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BOX DE THIAGO MARQUES "100 ANOS DE GONZAGÃO"

Capa do Box
A produção de Thiago Marques em homenagem a Luiz Gonzaga
1
Abílio Neto · Recife, PE
20/7/2012 · 11 · 4
 

Acabei de ouvir os três discos do Box 100 anos de Gonzagão, produzido pelo Thiago Marques. O invólucro do produto é lindo demais. Tem até cara de presente! Há belas fotografias de Luiz Gonzaga jovem e madurão. Enfim, no que concerne à arte gráfica, o Box é um verdadeiro mimo!

Quanto ao miolo da caixa, você irá ouvir Luiz Gonzaga vestido de século XXI. Estão de parabéns todos os músicos participantes, assim como o arranjador e músico Rovilson Pascoal.

Acho que homenagem se faz assim: chamando para cantar as coisas de Luiz Gonzaga gente veterana, da geração filhos do Rei do Baião, mesclada com a geração de seus netos, que são esses jovens talentosos dos quais alguns eu nunca tinha ouvido falar.

De início, confesso que estranhei no 1º CD intitulado “Sertão”, a ausência de qualquer composição do saudoso poeta Zé Marcolino. Isso só vem confirmar a minha tese de que ele era tão essencialmente sertanejo que ainda não foi compreendido ou assimilado pelos grandes centros urbanos do país, como foram Humberto Teixeira e Zé Dantas.

As interpretações musicais contidas nesse Box são surpreendentes porque de quem se esperava muito, há às vezes tão somente o trivial feijão com arroz, e em quem você não apostaria quantia significante, o artista arrasou. Mas é muito difícil fazer um disco igual quando há tantos intérpretes envolvidos no projeto. Devo acrescentar apenas que os jovens se saíram bem melhor do que os veteranos. Decepções? Apenas duas, as quais eu prefiro não dar nomes.

Do primeiro disco, o já citado "Sertão", gostei demais de Geraldo Azevedo em “Estrada de Canindé”; Amelinha em “Légua Tirana”; Cida Moreira em “Acauã”; Daniel Gonzaga em “Juazeiro”; Chico César em “Pau de Arara”; Guadalupe e Liv Moraes em “Ave Maria Sertaneja”; e “Noites Brasileiras” com uma interpretação muito emocionada de Gonzaga Leal.

O 2º CD, chamado Xamego, o meu preferido, abre de cara com uma interpretação surpreendente e primorosa de Filipe Catto em “A Sorte É Cega” do poeta Luiz Guimarães. Logo em seguida vem Ylana Queiroga com “Orélia”. Pode fazer uma declaração de amor aqui e agora? E mais surpresas: O Forró In The Dark arrasando em “O Cheiro da Carolina”, Karina Buhr dando um banho em “Xanduzinha” e Thaís Gulin, a namorada do Chico, com nota máxima se não fosse o tropeço na letra de “Balance Eu”. Até a Gaby Amarantos surpreende em “Cintura Fina”. Jussara Silveira em “Sabiá” e Verônica Ferriani em “A letra I” se saíram muito bem! Vânia Bastos em “Olha pro Céu” e Célia em “Roendo Unha”, estão maravilhosas. E fechando esse CD, Maria Creuza deu tudo que dela se esperava numa interpretação genial de “Dúvida”, talvez a melodia mais linda de Luiz Gonzaga.

O 3º CD, intitulado Baião, começa em grande estilo com Wanderléa cantando a música de mesmo nome. Seu Domingos canta “Daquele Jeito” com a competência que lhe é peculiar. Surgiu uma desconhecida (para mim) chamada Milena que fez um deslumbramento de “Dezessete Légua e Meia”. O “ABC do Sertão” e o “Forró no Escuro” com Virgínia Rosa e Simoninha, respectivamente, ficaram assanhando a boiada para o veterano Edy Star e a Banda Monomotor arrombarem de vez a cerca com “Dezessete e Setecentos/Calango da Lacraia/ O Torrado”. China em “Siri Jogando Bola”, Ela em “Deixa a Tanga Voar”, e 5 a Seco em “Derramaro o Gai” estão de lascar o cano! E para fechar com chave de ouro veio o grupo norte-americano Nation Beat fazendo uma grande festa para “Madame Baião”.

A caixa de Thiago Marques deixou Luiz Gonzaga mais universal do que nunca. Se a música dele hoje seria classificada como regional, esses três discos o colocam na MPB, no pop rock, no baião, xote e ritmos do Nordeste em geral, que é a sua origem. Porém o melhor de tudo é que “Seu Luiz” saiu definitivamente dos guetos para ganhar o mundo. Parabéns a todos que participaram desse grandioso projeto!

Como eu não sei utilizar espaço digital para divulgar música sem colocar pelo menos uma para audição, cliquem aqui para ouvir a bela interpretação de Filipe Catto em “A Sorte É Cega”. Sem direito a download, gente!

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Jorge Macedo
 

Parabéns a você Abílio Neto pela abordagem do tema e ao Thiago Marques pela excelente homenagem ao nosso Rei do Baião!

Jorge Macedo · Recife, PE 22/7/2012 12:37
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Abílio Neto
 

Caro Jorge Macedo, o Thiago das coisas. Ele revisitou muito bem a obra de Luiz Gonzaga, desde a década de 40 até a de 70, que foram as mais ricas, artisticamente falando, do nosso Rei do Baião. Obrigado!

Abílio Neto · Recife, PE 22/7/2012 13:45
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Kixaba
 

Valeu a dica, vou adquirir essa caixa.

Kixaba · Recife, PE 23/7/2012 09:25
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Zezito de Oliveira
 

Abilio,

Na semana passada recebi informações sobre esta caixa. Durante a semana li duas resenhas que fazia referências negativas e positivas.
Entretanto, gostei bastante da sua, porque complementa o que faltou nas outras resenhas que li.
Abraço,

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE 29/7/2012 14:45
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