Lauro e seu pênis

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Rafael Monteiro · Niterói, RJ
2/12/2006 · 51 · 6
 

Lauro e seu pênis

Por Rafael Monteiro


Em certa manhã, Lauro acordou e percebeu que seu pênis havia sumido. Procurou entre os lençóis, embaixo da cama, e depois no banheiro, na cozinha, pela casa toda, sem obter sucesso. Como já estava atrasado para ir ao trabalho, se arrumou e saiu.

Durante o dia, no escritório, pouco sentiu falta de seu membro. Atolado de trabalho, muita papelada para resolver, acabou não pensando muito no assunto.

À noite, estava cansado, e pretendia dormir o mais cedo possível. Todavia, levou um susto quando abriu a porta de casa e ouviu uma gritaria vindo de seu quarto. Eram vozes de mulheres, em gritos e gemidos de prazer.

Ao adentrar no recinto, Lauro viu seu pênis com duas mulheres na cama. Uma loira e outra morena, em posições nas quais Lauro nunca conseguiu sequer imaginar. Ele entrou e se retirou sem ser notado, tomou seu banho, jantou, e dormiu no sofá da sala.

No dia seguinte, Lauro voltou à sua rotina. Mais uma vez, quando retornou, encontrou seu pênis na cama, dessa vez com uma ruiva, que fazia sexo anal de uma forma tão compenetrada e selvagem que Lauro não teve coragem de ver por mais de dois segundos. Ele apenas jantou e se jogou no sofá para dormir.

No terceiro dia, a mesma coisa se repetiu. Mas desta vez seu pênis fazia posições do Kama Sutra com uma mulher de pele branca, cabelos negros e olhos verdes. Lauro nem deu bola, comeu e dormiu como sempre.

O quarto dia seguiu o mesmo roteiro, sendo que desta vez o visitante em sua casa era um negro alto e forte, que aparentemente não tinha pudor sexual algum.

Até que, no quinto dia, algo diferente aconteceu. Lauro acordou sentindo uma presença incômoda em seu ânus, e quando deu por si, estava sendo penetrado por seu pênis.

- Agora já é demais, você passou de todos os limites!

Revoltado, foi até a cozinha, sem que o pênis desgrudasse de seu orifício. Pegou um facão de churrasco com a mão direita, e com a esquerda segurou o membro, que ainda estava rijo. Quando estava prestes a cortá-lo em fatias, Lauro reconheceu a sensação de tê-lo em suas mãos. Era bom, como poderia ter se esquecido disso? Começou então a se masturbar ali mesmo na cozinha, até chegar a um longo e intenso orgasmo.

- Como pude pensar em te matar? – pensou arrependido enquanto se limpava. – Mas por que você me abandonou?

Foi então que o pênis olhou para ele e respondeu:

- Já estava cansado de só ficar na punheta!

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Autoria
Rafael Monteiro
Ficha t�cnica
Um conto sobre como sempre deixamos o que queremos fazer pra depois...
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Juliano Drummond
 

ahhahahahahhahahahahahhaha... de início achei que alguma moral seria tirada dessa história toda, mas não ahhahahahhahah.... pensando bem talvez sim... é... sim... ahhahahahhahaha... ri muito
Um abraço

Juliano Drummond · Amapá, AP 30/11/2006 09:36
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Rafael Monteiro
 

Bem, acho que alguns achariam esse conto Imoral :-)

Valeu pelo comentário, Juliano!

Rafael Monteiro · Niterói, RJ 1/12/2006 01:19
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Osvaldo
 

Se eu pudesse fazer uma trilha sonora do seu conto com certeza a musica para Lauro seria "O que sobrou do céu" do Rappa.

“Faltou luz, mas era dia, o sol invadiu a sala.
Fez da TV um espelho, refletindo o que agente esquecia.
Faltou luz, mas era dia, dia.”

O conto não foi imoral, mas imoral é a forma que muitas vezes esquecemos de viver a vida.
Parabéns!!!

Osvaldo · Olinda, PE 6/12/2006 20:49
1 pessoa achou �til · sua opini�o: subir
Rafael Monteiro
 

Osvaldo, você escolheu bem a música, uma das minhas favoritas do Rappa! :-)

Obrigad pelo comentário!

Rafael Monteiro · Niterói, RJ 9/12/2006 01:20
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dáia flórios
 

isso me lembrou "o nariz" de gógol.
ah valeu! eu ri bastante!

dáia flórios · Rio de Janeiro, RJ 1/2/2007 16:42
1 pessoa achou �til · sua opini�o: subir
Rafael Monteiro
 

Obrigado pelo comentário, Dáia.

O início foi inspirado em Kafka, mas só o início.

Rafael Monteiro · Niterói, RJ 2/2/2007 23:22
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