises dos grandes egos e dos egos grandes enfim, superados os percalços e, por que não dizer, as pedras no caminho, ao fim e ao cabo os poetas saberão que são poetas e os circunstantes os reconhecerão como tal, sendo este um juízo final.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

 
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
Oeiras, PI
5/8/2007 17:16

E digo mais: Nunca nenhum grande poeta, por desconhecida que seja a sua poesia, se enganou de profissão.
mais beijos e mais abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

 
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Benny Franklin
Belém, PA
5/8/2007 22:40

Caríssimos Overpoetas,

De volta ao Over, penso o seguinte:

Entre o poeta e o poema - e olha que nem me considero poeta - coexistem diferenças prá lá de desmedidas. Se não vejamos: defino o Poeta como um Ser sem ossos, com característica extratérrea e porque não necessita de palavras: é a própria palavra, um Ser das redondezas... Transcede o querer, o tesão da inspiração, recusa a partida...
Além do mais, concordo com Aldo, quando diz que o Poeta "vive a poesia como centro de sua existência, sua principal 'atividade', ainda que não seja a que o sustente".
Ao final, também concordo com Aldroaldo quando diz que "Poeta é ser de outro mundo, mitológico, de alma nômade, e espírito transgressor".
Como estou em busca em franco amadurecimento, acato o posicionamento de Aldo, quando escreve que o "'Poeta vive a poesia, o Escritor de poemas vive com a poesia.

Defino-me:

"Escrevo poemas como um ato de expiação, como uma forma de resistir".

Abçs, Benny Franklin

 
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Spírito Santo
Rio de Janeiro, RJ
6/8/2007 08:10

Benny,
(Desculpe a demora)

Eu acho que há muita diferença sim. Pelo que tenho notado, desde de adolescente, literalmente, todo mundo escreve poesia. É meio que atávico no ser humano, sei lá. Mais dia menos dia você vai cometer uns versinhos. Aparentemente é mais fácil escrever versinhos. Basta rimar véu com céu que você já pode sair por aí se dizendo poeta.
Agora, poeta mesmo (acho que o Adro já disse lá em cima) é uma qualidade que os outros te atribuem. Você não tem meios de saber se é. Te escolhem, te elegem. Tem, é claro, aquela sensação de ser meio esquizofrênico, que os poetas têm, mas, isto pode ser doença mesmo ou não, pode ser, quem poderá saber?
Logo, o negócio é escrever para ver se te tascam o título.

Tem uma cena bonita que me contaram, ocorrida no Japão, com o sambista Nelson Sargento. Tratado aqui, pela nossa 'inteligentsia' como um compositor ingênuo e simplório, um sambista qualquer, Nelson foi convidado a fazer uns shows no Japão. Lá, num auditório imenso, verificou que os danados dos japoneses da platéia (japonês adora Samba) cantavam suas letras sem nem saber direito o que diziam. Quando ele acabou, foi ovacionado aos gritos: 'Poeta! Poeta! Poeta!"
Acho que é isto que é ser poeta.

Abs

 
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Saramar
Goiânia, GO
7/8/2007 10:06

Com licença para entrar sem ser convidada.
A dúvida do Benny me fez lembrar de uma mensagem que acompanha sempre os poemas de algum escritor que li e diz assim: "encomende seu poema, qualquer tema". Isso me provocou uma certa repugnância, um não-sei-o-quê. A partir desse episódio, aprendiz que sou, vi que não basta escrever poemas para ser poeta.

Creio que ser poeta é uma certa sina de nascer com outro olho que vê as coisas desse mundo em todas as ocultas dimensões, muito mais que os comuns. Além do olho, o poeta tem um caso com as palavras e vira-as, colore, abre, tange as palavras pra lá e pra cá.
Vou saindo, pé ante pé.

beijos

 
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Benny Franklin
Belém, PA
7/8/2007 13:24

Bem pertinente é o pensamento de Spirito combinado com a mensagem prófetica de Saramar. Concordo com ambos. Acho que Poeta é uma atribuição que os outros te atribuem. Não basta escrever poema para ser Poeta. Têm que viver a Sina de ser Poeta, quase Pateta...
Abçs. Benny.

