Kaiapó é uma palavra que existe desde o inÃcio do século XIX e tem origem em outros grupos indÃgenas. A autonominação dos chamados kayapó é mebêngôkre que significa literalmente "homens do poço d'água".
Nessa cultura as danças são levadas muito a sério, são rituais de fé que conclamam a relação com a natureza, a sociedade e a história.
Na Aldeia Multietnica do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, a presença kayapó se destaca pelos sons e as cores. São muitas crianças e adultos que se respeitam em todos os detalhes, sempre liderados pelo sábio cacique Akyaboro.
Ayiaboro é filho do guerreiro Kapren, que foi um dos lutadores mais famosos da etnia kayapo mebengokre. Herdou do pai o espirito guerreiro que fez com ele se tornasse o icone de liderança da comunidade kayapo no Estado do Pará.
Desde criança recebeu os ensinamentos do pai e do tio que lhe transmitiram força. Esses ensinamentos aconteciam todas a noites e ssegundo ele se estendiam ate tarde, assim gradativamene os mais velhos incutiam na sua mente como preservar as tradições indigenas desde a dança, a comida, as curas e o respeito ao meio ambiente.
Aos 16 anos de idade sentiu necessidade de aprender mais e foi para a cidade estudar e aprender a lingua do homem branco.
Dai em diante Akyaboro começou a reivindicar ações em prol do seu povo. Foi reconhecido e se tornou o lider da aldeia por eleição, atualmente lidera 39 aldeias e aproximadamente 6500 pessoas.
Akyaboro se considera livre, não tem vinculos empregaticios com o governo, como "alguns parentes" tem o que, segundo ele, os impedem de falar com liberdade.
Akyaboro tem sido o porta voz dos indigenas em muitas questões como a construção da usina Belo Monte e outras. Ficaram famosas frases suas :
"O objetivo é evitar ir à guerra, que será muito ruim, pois haverá muitos mortosâ€.
(questionamento do ex presidente Lula sobre Belo Monte)
Depois quando foi cobrado para uma ação mais enérgica e imediata contra a Funai (que os teria traÃdo), o grande cacique convenceu os demais com sua lógica simples:
-A Funai não pode falar pelos Ãndios. Ela concordou com a construção de Belo Monte porque é um órgão do governo e não vai brigar contra ela mesma.
Sobre as novas decisoes da CNPI, (Comissão Nacional dos Povos Indigenas), Akyaboro Kayapo mais uma vez extravasa seus anseios:
- Decreto do governo tira o poder da Funai, dos indigenas, autoriza a policia Federal a entrar nas aldeias e fazer o que eles bem querem, foi uma grande traição do Governo. Cade as leis? Cade a Constituiççao Federal que fala dos direitos dos povos indigenas?
Atualmente sua maior preocupação é em preparar pessoas para o futuro, nas reunioes periodicas na aldeia ele sempre pergunta quem será seu sucessor.
Para se tornar um cacique é necessário um longo periodo de aprendizagem e conseguir o respeito de todos os parentes. A função de um cacique dentre muitas outras, é a de fazer perpetuar as tradições indigenas, não deixar que se percam com a influencia do homem branco e da tecnologia.
Akyaboro considera que a construção de Belo Monte acarretará problemas sociais para sua aldeia, pois os indigenas ficarão muito perto do branco e isso influencia costumes como alcoolismo, danças e músicas diferentes, comidas e até mesmo a união entre indios e nao indios. Os jovens segundo ele "vão misturando e puxando nois..."
A educação indigena kayapó é feita com regras especificas, não usando autoritarismo e sim autoriadade. Akyaboro estranha muito o modo do homem branco tratar suas crianças, confessa que tem sofrido muito em ver pais brancos espancando os filhos, assim ele diz:
- Bater nao adianta, nã educa, é so falar forte a criança ouve. Falando forte doi mais que bater... Eu nunca bati nos meus filhos, so o castigo, falar grosso, nois num pode bater nos filho, num conserta...
Suspirando e olhando as dezenas de crianças kayapos brincando livremente, o grande mestre da nação kayapo faz questão de registrar uma mensagem:
- Todos irmaos indigenas, todos irmãos brancos escutar, todo o Brasil que eu amo, sou brasileiro, eu ama a natureza, ama os peixe, ama as agua para segurar o pulmão do Brasil precisa respeitar mais. Estou pedindo, respeita a floresta, respeita a montanha, respeita o outro indigena ou não.
Pensativo ele entra na roda das crianças e começa a cantar uma musica na lingua kayapo e todas as crianças cantam e dançam com ele, imitando os passos de um lider que sempre aprenderam a respeitar.
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