Não é de hoje que ele faz e declama poemas, dividindo palco com muita gente boa da literatura e da música. Mas só recentemente publicou seu primeiro livro, ACERTO DE CONTAS (Kelps/2007, 112 páginas). Entre uma e outra folga no trabalho como jornalista, participa de recitais pelo Brasil ao lado de poetas com quem interage e troca experiências.
Depois de apresentar a obra no Salão do Livro do Tocantins, no ano passado, o poeta deu início a uma série de lançamentos em outras capitais do País. Além de Palmas e Araguaína, no Tocantins, o livro já foi lançado em Brasília, São Luís e Goiânia.
Agora o autor se prepara para dois outros lançamentos que assim como os demais serão marcados por recitais. Um deles em São Paulo, no dia 27 de março, e outro em abril no Rio de Janeiro, em data ainda não definida.
O trabalho de divulgação do livro em lançamentos e pela internet já rendeu bons resultados, como a tradução de poemas para o francês pela escritora e fotógrafa francesa Elisabeth Delquígnie, Mas tal divulgação, segundo Rezende, é mero pretexto para muitas andanças, em que vem colhendo elementos para um outro livro que pretende fazer sobre peculiaridades dos lugares e do povo do Brasil.
Como se banca nisso? Ele mesmo explica, em tom de ironia: "Sou um blefado e levo tudo na flauta; abuso do gogó e do sapato".
Nesta entrevista, o poeta fala um pouco sobre o que pensa da literatura em Palmas, a mais nova capital do País.
Qual a sua visão sobre o desenvolvimento da literatura em Palmas?
Palmas é uma cidade nova, em que tudo está acontecendo ou deve ainda acontecer. Uma cidade de população diversa, formada por pessoas vindas de quase todas as regiões do Brasil, portanto bem heterogênea no aspecto cultural. O desenvolvimento da literatura aqui, seguramente, não é distinto dessa realidade. A arte espelha a vida em sociedade, muitas vezes com nuances bem contemporâneas e regionais, por mais que tenha origens milenares e universais. Diria portanto que a literatura em Palmas está também em desenvolvimento, assim como a cidade e seu povo. Palmas não tem uma identidade definida, senão esta da mistura, da heterogeneidade cultural. Do mesmo modo, temos a salada cultural, o que é até interessante. O que temos de produção na área da literatura são apenas alguns livros lançados ao longo dessas quase duas décadas de surgimento da capital, a partir de iniciativas isoladas de seus autores, em grande parte com o apoio do poder público. Temos uma literatura incipiente ainda, em desenvolvimento.
Em termos de produção literária, como você vê a posição do gênero Poesia na literatura palmense?
A poesia talvez seja o gênero da literatura que mais tenha sido praticado em Palmas ao longo destes anos. Muita gente desengavetou versos para mostrá-los em livro ou em outras publicações alternativas. Isso é muito bom porque fermentou o meio literário neste segmento específico, não só criando algumas primeiras referências poéticas na cidade, mas sobretudo permitindo a formação e o surgimento de grupos de discussão. Há que se debater muito sobre o fazer poético, principalmente nos aspectos de conteúdo e qualidade, por mais subjetivo que isso pareça, dentro e fora dos meios acadêmicos. No meu modo de ver, tais publicações, recentes ou não, acabaram revelando alguns bons poetas e expondo outros simples fazedores de versos. Claro que isso de gosto ou de definição do que é bom ou ruim em poesia é uma questão muito pessoal, tanto por parte de quem lê como por parte de quem escreve. O que importa enfim é que, em termos de produção na área de poesia, tivemos várias publicações. E isso já é um começo e tanto quando se fala em “literatura palmense”. A cidade ainda não tem vinte anos.
Quais ações, no seu entendimento, incrementariam o fazer literário e particularmente o fazer poético em Palmas?
A literatura tem que chegar às crianças, em casa e nas escolas; aos estudantes de todos os níveis escolares e sobretudo às universidades. Não somente para despertar nas pessoas o gosto pela leitura, possibilitando assim a formação de um público consumidor do que se escreve, mas também para estimular o surgimento de novos autores. Vejo com alegria algumas iniciativas nesse sentido, todas de grande valia, individuais ou coletivas. No meio acadêmico, ou seja, nas universidades, há que se estimular o surgimento de movimentos literários, a formação de grupos de poetas. Uma ótima iniciativa nesse sentido é investir nas publicações coletivas no meio universitário; ali é onde o pensamento filosófico deve estar fervilhando sempre, um ótimo combustível para a produção poética. Fora desses meios estudantis, a poesia também precisa de estímulos. Oficinas de literatura, recitais, festivais de poesia falada, concursos literários, investimentos em publicações, enfim. Felizmente, há quem esteja trabalhando muito nesse sentido. E não somente na esfera pública. Pode-se fazer mais e mais. O campo é vasto e fértil. Se plantar com jeito, a seara é farta.
Atualmente está ocorrendo na cidade algum diferencial em relação à literatura? Qual?