 
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  Leandro Jardim
Leandro Jardim
Rio de Janeiro, RJ
8/8/2007 16:48

eu considero que ser poeta é ter compromisso com a arte da poesia, é se dizer poeta, vestir essa carapuça e oferecer a face: eu sou assim, poeta.

Escrever poema é uma coisa que todo ser humano pode (e deveria) fazer...

Lembrando que não me refiro de maneira nenhuma à qualidade... esse aspecto é outro e será sempre de juízo de valor individual, no singular ou no plural...

prazer em conhecê-los
Leandro Jardim
poeta

 
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jjLeandro
Araguaína, TO
8/8/2007 19:20

Para mim, poema é a essência de uma idéia artística, literária, a materialização da poesia. O artífice dessa materialização é o poeta.

Qualquer rima é verso , mas nem por isso é um poema, uma vez que o poema se utiliza tanto do verso livre sem métrica, como do verso branco com métrica mas sem rima.

O poeta escreve poemas, mas não necessariamente versos. É pois o poeta, em minha concepção um artista inato, embora acredito que tanto mais longe ele irá em sua obra quanto mais se disciplinar e estudar.

abcs

 
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  silvino
silvino
Recife, PE
9/8/2007 08:13

Caro Benny, aqui vai o que penso sobre o tema.
Uma pessoa pode constriur uma ponte e não ser engenheiro(a), mas eu não me arriscaria passar sobre essa ponte dirigindo um caminhão, talvez nem mesmo uma bicicleta. Pode cantar sem ser do ramo, mas eu, muito provavelmente, não compraria o seu cd.
Qualquer um(a) pode tocar violino, mas se não for violinista, não me convide para o concerto. Uma pessoa pode operar sem ser médico(a), mas eu não me deitaria sobre a sua mesa de cirurgia.
grande abraço

 
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Agenor
Aquidauana, MS
9/8/2007 11:47

Caro Benny,
Finalmente encontrei o caminho. No meu modesto modo de ver eu vejo o poeta como alguém cuja bagagem literária já é parte do patrimônio da sua alma ao nascer, nasce-se poeta....é evidente, que os estudos posteriores irão aprimorar esta faculade que lhe é inata. O poeta é capaz de materializar as suas impressões interiores através dos "poemas", que de certa forma, são a exteriorização daquilo que vive, sente e vê a sua alma sensível (por favor, não estou falando em causa própria). Desta forma, a meu ver, o poema é muito mais do que a simples combinação de versos (rimados ou não) porque ele deve conter o perfume e o colorido que extravasam da alma do poeta, capaz de sensibilizar o leitor. Como nem todos trazemos na alma esta predisposição nem tudo o que escrevemos é "poema" (muitas vezes apenas versos) já que lhe falta a essência que só os poetas podem lhe imprimir.
O assunto é polêmico e comporta mil opiniões diferentes. Espero que a minha modesta opinião sobre o assunto possa ter contribuído, de alguma forma, para manter acesa esta discussão.
Abração amigo.

 
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Nivaldo Lemos
Rio de Janeiro, RJ
9/8/2007 12:29

Benny, meu amigo

atendo aqui seu pedido mas de antemão peço desculpa, pois por incompetência nata ou vã resposta que atine, não vejo como possa lhe iluminar tão medieval e vaga dúvida como a do ser poeta ou escrevinhador de versos. Fico então com a Ize e o Manoel de Barros, mas também cito Pessoa (O poeta é um fingidor./Finge tão completamente/Que chega a fingir que é dor/A dor que deveras sente) para buscar luz ao dilema.

Poderia talvez sem pejo dizer que o poeta é somente um louco e a poesia, sua loucura. Mas, diferençar poeta de escrevinhador de poemas, ah, isso, amigo, me parece impossível e, diria mesmo, irrelevante diante do verso e de quem o lê! E explico ainda me socorrendo em Pessoa: Temos, todos que vivemos,/Uma vida que é vivida/E outra vida que é pensada,/E a única vida que temos/É essa que é dividida/Entre a verdadeira e a errada. O poeta, ou seja quem for o que sente e disso faz poemas, é por natureza não apenas fingidor, mas louco de pedra e dor. E cito ainda Ize que cita Barros que explica Rodin: é preciso "botar aflição na pedra".

