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Eu comi cocô de rato, e você?

Tetê Oliveira
Pra quem não conhece, eis a pipoca de arroz, mais conhecida como cocô de rato.
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Tetê Oliveira · Nova Iguaçu, RJ
4/10/2007 · 257 · 27
 

Na minha infância, uma vez por ano, eu comia muito cocô de rato. E suspiro, e maria mole, e peito de moça, e doce de abóbora – em formato de coração, durinho por fora e molenga por dentro... Guloseimas típicas dos saquinhos de São Cosme e São Damião – que quase não se encontram à venda no resto do ano! -, que todo dia 27 de setembro, eu e milhares de crianças disputávamos pelas ruas do meu bairro. Tempos felizes de uma tradição brasileira que parece estar morrendo.

Durante muitos anos, eu integrei um “arrastão festivo e infantil”, que não assustava a ninguém, na busca por doces. Éramos todos coleguinhas, irmãos, vizinhos. Nas mãos, sacolas plásticas para guardar o maior número possível dos saquinhos de papel, predominantemente verdes e com a estampa de Cosme e Damião. Naqueles tempos, não havia ainda saquinhos plásticos. E todos tinham o mesmo tamanho. Quando a sacola enchia, era hora de fazer um pit stop em casa – e despejar o conteúdo em bacias ou panelas. No final do dia, geralmente, eu e minha irmã Sandra tínhamos duas vasilhas cheias de guloseimas, cada uma. E separávamos os preferidos para consumo mais imediato – no meu caso, além dos que citei acima, ainda tinham os pirulitos, a geléia de duas cores (amarela e vermelha) e com cobertura de açúcar, e muitas balas, como Juquinha e 7 Belo. Estoque garantido pra semana inteira. E, não raro, no final ainda jogávamos doces fora.

Por muito tempo, meus pais distribuíram doces. Primeiro, em cumprimento a uma promessa de minha mãe. Depois, só pela tradição mesmo. Montávamos os saquinhos na véspera, geralmente. Nos anos iniciais, minha mãe também preparava uma mesa, com pratinhos de canjica e de doces, para sete crianças. Todas até 7 anos de idade. Era uma festa! E, na hora de dar os doces, um alvoroço só no portão de casa. Era só juntar duas ou três crianças para chegar, sabe-se lá de onde e como tão rapidamente, um bando de pequeninos de todas as idades, alguns de colo ainda, carregadas por suas mães ou irmãs mais velhas, algumas grávidas. E suas mãos disputavam freneticamente os saquinhos. Quase sempre havia mais crianças do que saquinhos. E ainda tinham os espertos que queriam – e, às vezes, conseguiam – pegar mais de um.

Na tentativa de driblar essa esperteza da garotada e também evitar a decepção de alguns que saíam sem os saquinhos, tinha gente que optava (e acredito que ainda há quem o faça) por distribuir cartões de véspera. Cada cartão, um saquinho. Mas qual o quê? Na hora da distribuição, sempre aparecia criança de última hora e sem o tão cobiçado vale-guloseimas! Dificilmente sobravam doces.

Foi exatamente num ano em que sobraram saquinhos em minha casa que percebi que a tradição de São Cosme e São Damião sofrera um baque. Na época, meu pai passara a distribuir os saquinhos, que não eram tantos, somente entre filhos dos vizinhos – muitos dos quais cresceram disputando as guloseimas comigo e no nosso portão. Batia de porta em porta, numa entrega de saquinhos em domicílio! E, como disse, chegou um tempo em que ele voltou, triste, para casa com a sacola ainda cheia de doces. A maioria dos vizinhos recusara as guloseimas, porque havia se convertido a uma religião evangélica, contrária à distribuição dos doces de Cosme e Damião. Depois disso, acho que nunca mais comemoramos o 27 de setembro com doces na minha casa.

