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Invisibilidade social: outra forma de preconceito

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Mateus Constantino · Barrinha, SP
27/6/2007 · 119 · 3
 

Ser invisível é sofrer a indiferença, é não ter importância. Essa maneira de discriminação está cada vez mais inserida na sociedade.


Vivian Fernanda Garcia da Costa
Mateus de Lucca Constantino


A invisibilidade social é um conceito aplicado a seres socialmente invisíveis, seja pela indiferença ou pelo preconceito. No livro “Homens invisíveis: relatos de uma humilhação social”, o psicólogo Fernando Braga da Costa conseguiu comprovar a existência da invisibilidade pública, por meio de uma mudança de personalidade. Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari na Universidade de São Paulo. Segundo ele, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são “seres invisíveis, sem nome”.

Há vários fatores que podem contribuir para que essa invisibilidade ocorra: sociais, culturais, econômicos e estéticos.
De acordo com psicólogo Samuel Gachet a invisibilidade pode levar a processos depressivos, de abandono e de aceitação da condição de “ninguém”, mas também pode levar a mobilização e organização da minoria discriminada.

Massa invisível
Um dos principais causadores da invisibilidade é a questão econômica. “O sistema capitalista sobrevive sob a lei do mais valia, na qual para que um ganhe é imediatamente necessário que outro perca. Desse modo a população de baixa renda é vista como um vasto mercado consumidor, e essa é sua única forma de visibilidade”, explica Gachet.

Para a universitária Sabrina Ribeiro Rodrigues a invisibilidade não só é provocada pelo fator econômico. “A educação familiar é determinante para a maneira como as pessoas tratam o outro”, completa.

A bibliotecária Marlene Araújo acrescenta ainda que existe preconceito com as pessoas que não estão adequadas aos padrões de beleza. “Se fosse loira, alta e de olhos claros, com certeza me tratariam de outra maneira”, ressalta.

“Para mim o fator econômico não é o principal causador da invisibilidade social, e sim o status que adquirimos diante da sociedade. Se um professor de uma faculdade particular aqui do Brasil estiver em uma faculdade renomada como a de Harvard também se sentirá invisível”, explica a universitária Vanessa Evangelista.

Segundo Gachet o preconceito que gera invisibilidade se estende a tudo o que está fora dos padrões de vida das classes hierarquicamente superiores. Muitos são os indivíduos que sofrem com a invisibilidade social, como por exemplo, profissionais do sexo, pedintes, usuários de drogas, trabalhadores rurais, portadores de necessidades especiais e homossexuais.

Conseqüências
A invisibilidade social provoca sentimentos de desprezo e humilhação em indivíduos que com ela convivem. De acordo com Gachet ser invisível pode levar as pessoas a processos depressivos. “‘Aparecer’ é ser importante para a espécie humana, ser valorizado de alguma forma é parte integrante de nossa passagem pela vida, temos que ser alguém, um bom profissional, um bom estudante, um bom pai, uma boa mãe, enfim, desempenhar com louvor algum papel social”, diz.

Outra conseqüência dessa invisibilidade é a mobilização dos “invisíveis”, grupos de pessoas que se juntam para conseguir “aparecer” perante a sociedade. Muitos são os exemplos desses grupos: MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem terra), a Central Única de Favelas (CUFA), fóruns nacionais, estaduais e municipais de defesa dos direitos da criança e do adolescente. Esses grupos também podem ser encontrados no crime organizado, o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho).

A invisibilidade social já está cotidianamente estabelecida e a sociedade acostumou-se a ela, passar por um pedinte na rua ou observar uma criança “cheirando cola” em uma esquina é algo corriqueiro na vida social, segundo Gachet aceitar isso é violar os direitos humanos. “É preciso não só
ver esses invisíveis, mas é preciso olhar para eles e sentir junto com eles, é preciso ‘colocar óculos em toda humanidade’”, finaliza.

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Andre Pessego
 

Pois é Mateus, só que nada disto é novo, vai tomando as formas de cada tempo de cada época.
- O Brasil quer dar um salto na História, deixar 400 anos para tras e seguir dali. Interromper a História, não há como. Nós, o Brasil, passou pelo instituto da alforria, como que numa boa. Tolice. Ninguém fala da alforria, como se ela acabara.
- Quer se inventar nomes. para o mesmo velho problema: Escravidão Africana. Se não pagarmos a escravidão africana, não teremos saída. um ab raço, andre

Andre Pessego · São Paulo, SP 24/6/2007 21:20
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
jjLeandro
 

beleza o tema de que tratas. Tenho uma crônica aqui no Overmundo que fala justamente sobre isso é O HOMEM INVISÍVEL

ABCS

jjLeandro · Araguaína, TO 24/6/2007 22:52
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
thais aragao
 

Oi, Mateus. Tente algumas dicas e veja o que acha:

1) Pular uma linha no final dos parágrafos, para arejar a leitura;

2) Colocar em negrito os subtítulos "Massa invisível" e "Consequências", para melhor destacar do resto do texto;

3) Colocar seu nome e o da Vivian em itálico, para deixar claro que se trata da autoria.

Grande abraço!

thais aragao · Porto Alegre, RS 25/6/2007 15:31
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