Portanto, amigo Benny, poetar, ainda creio eu, é pintar quadros com palavras e nuvens, como Cicico, o pai da Ize, fazia, é embriagar-se de luz e cor, colher pássaros e oferecê-los em um buquê de trinados à amada. Poetar é delirar, é encantar palavras, esculpir beijos na alma. É, finalmente, viver, amar. E para que este meu post não se perca de baldo aqui no fim, cito lição que colhi de Thiago de Mello no seu Canto do meu canto:

Escrevi no chão do outrora
e agora me reconheço:
pelas minhas cercanias
passeio, mal me freqüento.
Mas pelo pouco que sei
de mim, de tudo que fiz,
posso me ter por contente,
cheguei a servir à vida,
me valendo das palavras.
Mas dito seja, de uma vez por todas,
que nada faço por literatura,
que nada tenho a ver com a história,
mesmo concisa, das letras brasileiras.
Meu compromisso é com a vida do homem,
a quem trato de servir
com a arte do poema.Sei que a poesia
é um dom, nasceu comigo.
Assim trabalho o meu verso,
com buril, plaina, sintaxe.
Não basta ser bom de ofício.
Sem amor não se faz arte.


Um grande abraço em todos.

 
responder   responder citando
 
Lígia Saavedra
Ananindeua, PA
10/8/2007 21:46

Benny,
Penso que:
"Em escrever poesia,
só se dá a quem poeta.
Senão,
poesia,
não seria."

Bjs

 
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Levi Orlando
Porto Alegre, RS
12/8/2007 16:22


Com a permissão dos amigos Overmundanos, faço aqui uma digressão, inspirada na questão proposta pelo Benny:
Poesia é uma emoção vivida, para de alguma forma se expressar e ser compartilhada. Talvez com aquela folha de caderno ali mais ao alcance, que acabará dormindo no fundo de uma gaveta. E uma belo poema, quem sabe, acaba mais tarde virando cinza no incinerador.
Pode haver poesia no coloquial, na oralidade. Quem não cruzou um dia, numa mesa de bar, numa viagem, numa esquina do mundo, com aquele tipo humano que se expressa líricamente, sem nunca talvez ter escrito uma linha sequer ?
E o que dizer da poesia que brota, inesperadamente, na fala de uma criança ?
Me vem à lembrança o poema de Drummond, ainda ginasiano:

O menino ambicioso
não de poder ou glória
mas de soltar a coisa
oculta no seu peito
escreve no caderno
e vagamente conta
à maneira de sonho
sem sentido nem forma
aquilo que não sabe


Seria o poeta, talvez, aquêle que, pela sensibilidade, se deixa impregnar de um certo sentimento do mundo e, como ferreiro numa forja, tendo as palavras como matéria prima, o expressa de alguma maneira ?
Mas toda essa divagação me remete a um outro poema de Drummond, êsse soneto do poeta já na sua plena maturidade, e quase que definitivo:


Os Cantores Inúteis

Um pássaro flautista no quintal
caçoa de meu verso modernista.
Afinal fêz-nos ambos o universo
aprendizes ao sol ou à garoa.

A canção absoluta não se escreve,
à falta de instrumentos não terrestres.
Aos mestres indagando, mal se escuta
pingar, de leve, a gôta de silêncio.

Eu, pretensioso, e tu, pássaro crítico,
vence o mítico amor nossa vaidade:
Os amantes que passam, distraídos

e surdos a tais cantos discordantes,
a melodia interna é que os governa.
Tudo o mais, em verdade, são ruídos.


Com um abraço.








 
responder   responder citando
 
Benny Franklin
Belém, PA
13/8/2007 08:34

Queridos Poetas,

Abaixo cito opiniões de diversos Poetas que opinam sobre o tema que está em discursão:

Leandro Jardim, empressa-se assim: "Ser poeta é ter compromisso com a arte da poesia, é se dizer poeta, vestir essa carapuça e oferecer a face: eu sou assim, poeta."