Sinceramente, não vejo o costume de dar doces de Cosme e Damião sob o ponto de vista religioso. Muito embora saiba que a festa está muito ligada à Igreja Católica e aos cultos afro-brasileiros, como a Umbanda e o Candomblé. Mas, pra mim, o que mais importa é a tradição. Vejo-a como parte do folclore nacional. Como uma festa que deve ser preservada. Um halloween tupiniquim, no melhor sentido da expressão. Cultura típica brasileira!

E por vê-la como cultura, e sob ameaça, propus no Fórum, há algum tempo, uma pauta coletiva no Overmundo sobre essa tradição, mostrando as particularidades de cada região do país. Lá soube pelo Benny Franklin, por exemplo, que no Pará se distribui bombons. Já a Crispinga lembrou que muitos motoristas saem distribuindo doces pelas ruas da Zona Sul do Rio e também há quem prefira concentrar a ação em orfanatos. Já o Humberto Firmo, de Brasília, contou que por lá havia o costume de se pintar os dedinhos das crianças, para evitar que elas tentassem ganhar mais de um saquinho – algo que nunca ouvi falar antes! São tantas curiosidades Brasil a fora. Tomara que possamos registrá-las por aqui. Já há pelo menos dois textos: o Viktor Chagas, do Rio, escreveu sobre a procura por doces em seu prédio e a Priscila Silva, de Aracaju, nos trouxe informações sobre a história dos santos, a tradição no Candomblé e na Umbanda, principalmente na Bahia, onde é costume comer caruru, além dos doces.

E no dia 27 passado saí pelas ruas, numa tentaiva de registrar a tradição aqui na Baixada Fluminense. Na minha rua, não vi nenhum movimento especial. Numa das maiores distribuidoras de doces do centro de Nova Iguaçu, o movimento era fraco. “Antigamente a loja ficava lotada nessa época de Cosme e Damião. Esse ano, não vi diferença alguma dos outros dias. Ainda tem um ou outro freguês que compra mais doces para distribuir, mas pra mim essa tradição acabou”, afirma Telmo Martins, um dos sócios da Distribuidora Parada. Para ele, a razão principal é a falta de dinheiro do povo. Também há muitas pessoas que mudaram o calendário: preferem dar doces no Dia das Crianças, 12 de outubro.

Na loja, de carrinho cheio, a cabeleireira Sandra Maria de Almeida alimenta minhas esperanças de que a tradição não se perca. “Esse ano vou distribuir uns 500 saquinhos. Já teve ano em que dei dois mil. É uma tradição que mantenho há 16 anos”, diz ela, que mora na Suíça, mas a família reside em Santa Rita, um bairro pobre de Nova Iguaçu. Segundo Sandra, a festa ainda é forte na sua rua (Infelizmente, não pude assistir à festa lá!). E, mesmo quando não pode vir ao Brasil, não deixa as crianças na mão: sua família faz a distribuição de doces por ela. Mas se tem costume, então por que está comprando tudo em cima da hora? “Ah, eu já tenho um monte de saquinhos lá em casa. Eu distribuí cartões, mas sei que sempre aparece mais crianças. Por isso, vim comprar mais doces”, explica, empurrando o carrinho de supermercado cheio de caixas de cocada, pé-de-moleque, maria mole e, é claro, cocô de rato – ou melhor, pipoca de arroz, em saquinhos de 2g.

Você já experimentou cocô de rato? Tomara que sim. Eu não resisto, e após tirar a foto principal dessa página, mato as saudades dos meus bons tempos de criança!

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Benny Franklin
 

Tetê, Salve!

Este seu irreparável texto sobre a Festa de Cosme e Damião,
para mim, é curisoso e necessário. Saber das tradições de tantos lugares do Brasil, de como é festejado este delicioso dia,
é qualquer coisa de fantástico. Parabéns!
Só assim, fico sabendo as fórmulas populares de como festejar esta data:
Se comendo as guloseimas cariocas, ou se comendo
as paulistas, ou distribuindo bombons de cupuaçú e castanha-do-pará às crianças de todo o País.

