Quem viu na semana passada, dia 12, a bela lua cheia em Porto Velho e o show singular do cantor baiano Xangai, no clube Kabanas, não queria voltar tão cedo ao lar-doce-lar. Sentia-se quase em casa. Também, pudera. Do início ao fim, a cada música, em uma hora e meia de voz e violão, houve um espetáculo estruturalmente simples, mas nem por isso irreconhecível aos olhos do público. A platéia, entre uma canção e outra, aplaudia um nordestino avesso à rotulagem do seu estilo musical. “Sou cantador do Brasil. Sou...cantador Universal”, revelou ainda no camarim.
No palco, ‘Jundiá’ (de autoria própria) foi a letra escolhida pelo cantor para abrir a porta do que estava por vir. Até foi possível para alguns pensar no baiano de chapéu inseparável realmente “montado na mula Araponga” chegando à Porto Velho. Contudo, depois das boas-vindas, a doce ‘Pequenina’ (de Renato Teixeira) se fez ouvir não apenas como canção singela, mas uma lição cadenciada de vida. “São tão claros os presságios e os encontros dessa vida”, declara.
Ele diz ser um intérprete intuitivo – aquele que não segue um roteiro nos shows que faz, a não ser quando está em companhia com outros músicos e que canta músicas de diversas culturas. “Preciso estar ligado com quem está me assistindo, sentir o que eles querem ouvir, e aí vem a situação”, explica Eugênio Avelino, ou simplesmente Xangai. Ao declamar e cantar ‘Água’ (composição que fez em parceira com Jatobá) deixa um alerta ao mundo que não deveria jamais passar despercebido: “se faltar aqui na terra tem tragédia”. É tão cauteloso que sobra puxão de orelha até ao operador de som, por conversar alto demais durante o show.
Nem a própria mídia escapa das duras críticas do cantor, que diz procurar fazer o melhor quando está de frente ao público. Questiona a propagação exacerbada do que não presta e cita a Venezuela como exemplo crucial. “Será que lá só existe Hugo Chávez?”. Ele mesmo responde ao dedilhar ‘Luna de Margarita’, de Simón Diaz. Após a música, comenta: “lá, como em muito outros lugares, existe algo bom e os meios de comunicação nem sempre divulgam”.
O show continuou. ‘Bolero de Isabel’ (de Jessier Quirino) e ‘Meninos’ ( de Juraildes da Cruz) também fizeram parte da seleta lista de Xangai. Ao vê-lo, a estudante Maria Nayara não escondeu a felicidade de encontrar quem fez parte da sua infância, já que o cantor é amigo do pai dela, o escritor e compositor paraibano Braulio Tavares. “É bom encontrá-lo novamente, ainda mais num show que me fez ter boas recordações”, finalizou.
Xangai, belos tempos nos anos 80 juntamente Elomar e Olympio de Azevedo,o Carlô de Piatã...Sempre, trajetória de sucesso e beleza musical...
Parabens pelo postado.
ab
maravilhoso.Demorei para aparecer,muitos problemas com pc.Deixo aqui meu imenso carinho.
clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 20/12/2008 12:39Gostei do relato. O Xangai é outro bravo herói da resistência cultural. "O real dever do artista é salvar o Sonho" dizia Modigliani, pintor italiano. A máquina da impresa e das tvs precisa estar do nosso lado, dos que lutam pela inteligência, pela cultura e pela vida. Unamo-nos. Abraço.
romulo andrade · Brasília, DF 20/12/2008 14:40
Pois é amigo.
Xangai exala cultura pelos poros...
Sempre que ele vem à São Paulo, não perco por nada...
Abraços
Olá Amigo Marcos, tenho andado fazendo outros alinhavos, mas estou aqui para lhe desejar um Feliz 2009. E esta mensagem é para você, Veja! É o fio no meu Tear.
http://www.overmundo.com.br/banco/o-tear
Abraços
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