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São Cosme e Damião

São Cosme e Damião
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Priscila Silva · Serra, ES
1/6/2007 · 133 · 7
 

Por: Priscila Silva

“São Cosme mandou fazer duas camisinhas azul, no dia da festa dele, São Cosme quer caruru”. Esta é uma das canções mais famosas para homenagear os santos gêmeos, Cosme e Damião. No Brasil, o dia 27 de setembro é dedicado a esses santos. Na igreja de São Cosme e São Damião, no bairro da Liberdade, em Salvador, celebram-se missas durante todo o dia 27. Mas como o candomblé também é muito praticado na Bahia, torna então o elemento principal da festa o caruru. Os santos no Candomblé e na Umbanda são conhecidos como os orixás Ibejis.
No candomblé Cosme e Damião são filhos gêmeos de Xangô e Iansã. Os santos gêmeos possuem muitos simpatizantes e devotos, estes que todo ano fazem caruru para eles, chamado também de “Caruru dos Santos” e “Caruru dos sete meninos” que representam os sete irmãos (Cosme, Damião, Dou, Alabá, Crispim, Crispiniano e Talabi) cita em seu livro “Cosme e Damião, O culto dos santos gêmeos no Brasil e na África” o antropólogo Vivaldo da Costa Lima.
O caruru está presente no calendário de festas populares baianas, neste mês as pessoas enfeitam as suas casas. Os devotos preparam comidas como: caruru, vatapá, feijão fradinho, xinxim de galinha e outras comidas de origem africana. Depois de tudo preparado, o devoto passa por um ritual onde incensa com defumador o interior de sua casa e todos que moram nela. “É de grande importância em nossos rituais, pois tem como função retirar todas as cargas negativas do ambiente e desprender cargas positivas. No defumador o carvão tem a função de puxar as cargas negativas do ambiente e as essências ou ervas de emanarem as cargas positivas. Todos os rituais umbandistas devem começar pela defumação. As essências e ervas mais usadas no defumador são incenso, alecrim e alfazema”, cita em seu texto “Pontos de Defumação” a astróloga, terapeuta vibracional e taróloga Marilda Bourbon.
São Cosme e Damião são padroeiros e protetores dos gêmeos e das crianças. Nascidos no século III na Arábia, estudaram medicina e não recebiam pagamento em troca de seus serviços médicos por que tinham o objetivo de converter os pagãos para a fé cristã. Foram perseguidos e mortos (degolados) pelo Imperador Diocleciano, cita em seu artigo “São Cosme e Damião” a terapeuta holística Rute Moabita
Mês de setembro na Bahia, as feiras e os mercados são bastante concorridos, os feirantes ficam satisfeitos com o alto índice de fregueses. “É uma das datas que mais vendo aqui, não troco esse ponto por nada. Quiabo e camarão é o que mais vendo”, comemora o feirante que trabalha na feira do bairro de Mussurunga, Antônio Luís.


Alegria, é caruru na Bahia

A comerciante Delci Santana, 45 anos, residente do bairro Mussurunga, é devota dos gêmeos. “Já tenho 22 anos de caruru, faço com muito prazer, virou uma data importante aqui em Mussurunga. O povo daqui adora”, relata. O caruru de Delci é bastante freqüentado no bairro, começa a preparação na véspera, no dia 26. Todos em sua casa trabalham muito, cortando muitos quiabos e preparando outras comidas. “Tenho prazer em ajudar minha mãe, todos os anos estou aqui ao lado dela firme e forte”, brinca a estudante Joilza Santana, 24.
Já no dia do caruru, são escolhidos sete meninos de rua para comerem o caruru, é sempre motivo de euforia para as crianças. Aquelas que não são escolhidas recebem bombons e doces. No início, a pessoa responsável pelo caruru, arruma um lugar no chão e estende uma toalha grande para colocar os sete meninos para comerem e junto ao prato colocam-se muitas balas e pirulitos. Os sete meninos aguardam ansiosos a ordem do devoto para comer. “Todo ano eu troco os sete meninos, esse ano foi difícil escolher, porque os meninos todos daqui queriam participar”, relata Delci. As crianças por tradição no caruru comem com as mãos, lambuzam-se com tantas comidas saborosas e nem notam estarem sujas de dendê. Delci além de fazer o caruru, também ajuda as crianças e adultos que passam necessidades. “O pouco que tenho divido com os que têm menos ainda. Eu tenho dó das pessoas que vêm todo ano aqui em minha casa pedir comida, seria bom se todas as pessoas que fazem o caruru ajudassem as pessoas que passam fome”, disse.
“Eu gosto de Cosminho e Damião, são dois santos que além de proteger traz muita alegria. Hoje é dia de festa!”, exclama o ajudante de pedreiro Silvoney Santos. No caruru existe também a tradição de que se alguém encontrar no prato um quiabo inteiro, terá que fazer no próximo ano um caruru para São Cosme e Damião.

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maramarina · Aracaju, SE 29/5/2007 17:15
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Andre Pessego · São Paulo, SP 29/5/2007 20:18
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