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Festival Varadouro no Acre: Independência ou Norte

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Palco Cachoeira
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PauloZab · Macapá, AP
27/10/2006 · 153 · 5
 

O II Festival Varadouro iniciou no dia 20/10. Cheguei na madrugada do mesmo dia e sem ainda ter me adaptado ao fuso-horário de duas horas já fomos até a rádio do Governo do Estado. Essa rádio tem ótimas programações. Tivemos a oportunidade de escutar Superguides, The Smiths, Joy Division e muitas outras bandas legais. Gostei muito da iniciativa e da estrutura do estúdio de rádio e televisão. Sei que este projeto talvez não seja novidade para outras cidades, mas adoraria se já tivesse uma dessas em Macapá.

Concedemos uma entrevista à rádio. Quem falou foi o Fernando Rosa da Senhor F de Brasília, o cartunista Pedro Luna do Rio de Janeiro e eu (Paulo Zab rs). A idéia era fazer um balanço parcial do Festival Varadouro e do avanço da música independente na Amazônia. Fernando falou de sua coletânea que reunirá bandas da Amazônia, Pedro falou de sua produção no Rio (de Janeiro) e seu Araribóia Zine (do Movimento Araribóia Rock) e eu falei da cena no Amapá e do exemplo que o Festival Varadouro estava dando para a região. Conversamos coletivamente para falar de música de forma descontraída. Nos intervalos o apresentador e baterista da Los Porongas, Jorge Anzol, nos mostrou fotos memoráveis do Rock na cidade. Muito legal.

À tarde tivemos a discussão sobre A política da Nova Música Brasileira, mediada por Daniel Zen (Catraia Records) e teve como debatedores Fabrício Nobre, Presidente da Abrafin; Pablo Capilé, articulador do Circuito Fora do Eixo; Fernando Rosa, da Senhor F, Assis Pereira, presidente da fundação estadual de cultura e o Vereador de Rio Branco, Marcio Batista. As falas foram no sentido de fazer um balanço positivo da cena independente no Brasil. O Representante da Fundação de Apoio a Cultura, do Estado manifestou sua satisfação com o festival e sua importância no processo de valorização cultural da região Norte, além de ter se comprometido com mais quatro anos de Festival devido à vitória do atual Governo nas Eleições. Olha que vamos cobrar, hein tio?

À noite o pau começou a comer. A organização escolheu casa de shows Mamão Café para as apresentações. A estrutura do espaço deu um clima muito bom ao ambiente e sua equipe não pecou. Dois palcos, o Cachoeira e o Bom Destino, se intercalaram para as apresentações dos dois dias sem deixar os ouvidos esfriarem.

Quem abriu foi a Banda Gogó de Sola (AC) uma apresentação que junta elementos do Rock com a leveza da música Amazônia. A cantora Kelen Mendes, que já formou várias bandas no Acre, fez o vocal.

A segunda atração da noite também era do Acre. Mamelucos fizeram uma ótima apresentação. Eles realmente têm uma boa aceitação na cidade e a participação da lenda da cena Rock do Norte, Pia Vila, foi muito empolgante. A galera pirou o cabeção e este foi um dos momentos fortes do festival.

A Banda Ultimato (RO) também fez uma boa apresentação e sua influência de Rage Against The Machine concede à banda um caráter bastante performático no palco e um vocal destacado.

Nicles, outra banda da casa, foi uma das que mais me surpreendeu. Boas músicas acompanhadas por uma galera de pulantes e cantantes rs. Bastante original.

A apresentação do Coletivo Radio Cipó (PA) não poderia ser diferente. Eles vêm se destacando há tempos no meio independente e seu disco é bem comentado.

Depois foi hora de curtir um lance meio assim... Sem vocal, saca? Macaco Bong (MT) rodou muito esse ano. Apresentaram-se em pelo menos 8 festivais. Acredito que foi uma das bandas que mais se destacou. Dá pra ver na hora da apresentação deles o público se agitar como se deve. Um showzão que alegra até quem escuta pela primeira vez. Parabéns mais uma vez. Deixei de ser admirador e passei a ser fã.

Camundogs é a banda acreana que, depois de Los Porongas, mais rodou esse ano. Já se apresentou em Festivais importantes no país e mostra que o Estado ainda tem muitos reservas culturais e bons músicos pra mostrar para Brasil.

A seqüência do dia foi fechada com Moptop (RJ). Estava meio sem condições de avaliar a banda, mas deu pra ver que fizeram jus em fechar o primeiro dia do Festival. Acredito que a evolução do Circuito Fora do Eixo tem permitido que bandas do outro lado do país toquem no Acre mostrando que a cena está mais articulada. Isso é bom para o fomento de Estados e meios sociais mais distantes dos grandes centros.

No dia 21 à tarde, no invejável espaço da Usina de Artes João Donato, teve a apresentação Jornal Varadouro, que foi fundado em 1977 e tem seu histórico de lutas marcado pelo conflito na região pela defesa da terra e da natureza. O Jornal fechou em 1981, mas manteve seu grito presente na sociedade e em figuras como Chico Mendes.

Vimos também o vídeo que fala da historia do próprio festival, com cobertura das apresentações no Guerrilha Rock que juntou bandas do Acre e de Rondônia. Depois sobre o I Festival Varadouro. Deu pra ver a evolução que o Festival teve desde sua edição passada, os convidados, que antes não chegavam a dez, passaram para quase setenta este ano.