Já JJLeandro, têm razão quando diz: "Poema é a essência de uma idéia artística, literária, a materialização da poesia."

Silvino, discorre de outra forma: "Uma pessoa pode constriur uma ponte e não ser engenheiro(a), mas eu não me arriscaria passar sobre essa ponte dirigindo um caminhão, talvez nem mesmo uma bicicleta."

Agenor, entende assim: "Vejo o poeta como alguém cuja bagagem literária já é parte do patrimônio da sua alma ao nascer, nasce-se poeta...."

Levi Orlando, conclui: "Poesia é uma emoção vivida, para de alguma forma se expressar e ser compartilhada."

E assim, seguimos discutindo a importancia da Poesia no cotidiano de todos os Poetas Overmundianos.

Falta Você.

Abçs. Benny Franklin

 
responder   responder citando
 
Humberto Firmo
Brasília, DF
13/8/2007 19:56

Tudo tem sua forma:
Uma boa fotografia contém poesia
e pode virar poema.
Aquela frase certa na hora certa
é pura poesia
e pode virar poema.
O sorriso no instante preciso
é carregado de poesia
e pode virar poema.

O poeta está nesses momentos de poesia.
Se ele entendeu e passou adiante o que entendeu,
virou poema.


 
responder   responder citando
 
Levi Orlando
Porto Alegre, RS
17/8/2007 05:25

Benny ,
(e caros poetas do Overmundo) :
Estou inaugurando minha participação no site com um poema, na Fila de Edição. A chamada é: "Uma Mensagem Na Garrafa ..."
Se quiserem dar uma conferida, e contribuir com suas sugestões, críticas e comentários, eu ficaria muito grato.
Um Abraço.

 
responder   responder citando
  José
José
Criciúma, SC
24/8/2007 08:45

Olá!
Não sou poeta quando escrevo
Sou poeta quando pleno
Não, poesia escrevo
Sim, poeta vivo
Sim e Não!
Agradecido.

 
responder   responder citando
 
Joana Eleutério
Brasília, DF
25/8/2007 21:12

Sobre o assunto Adélia Prado disse em uma entrevista: O ?estado de poesia" não é privilégio do poeta, que é só ?o cavalo do santo?. Graças a Deus, ela é comida para todo mundo que está desarmado e sabe que a razão não explica o conjunto da realidade, é só uma fatia do queijo. . E aí,? Em poucas palavras, acho que ela disse tudo.

 
responder   responder citando
 
Benny Franklin
Belém, PA
19/9/2007 15:13

Salve Overs!
Acho que o fórum não deve para e sim seguir o curso das discursões literárias. Então, convido-os a mexer o angu da palavra.
Abçs. Benny.

 
responder   responder citando
 
Benny Franklin
Belém, PA
19/9/2007 15:13

quero dizer "parar"
Benny.

 
responder   responder citando
 
Marcos Paulo Carlito
Coxim, MS
15/10/2007 19:40

Acho que escrever um poema é conseguir trazer à tona (escrevendo) os sentimentos profundos da alma humana, sem máscaras e sem disfarces, como realmente está no cerne, independentemente do nível ou do conteúdo. A poesia é uma passagem d'alma.

Ser poeta, como imagino, é dominar a arte de fazer essa passagem, usando o melindre das palavras pra soar com mais ênfase a mensagem. Aqui, de fato, podemos acabar fingindo.

Em resumo (que isso só é possivel porque sou raso), ao declarar-se poeta, o homem quer dominar o indominável, apropriando-se do que, no seu âmago, não tem dono, não tem tempo, nem proposição.

Sei lá bicho, que poesia não combina muito com razão, ou não!?

 
responder   responder citando
 
Marcos Paulo Carlito
Coxim, MS
15/10/2007 19:45

Esse "escrevendo" entre parêntesis, aí em cima (1ª linha do texto), é minha assinatura de burro.

