No capitalismo, já ensinava Marx, as pessoas ficam alienadas do fruto do seu trabalho. O processo criativo humanizado dá lugar à produção em série. Os objetos perdem sua história: são apenas produtos, criaturas sem criadores revelados. Os instrumentos de corda da Oficina Escola de Lutheria da Amazônia (Oela), entretanto, resistem à coisificação. Bonitos, construídos por jovens de 15 a 21 anos da periferia de Manaus, com madeira certificada, eles têm vida.
Os cavaquinhos, bandolins, banjos, violas caipiras e violões (de seis, sete ou 12 cordas) da Oela foram batizados de Manaós. O nome da série é uma referência ao povo indígena que, antes dos massacres do “descobrimento”, vivia no território hoje ocupado pela capital amazonense. A voluta (“ponta” do braço do instrumento) revela outro período da colonização amazônica: ela tem contorno similar ao da cúpula do Teatro Amazonas, o grande símbolo da riqueza dos barões da borracha. No site do Canal Futura, é possível baixar um vídeo curto, de dois minutos, no qual um violão Manaós é apresentado pela professora de lutheria da Oela, Antônia.
A Oficina Escola de Lutheria da Amazônia é uma organização não-governamental que há dez anos oferece cursos de lutheria e de marchetaria na Zona Leste de Manaus. Mais recentemente, ela expandiu suas atividades também para o interior do Amazonas, mantendo um núcleo em Boa Vista do Ramos.
O criador da ONG, Rubens Gomes, é militante ativo do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), uma rede socioambiental que reúne cerca de 600 associações, institutos, sindicatos e grupos comunitários da região. Não por acaso, no último dia 21 de janeiro, quando esteve em Manaus, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, visitou a sede da Oela. Não surpreende, também, que a ONG seja a primeira escola de lutheria do mundo a conquistar o Selo Verde do Conselho de Manejo Florestal (FSC - Forest Stwardship Conuncil).
O Curso Básico de Lutheria da Oela já formou 58 jovens e, atualmente, está com uma turma de 60 alunos. Eles participam também de atividades de Educação Ambiental, Teoria Musical e Inclusão Digital. Quem termina o curso profissionalizante pode continuar sua formação no Laboratório Semi-Industrial, uma unidade incubadora com produção voltada para o mercado.
Thais,
Além dos problemas das queimadas, desmatamentos e conflitos envolvendo o agronegócio, indios, posseiros e grileiros a Amazônia tem muita coisa bonita para mostrar. Não se pode deixar de noticiar os males, mas as coisas boas nos fazem lembrar por que e para que/quem devemos continuar lutando.
Beijos,
Viva a diversidade!
Viva nosso povo! Viva nossa gente!
Viva o artesão, viva o artista Brasileiro!!!
E viva a Thaís
Oi, Zé e Pedro! Obrigada pela leitura atenta e pelos comentários!
Thaís Brianezi · Manaus, AM 22/4/2008 14:01Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
O poema de Murilo Mendes que inspirou o batismo do Overmundo ecoa o "grito eletrônico" de um “cavaleiro do mundo”, que “anda, voa, está em... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!