Projetos com diversão e arte

1
Itevaldo Júnior · , MA
22/6/2006 · 10 · 0
 

Um casarão do século XVIII que já teve como morador o poeta Gentil Homem de Almeida Braga, hoje sede do Departamento de Assuntos Culturais da UFMA, tornou-se o maior e mais movimentado espaço cultural do estado. Não há no Maranhão nenhuma entidade ou instituição ligada à cultura que tenha programação tão extensa e variada quanto a que o DAC apresenta durante todo o ano. Mas, para o diretor do Departamento de Assuntos Culturais, Euclides Moreira Neto, "no fundo, no fundo o que a gente faz aqui no DAC é administrar sonhos".

O mesmo lugar que inspirou o poeta Gentil Homem de Almeida Braga a escrever o livro Entre o Céu e a Terra, em 1869, hoje inspira a equipe do DAC a tornar realidade 14 projetos culturais. Quem for ao DAC pode cruzar e apreciar atividades nas áreas de cinema e vídeo, artes plásticas, teatro, música e literatura. E durante o ano inteiro.
"A programação cultural do DAC está estruturada em 14 projetos desenvolvidos ao longo do ano. Nesses projetos nós atendemos as diversas áreas de expressões artísticas", explica Euclides. Com maior destaque para área da música.

O DAC foi inicialmente criado com o nome Coordenação de Assuntos Culturais, na década de 70, pelo professor Mário Cella. "No primeiro momento, foi criado o Coral da UFMA, a partir daí surgiram o cineclube, grupos de teatro, de música de câmara, pesquisa folclórica. Até chegar à estrutura de departamento, nisso que é hoje. Porém, sempre ligado à Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Estudantis, "PREXAE", detalha Euclides Moreira.

Entre os eventos realizados pelo DAC estão o Festival Maranhense de Coros (Femaco), o Festival Guarnicê de Cine-Vídeo, Festival Universitário de Reggae (Unireggae) - que são considerados os maiores. Também estão na lista o Festival Maranhense de Poesia Falada, a Mostra de Canto Lírico, o Projeto Carcará e a Mostra de Arte Efêmera, entre outros.

Dirigindo o Departamento há seis anos, Euclides Moreira Neto diz que nesse período ficou conhecido com um grande mala na cidade. "Todos esses projetos têm um valor econômico muito baixo, com exceção do Guarnicê, Femaco e o Unirregae. E mesmo com o custo baixo, ainda temos dificuldades em encontrar patrocinadores. Tanto é que estamos o ano todo com o pires na mão. Nós devemos ser considerados grandes malas na cidade, porque para a gente realizar tem que estar pedindo", acredita.

Como sonhar não custa nada, a direção do DAC continua sonhando, e fazendo das suas, para tornar esses sonhos realidade. "Na medida em que temos determinação e vontade suficientes, a gente consegue desenvolver com recursos mínimos nossos sonhos, eles estão se tornando realidade", afirma.

Para atrair algumas moedas de reais para o pires do DAC, a receita de Euclides se baseia numa política de boa vizinhança. "Ao longo desses seis anos, nós sempre procuramos ter boas relações com as instituições públicas e privadas. Ainda encontramos dificuldades em conseguir parcerias com as instituições públicas. Este ano, por exemplo, ainda não conseguimos nada. Mas estamos avançando".

Para a diretoria do DAC, a falta de dinheiro não é o fim para a realização dos projetos. Diferente de outras instituições, ainda consegue realizar eventos sem a pujança de moedas de real. Antes do dinheiro, o DAC ainda sofre com a falta de pessoal. "Esses eventos acontecem pela determinação da equipe do DAC. Nos últimos anos, ela foi reduzida a menos da metade, isso porque várias pessoas tiveram que se aposentar ou faleceram, e essas vagas não foram preenchidas. Nesse período perdemos nomes como José Chagas, Sabina Dias Carneiro, Maria da Paz Vieira, Mauro Viana, Pedro Santos, Ribamar Mendonça, Raimundo Cunha, nomes que davam uma contribuição muito grande", comenta. E complementa: "Quando você entrou aí não tinha ninguém lá na porta? (referindo-se à porta de entrada do Palacete). Nós não temos mais segurança durante o dia, somente à noite, e isso é um problema".

