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Tinguá, o nariz de Deus

Corredeiras - "piscina" - Acesso pela Rua da Administração
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Tetê Oliveira · Nova Iguaçu, RJ
19/5/2007 · 108 · 8
 

Entre os anos 70 e 80, Tinguá era para mim sinônimo de cachoeira e piquenique. O programa em família começava num ônibus desconfortável e lotado, que percorria a estrada de terra até o longínquo bairro de Nova Iguaçu. Há poucos dias, voltei lá. E, com um outro olhar, (re)descobri Tinguá - um lugar ainda pacato, acolhedor e com uma natureza privilegiada.

Com as ruas e estradas asfaltadas, e de automóvel, não achei o percurso de 26 quilômetros, do centro de Nova Iguaçu até lá, tão longo. Ao longo da RJ 111, mais conhecida como Estrada Zumbi dos Palmares, vi, pela primeira vez, as ruínas de alguns patrimônios históricos do município. Da Fazenda São Bernardino, construída em estilo neoclássico em 1875, não sobrou quase nada - uma placa da prefeitura anuncia que a construção está em processo de restauração, mas não havia outro sinal de obras no local. Por um caminho de terra, cheio de lixo, cheguei ao lugar onde ficava a Igreja de Nossa Senhora da Piedade e o cemitério dos nobres e o dos plebeus. Da igreja, resta uma torre. Já a última morada dos plebeus ainda é utilizada pela população local.

Antes de Nova Iguaçu virar município, em 1833, o ponto mais movimentado do lugarejo ficava nos arredores de Tinguá. Lá se localizava o porto da Vila de Iguaçu, por onde escoava a produção dos fazendeiros locais – citricultores e cafeicultores, em sua maioria. Uma história que não lembro de ter conhecido nos tempos de escola. (Curioso como é possível viver num lugar por tantos anos, mantendo-se ignorante – no sentido de ignorar - sobre sua história e seus personagens.)

No caminho, soube que sítios da região têm investido no turismo ecológico, oferecendo tanto lazer diurno como pernoite. Uns poucos dispõem na sua programação de caminhadas pela mata atlântica, passeios a cavalo, trilha de mountain bike, rapel em cachoeira. Muitos têm criações de animais – carneiros, patos, cavalos, coelhos e/ou peixes – e piscinas. E aí, vem a pergunta, por que tantas piscinas numa região de cachoeiras?

Em 1989, foi criada a Reserva Biológica de Tinguá. Nos seus 26 mil hectares de Mata Atlântica, localizados entre a Zona Metropolitana e a Região Serrana do estado do Rio de Janeiro, está a maior parte das quedas d`água da região. No escritório do Fórum de Turismo e Desenvolvimento Sustentável do Tinguá fui informada de que, fora da reserva, existem duas na Fazenda Faísca. Em outros lugares, no máximo, há corredeiras.

Perto da praça principal e da sede da antiga estação ferroviária, datada de 1917 e desativada, está o point da maior parte dos banhistas que visitam Tinguá. A Rua da Administração é estreita e fica às margens das corredeiras que rolam pelas pedras, fora da Reserva Biológica. À primeira vista, o que se vê são becos, portões, grades, que cercam a região. Donos de bares lotearam a área e as corredeiras viraram “piscinas”. A entrada é gratuita, mas geralmente não é permitido levar bebidas e “farofa” (comida). Do consumo, vem o lucro dos comerciantes.

Fora dali, provei o tempero de dona Terezinha. Moradora da região há 30 anos e casada com um ex-caçador, hoje ambientalista e defensor da Mata Atlântica, ela é dona da Pensão Capixaba (Estrada da Administração 72), onde serve uma comidinha caseira ao preço de R$ 5, a refeição. E, de cortesia, sobremesa - doces de frutas da região - e cafezinho.

Por fim, explico o título desse texto. No km 12 da RJ 111, parei na Escola Municipal Família Agrícola Vale do Tinguá para conhecer um pouco sobre o projeto Escola Família Agrícola. Curiosa, perguntei ao padre belga Paulo Muller, coordenador do projeto, se sabia a origem do nome Tinguá: “Dizem que significa nariz grande, mas não sei se é". Se Teresópolis tem o Dedo de Deus, Tinguá tem um nariz de uma beleza natural abençoada.

onde fica
Tinguá, bairro a 26km do Centro de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Como chegar:
De automóvel - via Pres. Dutra até o km 180; dobrar à direita no motel Medieval; seguir pela Av. Henrique Duque Estrada Mayer (Estrada de Adrianópolis) cerca de 4,5km até o CEFET, onde um pouco mais à frente há uma placa sinalizando o caminho para Tinguá; dobrar à direita. Em Vila de Cava, seguir o fluxo de carros no cruzamento (posto REPSOL), lá fica um ponto de informações turísticas.

