O pessoal mais antigo conhece: esse desenho da calçada da Rua Barão de Ipanema, em Copacabana, é, ou era, a cara do bairro e estava presente em todas as ruas internas, inclusive na avenida N.S. de Copacabana e rua Barata Ribeiro. As famosas ondas só na praia, tanto as de verdade, como as de pedras portuguesas.
Além de dar uma cara para cidade, uniformizando seu tipo de piso, o calçamento com pedras portuguesas é robusto, durável e sustentável, já que as pedrinhas podem ser reutilizadas. E tem mais: é fácil de lavar e absorve com facilidade as águas das chuvas. Numa cidade como o Rio, isso é fundamental.
O grande problema mesmo é a falta de conservação. Tirando o calçadão da orla, projetado por Burle Marx , considerado o maior mosaico do mundo e devidamente tombado pelo patrimônio histórico e cultural, as calçadas nas ruas internas são de responsabilidade dos moradores. E nem sempre encontramos condomÃnios cuidadosos como o da foto.
Para piorar, lentamente as pedrinhas são trocadas por cimento, destruÃdas pelo estacionamento de carros nas calçadas (um péssimo hábito carioca) e desfiguradas por jardineiras, jardins e fradinhos, instalados para impedir justamente que automóveis parem sobre as calçadas!
A prefeitura se defende alegando que falta de calceteiros, o profissional especializado nesse tipo de serviço. E justifica o uso do cimento para melhorar a segurança dos idosos. Sei não, quem já esteve em Lisboa sabe que suas calçadas de pedras portuguesas parecem um tapete. Será que não temos capacidade de formar esses profissionais ou simplesmente estamos nos nivelando por baixo, como tudo neste Brasil?
Mas mesmo lá na terrinha a situação não está nada boa. A Assembleia Municipal de Lisboa aprovou o Plano de Acessibilidade Pedonal prevendo, entre outras medidas, a substituição das calçadas portuguesas (como são chamadas por lá) por um piso mais seguro e confortável, até 2017. O assunto é polêmico, mas parece ser irreversÃvel.
A identidade cultural de uma cidade passa pelo seu mobiliário urbano. As pedras portuguesas são a nossa herança lusófona, um cartão postal do Rio, reconhecido no mundo inteiro. Não dá para abrir mão desse patrimônio. Ou esquecer que ele está sempre lá.
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!