Não tenho dúvidas, a briga é feia e é cultural.
Vou ao centro e vejo esculturais baianas rendadas, bancas-instalações reluzindo ouro falso, poucos e legais carrinhos eletrizados de café, enquanto nos postes, somente anúncios de limpa-se fogão, jogam-se búzios ou algo do gênero.
Já numa avenida de vale, respiro mais aliviada quando surgem autorizadas imagens no concreto, na seqüência vem um viaduto onde crews locais deixaram rastros em graffiti. Indo mais para a orla, em algum canto boêmio, vejo pequenas mas corajosas intervenções: um risco aqui, um jato de spray ali, um resto do que foi um dia um adesivo... tudo muito válido e também muito pouco representativo.
E se me perguntarem pela perifa, vou dizer que rola, tem um fundamento, mas falta grana pra ficar profissa e mais bacana do ponto de vista artÃstico.
Será que um dia isso muda nessa terra? Era o que eu mais queria: a desordem paulistana, a personalidade cosmopolita (inter)ferindo num cenário completamente rococó de maneirismos populares.
Cheia desse cartão postal de cores e Ãcones desbotados pelo sol, digo que está na hora de repensarmos essa estética. Venho propondo isso e vendo o quanto é complexo e moroso.
Às vezes dá vontade de desisitir, outras, quero sair colando por cima de tudo mas logo me controlo, mergulho na web, wooster collective na cabeça, não paro de criar oportunidades para mostrar que a arte só é boa se for livre e na rua ela fica ainda melhor.
Temos que desmistificar a street art e, de forma inteligente, agregá-la à nossa realidade, sem ser piegas, sem estilizar orixás para não precisar ganhar grana grafitando somente em azul, vermelho e branco _ as cores da bandeira da Bahia.
* Escrevi esse texto no inÃcio de 2005 e hoje, um ano depois, muitas coisas mudaram: a cidade está riscada, há incentivo por parte de projetos públicos e seu povo respirando mais tinta e conseqüentemente mais arte.
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