De ônibus - viação Elmar, saindo do Centro de Nova Iguaçu (tem uma parada em frente à Prefeitura), e viação Vera Cruz (Pavuna-Tinguá), saída do terminal rodoviário da Pavuna.
por que ir
Para conhecer um lugar de natureza privilegiada, com clima de interior e população hospitaleira, a poucos quilômetros do centro de Nova Iguaçu. Para respirar ar puro e se permitir um dia longe do corre-corre e do estresse das grandes cidades. Para confraternizar com a família e amigos. Para praticar trekking e mountain bike.
quando ir
Maior fluxo de turistas é no verão, mas os sítios-pousadas recebem visitantes todos os dias, incluindo grupos para eventos fechados.

Em junho, acontece em Tinguá o já tradicional Festival do Aipim, um dos principais produtos da agricultura local. Para esse ano, os organizadores pretendem distribuir barraquinhas e atividades em diversos pontos do bairro, não só na Praça Central.
quem vai
Adeptos de esportes radicais, de turismo ecológico e banhistas de todas as idades. Aqueles que querem desfrutar de um lugar com clima de interior, mas perto da “cidade grande”. Grupos para comemorações, reuniões de trabalho, religiosas e outros eventos realizados nas pousadas.
quanto custa
Diárias nas pousadas variam de preço, mas em média custam R$ 60 por casal, com café da manhã. No caso do lazer diurno, a Fazenda Faísca cobra R$ 10 por pessoa (crianças de 0 a 6 anos não pagam e de 6 a 10 anos pagam metade), fora a alimentação e atividades praticadas. Já no Refúgio EcoTinguá, da ONG Campo, o dia sai a R$ 34, com direito a alimentação e caminhada nas trilhas.
website
www.turistingua.com.br
contato
turistingua@yahoo.com.br - Centro de Turismo Ecológico Onda Verde - 2779-4563 e Fórum de Turismo - 2886-7318.

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Helena Aragão
 

Tetê, como sempre sua dica são várias dicas numa só. E uma aula de história tb. Adorei o "ignorante - no sentido de ignorar", hahaha. Como acontece, não? Gostaria muito de conhecer esse lugar. Quem sabe um dia...

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 16/5/2007 17:26
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Tetê Oliveira
 

Helena, obrigada.
Eu me assumo como ignorante (e acho curioso como a palavra ficou meio limitada no seu uso, soando quase sempre ofensiva). Pra mim, ela tem um lado altamente positivo: acho que o aprendizado só é possível às pessoas que se assumem como tal. Nessa minha descoberta de Nova Iguaçu, nos últimos dias, tenho aprendido muito. E isso tem me estimulado a compartilhar a experiência com a galera daqui.
Beijo.

Tetê Oliveira · Nova Iguaçu, RJ 16/5/2007 23:19
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Guilherme Mattoso
 

deve ser um passeio ótimo e bem pertinho do rio.

Guilherme Mattoso · Niterói, RJ 19/5/2007 09:00
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Egeu Laus
 

Mais um ignorante aqui. Mas juro que me vou designorar um dia...
Abraço!

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 19/5/2007 22:23
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Tetê Oliveira
 

Vale a pena conhecer, Guilherme.
Egeu, bem-vindo ao grupo dos ignorantes... E designorar? Adorei! :-)

Tetê Oliveira · Nova Iguaçu, RJ 19/5/2007 22:39
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Sandra Chaves
 

Já tive o prazer de passear pela reserva biológica do Tinguá. É muito lindo o lugar, e durante a caminhada os guias contavam histórias de onça. Ouviam-se barulhos na mata e não se via quem os produzia, por isso ficamos imaginando a onça nos observando. Acredito que haja onça mesmo. Pois não apareceu um filhote de lobo no quintal do prefeito do Rio de Janeiro?

Sandra Chaves · Rio de Janeiro, RJ 22/7/2008 15:36
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azurrp roza
 

conhecir tínguá em 78. cheguei subir seu leito entres rochas e águas cristalinas e conhecer uma boa extensão de área naturais e espécies...espero q. os governos do rj. cuide de tinguá para exemplos de outros meios ambientes...

azurrp roza · São Paulo, SP 2/6/2009 14:29
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Cristiane Bueno
 

Olá pessoal, me chamo Cristiane Bueno, moro em nova iguaçu a 20 anos. Meus pais compraram um sitio a 25 anos atrás em tinguá, mas pouco eu ia pra lá. Quando se é mais nova as vezes não damos o valor devido as coisas e por isso eu pouco ia ao local dizendo não ter tempo. Pois bem, hoje aos 38 anos de idade com minha vida profissional a todo vapor resolvi sair do corre corre e melhorar minha qualidade de vida. E adivinha onde fui parar??? Pois é (rsrsrs) fui morar no lugar mais lindo e perfeito, TINGUÁ, onde tenho o privilégio de acordar todos os dias com o barulho dos papagaios e maritacas e posso sentir a brisa leve da manha. Estou muito feliz nessa minha decisão. Ainda não conheço todos os lugares do local, mas pretendo ter intimidade com cada cantinho desse pedacinho do céu (que é assim que chamo carinhosamente está terra maravilhosa). Lugar perto de tudo e longe da violência e stresse do dia a dia.

Venham conhecer TINGUÁ!!!

Cristiane Bueno · Nova Iguaçu, RJ 19/6/2009 10:08
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