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SIMBIOSE TRASH, MON AMOUR! (NOVELA) CAPÍTULO V
Marcelo Bretton · São Paulo (SP) · 3/2/2008 16:32 · 99 votos · 5 comentários ·  
1
overponto
Dela 7
As coisas podiam não concordar entre si, podiam até digladiar-se na minha cabeça que eu continuaria sabedor das necessidades mais imediatas, mais prementes de ação, para pronta reação posterior. O que eu precisava fazer naquele momento era levantar e abrir a porta para Prússio, que encontrava severas dificuldades para abri-la por fora.
“A maçaneta aqui fora gira em falso, preciso que você abra por dentro” – Disse, porém ainda sacolejando-a na esperança de que não precisasse pronunciar “Abre-te sésamo!”.
No caminho até a porta tropecei na ponta do tapete, ainda embriagado pelo beijo de há pouco, e caí, quase enfiando o nariz no chão. Talvez este tenha sido o menor trajeto mais tortuoso do mundo já percorrido por algum ser vivo. Quando me apoiei para levantar do assoalho, bati a cabeça com bastante força no braço de uma cadeira de balanço de madeira maciça que ficava perto da entrada, e desabei novamente no chão, pondo a mão no local e conferindo o sangue que escorria viscoso do ferimento.
“Tudo bem com você, Flamínio?” – A voz vinha de fora do cômodo, e mesmo com a música alta, percebi traços de preocupação.
Não, não era o sangue do hímen rompido de Malinda, era aquele que vinha quente do centro do meu cérebro, morno como os miolos que pulsavam dentro da minha caixa craniana. A forma dos objetos estava turvada, a visão enevoou-se com a pancada, enquanto embebia o chão com a minha cera líquida e rubra. Retocava a pintura do solo sagrado onde pisara há pouco, a deusa vistosa de dupla face. Uma das faces me desejava, tinha certeza. E enquanto lindas criaturas aladas me faziam companhia, as forças se esvaiam como o conteúdo de uma garrafa aberta caída no chão, e logo um ribombo seco se dava, como se uma porta estivesse sendo arrombada. As luzes se apagaram ao som de uma música mortiça, lenta, pesada, gótica na sua essência. O meu nome era pronunciado com certo assombro exclamativo, mas a voz não era a dela. Era uma voz masculina. Eu esperava com fervor que não fosse a voz do meu pai.

Eram sempre nas manhãs de domingo que o meu pai costumava acordar cedo para pequenos serviços caseiros. Sempre que eu pedia, ele me despertava no mesmo horário, e púnhamo-nos a pregar soleiras soltas, rearranjar as telhas, retocar a pintura de algum recanto da casa, ou então debruçávamo-nos sobre o motor do carro para algum ajuste ou limpeza necessários. Aquilo era o signo da felicidade para mim. Não sentíamos as horas passarem, e quando ainda achávamos que era cedo, mamãe nos chamava para almoçar. Aí começava o lado bê dos domingos. Papai saía no início da tarde para encontrar os amigos, e quando voltava, visivelmente transtornado, pelo álcool ingerido por cinco horas seguidas, vinha em busca da minha pele para açoitar. Ao entrar trôpego pelo portão da casa, sempre achava algo fora do lugar no trajeto até a porta, apenas para culpar-me de algo que eu não fizera. Enquanto ele desenlaçava o cinto das calças, eu procurava um canto cego na casa para me esconder, na esperança de vê-lo ir pra cama dormir, e com isso, esquecer da sova. Nunca houve jeito de escapar das sessões de tortura por nunca ter feito nada de errado. Com o tempo, me acostumara a aproveitar as manhãs de domingo ao máximo, era o meu oásis antes da tempestade de areia impiedosa, a água limpa antes do fel. Mamãe, por temer apanhar também, escondia-se no quarto, soluçando ao ouvir cada chibatada que eu levava. Sabia que apanhando nas tardes de domingo, eu estava poupando a minha própria mãe de ser espancada, tal a força demoníaca alojada no subconsciente de papai que premia por surrar alguém. Quando papai estava por demais cansado de judiar das minhas costelas, ajoelhava-se, e...
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tags: São Paulo SP textos-ficcao simbiose trash mon amour novela textos-literatura
 
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Autoria   Marcelo Bretton
Ficha Técnica  

Autoria: Marcelo Bretton

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Overparceiros,
Segue o capítulo V dessa porralouquice, agora com novos ingredientes. A simbiose está se consumando lentamente no redemoinho mental de Flamínio, e tudo parece se encaminhar para um caminho tenebroso e sem volta. Fiquem ligados que ainda virão reviravoltas tresloucadas.

