A primeira mostra do projeto VÃdeo Urbe, idealizado pela artista e pesquisadora multimeios Moana Mayall, apresentou uma curadoria de instalações de videoarte, tendo como suporte a própria pele da cidade (a fachada ou empena de edifÃcios em diferentes bairros do Rio de Janeiro). Realizado em maio de 2011, com trabalhos dos artistas Eder Santos, Chico Jofilsan, Simone Michelin e João Penoni em Ipanema, Centro, Lapa e Maracanã, levantou relevantes questões sobre a arte contemporânea, suas fronteiras e suas implicações públicas. Como é amplamente sabido, o conceito de “campo ampliadoâ€, cunhado por Rosalind Krauss em seu célebre artigo de 1979, oferece balizamento teórico para um sem número de obras multimÃdias, hibridizações e mestiçagens que caracterizam o momento pós-moderno.
Instalações e trabalhos multimÃdia tornaram-se, já no despontar do século 21, onipresentes em galerias, feiras de arte e bienais de todo o mundo. No entanto, as potencialidades geradas por tais desguarnecimentos de fronteiras e de procedimentos entre as artes no momento atual, longe de estarem esgotadas, continuam a instigar novas pesquisas e exigir novos posicionamentos de cada artista e de cada espectador. Desta forma, o projeto VÃdeo Urbe, já em sua primeira edição, procura renovar o conceito de arte pública e de intervenção urbana ao mesclar tais práticas, em geral eruditas, não simplesmente aos recursos e procedimentos pop de VJs e do digital graffiti, mas também à s pesquisas de linguagem próprias do videoarte (que por sua vez dialoga com a linguagem da poesia) e à s experiências do trans-cinema, seja imersivo ou participativo.
Desta forma, engajando artistas, espectadores e habitantes, o projeto VÃdeo Urbe chama à vida o próprio corpo da cidade, resgatando-a como organismo. A ideia é transformar a cidade em elemento ativo, capaz de emitir uma voz, de especificar uma gramática, de entrar em diálogo, de criticamente lançar de volta a nossa imagem em movimento, espelhar os nossos próprios corpos, surpreendentemente vivos e latejantes, como parte da própria obra. Levantando questões sobre a arte, suas funções e suas práticas, seus procedimentos, sua estética e sua fruição, seus espaços e seus públicos, divertindo, transgredindo e emocionando, o projeto VÃdeo Urbe tem tudo para se expandir e se firmar como um evento anual no circuito das artes cariocas.
*Renato Rezende é autor de Passeio (Record, 2001, Bolsa da Biblioteca Nacional para obra em formação), Ãmpar (Lamparina, 2005, Prêmio Alphonsus de Guimaraens da Fundação Biblioteca Nacional) e Noiva (Azougue, 2008), além de Guilherme Zarvos por Renato Rezende (Coleção Ciranda da Poesia, EDUERJ, 2010), Coletivos (com Felipe Scovino, Circuito, 2010) e No contemporâneo: arte e escritura expandidas (com Roberto Corrêa dos Santos, Circuito/FAPERJ, 2011), entre outros. Tem apresentado trabalhos em diferentes suportes em eventos como a Draw_drawing_london biennale (2006), o festival de poesia de Berlim (com o coletivo GRAP = rap + poesia + grafitti, 2007), o Anarcho Art Lab, em Nova Iorque (2011), e o Urbano Digital, no Parque Lage, Rio de Janeiro (2009), entre outros. Em 2010 apresentou o site specific Eu posso perfeitamente mastigar abelhas vivas e em 2011 a interferência urbana MY HEART IN RIO, em parceria com Dirk Vollenbroich, no Oi Futuro de Ipanema, Rio de Janeiro. É Mestre em Artes pelo Instituto de Artes da UERJ.
Muito bom.
Postamos em nosso blog também:
http://www.mucurycultural.org/2011/12/vide-urbe.html
Grande abraço.
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