Eu costumo usar de vez em quando!!! Dã....

 
responder   responder citando
 
Danielle Ribeiro
São Paulo, SP
8/11/2007 15:21

Augusto dos Campos quer nos ajudar:

sim
poeta
infin
itesi
(tmese)
mal
(em tese)
existe
e se mani-
(ainda)
festa
nesta
ani
(triste)
mal
espécie
que lhe é
funesta


se
tem
fome
come
fama
como
cama
leão
come
ar


al
moço
antes
doce
do
intes
tino
fino
ao
gr
osso


mais
baixo
que
o
lixeiro
que
cheira
a
lixo
mas
ao
menos
tem
cheiro
o
poeta
lagartixa
no
escuro
bicho
inodoro
e
solitário
em
seu
labor
atório
sem
sol
ou
sal
ário

para quem aqui escreve bem sabe que o laboratório de química entre as palavras é fundamental .. vejo muito peso nesse conceito laboratorial, pois assim como para se criar música é necessário saber a teoria, o mesmo se dá com a poesia. Não sei quanto ao dom, se é ou não inato, ou dizer que rimadores são mais repentistas que poetas, mas estou de acordo com aqueles que disseram que fazer poesia não significa uma simples suspiração de alma para expressar uma visão de mundo, mas também um malabares com as palavras e para mim, quem escreve poesia é poeta, não vejo como separar ...

 
responder   responder citando
 
Frazao my brother
Anastácio, MS
9/11/2007 15:40

O Dia encontrou-se com a Noite, lá na esquina do Céu, e falou:
- Salve, linda Morena, do olhar grande e estrelado,
queres ser minha pequena pra eu ser teu namorado?
A Noite fez uma cara de lua cheia, encostou-se à porta do quarto minguante e respondeu:
- Não posso, meu belo Dia, mas agora lhe pergunto: - Você de um lado e eu de outro, como vamos ficar juntos?
O Dia clareou as idéias, pensou na Aurora e no Ocaso e concordou:
- É bem verdade, Morena, o nosso tempo é muito pouco. Mas é que os Poetas nos ensinam a ser como eles: Loucos.

(Poema LOUCOS - de José Pedro Frazão "Brother", em homenagem a todos os poetas (gênios da arte expressa em palavras) e também àqueles que tentam incorporar o espírito da Arte em seus escritos).

 
responder   responder citando
 
Benny Franklin
Belém, PA
9/11/2007 15:48

Marcos e Danielle, obrigado pelas colaborações!
Viram só! O belo poema de Frazão My Brother, hein?

Poeta é o dom em pessoa.

Porque ser poeta, é padecer no para isso: momentos de expiações.

Valeu!

 
responder   responder citando
 
Danielle Ribeiro
São Paulo, SP
9/11/2007 17:25

Ah .. faltou dizer dizer aqui que, antes de qualquer coisa, poeta também é gente, mas que carrega a palavra como combustível, enquando os matemáticos carregam números, físicos carregam mistérios do universo e são todos tão loucos quanto os poetas ;-) .. beijos Benny, e parabéns pela discussão ...

 
responder   responder citando
  José
José
Criciúma, SC
9/11/2007 18:00

Ah .. faltou dizer dizer aqui que, antes de qualquer coisa, poeta também é gente, mas que carrega a palavra como combustível, enquando os matemáticos carregam números, físicos carregam mistérios do universo e são todos tão loucos quanto os poetas ;-) .. beijos Benny, e parabéns pela discussão ...


Danielle!

Neste caso temos loucos e Loucos:

loucos
do físico aquecimento global
e suas usinas a carvão.
loucos
amordaçados nos
hospícios das pragmáticas
letras...
E os
Loucos versos
mergulhados no
sol do vento
que molha a
terra do tambor.