Sua pergunta é subjetiva. Diria que atualmente discute-se mais a literatura, há mais investimentos públicos e privados em publicações e iniciativas de fomento ao fazer literário. Isso é fruto do amadurecimento e das experiências ao longo dos anos, mas fundamentalmente fruto de novas políticas culturais. A Fundação Cultural, por exemplo, tem hoje um departamento específico na área de literatura. Percebe-se também mais abertura na formação dos Conselhos de Cultura. Isso é muito bom. Sempre vi Palmas como um excelente laboratório em todos os sentidos da vida em sociedade.
Na tua percepção, o que significa a publicação virtual? Ajuda ou atrapalha a produção literária? Quais suas influências e funções?
Já não se pode mais negar ou pôr em dúvida o poder e o fascínio das publicações virtuais em relação aos trabalhos impressos. Tudo mais imediato, menos dispendioso, mais acessível. Sei que é ainda muito pequeno o universo de pessoas que têm acesso a computador e internet. Do mesmo modo que, também sabemos, a maioria do povo brasileiro não tem acesso aos livros, que são muito caros, ou a jornais e revistas, entre outras publicações. Vejo o meio virtual como um excelente canal de difusão da produção artística e, principalmente, de interação entre quem produz arte no Brasil e no mundo. Há uma infinidade de sites e comunidades na área de literatura, para os mais diversos gostos e as mais variadas vertentes. Os blogs, por exemplo, são páginas virtuais que hoje viraram o grande veículo de divulgação do trabalho de escritores. Claro que há muito “lixo” na rede, coisa de má qualidade; mas, garimpando bem, a gente acha muita coisa interessante. Eu tenho usado a rede para publicar e divulgar o que faço em prosa, verso e fotografia. O interessante no meio virtual é que, além de divulgar, você cria uma relação de interatividade com o leitor. Mais interessante ainda é a possibilidade de interagir com quem também produz, sem as barreiras das fronteiras geográficas. Um autor de Palmas pode interagir com alguém que aprecia e produz literatura em Paris, por exemplo, ou em qualquer lugar do mundo, seja nas grandes ou em pequenas cidades. Isso é magnífico. Não acho que o meio virtual atrapalha a produção convencional, ou seja, a impressa. Os dois modos de produção coexistirão sem problemas. Nada substituirá o prazer de abrir um livro, sentir o seu cheiro, tateá-lo como criatura que nos fala, página por página. Mas uma coisa me entristece muito neste sentido: comparar os públicos das bibliotecas e das lojas de acesso à internet; ver como os “cybers” se proliferam por aí em larga situação de vantagem em relação às bibliotecas. Pior é saber que a maioria das crianças e dos jovens buscam no computador apenas o entretenimento dos jogos e páginas que alienam tanto quanto a programação das TVs brasileiras. Isso entristece qualquer ser que pensa e quer um mundo diferente. Com que cabeças poderemos contar para mudar os rumos do mundo, sobretudo por meio da literatura, esta velha senhora, que tanto se remoça mas continua sendo pouco percebida?
olá, nilo alves.
uma coisa que me chama a atenção na obra do rezende é a sonoridade aplicada na construção dos poemas. parece que ele escreve experimentando o estalo oral da palavra, como se os poemas fossem feitos para serem declamados. declamando, então, é que ele se revela todo alma e coração. excelente colaboração esta sua. vi a matéria da glês nascimento, que você indicou no link.
Legal, é muito bom saber que sempre dentre tantos e tantos que escrevem no Brasil, alguém consegue publicar, editar um livro.
Parabens pro ce e pro rezende,
Já anotado, recebi convite por e mail, recomendarei a amigos. Sucesso ao Poeta, Escritor e fotógrafo Rezende.. A Poesia realmente deveria chegar às escolas, pois o mundo seria menos doloroso.Vou querer um exemplar. Parabens Nilo Alves .
Cintia Thome · São Paulo, SP 24/3/2008 07:37
Boa, Nilo.
Vale lembrar este lançamento do Rezende será uma grande noite de poesia falada, com a participação dos poetas convidados Caco Pontes, Andréa Catropa, Andréa Pedro e Celso Borges, além das participações especiais do guitarrista Rafael Agra e do PROJETO CRIOLINA, desenvolvido pelos músicos maranhenses Alê Muniz e Luciana Simões.
Estamos trabalhando na divulgação do evento, cuja produção é de Celso Borges e Sérgio Castellani, da Ponto de Bala Produções, produtora de Zeca Baleiro. Zeca inclusive é quem assina as orelhas de apresentação do livro.
Não percam o brado destes bardos e o som do Criolina.
Aquele abraço!
Salve Nilo,
já chegou chegando hein!!...rs!
boa a entrevista!
Abraço!
Para comentar é preciso estar logado no site. Fa�a primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Voc� conhece a Revista Overmundo? Baixe j� no seu iPad ou em formato PDF -- � gr�tis!
+conhe�a agora
No Overmixter voc� encontra samples, vocais e remixes em licen�as livres. Confira os mais votados, ou envie seu pr�prio remix!