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Blocos Líricos de Pernambuco: guia prático

Josué Francisco
Bloco Cordas e Retalhos na concentração (2006)
1
Josué · Recife, PE
11/12/2007 · 332 · 20
 

Faltam dois meses para o Carnaval e aqui no Recife e em Olinda já começou o corre-corre das agremiações, escolhendo temas e preparando fantasias, maracatus ensaiando, blocos se apresentando em festivais... É Pernambuco mais uma vez falando para o mundo!

“Vou relembrar o passado
Do meu carnaval de fervor
Neste Recife afamado
De blocos forjados
De cor e esplendor.
Na rua da Imperatriz
Eu era muito feliz,
Vendo o bloco desfilar
Escuta Apolônio o que eu vou relembrar
Os Camponeses, Camelo e Pavão
Bobos em Folia do Sebastião
Também Flor da Lira com seus violões
Impressionava com suas canções.”
(Relembrando o Passado, de João Santiago)

O Carnaval multicultural do Recife e Olinda é famoso pela diversidade de ritmos e de agremiações de rua, que vão desde os maracatus rural (de baque solto) e nação (de baque virado) às troças e clubes de frevo, passando pelos “caboculinhos”, bonecos, La Ursas, bois, afoxés e até escolas-de-samba. Porém, uma delas se destaca pela beleza do seu conjunto, pelo ritmo compassado dado por seus instrumentos e pelas melodiosas letras de seus frevos: os Blocos Líricos.

Também conhecidos como blocos de pau-e-corda, os blocos líricos são agremiações incomparáveis, famosas pelas fantasias bem-elaboradas, que saem nas ruas ao som de uma orquestra de instrumentos de cordas e sopro, composta por banjos, bandolins, violões, cavaquinhos, flautas, saxofones e clarinetas (alguns blocos maiores trazem ainda violinos, bombardinos, trompetes e tubas); além de uma percussão formada por surdo, pandeiros, caixa e, às vezes, ganzá e reco-reco. Nos frevos-canção e de-rua, a orquestra é dominada pelos metais. São acompanhados de um coral feminino e de cordões de pastoras, pastores e crianças. À frente vai o abre-alas do bloco, chamado “flabelo”, feito de material firme (diferentemente dos estandartes) e que traz o nome da agremiação e a data de fundação, sempre empunhado por uma pastora, a flabelista. Nos blocos mais antigos ainda em atividade, como Madeira do Rosarinho (1926), Banhistas do Pina (1932) e Batutas de São José (1932), é um homem com um traje de pajem à Luís XV quem carrega o símbolo do bloco, como nas troças e clubes.

“Chora bandolim
Chora violão
O meu coração
É assim...

Ah, linda pastora de voz tão macia
Canta meu verso minha melodia
Enquanto há tempo para se cantar
Ah, viver assim não é sonhar à toa
Eu faço parte dessa gente boa
Que ainda voa
Atrás de luar

Vê! O meu Recife se enfeitou demais
Olha! Até o rio parou de correr
Só pra ver meu bloco de recordações
Com um flabelo feito de ilusões
Me levando de volta pra você.”
(Flabelo das Ilusões, de Heleno Ramalho)

A música tocada é um tipo de frevo mais arrastado, dolente, romântico, saudosista ou exaltador da cidade, chamado frevo-de-bloco ou marcha-de-bloco, como preferem os compositores tradicionais, e que guarda certa semelhança (e inúmeras diferenças) com a marcha-rancho carioca. As letras são riquíssimas, cheias de palavras incomuns ou de pouco uso na nossa língua. Os desfilantes fazem evoluções mais leves e sem pulos, ao contrário dos frenéticos passistas de frevo-de-rua com suas sombrinhas. Um apito seguido de um acorde em uníssono de toda a orquestra dá o sinal de início de execução de cada canção. Próximo ao fim da música, novamente um apito se encarrega de preparar a orquestra e os desfilantes para o seu encerramento. À saída do bloco, entoa-se o hino e ao final do desfile, quando o bloco se recolhe, canta-se o “regresso”, que é a marcha de despedida, com temática triste em alusão ao fim do Carnaval. Os foliões do bloco cantam as músicas com um sorriso no rosto, chamando o público para acompanhá-lo, mesmo que seja uma canção triste ou melancólica.

