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As culturas digitais dentro e fora do Overmundo

Equipe Overmundo
21/1/2011 · 0
 

Nesta virada de ano, pontapé de nova estrada - um novo governo e uma nova gestão à frente do Ministério da Cultura - o Overmundo conta com novas publicações dignas de nota que marcam, coincidentemente, uma década de cultura digital no Brasil.

Experiências de novos modelos de negócios, textos sobre a realidade da produção cultural brasileira ao final da primeira década do século XXI, e uma excelente dissertação que revela como se deu a construção das políticas públicas para a Cultura Digital entre os anos de 2003 e 2008, ou, em outras palavras, no período em que a condução dessa política foi capitaneada pelo músico e ex-ministro Gilberto Gil.

Um dos destaques já de 2011 é a dissertação de Eliane Costa, um estudo sobre a gênese das políticas públicas desenvolvidas nesse período, ou seja, como elas foram construídas, o que as propiciou, que encontros, contextos e participações pessoais foram determinantes. Como ela mesma relata, “esta dissertação se coloca na interseção dos novos campos de saber dos Estudos Culturais e dos Estudos Culturais do *Software*, bem como da área dos estudos em comunicação, com uma abordagem que incorpora a dimensão das políticas públicas, assim como a perspectiva da contribuição de trajetórias pessoais. Para isso, procurou levantar, e registrar, os primeiros movimentos rumo à construção de políticas públicas brasileiras para a cultura digital, a partir do momento em que o MinC trouxe, para o âmbito cultural, os novos desafios, impasses e possibilidades inerentes ao cenário das redes e tecnologias digitais, temáticas que, até então, tinham estado restritas às esferas científicas e tecnológicas”.

Dentre os casos de novos modelos de negócios, estão “Explosão Cellular implode velhos modelos”, "Um outro pastoreio: uma nouvelle Graphic Novel” e “Editora Plus: criatividade e conhecimento livres”.

Os três casos mostram como se sustentam inciativas que vêm surgindo no campo dos negócios de produção cultural, no mundo autoral. O texto de Henrique Reichelt conta como Índio San e Rodrigo dMart produziram a Graphic Novel, viabilizada pelo apoio do público leitor: “O público esteve presente em todas as etapas da cadeia produtiva do livro: produção, distribuição, promoção e comercialização”. Já o caso da Editora Plus revela a disputa tecnológica em torno dos padrões para e-books: “A tecnologia tem um papel central. É o produto e o meio no projeto da editora Plus. (...) O ePub é o formato padrão atual dos livros eletrônicos, mantido por um consórcio de empresas – a IDPF (International Digital Publishing Forum) - que deseja que um mesmo arquivo seja lido em diferentes interfaces ou leitores de e-books: no Sony Reader, no iPhone, no iPad, no Alfa, no Nook. O ePub é uma tentativa de unificar os esforços de muitas empresas. No início dos anos 2000, por exemplo, havia uma série de formatos diferentes: o Palm, oMobi (tecnologia francesa comprada pela Amazon.com, em 2005), o Lit (Microsoft), BBeB (Sony), entre outros".

Já Makely Ka, músico mineiro e colaborador do Overmundo, publicou em 2010 três textos muito interessantes que sintetizam os novos encontros culturais e fazem um balanço sobre as políticas culturais e caem como uma luva nesse momento de avaliar os anos passados e planejar os próximos: Contraindústria e os novos paradigmas, Política da Cultura e Cultura na Política e, ainda no primeiro semestre do ano, Tensão Harmônica. "É que as pessoas entenderam que para ter autonomia precisam trabalhar coletivamente, e que a rede social fundamenta e dá sentido ao ato criativo, muitas vezes solitário”. E, num claro balanço dos últimos dois mandatos, conclui: “Graças a essa nova configuração estamos a caminho de realizar em ato, nos próximos anos, as potencialidades do Brasil transformando-o em referência na produção e no acesso a uma das matérias mais sofisticadas do intelecto humano, que é a arte e a cultura. Agora portanto é bola pra frente, não é possível mais recuar!”

No início desse novo ciclo, todos esses balanços podem ser relevantes referências para pensarmos os próximos que virão, certos de que desafios não faltam, mas que enfrentá-los com ousadia e sem tabus é a melhor maneira de andarmos pra frente.

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