Ah! Se permite dizer-lhe:
Neste exato momento acabo de comer mais um bombom de açaí.

Abraços,
Benny Franklin.

Benny Franklin · Belém, PA 2/10/2007 00:20
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FILIPE MAMEDE
 

Tetê, o título é de uma inventividade e irreverência sem igual. O dia de São Cosme e Damião é uma data que eu não esqueço nunca. E os meninos lá do bairro faziam umas verdadeira peregrinação pelas ruas da vizinhança. Uma alegria só...
Um abraço.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 2/10/2007 09:51
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FILIPE MAMEDE
 

O tal 'peito de moça', eu conheço também como 'Teta de Nega'... muito bacana.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 2/10/2007 09:53
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Tetê Oliveira
 

Benny, isso é golpe baixo: eu comendo cocô de rato e você me fala de bombom de cupuaçu e açaí???? Oh, vida! :-)
Filipe, eu também percorria muitas ruas. Ainda hoje há quem cumpra a tradição, embora em menor número. Eu mesma não vi nenhuma criança com saquinhos de doces, por onde passei no dia 27. Só em Queimados, no dia seguinte, vi um garoto com um saquinho de Cosme e Damião no Circo Baixada. Eu abri um sorriso de orelha a orelha! Ele deve ter estranhado minha reação - ou pensado que eu queria os doces dele! :-)
Abraços.

Tetê Oliveira · Nova Iguaçu, RJ 2/10/2007 18:51
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Frazão Brother
 

Também já ganhei e já comi. Quero mais, manda pra mim (rsss).
Merecidamente Votado.

Frazão Brother · Anastácio, MS 3/10/2007 00:35
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Guilherme Mattoso
 

texto ótimo tetê!
eu também já comi muito cocozinho-de-rato! nesse último dia 27 fiquei lembrando com o pessoal do trabalho dos doces que vinham e falamos também do peito-de-moça, coração de doce de abóbora... abaixo listo outros que vc deve se recordar tb:

guarda-chuva de chocolate;
doce de amendoim;
sachê de doce-de-leite (chup-chup);
um doce bicolor (vermelho e branco) em formato de barra retangular polvilhado de açúcar cristal, meio gelatinoso... não lembro o nome desse!

tinham também aqueles saquinhos de são cosme e damião mais "de patrão" com batom da garoto, sonho de valsa, halls... mas eu ainda prefero os clássicos!

Guilherme Mattoso · Niterói, RJ 3/10/2007 09:26
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Guilherme Mattoso
 

agora que vi a "geléia" na primeira foto! é esse o doce que falei no recado acima! hahaha

Guilherme Mattoso · Niterói, RJ 3/10/2007 09:29
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Maíra Fernandes de Melo
 

Nossa, eu comi muito cocô de rato!!! e ainda como, na verdade. Engraçado que em vários comentários (os do tópico anterior, que gerou esse) vocês disseram que não vêem mais essa tradição, mas eu, que moro em plena Zona Sul do Rio, onde em tese esse tipo de tradição já poderia ter morrido, diante do peso da metrópole etc etc, continuo comendo cocô de rato... Semana passada vi várias crianças na rua com saquinhos - e de papel! Talvez não seja mais um "bater de porta em porta", mas muita gente que eu conheço ainda faz e recebe doces nessa data. Minha mãe sempre fez, e continua fazendo. Também faz parte das minhas lembranças de infância a preparação dos saquinhos, eu e meu irmão sentados na sala na véspera, fazendo a distribuição e comendo paçocas e pés-de-moleque. Nas escolas muitos professores e alunos levam doces de São Cosme e São Damião; mesmo no trabalho, onde já não há mais crianças, imagina, ninguém nem cogita ficar sem! Nos prédios, ruas, condomínios, sempre vejo doces nessa data. Acho que é só uma questão de "mudança na configuração" da tradição, e não o fim dela... Graças a deus!
Beijos a todos.

