N a v e g A n t e s
“Eu queria ser o teu caderninho, pra poder ficar, juntinho de você...”Parecia que eu havia sido transportada para os anos 60, com o radinho de pilha colado no ouvido e o Erasmo embalando meus sonhos adolescentes. Mas, estávamos mesmo em 2008 e eu, por acaso, havia ido parar na Vila de Itapuã (município de Viamão, região metropolitana de Porto Alegre) bem no dia da comemoração da Festa dos Navegantes.
Os alto falantes animavam a festa com o som da jovem guarda na pequena praça em frente à Igreja, construída no ano de 1875. Os moradores do local se divertiam comendo peixe frito nos botecos, tomando uma cerveja, circulando com bebês e cachorros guaipecas.
Quando chegamos, ali pelas 4 e meia da tarde, uma multidão já se reunia para dar início à procissão rendendo homenagem à santa dos navegantes – a Vila de Itapuã abriga uma colônia de pescadores e é sede de um clube náutico.Enquanto aguardávamos a procissão retornar, demos uma volta na pequena vila, entramos no Clube Náutico - aliás, sem licença - e fizemos umas fotos da praia. O lugar é lindo, Lagoa dos Patos exuberante à nossa frente, convidando a um passeio de barco. Dali saem passeios no barco Farol de Itapuã, com duração de algumas horas ou até de um dia inteiro. Veja no site http://www.faroldeitapua.com.br/
Logo descobrimos que os ares de antigamente não se restringiam às músicas de fundo. Ao lado da Igreja, descobrimos o quê? Uma barraquinha de tiro alvo! Ah, bons tempos em que as pessoas se divertiam com coisas simplinhas e inocentes...
“Esse ano a festa não tá das melhores”, desculpou-se um simpático senhor que cuidava do tiro ao alvo, quando puxamos assunto. Soubemos que dessa vez foi uma das beatas da paróquia que cuidou de tudo e que no próximo ano voltará a ser uma festa grande e bem organizada, como sempre foi.
“A coisa já não é a mesma hoje em dia! Antigamente eu tirava mais de 50 real por dia, agora quando muito dá 15, 20 ...”, queixou-se o “empresário” da barraquinha de tiro ao alvo quando perguntamos se muita gente jogava. Eu não resisti à tentação e dei meu tiro simbólico, já sabendo que as espingardas do jogo não foram feitas para a gente acertar a pontaria. E pelo visto, muito menos para dar lucro ao dono do negócio, ao menos hoje em dia...
Tinha algodão doce, criança vestida de anjinho, barraquinha de artesanato, cachorro solto e feliz, senhoras devotas com velas e flores artificiais. Tinha fé, alegria e simplicidade.
A falta de recursos da festa não tirou o seu encanto. Tomamos um sorvete no Caluna’s e fomos embora de alma lavada, depois do pôr do sol. Quem sabe não voltamos no próximo ano?
Estou acompanhando suas dicas muito animada, Pssil! Muito bom saber da movimentação e das festas do Sul por aqui!
Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 10/2/2008 16:27
Pois é, Helena, eu curto esses passeios simples, próximos de casa. Na maioria das vezes são lugares para onde pouca gente vai, pelo simples fato de não conhecer e nem saber que existem.
Obrigada pelo toque na edição! Abraços.
Boa dica!! Moro em Porto Alegre e ainda não conheço o Parque de Itapuã...
Lu&Arte · Porto Alegre, RS 14/2/2008 11:58Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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