Ãs 10h da manhã de segunda à sexta-feira no centro da capital baiana uma enorme fila se forma. São pessoas de baixa renda que esperam o inicio da distribuição das refeições que são servidas diariamente no restaurante Prato do Povo. A distribuição começa à s 11h, mas, todos os dias, uma hora antes a fila já faz volta no prédio que fica localizado no bairro do Comércio, mais precisamente na Avenida da França onde existe também um grande número de pedintes e moradores de rua.
Seguindo os valores nutricionais do Programa de Alimentação do Trabalhador o PAT a limentação é completa, com uma sobremesa que varia entre uma fruta ou um doce e o suco. Segundo a nutricionista Andréia Santos, 21, que trabalha no restaurante há oito meses, a refeição tem que atingir 1.400kcal para atender as exigências do programa, que foi desenvolvido pelo governo federal.
O PAT leva em consideração uma jornada de trabalho de leve e moderada e a alimentação desse trabalhador deve ter de 1.400kcal no almoço. Apesar de o programa ser aplicado no restaurante, 50 das 2.300 refeições servidas são destinadas a crianças que até os cinco anos de idade, apresentando um documento que comprove, não pagam a refeição.
O restaurante visa atender a população de baixa renda que reside ou trabalha nas proximidades, por isso o preço cobrado pela alimentação é R$1,00 e o governo do estado cobre todas as outras despesas. São 55 funcionários entre os responsáveis pela limpeza, copeiras que servem o almoço, nutricionistas e seguranças.
O coordenador de patrimônio responsável pela conservação das mesas e cadeiras do local é Luiz Teixeira, 33, que trabalha no restaurante há um ano diz que, apesar do restaurante ser voltado para o trabalhador, a maioria dos freqüentadores do lugar são moradores de rua, que quase sempre passam o dia com apenas aquela alimentação. Mas, apesar disso a organização e conservação dos materiais utilizados é tranqüila. “O pessoal sabe que esse é o único lugar onde vão encontrar comida de qualidade a esse preço por isso não é difÃcil manter a organizaçãoâ€, diz Luiz Teixeira sobre os freqüentadores do restaurante.
O restaurante começa a funcionar à s 11h e vai até as 13h30, mas, o expediente dos funcionários se inicia à s seis da manhã. A sobra da comida que normalmente ocorre nos dias de feriado, quando diminui o movimento, são levadas para o hospital Martagão Gesteira, sendo que antes tem que passar pela avaliação do nutricionista que controla o desperdiço se o nÃvel estiver muito alto.
Os freqüentadores do restaurante, que enfrentam filas quilométricas todos os dias, dizem que a comida é muito boa, mas que o suco à s vezes sai um pouco sem gosto. Mesmo assim vale o sacrifÃcio das filas e do sol escaldante meio dia, Maria do Socorro, 41, vende salgados ali na Avenida da França e almoça todos os dias no Prato do Povo. â€Almoço aqui por que é mais barato. Vendo salgado com suco a R$1, 00, não dá pra ir em casa todos os dias, moro em Ilha de São João é muito longe e também a comida aqui é boa fora o suco que não tem muito gostoâ€, diz Dona Maria, como é conhecida na fila que enfrenta todos os dias.
Mesmo enfrentando filas imensas visitantes do bairro, trabalhadores e moradores de rua não desistem de almoçar no restaurante Prato do Povo que é um dos poucos em Salvador que oferecem comida de qualidade a preço popular.
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