Maíra Fernandes de Melo · Rio de Janeiro, RJ 3/10/2007 11:12
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Tetê Oliveira
 

Guilherme, Frazão e Maíra, acho que vamos formar um belo time de comedores de cocô de rato... Que bom! :-)
Frazão, nem me fale em quero mais. Eu comprei um pacote com 50 saquinhos pra fazer a foto e agora tô caindo em tentação aqui com essas pipoquinhas!
Guilherme, o guarda-chuva de chocolate e o doce de amendoim também eram bem legais, né? Agora, esses saquinhos chiques - batom, sonho de valsa etc. -, só por Niterói mesmo e são mais recentes. Nos meus tempos de criança, rolava no máximo um chiclete. Mas, como você, nessa época do ano eu gosto mesmo é dos doces tradicionais, que a gente quase não encontra mais. O que é a maria mole? Hummm...
Maíra, seu comentário me deixou super feliz. Sempre soube que na Zona Sul a distribuição era diferente - mais direcionada pra alguns espaços, como escolas e orfanatos, ou como disse a Crispinga, feita por motoristas nas ruas.
Aqui pela Baixada ainda tem crianças correndo, mas, em comparação com alguns anos atrás, caiu muito o movimento. No meu bairro, infelizmente não vi nada! Tomara que a tradição não se perca mesmo. Acho uma festa tão legal... Uma das ótimas lembranças que guardo da minha infância.
Beijos.

Tetê Oliveira · Nova Iguaçu, RJ 3/10/2007 22:39
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Luciana Maia
 

eu percebi quando era o dia de S. Cosme e Damião quando entrei no ônibus e a trocadora comentou com uma amiga do lado de fora, antes do ônibus partir: "minha sacola tá cheia!", quando olho para o canto, ao lado da cadeira da trocadora, uma sacola cheia de doces. Daí não achei nada demais. Mas aí começa a entrar um monte de pré-adolescentes com guloseimas nas mãos e então vi o desenho dos santos... "ah, tá..." - pensei eu. Mas foi a única cena que presenciei por todo o dia sobre doces cidade afora, ou eu que sou desligada demais. A tradição está terminando mesmo.
Ah. Pé-de-moleque é que é bom! bjos :P

Luciana Maia · Rio de Janeiro, RJ 4/10/2007 20:13
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Priscila Silva
 

Tetê, excelente texto! Concordo contigo, não sei por qual motivo essa festa tão rica em cultura está desaparecendo. Pelo menos na minha família, que é de origem baiana, resgatamos sempre esse dia tão importante que é o dia 27 de setembro e realizamos o nosso caruru de todos os anos, minha mãe é devota de São Cosme e Damião e acho isso tudo muito belo. Para mim, toda e qualquer manifestação cultural é válida e deve ser respeitada...Triste daquele que coloca sua religião como centro de tudo, acaba esquecendo que o que move a religião não é sua devoção ao extremo mas sim a sua força de pensar e agir na sociedade de forma que aceite as diferenças.
Obrigada por citar também a minha matéria sobre o Caruru de Dona Delci.

ps: parabéns. Li, gostei e votei

Um abraço,
Priscila.

Priscila Silva · Serra, ES 4/10/2007 23:29
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Ériton Berçaco
 

Olá Tetê,
estou com um texto também no Overblog, sobre Folias de Reis, e por este motivo, estou lendo o seu.
E posso lhe adiantar q muito dessa bela tradição de Cosme e Damião tem se perdido devido ao grande número de convertidos a crenças evangélicas. Logo aqui no Brasil, que o sincretismo religioso é algo quase q natural.
Em Muqui, ES, ainda há quem distribua doces e, aqui, é muito parecido com o que li no seu texto. São balas, pirulitos, pipoca, mariola, etc. Tem escolas públicas q organizam a distribuição de doces em seu próprio estabelecimento.
Tambpem conheço gente, como algumas rezadeiras, q ainda mantêm a tradição.
Belo texto e bom resgate!
Abraços

Ériton Berçaco · Muqui, ES 4/10/2007 23:58
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Elizete Vasconcelos Arantes Filha
 

