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O que faculdades de jornalismo não ensinam

Alguma incrível coincidência à vista?
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Frederico Moinho · Rio de Janeiro, RJ
18/5/2007 · 89 · 5
 

Como pra ``mau-entendedor´´, meia palavra é bosta; vou tentar abreviar a mente de estudantes e mesmo entusiastas da área jornalística a respeito não da tão discutida e fadada imparcialidade da notícia em si, mas de sua edição perante um todo.

Longe de querer impor um tom professoral, ou pedante, mas simplesmente observador de uma situação tão corriqueira que passa indigente na nossa frente. Nem ao menos foi este préstimo digitador que a captou diante da enxurrada de informações que escorrem diariamente pelos veículos comunicativos. Mas seu perspicaz irmão, que nem na área trabalha, mas também atenta seus olhares para deformidades informativas.

Então elucidemos: no dia 3 de maio de 2007, a aluna Renata Ramires, do campus da Universidade Estácio de Sá no Rio Comprido, foi atingida por uma bala perdida. Por sorte, o tiro pegou de raspão em sua perna, ela foi medicada e teve alta no mesmo dia.

Se a clássica memória curta do brasileiro permitir lembrarmos, Luciana, há quatro anos atrás no mesmo local, sofreu e ainda sofre um distinto destino. Por sua vez devastador. Com a bala alojada em sua coluna, ficou tetraplégica.

O esclarecimento indicado no parágrafo lá de riba diz respeito exatamente à grosseira ironia editorial. Não só eliminaram o ocorrido das chamadas da primeira e segunda páginas, como estrategicamente a colocaram na ÚLTIMA página da editoria da cidade. Minimizando o fato da matéria nem ter sido produzida pela redação do Globo, mas reproduzida do Extra, creio que diante de um olhar agora mais atento, permitirá facilmente ao leitor perceber a tal gafe comercial através da reprodução da página em questão.

Aos futuros focas e interessados, que possam achar o ensaísta aqui um tanto “forçador de barra”, vale fazer uma última ressalva para destacar sem dúvidas a tosca objetividade deste jornal. Adivinhem qual o curso que a última vítima presta na faculdade. Exato. O mesmo que capacita profissionais hoje em dia essenciais a vida da tetraplégica vítima de outrora, e que curiosamente estampa em letras garrafais o anúncio da mesma página.

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FILIPE MAMEDE
 

Opa Frederico, quanto à diagramação, seria bacana dar um "espaço" entre os parágrafos. Facilita a leitura e organiza melhor o texto. Realmente, muitas redações por aí não pautam o que deveriam. Mas vale um ressalva. Nesse caso, pelo menos ouve alguma repercussão. O que dizer das pessoas que são vítimas de bala perdida nas favelas. Não entram nem nas estatísticas. Na verdade nem existe uma que cuide especificamente desse tipo de caso. No mais, um abraço. Boa reflexão.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 15/5/2007 11:00
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
bacamarte
 

Uma generalização apressada. Talvez por tendências pessoas. Qual jornal é esse? Pode ser proposital ou pode ser um erro de edição. Agora, encontre outros exemplos. Na Folha, no Estado. É um desafio.

bacamarte · Santos, SP 18/5/2007 14:04
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Bruna Célia
 

ufa!

Bruna Célia · Goiânia, GO 18/5/2007 17:05
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Frederico Moinho
 

Obrigado pelas dicas, Filipe, só não tinha tabulado antes por mera ignorância digital. Certamente muitas vítimas nem espaço ganham, mas meu objetivo aqui foi simplesmente abrir os olhos pra esse tipo de edição intencional.
E Bacamarte, não creio ter sido uma generalização, uma vez que estava realmente comentando um fato isolado, mas muito comum. Todas as pessoas tem tendências pra um lado ou pra outro, acho isso natural, no entanto, minha intenção não foi crucificar o jornal A ou B, mas relatar uma condição da grande maioria dos geandes jornais nacionais. A condição de um jornal familiar, ou seja, dirigido por uma família. E caso, você não saiba meu caro, pode ser que em menor escala aconteça isso nos jornais que você sugeriu, mas ambos também são empresas com normas internas bem definidas. E que visam exclusivamente o lucro sim. Só não estou a procura de exemplos porque não acho isso um jogo. Mas uma constatação. Quem sabe você, agora mais atento a questão, não resolve esse desafio pra mim.
E Bruna, cansou de ler , por isso a exclamação? hehe

Frederico Moinho · Rio de Janeiro, RJ 18/5/2007 19:53
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bacamarte
 

Visam o lucro, e o lucro depende dos anúncios, mas os anúncios dependem dos leitores. "Sem leitor não se vende anúncio", diz o Manual da Folha. Mas não havia tanta pretensão no texto, li bem mal o que você havia escrito. Mas é generalização, sim, porque pretende aplicar isso a todos os jornais; e, dependendo da publicação (há um abismo entre A Tribuna de Santos e a Folha de São Paulo), o estado (diz-se que o jornalismo do nordeste é extremamente manipulado, e não podia deixar de ser, já que verdade é moldada a ponta de faca) e o dono. Chateaubriand e Roberto Marinho tinham a tendência de mudar fatos. Mas cada jornal é um jornal. Ou vamos acreditar só em teorias da conspiração. Mas o desafio é pra você mesmo, e nesses jornais duvido que consiga encontrar algo; pode poupar o seu tempo lendo quem já faz isso, no Observatório de Imprensa ou nos respectivos ombudsmans. No meu caso, esse será parte do meu trabalho, de qualquer jeito.

bacamarte · Santos, SP 19/5/2007 09:45
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