Em breve, o meu personagem predileto ganhará o corpo de Colin Farrell. Em Pergunte ao Pó (Ask The Dust), o filme. Não enxergo em Colin o rosto que imagino ser de Arturo Bandini, personagem-Ãcone da obra de Fante. Mas Bandini será ele e ponto. Domingo, pego a estrada em direção a Maceió. Vou de carona, passar vinte dias de favor num hotel quatro estrelas. Queria levar comigo uma máquina de escrever ou um notebook. Estar de férias, para mim, significa tempo disponÃvel para tentar escrever um grande romance. Aliás, desde que aprendi a ler e escrever, aos seis anos, viver para mim significa tentar escrever um grande romance. Para isso, todo o resto, o curso de jornalismo, a adolescência reclusa, lendo livros e mais livros, a fase adulta inspirada em Kerouac, bebendo todas, e, finalmente, esta maturidade absurda, na qual ainda penso em escrever um grande romance. E nem adianta tentar me fazer desistir com argumentos banais como a falta de talento ou a força maligna das panelinhas literárias. É que como o garoto de Fante, nada me emociona mais do esta lida, a mais vã, a mais essencial, o beco mais sem saÃda. Preciso arrumar um notebook e colocar na mala, preciso aproveitar estas férias para escrever meu primeiro grande romance.
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