Tête.
E quem não comeu? Os nomes se sofisticaram e outro tipo de doces surgiram , mas, acredito que esta tradição ainda continua. Aqui é comum nesse dia as pessas pagarem suas promessas levando doces, cestas básicas e brinquedos para as crianças mais pobres.
(Não fui convidada mais tomei a liberdade de também opinar e mandar meu recadinho, por ser uma mulher inteligente e portanto, um ser pensante) rss.
Elizete

Elizete Vasconcelos Arantes Filha · Natal, RN 5/10/2007 04:51
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Elizete Vasconcelos Arantes Filha
 

Em tempo. Aqui as pessoas pagam as promessa levando doces ( comerciantes, professores e todo tipo de profissional).
Elizete

Elizete Vasconcelos Arantes Filha · Natal, RN 5/10/2007 04:53
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crispinga
 

Tetê,
Tenho que te confessar, como cocozinho de rato, maria-mole, paçoca, doce de abóbora, de batata...O ano inteiro...Tem um português perto de onde moro que entende como ninguém dessas guloseimas!
BJS
CRIS

crispinga · Nova Friburgo, RJ 5/10/2007 05:35
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Tetê Oliveira
 

Luciana, essa trocadora é uma felizarda, hein? Deve ter feito a festa em casa com as crianças!
Priscila, muito legal que sua família mantém a tradição. E, sem querer entrar no mérito da religião, concordo com você sobre a importância de respeitarmos as diferenças e agirmos da melhor forma para convivermos em sociedade.
Quanto ao seu texto, ele enriqueceu essa discussão sobre o tema - o Viktor Chagas e o Aldo Votto o sugeriram no tópico do Observatório em que propus a pauta coletiva. Não há o que agradecer,a cho que sempre que possível devemos fazer essa ligação com o rico material que já dispomos aqui no Overmundo.
Ériton, muito obrigada. Ainda não tive oportunidade de ler seu texto, pois estou enrolada esses dias com o trabalho (mas pretendo fazê-lo ainda hoje!). Mas tenho o maior interesse em conhecer um pouco mais sobre a Folia de Reis em diferentes partes do país. Aqui na Baixada há grupos que mantêm essa tradição também. ainda não os contatei ou assisti à festa, mas imagino que seja muito legal. No Rio, sei que tem grupos em diferentes favelas que cumprem o cortejo todos os anos.
Elizete, legal saber que em Natal ainda há esse movimento no dia 27. Quanto a "não ter sido convidada", imagine! Você e todos os overmanos são super bem-vindos aqui pra dar sua opinião. É
Na verdade, eu não tenho o hábito de enviar recados pra galera avisando quando posto meus textos. Prefiro que as pessoas os descubram por afinidade com o tema, curiosidade pelo título... Caso contrário, as pessoas poderiam sentir-se obrigadas a lê-los, e não acredito que esse seja o espírito do site. É um pensamento meu, pessoal, não critico quem o faça. Às vezes, abro exceções. Por exemplo: desta vez, avisei a overmanos que participaram do debate sobre o tema no Observatório e demonstraram interesse em participar da pauta coletiva ou deram idéias pro texto.
Cris, você é uma sortuda com esse vizinho português, hein? Mas do jeito que sou "formiguinha", melhor ele ficar longe de mim... Ou vou virar um doce de abóbora, bem redondinho! :-)
Beijos a todos.

Tetê Oliveira · Nova Iguaçu, RJ 5/10/2007 09:45
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Tetê Oliveira
 

Ops, Elizete, ficou um "É" perdido no meu comentário anterior... :-)
E Cris, linda, o negrito não apareceu no seu nome! Fica aqui em destaque duplo: Cris - você merece!!!
Beijos.

