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A lenda do Touro Bandido

Rodrigo Ostemberg
Bandido e sua sinhazinha, em apresentação durante o 5º Festival de P. Murtinho
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Rodrigo Ostemberg · Campo Grande, MS
5/11/2009 · 11 · 3
 

Nascido no Paraguai, vindo para o Brasil, fugido de uma lida castigada, Candil, o touro comprado para ser reprodutor, era utilizado na fazenda para puxar arado e carro-de-boi, seu dono “senõr Caceres” além de castigá-lo na lida, ainda deixava o touro passar necessidades físicas: fome e frio no relento, à beira do rio Paraguai.
Candil atravessou a nado o rio que que separa o Brasil de seu vizinho, mas precisamente na região de Isla Margarida e Porto Murtinho. Já em terra brasilis, Candil aproximou-se da Fazenda Fronteira, do senhor Quinzinho e conheceu a novilha Estrela, que segundo antigos moradores da região, era a mais bela novilha pantaneira.
Nos idos dos anos 40, numa noite de tempestade, Estrela apavorada debandou do rebanho para mata adentro, e nem mesmo “Nego Peão”, o forte e corajoso capataz da fazenda se arriscou a buscar a novilha, tamanha a violência natureza naquela noite.
Pouco tempo depois, Sinhazinha Laura gritou: - O Candil debandou!. "Já é tarde. Perdemos nosso gado", exclamou alguém.
A alvorada anunciava um novo dia, alguns raios de sol mostrava o fim da noite tempestiva. Sinhazinha estava em prantos sentada num tronco de Jacarandá, quanto avistou dois pontos brancos vindo em direção à fazenda, era eles: Candil carregando Estrela, depois de salvá-la da tempestade.
Dias e semanas se passaram, logo, Estrela pariu um lindo bezerro. “Esse bezerro vai roubar o lugar do meu potro no curral”, exclamou Sinhazinha, que não teve dúvidas, batizou o bezerro de Bandido, filho de Estrela e do touro Candil.
Anos se passaram e Sinhazinha, já era Sinhá, mãe do menino Diego. Seu filho era um belo menino que adorava pescar no rio Paraguai. Numa tarde de outono, o vento brando fez com que o menino dormisse à beira rio. Uma sucuri, que buscava por alimentos começou a enroscar o corpo do menino, Bandido que estava pastando pelas bandas viu a cobra grande levar Diego rio adentro. Sem pensar duas vezes, Bandido se jogou no rio e salvou o menino, mas a cobra já tinha outro comida e começou a se enrolar no touro Bandido.

Nego Peão tentou apartar a briga, mas já era tarde Bandido estava quase morto. Já era noite quando as promesseiras de Caacupé, deram um grito de socorro aos pajés, que num ritual envocaram o poder da santa milagreira, em um passe de mágica a grande cobra soltou o touro e fugiu rio a dentro, Bandido levantou-se e voltou ao curral.

Mais um milagre da Santa de Caacupé havia acontecido. Naquela noite, a santa paraguai tinha salvo o filho do touro Candil, o famoso e valente touro Bandido.

Esta é mais uma das lendas de Porto Murtinho, a estória do touro Bandido, um touro que pela santa foi iluminado. Filho do touro Candil, que disputa a paternidade legítima com outro famoso touro da região, o galante touro Encantado.

*Este texto é uma adaptação do enredo de 2009, do touro Bandido, para o 5º Festival Internacional de Porto Murtinho, escrito pelo jornalista Rodrigo Ostemberg (convidado pela Prefeitura do município para a cobertura do evento) e não têm veracidade alguma com as lendas da região.

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Viktor Chagas
 

Realmente é muito interessante saber um pouco mais da lenda por trás da festa, Rodrigo. Já tinha lido o texto da Gisele e agora este teu. As tuas fotos tb tão ótimas! :)

E não posso deixar de ficar curioso com a impressionante origem comum de todas essas festas. Sempre giram em torno da morte e ressurreição do boi. Alguém sabe a que isso remonta? :)

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 3/11/2009 11:25
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Gisele Colombo
 

Um resumo da lenda do Touro Encantado:

Cada criança nascida sem pai, na fronteira entre Brasil e Paraguai, pode ser filho do Touro Encantado. Conta a lenda, que vivia às margens do Rio Paraguai, um fazendeiro rico que não possuía herdeiros. As promesseiras paraguaias pediram à Virgem de Caacupé, que desse um filho para dar alegria àquele homem pantaneiro. A padroeira atendeu os pedidos de suas devotas e deu ao fazendeiro o Touro Candil. O negro capataz Sebastião é testemunha do milagre no qual o Candil, oferece seu mais novo filho para a felicidade do pantaneiro. Um dia, o tourinho, forte e veloz, ao pastar pelas campinas fronteiriças, encontra a Virgem de Caacupé e transforma-se num homem bonito e cortejado pelas moças que moram nas redondezas. Ele entrega um rosário de ouro para as virgens e na calada da noite, quando as moças adormecem, o homem desaparece... e torna-se o Touro Encantado. Um guerreiro que luta para ser reconhecido único filho do Touro Candil. Embalados por uma versão da katchaca paraguaia, os mascaritas (“provocadores de touradas”), as paraguaias, o pagé, os índios, as cunhaporãs (índias guerreiras), o cacique, os afros, os anjos e os estandartes seguem o Touro Encantado no seu duelo, sob a bênção da Padroeira de Porto Murtinho e do Paraguai.

Gisele Colombo · Campo Grande, MS 3/11/2009 11:50
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Rodrigo Ostemberg
 

Obrigado Gisele, por trazer a lenda do touro Encantado.A festa é realmente bonita, a disputa é sadia e cheia de detalhes que remetem a lenda do touro Candil. É o folclore paraguaio fazendo parte de nosso Estado. O entrelaçamento das lendas, dos mitos e da gastronomia que acontece no Festival é algo que merece total admiração, não apenas dos sul-mato-grossenses, mas de todo o brasil.

Olha Viktor, a festa do boi é promovida pelo mundo afora a várias gerações. houve em algum lugar, na antiga província espanica, um mosqueteiro, que teve que enfretar um touro, para dar continuidade ao seu caminho, este mosqueteiro teria que enviar um recado de seu rei para um de seus aliados, para evitar uma guerra. Ele ficou famoso e sua glória foi exaltada na Espanha, seu rei então, criou a tourada. Daí a morte dos bois.
Em nossa história havia a farra do boi, que foi CONDENADA sua pratica de crueldade com os animais, a cultura amazonense, a maranhense, e demais vertentes dos bois, como o Boi Mamão, Boitatá, boi-bumbá, touro Candil, Encantado, Bandido entre Vários outros mitos, que utilizavam-se, também destas crueldades, passaram, por meio de Parintins, a reformular o mito, e transformá-lo numa festa carnavalesca.
Agora, quanto a morte e vida severina de cada boi, cada lenda é uma lenda.

Rodrigo Ostemberg · Campo Grande, MS 3/11/2009 12:10
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Representação de Nossa Senhora de Caacupé zoom
Representação de Nossa Senhora de Caacupé
Cunhaporã - India guerreira zoom
Cunhaporã - India guerreira
Touro Bandido zoom
Touro Bandido
as Promesseiras de Caacupé, representadas pelas paraguaias zoom
as Promesseiras de Caacupé, representadas pelas paraguaias
Touro Bandido zoom
Touro Bandido
A tourada espanhola, que deu origem a festa do Touro Candil zoom
A tourada espanhola, que deu origem a festa do Touro Candil

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