Em Pleno século XXI ainda encontramos o preconceito com relação à cor. Nuhu Ayuba é nigeriano, estudante do curso de engenharia química da Universidade Federal do Maranhão; há três meses ele vem sofrendo humilhações por causa da sua “cor”.
Segundo o Jornal Pequeno Blog, Nuhu é constrangido pelo professor que promove uma perseguição que já gerou até mesmo carta baixa assinado de outros alunos que busca ajudar a Nuhu. Na carta os alunos descrevem que o professor não critica a nota de ninguém, exeto Nuhu o qual o professor anunciou a nota da forma mais agressiva possível: “você tirou uma nota péssima, você precisa voltar pra África e deveria clarear a sua cor”. Em outro trabalho novamente o professor limitou-se ao trabalho de Nuhu, fazendo chacota do seu nome falando palavrões com “no seu cú” afirmando que ele era um “péssimo aluno”.
O professor vai longe e ainda diz: “por que nós somos de um mundo diferente e diferente da África nós todos somos civilizados; com quantas onças você já brincou?”. Nuhu não retruca nem uma agressão esta psicologicamente abalo.
No Jornal Brasil TV da Rede Globo, apresentado no 05 de Junho de 2011, o professor afirma novamente de forma errônea que existe várias raças de ser humanos e se ele tivesse objetivo de humilhar o aluno Nuhu, ele teria o chamado de macaco”. Outra aluna colega de classe de Nuhu, “afirma que o professor aplicou um trabalho para a turma que teria o valor de 1 ponto, mas no seu caso se ela conseguisse realizar o mesmo o valor seria 5 ponto; a jovem indignada diz: só por que eu sou cadeirante”.
O professor esta sendo impulsionando por um etnocentrismo e construindo uma visão totalmente preconceituosa e errônea.
Ao estudar o etnocentrismo, podemos compreender que é uma característica de quem só reconhece a legitimidade e validade das normas e valores vigentes na sua própria cultura ou sociedade. Tem sua origem na tendência de julgarmos as realidades culturais de outros povos a partir dos nossos padrões culturais. Pelo que não é de admirar que consideremos o nosso modo de vida como preferível e superior a todos os outros.
Os valores da sociedade a que pertencemos em muitos momentos são declarados como valores universalizáveis aplicados a todos os homens, ou seja, dada a sua “superioridade” tal modelo deve ser seguido por todas as outras sociedades. Adaptando está perspectiva não é de estranhar que alguns povos tendem a intitularem-se os únicos com legítimos e verdadeiros representantes da espécie humana.
O que é Etnocentrismo? É a forma que colocamos o nosso eu, como referência e anulamos ou rebaixamos a opinião do outro. Um bom exemplo de etnocentrismo é o que fazemos como os Índios, os chamando de preguiçosos, cultura inferior e ultrapassada. Outro exemplo é quando os nossos jornais ocidentais os quais referem aos movimentos radicais islâmicos como grupos de “fanáticos” e “antidemocráticos”.
Em suma, podemos confirmar que tal análise e totalmente etnocêntrica, uma vez que não levam em consideração que a “democracia” não é um “bem universal”; e que os estados islâmicos têm uma forma muito especial de diferenciar a relação entre religião e política, que não pode ser descrita como “fanática” só por que é diferente da nossa realidade. Isso acontece porque a nossa mídia julga esses movimentos religiosos da mesma forma que julgaria se eles fossem “cristãos” e estivessem ocorrendo aqui.
O etnocentrismo existe na medida em que transpomos os nossos conceitos para outros contextos sociais, culturais e pessoais que não vivenciamos.
A principal consequência do etnocentrismo é a intolerância, já que uma pessoa etnocêntrica é incapaz de aceitar e entender as ideias e os costumes alheios; não observando a realidade a partir da perspectiva do outro, mas da sua própria.
O conceito etnocêntrico está envolvido com a grande estranheza que se dá no encontro do grupo “eu” e o grupo do “outro” que utilizam como referências e características algo como exótico, excêntrico, anormal, exuberante e primitivo. Iniciando a formação de preconceitos, manipulações ideológicas, julgamentos precipitados e sérias distorções culturais, comportamentais e educacionais.
Entretanto podemos perceber traços etnocêntricos na construção do conhecimento da trajetória dos ameríndios na nossa “civilização ocidental”, pois jamais lhe era dado o direito e o dever de falar de si próprio, sendo sempre mal interpretado e estereotipado em filmes e livros didáticos, ora como bravos, ora como mansos, ora como preguiçosos, ora incapazes, ora como bobos e nunca ser pensantes, inteligentes, dotados de cultura, tradições e costumes.
Os perigos da atitude etnocêntrica se fixa na negação da diversidade cultura humana (como se uma só cor fosse preferível ao arco-íris) e, sobretudo os crimes, massacres e extermínios que a conjugação dessa atitude ilegítima com as ambições econômicas provocaram ao longo da história.
Depois da segunda guerra mundial e do extermínio de milhões de indivíduos e povos, a antropologia promove uma abertura da mentalidade, passando a seguinte mensagem: em todas as culturas encontramos valores positivos e negativos, se certas normas e práticas nos parecem absurdas devemos procurar o seu sentido integrando a totalidade cultura, o conhecimento metódico e descomplexado de culturas diferentes da nossa permitiu compreendemos o que há de arbitrário em alguns dos nossos costumes, tornando legítimo optar, por exemplo, por orientação religiosa não só daquela em que fomos educados, buscando questionar determinados valores vigentes respeito o outro, construindo nossos critérios de valores das relações sociais, com a natureza, etc.
A defesa legítima da diversidade cultural conduziu, contudo muitos antropólogos atuais a enxergarem a diversidade das culturas e das sociedades. No prisma da análise podemos concluir que não existe valores universais ou normas de comportamentos válidas independentemente do tempo e do espaço.
No caso de Nuhu, o ministério da educação brasileira precisa investigar o caso e severamente punir o professor.
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