Tetê Oliveira · Nova Iguaçu, RJ 5/10/2007 10:12
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Luiz Antonio Cavalheiro
 

Ai, Ai... Tetê! Você acredita que estou chorando?
Que baita saudade você me fez ter desse tempo doce... Também comi cocô de rato e se tivesse um pouquinho aqui do meu lado agora trocaria por qualquer coisa desse mundo!
As suas lembranças são muito parecidas com as minhas. Também saía pelas ruas à procura dos doces tão ansiosamente desejados. Em casa, enchíamos as bacias e ainda disputávamos quem tinha a esperteza de ganhar mais doces. Coisa de criança!
No dia 27, passei pela ruas da cidade e vi um pequeno grupo de crianças com sacolas vazias. Mal sinal. Depois ouvi um comentário de que a festa está realmente acabando e os tempos são outros... Uma pena!
Também soube nesse dia que uma criança foi proibida de comer doces dados por uma senhora espírita. Mais tristeza por causa da imbecilidade...
Ainda o que salvou o dia, foi escutar os fogos no centro de candomblé que existe próximo ao meu bairro. Lá havia festa! Doces! E , principalmente, crianças felizes com a distribuição deles.

Obrigado por esse belo texto e pela emoção que em mim causou.

Beijos dulcíssimos minha querida!

Luiz Antonio Cavalheiro · Cordeiro, RJ 5/10/2007 11:42
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Sinvaline
 

Parabens Tetê, nao conhecia sobre essa festa, otimo, ótimo. Votado

bjs
sinvaline

Sinvaline · Uruaçu, GO 5/10/2007 13:01
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Jornalista81
 

Gostei muito do texto! Gostei especialmente do estilo meio literário, narrado em primeira pessoa. Excelente. Só o título que parece meio apelativo, mas enfim.

Jornalista81 · Brasília, DF 5/10/2007 15:33
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Agente Laranja
 

Olha , sou de Nova Iguaçu, e provavelmente a Tetê, deve idade proxima a minha (40 anos). E lembro dos dias que éram longos e asnoites éram mais escuras. Pois iluminação publica nao existia. Realmente tinhamos mais responsabildiade, pois dormiamos cedoe e acordava-mos cedo para estudar, brincar e viver. Nao tinha Internet, video-games e TV éra só para assistir Capitao ASA ou vila sesamos. Os odores deste tempo ainda trago em meus pulmões. Pois éram odores de felicidades. Violencia, éra caso de policia, infelizmente hoje a policia é caso de violencia. Tudo se inverteu. Quando se fala em Cosme e Damião, lembro dos garotos e garotasm correndo junto, brincando junto e vivendo junto. Hoje tem que se falar em acabar com a discriminação. HAHAHAHA. Nós, nao discriminava-mos ninguem, todos naqueles momentos éram iguais.
Minha mãe, doceira de mao cheia, fazia os doces, para colocar no saquinho. Tudo com muito carinho, para deixar todos felizes.
O problema que trocamos por "doces ou travessuras", o Cosme Damião americano. E assim se fazem as travessuras da vida.
Para voltarmos a sentir o cheiro destas felicidades, basta apenas fechar os olhos, e se transportar para um bairro, e ver muitas crianças, brincando de queimada, bandeirinha, garrafão, carniça e aí se vai. infelizmente tem que abrir os olhos e enchergar meu filho trancado dentro de casa, em frente ao computador, pois o Pai dele fez o mesmo, envelheceu !!!. Quer dizer, estamos envelhecendo as nossas crianças.
Em fim, Tetê, acho que este tópico, que é um simples Tópico, é um dos mais pensativos, que faz avaliar os novos e nossos conceitos sobre sobrevivencia na sociedade.