Depois foi aberta a mesa Usina Varadouro, arte em formação que teve como expositores da cena do Norte Marcelo Damaso (PA), Paulo Zab (AP), Wander Loghi (RR), Paulo Lins (AM), Daniel Zen (AC), Vinicius Lemos (RO) e Gustavo Andrade (TO). Cada um falou de seu Estado e suas dificuldades de integração. Rolou até uma proposta de fazer um Woodstock na Amazônia. A galera não levou muito a sério, mas quem sabe um dia amigo? rs. Após a exposição tivemos como debatedores Fabrício Nobre (Abrafin; Monstro Discos; MQN), Pablo Capilé (Espaço Cubo), Fernando Rosa (Senhor F) e Gustavo Sá (Porão do Rock). Eles deram boas propostas para o crescimento da cena através de suas experiências e prestaram apoio para ajudar a superar as nossas dificuldades coletivamente.

À noite, no Mamão Café, o palco já estava pegando fogo quando chegamos. Auttreyd (AC) mostrou que o público que gosta de peso está em toda a parte e os decibéis que a natureza produz não são suficientes para satisfazer os espíritos famintos do Death, Doom e Black Metal.

Fire Angel (AC) é uma banda muito boa de Metal, o desempenho agradou. O vocal é muito bom e o visual da banda condiz com a proposta. Não possui aquele problema de boa parte das bandas do estilo que de tanto aparato acabam ficando engraçadas ou toscas. Tenho certeza que todos que curtem Angra, Shaman e Stratovarious iriam adorar essa. Parabéns.

A atração vinda de Manaus também fez ótima apresentação. Mezatrio mostrou que está em contínuo processo de crescimento. O ponto auto da apresentação foi no momento da música Despacho, contida no single da banda, que foi cantada por várias pessoas.

Álamo Kário (AC) reafirmou sua boa aceitação do público e mostrou que as misturas nordestinas também estão presentes na música independente acreana.

Outra banda que vem agradando é Porcas Borboletas (MG) que com uma apresentação teatral e musicalmente precisa. Gosto de ver o conjunto de instrumentos e dos trechos como “é melhor dizer, amor acabou a cerveja...”.

Depois foi hora de curtir a esperada MQN (GO), ainda não havia assistido ao vivo e constatei que eles são tão bons quando no estúdio. Gostei da atitude da banda e dos recadinhos toscados. I listened what you said and I know you are wrong...

Los Porongas é a banda independente que mais vende Cd em Cuiabá. Isso significa que já estão em processo muito satisfatório de sucesso, pois sendo uma banda realmente muito firme, deve ainda trazer muita alegria para o Estado do Acre e para as pessoas que acreditam na música amazônica. Sua apresentação foi cantada pela galera presente e eu me senti feliz de ter presenciado este momento.

Walverdes (RS) fizeram um grande show e deixaram o festival com aquele gosto de saudade. Outra prova importante do intercâmbio cultural no meio independente.

Depois da festa/trabalho chegou a hora de voltar para o hotel e começar as atividades de retorno. O domingo ficou livre para conhecer a cidade, participar de um churrasco e reunir com o pessoal do Circuito. Infelizmente não deu pra ir até a Bolívia ou participar de uma sessão de Daime, mas a cidade de Rio Branco me ensinou que eu estava errado em muitas coisas. Da visão política principalmente. O povo tem consciência e identidades bem definidas. Imagino que deve ter impressionado muito mais as pessoas que não são do Norte.

Quero mais uma vez dar os parabéns a organização do Festival e dizer que esse foi um marco para a cena independente do Norte. O movimento provocado na cidade para o Festival vai fazer com que muitas bandas novas e atividades pelo entorno da música cresça e o próximo Festival Varadouro será muito aguardado.

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ronaldo lemos
 

Demorou para chegar informações sobre o festival Viradouro aqui no Overmundo. Como sempre, valeu Paulo! Antes só tinha conseguido ficar sabendo o que rolou pelo relato lá do nosso "vizinho" Lucio Ribeiro.

ronaldo lemos · Rio de Janeiro, RJ 25/10/2006 22:48
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PauloZab
 

eu também descobri que, apesar de morar na mesma região, tinha uma visão diferente do Acre.

PauloZab · Macapá, AP 28/10/2006 16:28
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Guilherme Mattoso
 

Muito bacana o texto Paulo. Estive em Rio Branco em 2002 e o circuito independente mal existia por lá. Vejo com esse festival que muita coisa mudou. Sobre o zine do Pedro de Luna, o nome certo é Araribóia Zine, que vem do movimento Araribóia Rock (http://www.arariboiarock.blogger.com.br), de Niterói. Muito bacana por sinal.

Guilherme Mattoso · Niterói, RJ 28/10/2006 17:14
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PauloZab
 

Sem contar que Pedro é uma figura. Trocamos várias experiências legais, inclusive com o ARARIBÒIA ZINE e com algumas charges que vou publicar no Blog O Contador de Histórias.

Há braços!!!

PauloZab · Macapá, AP 30/10/2006 11:52
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Walquíria Raizer
 

Veja só como esse Overmundo é um fora do eixo só!!!
PauloZab, acabo de postar uma matéria sobre a banda Camundogs!
http://www.overmundo.com.br/banco/banda-acreana-camundogs-e-destaque-no-independente
A banda, além de toda repercussão que teve nas resenhas da critica especializada como Senhorf, coluna do Finatti, do Lucio Ribeiro, do Mini da Walverdes, foi recebeu o joinha do site Trama Virtual, ficando entre as cinco a semana inteira.
Entrevistei você também, não foi? Ou será que foi a Milena?
...e a imprensa do Varadouro...
Enfim, agora que achei vc vamos conversar sobre a nossa amada cena musical amazonica.
Como se diz aqui no Acre: - Vamu messsrmo!
beijão da Overmina em Construção,
Walquíria Raizer

Walquíria Raizer · Rio de Janeiro, RJ 4/11/2006 00:14
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