Agradecido, José

 
responder   responder citando
  joaoyoga
joaoyoga
Rondonópolis, MT
10/11/2007 20:07

Caro Benny , nossa, quantos comentários líndos sobre poema !
Conversa boa conversa amiga...

 
responder   responder citando
 
Paulo Esdras
Salvador, BA
21/11/2007 15:48

Acredito que todos aqueles que escrevem poesia e se sentem bem, são poetas.

 
responder   responder citando
 
Labes, Marcelo
Blumenau, SC
23/11/2007 14:59

No que acredito, é o seguinte: poeta é todo aquele que escreve poemas. No entanto, nem todo poema possui poesia (pois pode ser somente um conjunto de versos, rimados ou não, colocados no papel, com ou sem sentido semântico e real).
Acho que não se pode se dizer poeta. Se é dito. Assim: ah, sou poeta. O poeta escreve - e aqui peço ajuda de Sartre - mas não tem responsabilidade sobre aquilo. Quem vai ou não dizer que aquilo que ele escreveu possui poesia são os leitores.

 
responder   responder citando
 
Benny Franklin
Belém, PA
23/11/2007 15:49

Gente, Salve!

Respondo comentando:

José, poemeto que de pequeno é tão bom!
Paulo, poesia se escreve de diversas formas. Vejamos:
O médico com seu bisturi de mestre escreve poesia em forma de cortes...
O Padeiro com sua massa real escreve poesia em forma de pão...
O mecânico com seu alicate de pressão escreve poesia em forma de aperto...
O único que escreve poesia em forma de gente
é o homem-poeta.

Labes, realmente. Poeta é aquele que escreve poemas, mas nem todo poema possui o sal poético das manhãs... Quem nos nomeia poeta são os leitores. É uma verdade inteira.

José, Paulo e Labes, valeu!

PS: Graças que nosso fórum está se dando de forma democrática, civilizada e não foge do assunto proposto. Graças!

Abraços

Benny Franklin

 
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  maravestruz
maravestruz
Natal, RN
26/11/2007 14:48

Benny, poesia é linguagem, como música é linguagem... E pior: sem a linguagem verbal, qualquer pretensão de linguagem perde consistência. Como perde consistência qualquer pretensão de mundo sem o Homem... Variedade humana à parte, talvez o poeta seja o produto da homogeneização de música e linguagem verbal, possibilitando até a representação do espírito. Assim, talvez Delacroix tenha dissecado suficientemente o processo pelo qual o Homem-poeta, se autoproduz a partir de sua natureza, interativamente com os modos integrados de representação e humanização: "O Homem faz a linguagem, fazendo-se, pela linguagem..." (in O Significado de Significado).



 
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Carlos ETC
Salvador, BA
15/1/2008 13:42

Meu querido Benny, aqui a opinião de um qualquer:

Eu confesso que escrevo poemas, mas não me confesso poeta. O Vinícius cofessava que escrevia poemas e se dizia poetinha.

O que quero te dizer é que, na minha cabeça, poema é o produto, é a forma tomada pelo texto que um alguém escreveu... já poeta é como chamam aquele que escreve poemas.

Mas, perceba! Não quero que entenda isso de forma simplista! O Vinícius se dizia poetinha; eu o acho um poetão, um poetaço! A ti, também acho um grande poeta.

Portanto, o que acho é que poeta é título que um cidadão recebe daqueles que o admiram (logicamente por causa daquilo que faz ou fez). Aliás, mais do que um título, é um agrado de coração, um reconhecimento, um afago... título não!

Abraço, poeta!
http://interludios.blogspot.com

 
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Benny Franklin
Belém, PA
15/1/2008 22:48

Carlos, obrigado pela participação.

Poeta é como chamam aquele que escreve poemas.
Você tem razão...

É isso... Valeu!

E quanto a me achar "um grande poeta":
- obrigadíssimo.

Abçs.

Benny Franklin

 
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fada
Natividade, TO
3/2/2008 14:26

Oi, Benny.

Navegando no site hoje encontrei, além deste seu tópico, um poema de Saramar (O QUE É UM POETA?) e outro de Antonio Rezende (MALDIÇÃO).
São colaborações que, no meu modo de ver, têm relação com o que se debate aqui.

O assunto me interessa também e até me manifestei na colaboração da Saramar. Descobrindo este seu tópico agora, reproduzo um resumo do que comentei lá:

O que é ser poeta, afinal?

Sabe-se que o entendimento de cada um a respeito do questionamento deve ser considerado num possível debate neste sentido, já que a palavra poeta pode ter sentido vário. Uma coisa no entanto me preocupa, quando tratamos do tema: a banalização do fazer poético. Sinceramente. Considero esta uma das pragas que mais assola a poesia brasileira atualmente.