Uma vantagem do DAC é que, mesmo sendo um departamento da universidade, conseguiu desvencilhar-se da lógica intramuros que tomou conta dos corredores, das salas e dos gabinetes universitários.

O Departamento consegue dialogar de forma permanente com a sociedade. "O DAC é o departamento de maior visibilidade hoje para a UFMA. Esse lugar tornou-se uma referência, exatamente porque a equipe se doa muito para que as coisas aconteçam".

Com o apoio e a parceria da Fundação Sousândrade, o Departamento de Assuntos Culturais encontrou um caminho que vem apaziguando a escassez de recursos financeiros: a Lei Rouanet de Incentivo à Cultura. Todos os 14 projetos desenvolvidos pela DAC foram aprovados pela lei federal. "Bastava somente que o empresariado investisse em Cultura para ter parte desses investimentos deduzidos no Imposto de Renda. Mas como conseguir isso?", indaga-se Euclides. Talvez o poeta Gentil Braga, com o seu Entre o Céu e a Terra, pudesse encontrar a reposta.

Música para todos os estilos


A área da música é a mais atendida nos projetos do Departamento de Assuntos Culturais. O Carcará (que acontece no Campus do Bacanga toda quinta-feira, às 12h); o Festival Maranhense de Coros (Femaco); a Mostra de Canto Lírico - prevista para acontecer no mês de agosto -; a Tocata de Banda e Fanfarras, que acontece em novembro; a Cantata Natalina; Quarta Cultural e Festival Unirregae são opções para quem faz e quem gosta de música.

O Festival Universitário de Reggae já teve duas edições. "A idéia era fazer um festival leve, que atendesse essa grande camada da cidade que gosta de reggae", explica Euclides. Este ano, o Unirregae deve voltar a acontecer na Praia Grande. Segundo o diretor do DAC, o local é "onde tudo está rolando. Mas até agora nós não conseguimos vender a idéia para o empresariado".

O Unireggae necessita de um investimento maior, assim como o Femaco e o Guarnicê. O evento engloba custos do tipo pagamento de banda, som, palco, iluminação, sem falar na mídia. "Eu estou achando que ele será um evento que não vai acontecer", resigna-se Euclides Moreira.

Coros - O Femaco é outro grande projeto e existe há 29 anos. O festival de Coros iniciou em 77 no Teatro Arthur Azevedo. "O Femaco reúne mais de dez grupos com formações que variam de 20 a 40 pessoas. Imagine como é receber os grupos de fora. Na medida em que o Femaco acontece, fortalece os próprios grupos da cidade, que se sentem motivados a continuarem estudando e trabalhando".

A Mostra de Canto Lírico é o próximo evento do calendário do DAC, está previsto para acontecer em agosto. "O Governo do Estado dará a premiação por meio da Escola de Música. Mesmo assim, ainda não temos recursos para pagar pianista, apresentador, para fazer um cenário no teatro. E infelizmente temos recebido só 'não'. Mas vamos fazer", garante. O Quarta Cultural é dirigido a pessoas emergentes da área da música e do teatro. O calendário de apresentações do Quarta-Cultural está fechado até o final do ano.

Iniciado no final de 97, o Carcará não conseguiu cumprir ainda um calendário ininterrupto durante o ano. Enquanto sobreviver, o Carcará será um espaço emergente para novos valores da nossa música. Mas isso não tem inibido o desejo de artistas de renome participarem do evento.

compartilhe

comentários feed

+ comentar

Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

filtro por estado

busca por tag

revista overmundo

Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!

+conheça agora

overmixter

feed

No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!

+conheça o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados