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“Cantigas do Sol ou Dom Quixote de Cordel "

Tribuna do Norte

“Cantigas do Sol ou Dom Quixote de Cordel - um Tributo a Luiz Gonzaga"

Brilha no céu o planeta Marte, Júpiter para depois reinar soberana a estrela da manhã - a estrela D´alva. No teatro Alberto Maranhão um grande tributo a Luiz Lua Gonzaga. O grande rapsodo da epopéia nordestina. O Dom Quixote é o vaqueiro apaixonado por sua rosinha. Da região da Mancha em Espanha para o sertão exsicado do nordeste brasileiro. Ninguém melhor que Luiz Gonzaga cantou as nossas mazelas, retiradas e fomes inclementes de se arretirá ou se arretar com a santa gulosa que come a farinha sagrada.
Uma ópera nordestina cujo libreto são as canções populares e as gestas dos vaqueiros e cangaceiros. Portinari e J. Borges são citados. Zé do Norte, Catulo da Paixão Cearense e o grande homenageado: Luiz Lua Gonzaga. São Jorge na Lua fazendo ciúmes. “Lua bonita / se tu não fosses casada / Eu preparava uma escada / Pra ir no céu te buscar... Lua bonita / Me faz aborrecimento / Ver São Jorge no jumento / Pisando no teu clarão...”
Um pequeno conjunto acompanha ao vivo a saga da companhia teatral pernambucana. A sanfona, guitarra e percussão fazem a cozinha de um belo espetáculo de vozes cores, danças e ritmos. O grande repertório do Gonzaga é lembrado até mesmo em canções pouco tocadas. Uma platéia diminuta para minha tristeza e espetáculo tão grandioso. Presente, um grande estudioso de Luiz Gonzaga, o amigo mossoroense Kyldemir.
Belos figurinos que contam nossas histórias. Nossa saga. E as pessoas na sala vendo bobagens. Luiz Gonzaga é o sertão. Assim como Euclides da Cunha, ele mostrou o sertão para os Brasileiros. Com o grande Zé Dantas ele compõs o nosso ABC: Lá no meu sertão / Pros caboclo lê / Tem qui aprendê / Um outro ABC / O jota é ji / E o éle é lê / O ésse é si / Mas o erre / Tem nome de rê / Até o ypsilon / Lá é pissilone / O ême é me / O éfe é fé / O gê chama-se guê / Na escola é engraçado / Ouvir-se tanto ê / A BÊ CÊ DÊ FÊ GUÊ LÊ MÊ NÊ PÊ QUÊ RÊ TÊ VÊ e ZÊ.
De repente a quadra inclemente do polígono das secas faz brotar uma flor de Mandacarú. O nordestino reza em grandes e pungentes ladainhas, Espera, espera... . A Sudene foi uma esperança. Paulo Afonso, também. A água que falta está na fazenda dos coronéis e políticos. Melhor virar cangaceiro. Sim, eu sei que você conhece essa historia e “ O sertão está em toda parte”. Mas não deixe de prestigiar o belo espetáculo da troupe nordestina “Cantigas do Sol ou Dom Quixote de Cordel - um Tributo a Luiz Gonzaga". Um grande tributo aos quixotes nordestinos. Ninguém é mais bela que a minha Rosinha. Belo espetáculo. Parabéns. Eu sei das dificuldades....

João da Mata Costa

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