Frequentar a academia formalmente?
Cursos de composição podem sim servir
de suporte mas é bom que tu não precises rezar o terço
todo; digo: procure usufruir daquelas disciplinas
cujas temáticas e/ou professores te ajudem a chegar lá
e pode jogar o resto fora; se a disciplina ou o
professor te impedem de participar é sinal que tu não
aproveitarias tanto assim (a disciplina por ser
inútil, ou o professor por ser um idiota pançudo dono
da plantação de abóboras); melhor evitar stress.
O estudo formal da coisa está em crise total.
Escorregamos, nós e nossas coisas sonoras, por entre
os dedos do status quo. Não se trata de conflito, mas
sim do esvaziamento total do objeto ideal da
composição e que justificaria a sua existência: a tal
da noção de "obra". A prescindibilidade de um locus
que se pretende orientador da produção musical segundo
parâmetros considerados válidos (por quem?). Viva a
internet!
Não se sabe mais o que se está fazendo num curso de
composição hoje em dia (e se pensa que sabe é porque
na realidade não se está sintonizado de fato com o ato
criativo - penso eu). Compor: verbo intransitivo.
Estamos condenados à 'poiesis'. Não é mais uma questão
de beber em fonte alguma: somos ébrios por natureza.
Resta encontrarmos a beleza aà nas idiossincrasias de
nossos atos-falhos.
Leituras mil, conversas francas, experiências
estimulantes, viagens de turismo, pintar um quadro,
dançar um pouco, essas coisas transformam, pouco a
pouco, a gente e nos fazem enxergar melhor os
contornos daquilo que nos motiva. Enxergou, manda
bala!
Mercado? O mercado não tem mais o 'rosto' de antes.
Qualquer coisa pode ser distribuida e consumida. O
controle dos termos desse consumo para fins de
sobrevivência financeira depende de produção e
propaganda competentes. 'Mais tática - menos estética'
e continuar compondo o que dá na telha. O mercado
reage adaptando-se ao corpo estranho que você lançar
dentro dele. O cuidado é para que este corpo consiga
uma simbiose razoável e consiga passar pelas barreiras
de anticorpos. Ganhar dinheiro, viver disso? DifÃcil:
não conte com isso!
Daà a vida acadêmica... aquele estado privilegiado
onde te pagam pra continuar lendo, escrevendo e
compondo e, é claro, falando para um monte de gente as
coisas que passam pela tua cabeça. Isso não é mal:
'compositor amador - acadêmico profissional' (ver meu
texto "receita de felicidade para compositores de
vanguarda" no www.overmundo.com.br).
Já dei aula particular de composição. É mais ou menos
assim: traga algo teu... não tem? Improvise alguma
coisa, tente elaborar o roteiro provável daquilo que
improvisou, tente gravar e traga. Instrumentos: fita
adesiva, facas de cozinha, sacos plásticos ou coisa
parecida; dê um nome para a coisa e traga para
conversarmos sobre ela; leve ao palco, grave, aprenda,
refaça, novo palco, novo aprendizado, o compositor é
aquele que, dentro de um processo como esse,
compreende e passa a habitar o mundo possÃvel (formado
por seus gestos, sonoridades, rotinas e clichês) que
SABE que criou. Ah, sim: o prazer no processo é um
indÃcio importante de que o caminho é o correto.
Pós é melhor que graduação sem dúvida. Se já tens
diploma ou está em vias de ter, vale a pena ir direto
para lá... e continue pondo a mão na massa!
Texto recolhido de um diálogo ocorrido em 2007 com um grande amigo do Rio psicólogo e, diga-se de passagem, grande compositor, que resolveu envolver-se formalmente com a música acadêmica.
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