E abra-se alas para que as ruas se tornem palco e para que os palcos ocupem as ruas!
Lugar de passagem e de permanência, da coletividade, da continuidade, também do egoísmo e dos múltiplos perfis. As ruas nos trazem um simbólico abrangente, que muitas vezes é encarado de forma limitada, restringindo as ideais para inúmeras possibilidades de sua utilização.
Entretanto, o imaginário da população, em relação as vias públicas, tem se resignificado e cada vez mais as pessoas tem levantado a pauta da ocupação criativa. Seja com sarais, intervenções de artes visuais, expressão da cultura Hip Hop ou, até mesmo, com a exposição e venda dos produtos dos artesãos de rua. Quem ganha nessa investida é a cidade, que vê a efervescência da cultura local se potencializar, valendo-se das tradições e agregando novos valores à elas.
Ontem (24/02) o Parque Municipal de Belo Horizonte recebeu uma adaptação livre da peça “Rei Lear”, apresentada pela Companhia Lúdica dos Atores e integrada à Campanha de Popularização do Teatro e Dança. Ricardo Martins foi o diretor responsável por esta releitura do espetáculo de Sheakspeare. Como não poderia deixar de ter sido, dezenas de cidadãos acompanharam a narrativa bem humorada e cheia de elementos circenses.
“Isso é bom pra atrair a atenção da gente. Peça sem comédia é ruim. Ainda mais no domingo de manhã, no meio do Parque”, afirma Antônia Figueiredo, 39, que levou as duas sobrinhas e o namorado para assistir a perfomance. Edmar da Costa, 36, namorado de Antônia, completa dizendo que “a cultura está chegando para todo mundo e que as opções são muitas”.
Ponto positivo para os agitadores culturais da cidade: as pessoas não mais se surpreendem com o movimento gerado pelas ocupações criativas nos espaços comuns. Rei Lear estava à todo vapor próximo ao coreto do parque, enquanto sabe-se lá quantas outras atividades aconteciam ao redor.
O evento daquela manhã - e início de tarde - não é uma fórmula nova e é apoiado pelo Poder Público. Contudo, seu mérito está em demonstrar que Belo Horizonte vive um momento histórico. A cidade está acordando e permitindo que as diversas fluentes da cultura se tornem parte de sua dinâmica.
Ainda que de alas abertas, a construção deste novo cenário não terminou.
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