MÚSICA E(M) POESIA

Anand Rao Multiempreendimentos
Anand Rao, Edelson Nagues e a Capa do CD
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CeciliaAlves · Aripuanã, MT
12/3/2013 · 1 · 0
 

Anand Rao é músico, Edelson Nagues é poeta. Ou Anand Rao é poeta e Edelson Nagues é músico. Ou o contrário. Ou vice-versa. Ou versa-vice. Música e poesia são indissociáveis, amalgamadas na busca de algo além de nossa experiência chã. E a arte é necessária porque a vida em si não basta, já disseram. Como disseram que a poesia é inútil e a música é dispensável.

Assim desafiadas, a música de Anand Rao encontra a poesia de Edelson Nagues, gerando rebentos poético-sonoros fragmentados, pontiagudos, incisivos, repetidamente delirantes, em contraponto à realidade crua, por si mesma torturante. Tentativa de dissolução da proclamada inutilidade no delírio de esperança ainda possível.

Nas nove faixas do CD “ANAND RAO MUSICA POEMAS DE EDELSON NAGUESâ€, um mantra, uma novena caudalosa... Em “Caudalâ€, a estranheza do ritmo cadenciado destacando o amargor do poema (“Estranho que sou, de mim. / Eles (o espelho que evito) / me cindem e me englobam. / Eles me são. Enquanto sangro / nas vagas da incompletude.â€), que sangra, sangra, sangra em acordes dissonantes pontuados pela voz precisa do cantor. Em “Contrapontosâ€, a repetição claustrofóbica de palavras sobrepostas, à guisa de um hip-hop estilizado, cria o efeito elíptico de conceitos que se (des)constroem continuamente, contrapondo o vazio da belicosidade global à possibilidade mesma da sublimação pela poesia (“Se bomba / o poema /[...] se espada / a palavra / se granada / a sílaba / se bala / a letra / se ódio / o hiato / [...] se anátema / a metáfora / se fanático / o anacoluto / se cadáver / a linguavivaâ€). “Em vão†trás uma melodia melancólica, sustentada por teclado e violão, com arranjos vocais sampleados, que pontuam a dor expressa no poema (“Nas fotografias / do menino alegre / e do homem triste / procurei / em vão / o elo perdido // do eu.â€). “Noturno†e “Noturno de rua†expressam o isolamento do homem hodierno, perdido em um vagar solitário (“Sob a sacada / um grilo / grita / minha in- / signific / ância†e “O silêncio está nos homens. // Somos, todos, ruas / noturnas e desertas.â€). As melodias fragmentadas, sincopadas, refletem a sensação de um estar-no-mundo-não-estando. Já o poema “Reminiscênciasâ€, quando aponta para um alívio, com imagens de uma infância afeta a quase todos nós (“Meu pai deflorando a terra / com seu arado de luz. // Minha mãe cerzindo o tempo / com fios nascidos das mãos. // E os irmãos se balançando / pendurados nos dentes do dia.â€), traz um fecho não menos angustiante (“Só não existe o menino, / que a cidade engoliu, / com seu hálito de enxofre.â€), já anunciado nos arranjos iniciais, com sons distorcidos de teclado erguendo-se em muros de notas musicais que não permitem augúrios de fuga. “Resumoâ€, por seu turno, com um belo e impecável arranjo vocal e um som de catedral ao fundo, mostra que a liberdade é possível, desde que internalizada (“Não tenho nada a temer. / Por isso é que sou livre. // Não tenho tempo a perder. / Só vou aonde nunca estive.â€). “Sob o viaduto†mais uma vez traz o homem em seu isolamento na metrópole (“Na solidez do concreto, / um músico de rua / canta / a Canção agalopada. // Em meu galope / sem rumo, / atropelo a música / e ultrapasso / o silêncio.â€), tema recorrente na poética naguesiana. A música, ora melancólica, ora ritmada, marca o galope errante de um homem em fuga/busca de si mesmo ou a marcha modorrenta de um trem lotado de seres solitários. “Sobre o riso†(“O riso / é um risco / arisco / na cara / que se / mascara // [...] que vaga / qual vaga- / lume / e de sua luz / transpira / ora verdade / ora mentiraâ€) é cantada sobreposta a uma base rítmica composta por vozes gingadas, em perfeita sincronia com a voz em destaque, a pontuar os versos ríspidos.
Tão inútil quanto toda expressão de arte, as músicas da parceria ANAND RAO & EDELSON NAGUES propõem um encontro com/entre a sensibilidade e a reflexão, introduzindo-se, com um corte preciso, no turbilhão do dia a dia.

Serviço

Adquira o CD para download no seguinte endereço www.onerpm.com/anandrao ou então no Itunes procurar Edelson Nagues ou Anand Rao.

Veja a gravação do CD, como foram feitas as músicas, no seguinte canal do You Tube: www.facebook.com/user/producaonandrao e procure Edelson Nagues e Anand Rao.

Você também pode solicitar o CD físico para o seguinte e-mail: anandraomultiempreendimentos@gmail.com .


Assessoria de Imprensa
Do CD Anand Rao musica poemas de Edelson Nagues

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