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SIMBIOSE TRASH, MON AMOUR! (NOVELA) CAPÍTULO III
Marcelo Bretton · São Paulo (SP) · 23/1/2008 09:06 · 89 votos · 4 comentários ·  
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overponto
Raiz de Dois
Sentia algo abrasivo nas minhas costas. Na verdade, era quase uma fornalha acesa por baixo, como se eu estivesse em cima de uma grelha em meio a peças de carne sendo assadas em fogo alto. O churrasco ficaria no ponto dali a pouco, e ainda sem abrir os olhos, fiquei ali preguiçosamente pensando num belo filé com batatas sem me dar conta de que tudo indicava que a única carne sendo grelhada por ali era a minha própria. Levantei de sobressalto e quase cai do teto do carro, que com a ânsia de sexo selvagem do monstro, afundara um pouco. Lorna não estava ali m cima. Virei-me num movimento ágil para pendurar a cabeça pra baixo, na janela, pensando em contemplá-la dormindo dentro do carro, mas não havia ninguém lá dentro. Olhei ao redor, fazendo uma viseira com uma das mãos para proteger os olhos do sol, sem ter avistado qualquer coisa viva. Desço do carro, e só agora percebo que estou nu. Abro a porta traseira do veículo para pegar as minhas roupas amassadas e sobreviventes de uma queda de um penhasco, um enterro improvisado, e uma transa alucinada, apesar de não me lembrar muito desta última ocorrência. Porque Lorna sumira? Estaria por perto? Fora buscar algo para beber ou comer? Aonde, nesse fim de mundo? Enquanto vestia a minha calça rasgada em tiras, do joelho para baixo, olhei de soslaio para um pequeno pedaço de papel dobrado, enfiado dentro de um dos meus sapatos, com um desenho no verso. Abaixei-me curioso e o abri.

FLAMÍNIO,
PEGUE O CARRO E SIGA ATÉ CABRUEIRA, UMA VILA A 30KM DE ONDE VOCÊ ESTÁ (MAPA NO VERSO). CHEGANDO LÁ, PROCURE POR ZAMA, E DAÍ VOCÊ ME ENCONTRARÁ.
LORNA.

Mas que merda era aquilo? Brincadeira de gato e rato? Aquela garota já estava indo longe demais com todo aquele mistério folhetinesco. Fiquei ali sentindo a minha cabeça esquentar como uma chaleira em fervura, fulo da vida, louco pra bater em alguém, nem que fosse no cadáver do Mariachi. Na falta de opção, esmurrei o teto do carro que já estava danificado mesmo. Lorna vinha se mostrando bem mais difícil de lidar do que com ‘a outra’ Lorna. Essa se entendia as mil maravilhas com o monstro, enquanto eu via mais dificuldades surgindo até o caminho da verdade com a Lorna original. Seria tão mais interessante acordar com ela nua ao meu lado, mesmo no teto em brasas de um carro parado numa estrada vicinal, perdidos num rincão qualquer do país. Poderia improvisar um café da manhã, colher algumas frutas, tirar água de um cacto, matar um passarinho e assá-lo numa fogueira improvisada. Talvez ela fosse sensível demais para degustar essas iguarias agrestes. Mas o cardápio por ali não oferecia coisas muito mais palatáveis. Talvez um calango, um tatu, uma gia perdida. Dei mais uma olhada ao redor e percebi que eu teria dificuldades em arranjar qualquer coisa pra comer, enquanto a barriga roncava com vontade. Quase respirei aliviado por ela ter ido embora, e eu nem sabia como, ao invés de estar ali me cobrando algo para o desjejum.

Abri a porta do carro para seguir viagem, mas havia algo sibilando no banco, onde eu deveria já estar sentado caso não estivesse pondo o bilhete no bolso da camisa, e olhando para baixo. Dei um pulo instintivo para trás, e vi o ofídio serpenteando a língua, enrolando o seu corpo sinuoso lentamente ao volante. Agora sim, era o que faltava, lidar com um bicho que eu tremia de medo só de ouvir o “sssssss”. A visão do chocalho na cauda era paralisante, talvez fosse essa mesmo a sua função, prender a atenção da presa até que o bote pudesse ser dado. A chave do carro estava a li, na ignição, e tudo o que eu precisava fazer era entrar, dar a partida e acelerar, não fosse o estranho convidado esparramado ali. Será que a cobra era um presente de Lorna?
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tags: São Paulo SP textos-ficcao simbiose trash mon amour novela textos-literatura
 
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Autoria   Marcelo Bretton
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Autoria: Marcelo Bretton

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Data   23/1/2008
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Overparceiros,
Aí está o capítulo III desse thriller tortuoso, levado a cabo por um ex-curador-adjunto de um museu, que se mete numa enrascada por portar uma personalidade ambígua (bipolar, talvez?), ao mesmo tempo assustadora e divertida. Esta parte é composta de 10 páginas em arquivo Word, e preciso do vosso incentivo para levar adiante a empreitada. Abs e agradecimentos antecipados.
Marcelo Bretton · São Paulo (SP) · 20/1/2008 16:17 
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Para quem não leu do início, lá vai:

CAPÍTULO I
CAPÍTULO II
Marcelo Bretton · São Paulo (SP) · 20/1/2008 16:20 
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Votado!
Paulo Esdras · Salvador (BA) · 22/1/2008 16:02 
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Votado no 3°...aguardo!
Parabens Marcelo
abç
Cintia Thome · São Paulo (SP) · 23/1/2008 08:58 
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