Quando o escritor moçambicano Mia Couto, um dos mais importantes nomes da moderna literatura na lÃngua portuguesa, leu seu texto “Murar o Medoâ€, nas Conferências do Estoril, realizadas em Portugal, no ano passado, tocou na maior ferida da humanidade. Temos medo desde as nossas origens, quando sem luz procuramos abrigo dentro de cavernas contra inimigos reais e imaginários.
A humanidade evoluiu, foi ao espaço, aumentou seu conhecimento e o medo continua lá, sempre a nossa espera. O poder está sempre com quem tem a capacidade de provocar o medo, seja ele fÃsico, moral, espiritual ou psicológico. O medo vence porque ele não tem medo. O medo se basta, é intangÃvel e presumo, infinito. Talvez seja essa a nossa sina, para viver, precisamos temer.
É como afirma o Mia Couto:
“A nossa indignação, porém é bem menor que o medo! Sem darmos conta fomos convertidos em soldados de um exército sem nome e, como militares sem farda, deixamos de questionar. Deixamos de fazer perguntas e discutir razões. As questões de ética são esquecidas, porque está provada a barbaridade dos outros e, porque estamos em guerra, não temos que fazer prova de coerência, nem de ética nem de legalidade.â€
O vÃdeo com a palestra na Ãntegra pode e deve ser acessado no endereço http://youtu.be/jACccaTogxE. Não deixe de assistir.
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Existe uma saÃda contra o medo? O grande escritor português José Saramago, vencedor do Nobel de Literatura de 1998, em um artigo publicado na Folha de São Paulo, em 1991, garante que é possÃvel, mas só depende de nós mesmos, basta dizer não:
“A palavra de que eu gosto mais é não. Chega sempre um momento na nossa vida em que é necessário dizer não. O não é a única coisa efetivamente transformadora, que nega o status quo. Aquilo que é tende sempre a instalar-se, a beneficiar injustamente de um estatuto de autoridade. É o momento em que é necessário dizer não. A fatalidade do não - ou a nossa própria fatalidade - é que não há nenhum não que não se converta em sim. Ele é absorvido e temos que viver mais um tempo com o sim.â€
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