Aos que não acompanharam a saga desde o início, lá vão os links dos primeiros capítulos. Agradeço a leitura e comentários:
CAPÍTULO I
CAPÍTULO II
CAPÍTULO III
CAPÍTULO IV
Marcelo Bretton · São Paulo (SP) · 31/1/2008 10:51 
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Overparceiros,
Não mais publicarei os capítulos sucedâneos de "SIMBIOSE TRASH, MON AMOUR!" aqui no OM. Havendo interesse em saber como irá se desenrolar o restante da história até o seu final, peço que me envie uma mensagem, disponibilizando o vosso e-mail para o envio dos capítulos. Agradeço a todos aqueles que vêm me incentivando para dar continuidade à escrita, e aproveito para comunicar que passarei uma temporada afastada do OM para me dedicar com mais afinco a este e a outros escritos meus abandonados e necessitando de atenção. Abs a todos.
Marcelo Bretton · São Paulo (SP) · 2/2/2008 08:08 
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Marcelo ...ok...
Boas palavras e trabalho.
Enviarei e mail. Tenho interesse sim , em saber o fim...
A época não está muito boa para postar...sinto isso e tenho notado o afastamento de muitos...talvez seja a vida corrida.
Atenha-se ao teu objetivo.
Abraços.
Cintia Thome · São Paulo (SP) · 2/2/2008 15:22 
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Marcelo, já sabe meu e-mail! Quero dar continuidade a leitura!
Paulo Esdras · Salvador (BA) · 2/2/2008 18:42 
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Ô Monstrão di mim, cadê as continuação do Trash mon amour.
Já tô no coto das unhas aqui, depois de pular da morgue pelada fugida daquele tomado das pantalhas e tu nem pena di eu fica.
Quero mais, as veiazinhas tão secando já e neurótica eu não fico que saio dando... chilique pelada nas ruas e não fica bem pros meus poucos anos dar vexame pra pouca gente. Se fosse na globo até fazia umas caretinhas, de bigbostada.
Mais sério: Marcelo aqui em casa tá todo mundo gostando, eu, papá Bauer e até a Vovó Marinalva, que lembrou de que tem uns roubos estranhos que muita vez acontece nos museus, e lembrou até da taça do tri que derreteram, mas não recorda de vasos chineses.
Eu disse pra ela não misturar arte com telenovela e peraltice de criança, mas ela diz que no fundo é isso que vai acontecer, a vingança do monstro contra os mandão. ela pensa que é cigana adivinha, tadinha.
O Papá Bauer comentou que tenho de ler a história, que revisão editorial e gráfica se faz depois, porque eu ia dizer que tem uns caquinhos, uns errinhos e ele achou besta eu ficar anotando isso numa história tão boa e que podia desviar o assunto e te magoar.
Eu disse para ele ficar frio que se é de bem não faz mal e que sou amiga tua de há muito tempo e que tu gosta de mim quase quanto eu gosto de ti e que não ia ficar brabo e se ficasse ia desembrabar logo e eu ia te dar mais dois beijinhos de quase amor.
Suspense rápido, e muita situação engraçada, umas figuras que crias parecem tiradas de baú, outras novinhas, todas muito boas. tem uns chavão, mas onde é que nem tem nessa terra de meu deus (viu!)
Esse pai do guri era malvado o bebum, mas o guri puxou por ele, fazer aquele churrasco em alta tensão.
Pô e planejado.
Tu ficou pensando quantos anos essa vingança?
Imagino o que os monstro vai fazer com quem comer "a outra" que ele tá de tesão pra cima dela.
Tá, tá, sei que encumpridou, mas paciência, né, tô gostando e tu não manda as outras partes pra eu calar a boca dos dedinhos...
Empacou, tá que nem o bauer aqui com a Hospedaria do Capeta, que depois vriou do diabo, era 666 a cela e agora é só 66 e não sai do Oitavo capítulo.
Porque fazem isso comigo meus deuses!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
O Duende Verde também empacou e nunca mais trouxe os pedaços do monstro verde dele pra nós, nem no blogue dele publicou.
Vou botá vocês tudo no Procon, no serasa, no essepecê sei lá onde se reclama de escritor empacado.
Vem te rindo que tô aberta... às próximas leituras, não te avança com esse montão de perna bonitas.

Beijins e abracinhos e cosquinhas na nuca.
Té.
Juliaura · Porto Alegre (RS) · 15/3/2008 14:41 
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