A Casa da Memória de Jaguaré, município do norte do estado, foi inaugurada em 2004 como um espaço de memória da colonização da cidade. Nela estão guardados objetos pertencentes aos primeiros colonizadores da região. São fotografias, objetos de trabalho e roupas dos primeiros colonizadores que mostram um pouco da vida dos fundadores da cidade.
A casa onde está localizada a Casa da Memória era a habitação de um desses primeiros colonizadores. Ela foi retirada do local de origem e remontada no parque municipal onde também se localiza a casa de cultura e a secretaria de Cultura, Desportos e Turismo do município. A área foi replantada com vegetação nativa.
A colonização de Jaguaré teve seu início na década de 40, quando uma caravana de 14 agricultores oriundos do sul do estado (principalmente de Guaçui), procurava terras férteis mais ao norte. Um representante do governo estadual, Bértolo Malacarne, participava da comitiva com a missão de organizar e coordenar a colonização daquela área, que na época pertencia ao município de São Mateus.
Inicialmente eles fixaram-se no local chamado Ponte do Rio Barra Seca, e dali partiram para a colonização da região. A povoação fundada pelos primeiros colonizadores recebeu a denominação de Lagoa de Jaguaré, nome de um capim que existia em abundância na época. Com o tempo, a lagoa foi sendo aterrada, e o povoado passou a ser denominado Jaguaré. Em 1981, foi criado oficialmente o município de Jaguaré, com território desmembrado do município de São Mateus, mas sua instalação deu-se em 31 de janeiro de 1983.
A agricultura intensiva e a extração da madeira foram fatores decisivos no processo de desenvolvimento da região mas, ao mesmo tempo, trouxeram para a região uma grande destruição de matas nativas e dos remanescentes dos índios que ainda existiam na região.
Jaguaré guarda diversas manifestações culturais, em função da colonização e da migração em grande escala na época das safras. Dentre suas tradições culturais estão a Dança do Café, a Dança do Maneiro-pau, Dança da fita e Encenação da Paixão de Cristo.
O município tem cerca de 20.000 habitantes e (atenção, meninas!) tem muito mais homens que mulheres. É o maior produtor mundial de café conilon e o segundo maior produtor de petróleo terrestre no Brasil. A extração de petróleo é a segunda atividade econômica do município. São extraídos atualmente cerca de 27 mil barris por dia dos 62 poços perfurados no município.
Ilhandarilha: como sempre: dica tão bacana de ler/ver! tomara que um pouco do estilo arquitetônico da casa (tão bonito em sua simplicidade) ainda se mantenha vivo na cidade - tomara também que apareça gente de Jaguaré por aqui, para colaborar com outras dicas/relatos sobre antigas e novas tradições da cidade - fiquei curioso para saber mais sobre a dança do café! beijos
Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 18/3/2009 12:37
Que bacana, Ilha!
Como é que foi formado o acervo da Casa de Memória? Foram doações? Foi espólio de algum 'colonizador' já falecido? Você sabe?
Hermano, também não conheço a dança do café. Vi o Maneiro Pau em fotos e vídeo, mas não ao vivo. É feita com varas grandes que as pessoas batem ao dançar. Também estou curiosa com a dança do café. Quem sabe um Jaguareense nos mostre aqui?
Viktor, o acervo foi quase todo doado pelas famílias locais. Alguma coisa veio das escolas (nas fotos tem carteiras das escolas antigas) e da administração local. Mas o grosso do acervo - fotos, ferramentas, vestimentas, etc - foi doado pelas famílias dos antigos colonos.
Interessante lembrar (não falei lá no texto) que a colonização da região de Jaguaré foi feita por descendentes dos imigrantes italianos que foram para o sul do estado. Na década de 40, como as terras lá já não eram suficiente, alguns colonos partiram para o norte do estado para "colonizar" a região, de mata densa e onde ainda viviam os índios. Foi, portanto, um segundo momento da imigração italiana no estado.
Ilha, que bacana esse lugar. É sempre muito bom conhecer a origem das coisas. Eu mesmo me amarro nesse lance de resgate histórico e tal. Excelente dica de passeio, né? Um abraço.
FILIPE MAMEDE · Natal, RN 21/3/2009 10:51
Cada vez mais precisamos manter vivas estas lembrancas historico-culturais que nos permitem entender um pouco a mais , de onde viemos e onde vamos, e de como foi dura a vida do "colonizador" que na verdade foi colonizado e assimilado pelo proprio chao sagrado que pisou, na area de Guacui onde trabalho, existe uma casa igual a esta com alpendre antigo e tabuinhas no telhado, e Gra;as a Deus a prefeitura conseguiu restaura-la apos muitos anos de descaso, sob forte pressao das ong
Que Deus te Ilumini ILha.
Cosimo
Ilha,
É bom ver uma iniciativa de preservação da memória como essa dando certo e, sobretudo, é interessante notar como é um projeto que depende muito mais de engajamento do que propriamente de grandes verbas.
Parabéns pelo post!
SÓ AGORA EU CHEGUEI MAIS CHEGUEI E VOTEI, BELA DIVULGAÇÃO AMIGA.
...e quando a gente sente o que o planeta sente o que vazer???
http://www.overmundo.com.br/banco/minha-agua-minha-vida
AGUARDANDO SEU COMENTARIO.
Ter memória assim é honrar o passado por presente em que se dá a que melhor futuro seja.
Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 24/3/2009 16:26
Filipe, Kaparaó Miguens, Roque a Adro: quem é a gente sem nossa memória? Ainda bem que existe quem lute contra essa amnésia coletiva do povo brasileiro!
bjos
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