Conforme a pesquisadora Cláudia Lima, os visitantes desavisados podem não entender e confundir o significado dos Blocos com aqueles grupos de foliões fantasiados e improvisados que saem atrás de uma batucada e que existem em outras partes do país, inclusive em Pernambuco. Os blocos do Recife possuem formato único. Cantam os sucessos dos carnavais passados para que o público que os acompanha forme um gigantesco coral, embora sempre introduzam novas composições. Os blocos possuem um enredo no seu conjunto de fantasias, todavia as músicas cantadas pelos foliões não têm relação com esse enredo e com as fantasias, como nas escolas-de-samba.

“O apito avisou
Que o bloco vai sair
Cantando pela cidade
Fazendo todo povo
Mexer e se bulir
Quem não sabe vai saber
O molejo como é
Você vem no seu gingado
Fazendo o sincopado
E arrastando o pé.

Agora não dê pulinho
Se não eu lhe digo benzinho
Isto é frevo-canção
O bloco é diferente
Relaxa o corpo da gente
E arrasta o pé no chão.”
(Se Não Arrastar o Pé, Não é Marcha-de-Bloco, de Dimas Sedícias e Bráulio de Castro)

Muitos compositores pernambucanos famosos tiveram sua obra dedicada ao frevo-de-bloco e suas agremiações, devendo-se destacar os irmãos Raul e Edgard Moraes, este fundador de vários blocos, Nelson Ferreira, João Santiago, Lourenço da Fonseca Barbosa “Capiba”, Levino Ferreira, os Irmãos Valença (João e Raul), dentre muitos outros, todos autores de clássicos do gênero gravados, como “Evocação n° 1”, “Marcha da Folia”, “Valores do Passado”, “Sabe Lá o que é Isso” e “Madeira que Cupim Não Rói”. Ao contrário do que se fala, novos compositores mantêm a tradição renovando o repertório a cada ano. Nesse sentido, podem ser citados Getúlio Cavalcanti, Romero Amorim, Antônio Madureira, Edson Rodrigues, Fernando Azevedo, Fred Monteiro, Bráulio e Fátima de Castro. Outro detalhe é que muitos blocos possuem o seu próprio grupo de compositores, o que garante sempre a inclusão de novas canções nos repertórios, de modo que pode-se ouvir tanto os clássicos da década de 20 como canções fresquinhas compostas para o Carnaval do ano. Além disso, grandes músicos e instrumentistas pernambucanos também fazem parte das afinadas orquestras dos blocos, que ensaiam e realizam prévias nos meses que antecedem o carnaval, são os famosos “acertos de marcha” em bares e clubes da cidade.

Atualmente, vários discos de frevo-de-bloco estão disponíveis no mercado, desde os de cantores e compositores conhecidos, como Getúlio Cavalcanti, Romero Amorim, J. Michilles, Heleno Ramalho, o afinadíssimo Coral Edgard Moares e a Orquestra e Coral Levino Ferreira, até os discos dos próprios blocos, como os quatro lançados pelo Bloco da Saudade, o disco “Tempo de Bloco” com músicas de Bráulio e Fátima de Castro do Eu Quero Mais, o de marchas-de-bloco do Cordas e Retalhos, o “Vem Dudu” do Flor da Lira de Olinda, o do Flor da Vitória Régia, o de composições de José Moraes gravado pelo Pierrôs de São José, e vários outros.

“Ao som dos violões
A mocidade alegre sempre a cantar
A nossa canção que faz o coração
Sentir uma vontade de chorar
Ao relembrar os velhos carnavais
Que não voltarão jamais.

Recordar é viver
Tudo enfim que passou
Eu não posso esquecer
Quem saudades deixou
Dentro do meu coração
Que hoje vive a sofrer a recordação.”
(Recordar é Viver, de Edgard Moraes)

Segundo o pesquisador Júlio Vila Nova, notável conhecedor da história dos blocos e autor do livro “Panorama de folião: o carnaval de Pernambuco na voz dos blocos líricos” (de onde retirei muitas informações) e presidente do Bloco Cordas e Retalhos (1998), no passado, os blocos alimentavam uma grande rivalidade entre si, como por exemplo, entre Madeira e Inocentes do Rosarinho (1946, atualmente extinto) ou entre Batutas e Banhistas, ou ainda entre o Bloco das Floress (1920) e Apôis Fum (1925). Hoje essa rivalidade desapareceu, dando lugar a um espírito de confraternização entre eles. Há quem diga que, embora velada, a rivalidade ainda exista.

“Madeira do Rosarinho
Vem a cidade sua fama mostrar
E traz com seu pessoal
Seu estandarte tão original

Não vem pra fazer barulho
Vem só dizer... e com satisfação
Queiram ou não queiram os juízes
O nosso bloco é de fato campeão

E se aqui estamos, cantando esta canção
Viemos defender a nossa tradição
E dizer bem alto que a injustiça dói
Nós somos madeira de lei que cupim não rói.”
(Madeira que Cupim Não Rói, de Capiba. Hino do Madeira do Rosarinho)

Os blocos carnavalescos líricos (B.C.L.), antes chamados blocos carnavalescos mistos (B.C.M.), apesar de muitos ainda manterem essa denominação, tiveram origem nas festividades natalinas dos ranchos de reis e pastoris, assim como nas serenatas do começo do século XX, nos bairros do Centro do Recife (São José, Santo Antônio e Boa Vista), espalhando-se depois para os seus arredores (Torre, Rosarinho, Tejipió, Madalena e outros). Até hoje, pode-se notar alguns passos semelhantes entre o frevo-de-bloco e o pastoril. Nos blocos, participavam as famílias da classe média e, pela primeira vez, as mulheres puderam brincar abertamente no Carnaval de rua. Era nesses blocos que se distribuía um tipo de confeito enfeitado em papel prateado e tiras, chamado “jetom” ou “jetone”, ainda hoje praticado por alguns foliões, e ao lado dos tradicionais confetes e serpentinas, um dos poucos costumes remanescentes dos carnavais passados.

O primeiro bloco de que se tem notícia foi o Bloco das Flores Brancas, depois simplesmente denominado Bloco das Flores, fundado na rua Imperial, em 1920, por Pedro Salgado Filho, tendo o grande Raul Moraes como seu compositor maior e diretor de orquestra. O bloco foi reativado por um grupo de foliões em 2000 (www.blocodasflores.org.br).

“Bloco das Flores por onde passa.
Semeia com tal graça ao som de lindas canções.
E os esplendores dessa alegria
Que as almas extasia
E apaixona os corações

Viva a folia do carnaval
Intensa alegria sem outra igual
Que olvidar faz a dor ferina
E nos ensina a sorrir e amar

Temos na vida só dissabores
Tristezas, amargores e a desilusão final
Mas de vencida o mal levemos
E esqueçamos que sofremos divertindo o carnaval.

Viva a folia do carnaval
Intensa alegria sem outra igual
Que olvidar faz a dor ferina
Que nos ensina a sorrir e amar.”
(Marcha da Folia, de Raul Moraes, 1924. Hino do Bloco das Flores)

Muitos outros surgiram logo após (as datas de fundação ainda são controversas ou desconhecidas), como o Bloco Concórdia (que tinha Nelson Ferreira como compositor), um de nome esquisito e rival do Bloco das Flores chamado Bloco Saúde da Mulher, o Batutas da Boa Vista (1920) criado no Pátio de Santa Cruz, Turunas de São José (1923), Andaluzas em Folia (com Guilherme de Araújo na direção), Pavão Dourado, Galo Misterioso, Camponeses em Folia, Lira do Charmion, Se Tem Bote, Um Dia de Carnaval, Lira das Liras, Lira do Amor, Camelo de Ouro, Crisântemos, Sem Rival, Corações Futuristas (1923), Bebé, Bobos em Folia, Cartomantes, Jacarandá (1923), Flor da Magnólia (1924), Rebeldes Imperial, Dirigível do Torreão, Diversional da Torre, Lobos de Afogados, Sabido não Grita, e vários outros, conformando a primeira fase dos blocos de pau-e-corda, de acordo com Vila Nova. A história desses blocos merece uma nova pesquisa.

Dessa época, além do Batutas de São José, criado no Pátio de São Pedro, Madeira do Rosarinho, Bloco das Flores e Banhistas do Pina já mencionados, ainda são vistos no Carnaval, porém sem o esplendor de outrora, o Pirilampos de Tejipió (1923) do saudoso Guilherme de Araújo, Príncipe dos Príncipes, Apôis Fum [fundado no bairro da Torre, e segundo Leonardo Dantas da Silva, autor do livro “Blocos carnavalescos do Recife: história social”, o bloco mais famoso de todos os tempos, tendo à frente Felinto de Moraes e Fenelon Moreira de Albuquerque], Lira da Noite e Flor da Lira do Recife (1930), que parou de desfilar em 1937, mas ressurgiu em 2000. Esses blocos também participam da competição oficial de agremiações realizada no Carnaval, anteriormente na passarela da avenida Dantas Barreto, e hoje na avenida Nossa Senhora do Carmo.

“Felinto... Pedro Salgado...
Guilherme...Fenelon...
Cadê teus Blocos famosos?
Bloco das Flores... Andaluzas...
Pirilampos... Apôis Fum...
Dos carnavais saudosos!
Na alta madrugada
O coro entoava
Do bloco a marcha-regresso
Que era o sucesso
Dos tempos ideais
Do velho Raul Moraes
Adeus, adeus, minha gente
Que já cantamos bastante...
E Recife adormecida
Ficava a sonhar
Ao som da triste melodia...”
(Evocação n° 1, de Nelson Ferreira)

Nas décadas de 50 e 60, esse tipo de agremiação entrou em decadência, pelo novo formato do Carnaval do Recife e mudanças no centro da cidade. Porém, na década de 70, surgiu o Bloco da Saudade (1974), que resgatou novamente essa tradição, dando impulso ao aparecimento de outros blocos, como o Flor da Lira de Olinda (1975), o Pierrô de São José (1978) e depois, nos anos 80, o Olinda Quero Cantar (1984, fundado por Laura Nigro, a maior foliã de Olinda e que faleceu recentemente) e o Bloco das Ilusões (1985). Essa consiste na segunda fase da história dos blocos líricos.

“Bloco das Flores, Andaluzas, Cartomantes
Camponeses, Apôis Fum
e o Bloco Um Dia Só
Os Corações Futuristas, Bobos em Folia
Pirilampos de Tejipió
A Flor da Magnólia
Lira do Charmion, Sem Rival
Jacarandá, a Madeira da Fé
Crisântemos, Se Tem Bote e
Um Dia de Carnaval

Pavão Dourado, Camelo de Ouro e Bebé
Os queridos Batutas da Boa Vista
E os Turunas de São José
Príncipe dos Príncipes brilhou
Lira da Noite também vibrou
E o Bloco da Saudade, assim recorda tudo que passou.”
(Valores do Passado, de Edgard Moraes, 1962. Hino do Bloco da Saudade)

Ainda segundo Vila Nova, a terceira fase se inicia nos anos 90, e é aí que aparece a maior parte das agremiações que hoje desfilam não somente no Carnaval do Recife e de Olinda, mas também em outras cidades da região metropolitana. São dessa época o Nem Sempre Lili Toca Flauta (1989, diz-se que um outro bloco com o mesmo nome existiu em 1915), O Bonde (1991), Eu Quero Mais (1992) de Olinda, Cantolinda (1992, não desfilando mais hoje), Cordas e Retalhos (primeiro a usar a nova denominação B.C.L.), Flor da Vitória Régia (1998, desfilou até 2005) do bairro de Casa Forte, Pára-quedista Real (1999) do Poço da Panela, Bloco da Amizade (2000), Confete e Serpentina (2001), a Trupe Lírico-Musical Um Bloco em Poesia (2001), Valores do Passado, Esperança de Campo Grande, Pintando o Sete, Aurora de Amor, Alvorada dos Clarins, Cadê Mário Melo (hoje extinto), Seresteiros de Salgadinho (2003) e Me Apaixonei por Você (2005), este fundado por dissidentes do Bloco das Flores. Em Moreno, surgiram o Flor do Eucalipto (2000) e, recentemente, o Com Você no Coração (2006); em Paulista, o SintAzul e Menestréis do Paulista; no Cabo de Santo Agostinho, o Fantasia da Juventude Lírica do Cabo; e em Paud'alho, o Linda Flor da Mata. Nessa onda, surgiram também os blocos líricos infantis, com destaque para o Sonho e Fantasia e o Eu Quero Maizinho.

