Lilliput ou Brasília, Macondo ou Rio de Janeiro?

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Gulliver capturado em Lilliput
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Andre Luis Aquino · São Paulo, SP
11/8/2007 · 36 · 0
 

A impressão que temos é que o Brasil não foi um país descoberto pelos portugueses, mas que foi escrito ou pensado por alguém de profunda imaginação, como Ãtalo Calvino descreve em seu livro “Cidades invisíveisâ€, um Jonathan Swift e sua “Lilliput†de “Viagens de Gulliverâ€ou como uma Macondo de Gabriel Garcia Marques em “Cem anos de solidãoâ€, tamanha a surrealidade das situações.Vamos a realidade fantástica em que vivemos em forma das nossas duas fábulas mais recentes:
Fábula número um: Um tributo é criado provisoriamente para uma finalidade(a CPMF para investimentos em saúde, primeiro o percentual das movimentações financeiras recolhidas ao caixa do estado era 0,20% depois aumentou para 0,38%) e usado em outras áreas e pior, são tornados permanentes com o argumento do governo, não importando se é PSDB ou PT, de que estes recursos são imprescindíveis para manter os investimentos do estado no país. Pergunta: Quando a CPMF não existia o dinheiro vinha da onde? Resposta: Caia do céu.Fato: O brasileiro trabalha uma semana inteira por ano para pagar tal tributo.Se o governo soubesse gastar seu orçamento diminuindo o tamanho da máquina pública e aumentando a sua eficiência não precisaria de carga tributária tão pesada.Conclusão: A CPMF deve acabar.O aumento ou manutenção da carga tributária que pagamos é injustificável, já que aviões estão caindo feito moscas, as estradas têm buracos que mais se parecem com crateras da lua, a saúde pública nos obriga a pagar planos de saúde para não morrermos ou para manter nossa integridade física, pois há casos em que pessoas entram num hospital público para amputar a perna esquerda e que saem de lá sem perna direita.
Fábula números dois: Ao assistir o noticiário um assessor do presidente, Marco Aurélio Garcia, é surpreendido por uma câmera que capta a distância seus gestos obscenos (um punho fechado posicionado com o polegar na parte de cima, com a outra mão espalmada batendo por cima deste punho e fazendo o som de “Top.top, topâ€) expressando a sua satisfação quando indícios apontam para falha humana e não para inadequação da pista ou falta de investimentos em infraestrutura.No mínimo e por humanidade, deveria estar solidarizado com a tragédia que se abateu sobre as vítimas e suas famílias em virtude da queda do avião da TAM em Congonhas.Pergunta:Como um homem público ocupando um cargo tão importante pode ser tão insensível?Resposta: No Brasil a cultura política faz com que o interesse pessoal extrapole o interesse público o que torna os políticos meros lobistas ou defensores dos próprios interesses ou do “clube†a que pertencem.Quando se fala em dinheiro e poder qualquer sentimento desaparece.Fato: No estado brasileiro reina uma burocracia que tende ao infinito.Há na política uma espécie de continuísmos e alguns casos herança genética, apenas trocam-se os nomes, mas a ideologia permanece a mesma.Morre Antonio Carlos Magalhães, mas há toda uma corrente pensante, inclusive na pessoa de seu neto, que vai dar continuidade aos interesses que ele defendia.
Conclusão: Toda e qualquer manifestação para pressionar políticos é válida.A pressão da opinião pública é o único instrumento capaz de forçar os políticos a trabalharem em prol do país e não a serviço de si mesmos e seus “clubesâ€. Por mais cara-de-pau que eles sejam não estão imunes ao constrangimento e a pior agrura, a Criptonita dos políticos: Perder votos!
Diante de tanta realidade absurda que mais se parece com uma fantasia, um delírio, um desvairamento, uma ficção de folhetim, o brasileiro deve achar que está assistindo a novela das oito ao invés do noticiário.

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