Certa vez meu tio Quim me convidou para assistir a Folia do Divino se apresentar em um evento aqui perto de BrasÃlia. Um festival realizado em um lugar tão belo que Yacy, sabendo da dificuldade do Homem em alcançá-la, criou naquele lugar um vale, para que lá pudesse sentir-se perto dela. E como todos que lá se quedam, fiquei encantado. Encantando com a beleza da região, mas ainda mais com aquele Encontro. Povos tradicionais se confraternizando, festejos, há muito esquecidos - ou apropriadamente ignorados - sendo tratados como as estrelas da ocasião, tão respeitados e celebrados como aquelas que iluminam as noites dos Veadeiros.
E de lá pra cá aprendi a cultivar. Dancei catira com os foliões. Cantei loas com os catireiros. Segui o cortejo das congadas. Bailei o bumba. Sambei e pisei em terreiro estrelado. Rezei com indÃgenas e com orixás. Fui reles escudeiro do Cavaleiro de Jorge. Segurei a pena e a lança da Guerreira da Serra da Mesa. Escutei com atenção o Mestre do Bonito.
Brinquei com mambembes e mamulengos.
Chorei com os Dessanas e os Avá-canoeiros.
Ri com os Kariris e os Yawalapitis.
Aprendi com os Xakriabás e os Xavantes.
Nadei com os Krahôs e me sequei em volta da fogueira dos Kayapós.
Me alimentei em terreiro de candomblé. Saboreei o peixe que o Ãndio pescou, o biscoito que a sertaneja amassou. Almocei com catrumanos e jantei com caruanas.
Alguns comem cultura. Muitos a devoram de tal maneira que não sobra mais nada dela.(¹)
Eu procuro ir um pouco mais além. Eu vivo cultura.
(¹) (aliás, recomendo assistir ao documentário “Escolarizando o mundoâ€)
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