Gde abraço .:

Agente Laranja · Nova Iguaçu, RJ 5/10/2007 15:40
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Tetê Oliveira
 

Cavalheiro, menino, só pela emoção que o texto lhe proporcionou já valeu muito. Eu é que lhe agradeço por compartilhá-lo comigo. Saiba que fiquei com uma vontade danada de lhe enviar uns saquinhos de cocô de rato... :-)
Sinvaline, não existe essa tradição por aí em Uruaçu? Nem em Goiás? Interessante como pelo Overmundo vamos descobrindo cada vez mais um pouquinho desse nosso Brasilzão. Isso é muito legal!
Jornalistas, muito obrigada pela crítica. A idéia do texto era exatamente essa: um relato bem pessoal. Quanto ao título, eu busquei algo leve, infantil, como uma brincadeira mesmo... No espírito daquela menininha que corria atrás dos doces. Se o tivesse escrito como jornalista, até concordaria com você... :-)
Beijos a todos.

Tetê Oliveira · Nova Iguaçu, RJ 5/10/2007 15:44
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Bruna Célia
 

Tetê, há muitos dias não tenho tido tempo de ler os textos do overmundo. Hoje, aqui no Tocantins, é feriado estadual (criação do Estado). E por mais que eu já tenha ido trabalhar no jornal hoje cedo, agora à tarde pude dar uma olhadinha nos textos por aqui. E não é que adorei encontrar o seu na página principal?
Amei o título. Na verdade fiquei com nojo, pois nunca tinha ouvido falar nesse nome "cocô de rato", aqui chamamos de arroz doce, rs.
Mas fiquei triste ao ouvir sobre Cosme e Damião. Eu nunca participei da busca aos doces! Uma pena... Passei toda minha infância em Goiânia -Go, e por lá essa tradição já deve ter morrido há mais de 20 anos... Acredita que vim saber desse costume há mais ou menos um ano? Incrível.
Parabéns por ter divulgado essa tradição, assim ela nunca morrerá, pois te garanto, ano que vem vou distribuir doces em alguma creche e antes explicarei sobre a tradição.

Abraços!!!!!!!

Bruna Célia · Goiânia, GO 5/10/2007 17:07
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Adilson Sarti
 

Oi Tetê,
Que coisa linda esse texto!
Você me fez correr atrás dos meus doces... de novo!
Parabéns!
Abração

Adilson Sarti · Duque de Caxias, RJ 5/10/2007 19:18
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Tetê Oliveira
 

Agente Laranja, eu brinquei muito de bandeirinha, queimada, pique-lateiro... Hoje, muito de vez em quando, ainda rola uma brincadeira assim na minha rua.
O que vc diz é o que se convencionou dizer "sinal dos tempos", infelizmente um sinal nem sempre positivo. Nossa sorte é que ainda temos lembranças doces como essa de Cosme e Damião.
Bruna, arroz doce? Que legal!
que coisa, né, Gíás não ter essa tradição... vi isso pelo comentário da Sinvaline tb. Olha, fico super feliz de ver que vc se animou a dar doces e participar da festa em 2008. Acho que tb vou fazer isso. Esse texto e a resposta de vcs têm me animado muito a isso.
Adilson, muito obrigada. Eu tb voltei a ser criança por um tempinho, graças a Cosme e Damião!
Beijos carinhosos.

Tetê Oliveira · Nova Iguaçu, RJ 5/10/2007 23:49
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sandra vi
 

gostosos demais.... o texto e os sabores
meu pai era católico fervoroso mas a mãe evangélica rsrsrs - ele nos deixou na religião dela dizendo ser mais rígida para nos criar.... eu passei o tempo lutando pra curtir o que a criançada da rua e do bairro faziam, algumas eu consegui já o são cosme e as festas de quadrilha ... foram quase impossíveis ... no bairro da escola do meu filho a igreja de são judas é forte e talvez por isso as crianças ainda ganham os doces, de casa em casa.
falando em doces e em lembranças ... quando estava grávida fiz minha mãe mandar daqui de petrópolis, para campo grande ms!! uma caixa com 48 peitinhos de moça que foram barbaramente devorados rsrsrsrs no calor do cerrado
abs melados

sandra vi · Petrópolis, RJ 6/10/2007 05:48
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rivani
 

pessoal, me informa algum site onde eu possa comprar essa pipoquinha coco de rato

rivani · Serra, ES 19/8/2013 08:29
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