A maioria dos blocos é fiel às suas cores, e nas fantasias, sempre confeccionadas em veludo, cetim, bordados e plumas, procura inserir o máximo de detalhes que identifiquem a agremiação. Por exemplo, o Cordas e Retalhos traz o vermelho e branco como símbolos, assim como n'O Bonde e Menestréis do Paulista; as cores do Eu Quero Mais são amarelo, azul e vermelho; o Confete e Serpentina é branco e preto; Um Bloco em Poesia é vermelho e amarelo; o Bloco da Saudade é vermelho, azul e branco; o Nem Sempre Lili Toca Flauta é vermelho e verde; o Flor da Lira de Olinda é azul e amarelo; o Esperança e o Flor do Eucalipto são verde e branco.

“Quando nosso bloco sai às ruas
Com suas cores de luta e de paz
Reúne foliões, espalha alegria,
Evoluindo com graça e harmonia.
O Cordas e Retalhos é assim
Desperta líricas emoções
Revela o romantismo das paixões
Misturando pó-de-arroz e carmim
Somos Cordas e Retalhos
Coração que não parou
Atado pelos nós, as cordas somos nós
Retalhos é o povo, assim Diego Rocha falou.”
(Rouge et Blanc, de Airton Rodrigues, Leila Chaves e Eliane Chaves)

A cada ano, um novo tema é tratado nas fantasias dos blocos, que são guardadas no maior segredo. Em 2007, por exemplo, pôde-se ver o Bloco da Saudade homenageando a Espanha, e aí seus desfilantes vieram fantasiados de toureiros e dançarinas de flamenco; o Flor do Eucalipto trouxe seus componentes vestidos de ciganos; o Me Apaixonei por Você homenageou a Rússia; o Bloco das Flores, o mar; o Cordas e Retalhos, os 100 anos do frevo e seus compositores; o Eu Quero Mais fez uma nova leitura das colombinas e arlequins; e os Pierrôs de São José vieram com seus maravilhosos pierrôs que são renovados a cada ano.

Na segunda-feira de Carnaval, é realizado o Encontro dos Blocos Líricos no Recife Antigo, que, no início, não passava de uma despretensiosa confraternização realizada no pequeno palco na frente do bar Gambrinus, na avenida Marquês de Olinda. O bar foi fechado para a reforma do edifício Chanteclair e a prefeitura tomou conta de vez do evento. O Encontro passou a ter dimensões maiores e muitos blocos reclamam a falta de espaço nesse novo formato, pois somente alguns são selecionados para o palco principal, que agora localiza-se na praça do Marco Zero.

“Recife, Recife
Ouço ao longe você me chamar
Recife, me espera
Que outros blocos também vão chegar
Sou um poeta que chorar
Ao ver o teu renascer
Ilusões de outrora
Verdades de agora
Jamais vamos deixar você morrer.

Trouxe comigo Banhistas
Saudade também vai tocar
Dessa vez Lili só vai tocar
A sua flauta pra não mais parar.

Madre de Deus, toca os sinos!
Abre tuas portas, Gambrinus!
Que os blocos do Recife querem entrar.”
(Recife Antigo, de Fernando Azevedo)

Isso fortaleceu dois grandes encontros que vêm se mantendo nos últimos anos. O primeiro, realizado duas semanas antes do Carnaval, é o Aurora dos Carnavais, organizado pelo compositor Romero Amorim, no cais da rua da Aurora, no Recife. O segundo ocorre no final de semana posterior ao Carnaval e é promovido pelo bloco Eu Quero Mais nas ladeiras de Olinda. Deve-se ressaltar que alguns encontros também foram realizados nos primeiros anos deste século em diferentes bairros da cidade e há uma tendência em se dar continuidade a esses eventos. Inventaram até o Blocalhau, que é o “bacalhau” dos blocos líricos que desfila pelas ruas do Recife Antigo na quarta-feira de cinzas (bacalhau, pra quem não sabe, é uma denominação nova para os blocos que saem na quarta-feira à semelhança do Bacalhau do Batata, famosa troça de Olinda).

Hoje, existem cerca de 30 blocos líricos responsáveis pela preservação de uma das mais belas e autênticas manifestações culturais do Estado de Pernambuco.

“Na madrugada do terceiro dia
Chega a tristeza
Vai embora a alegria
Os foliões vão regressando
E o nosso frevo, diz adeus à folia

A noite morre, o sol vem chegando
E a tristeza vai aumentando
A gente sente uma saudade sem igual
Que só termina
Com um novo carnaval.”
(Terceiro Dia, de José Menezes e Geraldo Costa)

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