Explico rapidamente. Não está no gibi o que encontramos por aí de textos irrelevantes que se pretendem poemas. E como se espalham em livros bancados pelos seus próprios autores, assim como nos espaços virtuais. É infinito e crescente o mar de publicações. Além dos livros, sobram sites e blogs do gênero. Achar coisa boa muitas vezes é tarefa árdua, como buscar agulha em palheiro.

Penso que um ponto de discussão sobre o assunto seria sim interessante no Overmundo. Quem sabe a partir de alguma publicação em prosa no Overblog por parte de alguém que domine o tema. Ou talvez um tópico no Observatório.

De uma coisa tenho certeza, eu que aprecio muito literatura e até arrisco uns versinhos, embora não os tenha publicado ainda: aprende-se muito acompanhando o que bons poetas e escritores pensam a respeito do assunto.


Quero finalizar com um poema de Drumond, que deixarei noutro comentário, assim como fiz na colaboração da Saramar.

 
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fada
Natividade, TO
3/2/2008 14:27

Agora o poema de Drumond. Muito revelador por sinal...

PROCURA DA POESIA

Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou dor no escuro
são indiferentes.
Não me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem de equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.

Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.

Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo

 
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llamar al pan
Belo Horizonte, MG
6/2/2008 02:15

Já ouviu falar de poeta que por uma infelicidade ou felicidade qualquer não aprendeu a ler ou escrever? Contudo, fez da sua própria vida uma bela poesia? Existem aqueles que são poetas natos vivem a própria poesia.
Uma outra analogia: Deus e o mistério da criação. Existe poesia maior? É possível ler os versos do Criador a cada olhar... nos segredos do ceú e da terra, nas infinitas cores e nuances... tudo é poesia... escrito de uma forma inigualável... E quem consegue ler estas poesias se torna também poeta.
Sim. Ser poeta é um estado de espírito, é ser e sentir, mesmo que esse sentimento nunca venha a ser compartilhado em palavras... Posso rimar só com sensações, longe dos bancos de letras, despojado das bagagens literárias.
Um grande e sincero abraço.
Parabéns pela iniciativa.

 
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Jotaoliveiraa
Brasília, DF
14/2/2008 20:48

Ser ou não ser não é a questão; a questão é ser parte de uma outra dimensão. A vida faz o poeta, mesmo que o poeta não faça a vida reconhecê-lo como tal. A propósito, uma composição minha cujo título é "Poeta Competente"....O verbo em suas mãos é doce,/ liríco e escravo;/ produz obras imortais,/ sob luz assim creio,/ de vozes celestiais.// O complexo idioma,/ subjugado e feliz,/ corre solto entusiasmado,/ sentindo-se muito honrado,/ com o modo que diz!". Obrigado, amigos.

 
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Profeta Teatro
Campo Grande, MS
16/2/2008 11:17

Nunca tinha escrito nada, um certo dia houve um festival na cidade natal do saudoso “Rubens Corrêa” e para prestar homenagem à organização abriu inscrição para esquete, escrevi um texto “Rubens com R”. Conta à vida de Rubens com a letra “R”. Não fui ao festival, mas alguns anos depois escrevi o texto na XVIII Noite Nacional da Poesia, festival que acontece todo ano em Campo Grande MS, para minha surpresa, fui premiado com o segundo lugar em valor literário e primeiro em interpretação da poesia. Deram-me o titulo.
Todos os dias eu me pergunto! Eu sou poeta?
Clique para ver a poesia
http://www.overmundo.com.br/banco/rubens-com-r

Abraços

 
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FILIPE MAMEDE
Natal, RN
27/2/2008 11:10

Bois Dormindo
à Tomé Filgueira


A paz dos bois dormindo era tamanha
(mas grave era tristeza do seu sono)
e tanto era o silêncio da campina
que ouviam nascer as açucenas.

No sono os bois seguiam tangerinos
que abandonando relhos e chicotes
tangiam-nos serenos com as cantigas
aboiadeiras e um bastão de lírios.

Os bois assim dormindo caminhavam
destino não de bois mas de meninos
libertos que vadiassem chão de feno;

e ausentes de limites e porteiras
arquitetassem sonhos (sem currais)
nessa paz outonal de bois dormindo.

Zila Mamede

 
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Alê Barreto
Rio de Janeiro, RJ
11/3/2008 23:27

Interessante a pergunta. Eu não sou da área das Letras, tampouco da Comunicação. Logo, desconheço a literatura conceitual que poderia auxiliar na resposta desta pergunta. Vou responder baseado na minha prática.

Eu toco violão. Sou músico? Sim. Sou profissional? Não. Sou bom músico? Depende de quem irá me julgar.

Com relação ao que escrevo, no campo da ficção, se aproxima muito da poesia e até coloco no Banco de Cultura novo como poesia. Mas além de poesia, produzo fotos literárias, às vezes. Mas "ser" algo, é perceber-se implicado nisso, algo que está em constante processo. No meu processo, estou hoje mais para escrever poesia (aprendendo) do que para poeta.

 
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Regina - poesia em volta
Volta Redonda, RJ
17/3/2008 17:29

Será que ainda pode mais uma fala? Como disseram lá em cima, o nome "poeta" nos é dado. A gente escreve, escreve, gosta muito, publica, faz uma festa...Aí, chega o jornal da cidade e diz "A poetisa lança o livro tal", ou " a poetisa faz evento tal". Pronto, agora foi criada uma identidade, não um "rótulo". Nós estamos sempre com outras identidades, quando vivemos, escrevemos, falamos, relacionamos. As várias interpretações de nós mesmos, que são criadas nas outras pessoas, e sobre elas não podemos (ou não agimos diretamente) interferir. Então, continuamos a escrever, o poema, a matéria, e ele se faz de versos, sempre, e de rimas às vezes. Quando não tem verso, então é prosa poética (o Alê falou sobre conceitos). Quem já leu Budapeste, do Chico Buarque, sabe disso. Aí, vem outra pergunta para quem quiser abrir outro tópico depois: letra de música é poema?
Voltando, desse jeito que falo, são coisas que acontecem naturalmente. É uma atitude, que já deixou a imagem do "lunático", doidão, fora do ar, ser de outro planeta" para trás. Já aconteceu de alguns "poetas" aparecerem por aí, na mídia, por conta de já fazerem outras artes e resolverem publicar "poemas". A poesia, esta sim, está em muitos e em tudo, em praticamente tudo. Até mesmo quando não enxergamos o poema assim, como obra mesmo poética, e vem o professor de literatura e te diz: "É uma obra-prima!". Enfim, conceitos são muitos; o tempo é que nos dirá o que voa e o que permanece.

 
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Regina Lyra
João Pessoa, PB
23/3/2008 01:39

Amigos do Overmundo,
Na minha opinião ser poeta é aquele que escreve e publica livros de poesia. Tem fortuna crítica e vive para a poesia. Não tem nada de louco, nem lunático. Ser poeta é nascitur. Mas se com o tempo não desenvolver o conhecimento perdeu o dom da poesia. A poesia é encontrada em tudo. Água, terra...ar... no telhado, na lareira, no amor, no protesto.
O poema é criação, é arte. Ser poeta é ser escritor. Enquanto não publicar não é poeta, escreve poemas que poderão nunca serem lidos, nunca saírem da gaveta.
Com a internet surgem poetas e poetas. Ter a verve poética não significa ser poeta. Precisa criar, explorar temas. Estudar acima de tudo.
Creio que de uma forma ou de outra todos acrescentaram com o debate e procuram fazer melhor o que interessa.
Mas até ser colocada profissão: escritor, poeta. Tem muito chão de aprendizado permanente e constante. Então começa a luta pela consagração pública. Porque escreveu, publicou ainda não significa nada. Ser poeta é muito mais do que tudo que já foi dito e ainda por dizer, entretanto é um começo para o entendimento da arte poética e dos profissionais que vivem a sua arte diariamente. Resumidamente coloco meu pensamento.
Abraços,
Regina Lyra

 
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